terça-feira, 22 de agosto de 2017

Agenda Cultural da Periferia na Rádio Heliópolis

Sintonizaí! 

Daqui a pouco, às 16h, tem Agenda Cultural da Periferia na Rádio Comunitária Heliópolis FM. 

Tem dica cultural gratuita (sarau, lançamento de livros, bate-papo, apresentações de teatro, dança, música, etc.)? Madaí nesta mesma postagem (o link da atividade ou data, hora e local detalhados) e ouça pela internet: www.radioheliopolisfm.com.br ou 87,5 FM nas imediações da comunidade! 

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Em SP, ato político-cultural marca o Dia Internacional de Combate à Tortura




JORNADA DE LUTA CONTRA A TORTURA

Dia 26 de Junho, às 16h, nas escadarias da Catedral da Sé, Praça da Sé, centro de São Paulo

Estamos atravessando um período sombrio, em que o governo oriundo de um golpe parlamentar tenta fazer passar medidas regressivas que cortam direitos conquistados arduamente pela classe trabalhadora, alguns estabelecidos desde a década de 1940, resultado das lutas sociais iniciadas no começo do século XX.  Este governo utiliza-se de uma base parlamentar corrupta, comprada com cargos e favores, exatamente na mesma tradição dos anteriores que criticava. 

Desde a última ditadura civil-militar a frágil democracia brasileira não foi suficiente para superar os males de origem do país como o genocídio dos povos indígenas e a perseguição e o controle dos pobres das periferias, especialmente negros, trabalhadores precarizados, desempregados e sem renda formal. 

O Judiciário brasileiro tem sido a mão de ferro do encarceramento em massa. Enquanto o Brasil já soma mais de 14 milhões de desempregados, há 700 mil pessoas presas no país, um vergonhoso terceiro lugar depois dos Estados Unidos e da China. O número de mulheres presas pobres e negras só aumenta, sugerindo a "criminalização do gênero" pelo Judiciário. As unidades de privação de liberdade para adolescentes, como a Fundação Casa, estão superlotadas e a tortura é praticada como método de controle.
As chacinas e execuções sumárias de pessoas consideradas arbitrariamente como "suspeitos" continuam e a tortura permanece sendo o método sistemático das polícias para incriminar, montando provas forjadas, inclusive para criminalizar diversos movimentos e organizações sociais e populares que lutam contra este estado de mazelas. 

No contexto desse governo oriundo de um golpe parlamentar esses arbítrios perpetrados por policiais e autoridades ligadas à segurança pública multiplicam-se vertiginosamente. A indústria da “guerra às drogas” declarada pelo Estado só fez aumentar a prática da tortura, o encarceramento em massa e a execução sumária. Só para dar um exemplo, de 1º de janeiro deste ano até 5 de abril a polícia de São Paulo matou 247 pessoas. As chacinas de sem terras e de outros trabalhadores do campo aumentaram vertiginosamente. As audiências de custódia implementadas, que visavam fazer os juízes verificarem quais torturas, maus-tratos e arbitrariedades tinham sido cometidas no momento da prisão, não têm dado o resultado esperado porque a maioria dos juízes não interroga o preso de modo que ele possa denunciar o que sofreu até chegar a audiência. As bancadas da bala e medieval dos órgãos legislativos municipal, estadual e nacional incentivam o "linchamento" verbal das populações periféricas, LGBT, especialmente os segmentos travesti e transexual, e dos trabalhadores em geral, concorrendo assim para ampliar o sentimento de ódio contra os pobres. 

Defensores de direitos humanos precisam encarar esta realidade: a maioria dos juízes e dos policiais, bem como uma parte da população brasileira, entorpecida diariamente por programas televisivos que estimulam o medo social e a justiça com as próprias mãos apoiam a tortura como método de vingança. É um hábito secular herdado da colonização, aprimorado ao longo do período de escravidão e que se entranhou na mentalidade de parte significativa da população brasileira. Neste atual momento, em que o governo quer implementar medidas que empobrecerão ainda mais os mais pobres, o resultado será que mais pessoas se tornarão vulneráveis à perseguição e à brutalidade policial. Neste contexto, a tortura praticada pelos agentes do Estado torna-se uma perigosa arma de controle social e é o primeiro passo para acontecimentos dramáticos para os pobres, que são a execução sumária ou a prisão em massa.

Por isso, nós, movimentos e organizações sociais e populares, coletivos e grupos autônomos, ativistas culturais e artistas engajados, segmentos dos mais diversos, pessoas comprometidas com a defesa dos direitos humanos que reúne militantes de direitos humanos, ativistas políticos, sociais e pelas liberdades civis, ex-presos e perseguidos políticos, familiares de mortos pela ditadura civil-militar, familiares e vítimas da violência de estado praticada no período de frágil democracia, preocupados com a prática sistemática da tortura e da violência praticada por agentes do Estado, especialmente policiais, vimos exigir um basta de tortura neste 26 de Junho – Dia Internacional de Combate à Tortura! 

Exigimos que o governo Alckmin demonstre que não é conivente com a tortura e a violência dos agentes do Estado, instalando imediatamente a Comissão Estadual de Prevenção e Combate à Tortura em São Paulo, composta pela sociedade civil, com plenas condições de atuação efetiva, além de independência e autonomia, conforme previsto em lei! 

A tortura é incompatível com a democracia real que queremos.

Somente juntos podemos dar um basta à tortura! 

São Paulo, 26 de Junho de 2017.

Apoiam esta iniciativa:

ABRAPSO - Associação Brasileira de Psicologia Social - Regional São Paulo; ABRASBUCO - Associação Brasileira de Saúde Bucal Coletiva; ACAT – Ação dos Cristãos pela Abolição da Tortura; Associação Amparar; Associação da Parada do Orgulho LGBT de Campinas; Associação de Mulheres da Zona Leste; Associação Juízes para a Democracia; Blogueiras Negras; Centro de Cultura Social da Favela Vila Dalva; Centro de Direitos Humanos de Sapopemba; Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos; Centro Santo Dias de Direitos Humanos da Arquidiocese de SP; Cia. Kiwi de Teatro; Cia. Madeirite Rosa; Círculo de Experimentação Artística; Clínica do Testemunho do Instituto Sedes Sapientiae; COADE - Coletivo Advogados para Democracia; Coletiva Marãna; Coletivo Contra a Tortura; Coletivo DAR – Desentorpecendo a Razão; Coletivo de Esquerda Força Ativa; Coletivo Diversitas da Universidade de São Paulo; Coletivo Luana Barbosa; Coletivo Memória - Associação Paulista de Saúde Pública; Coletivo Perifatividade; Coletivo VivaCidade; Comissão da Memória e Verdade da Prefeitura de São Paulo; Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos; Comissão Justiça e Paz de São Paulo; Cordão da Mentira; CPV - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro; CRP SP - Conselho Regional de Psicologia de São Paulo; Escola de Cidadania Zona Oeste Butantã; Estúdio Gaya1; Fala Guerreira-Periferia Segue Sangrando; Filh@s & Net@s - SP DH, Memória, Verdade e Justiça; Fórum de Defesa da Vida; Fórum Municipal de Defesa dos Direitos Humanos de Campinas; Geledés - Instituto da Mulher Negra; Grudis – Em Defesa da Democracia; Grupo de Estudos Anarquistas de Araraquara; Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo; Instituto AMMA Psique e Negritude; Juventude e Resistência Negra Zona Sul; Kazungi - Bloco Afro Percussivo; Kilombagem; Kiwi – Companhia de Teatro; LEIA - Laboratório de Estudos Interdisciplinares e Analises Social da Universidade Federal de São Paulo; Levante Mulher; Marcha das Mulheres Negras de SP; Marcha Mundial das Mulheres; Margens Clínicas; MNU - Movimento Negro Unificado; MST - Movimento dos Trabalhadores/as Rurais Sem Terra; Observatório de Violências Policiais de São Paulo; Pânico Brutal; PLENU - Instituto Plena Cidadania; Projetos Terapêuticos; Promotoras Legais Populares de Piracicaba; Promotoras Legais Populares de Sorocaba; Rádio Madalena; Rastilho; Rede de Proteção e Resistência contra o genocídio; Revolta Popular; Samba Negras em Marcha; SOF – Sempreviva Organização Feminista; Tribunal Popular; UMMSP - União dos Movimentos de Moradia da Grande São Paulo; União de Mulheres de São Paulo.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Ação Educativa recebe exposição fotográfica "Opinião Pública Diret(a): pixação e política nas ruas das cidades"


Se ligaí! 

A exposição fotográfica "Opinião Pública Diret(a): pixação e política nas ruas das cidades", cerca de 50 registros feitos em mais de uma década em cidades do Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro), Peru (Lima, Cusco), Bolívia (La Paz), Paraguai (Assunção), Argentina (Buenos Aires), ficará em cartaz na Ação Educativa #EspaçoPeriferianoCentro (Rua General Jardim, 660, Vila Buarque, região central de SP). A abertura é nesta sexta, dia 9, às 19h. Participe!

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Nada de novo em SP

Nada de novo... | O Portal G1 conversou com profissionais que conhecem e vivem o dia a dia das bibliotecas da cidade de São Paulo sobre cada proposta do programa [Biblioteca Viva da atual gestão municipal]. Todos afirmaram que, das nove propostas [wi-fi gratuito em todas as unidades; mapeamento do acervo; exposição de livros pela capa ao invés das lombadas; programação artística nas bibliotecas, como dança, teatro e música; reorganização do acervo; cursos de atualização para as equipes; apadrinhamento das bibliotecas por autores consagrados; saraus nas unidades; ampliação do horário de atendimento], sete já estão implantadas na capital paulista [em gestões anteriores]. Confira a reportagem na íntegra: https://goo.gl/vjqY0r!

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Hoje, em SP, Sarau da Ocupa por "Nenhuma ocupação a menos"

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Acontece hoje, quinta, dia 13, às 20h, o Sarau da Ocupa edição especial "Nenhuma ocupação a menos", na Ocupação São João, Avenida São João, nº 588 (próximo a Galeria Olido).

Não esqueça a sua letra, poesia, rima ou ideia.

Em noite de Sarau, um banquete de livros é servido e fica sempre a disposição.

Pode somar porque é tudo gente da gente, é tudo gente como a gente.

Participe, crianças são bem vindas e convide amig@s!

Exposição fotográfica de pichação política fica em cartaz na livraria Ugra Press em SP

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A exposição fotográfica "Opinião Pública Diret(a): pichação e política nas ruas da cidade" fica até sábado (15) na livraria Ugra Press (Rua Augusta, nº 1371, loja 116, região central de SP), especializada em publicações independentes. 

Confira!

Carolineando em prosa, versos e provérbios


Oficina "Carolineando em prosa, versos e provérbios" com Ruivo Lopes. 

A oficina promoveu uma prosa sobre a vida e a obra da escritora Carolina Maria de Jesus, destacando seus versos e provérbios. 

A partir da prosa, os participantes foram estimulados a criar seus próprios versos e provérbios para publicar em fanzines (publicações criativas e independentes). 

A oficina fez parte da programação do III Seminário Sementeiras de Direitos, organizado pelo Ibeac, e aconteceu em Parelheiros, zona sul de SP!

domingo, 5 de março de 2017

Em SP, fotógrafa feminista abre exposição "Mulheres livres: imagens insurgente"



Exposição Fotográfica Mulheres Livres: Imagens Insurgentes

A exposição fotográfica "Mulheres Livres: Imagens Insurgentes", que reuniu em 2015 o trabalho da fotógrafa feminista Elaine Campos, com registros desde 2010, estará novamente reunida, agora, na Passagem Literária da Consolação, especialmente no mês de março, Mês Internacional das Mulheres. A exposição reúne fotos que retratam a presença das mulheres à frente da cultura contra-hegemônica, nas lutas sociais e na arte. A exposição fotográfica será aberta na terça, dia 7 de março, às 19 horas. Entrada gratuita!

Exposição fotográfica "Mulheres Livres: Imagens Insurgentes", de Elaine Campos
Abertura: 7 de Março de 2017, às 19 horas
Visitação: 8 à 31 de Março de 2017
Segunda a sexta das 7h30 às 20h
Sábado: das 10h às 22h
Domingo: das 16h às 20h
Feriados: das 10h às 20h

Passagem Literária da Consolação
Rua da Consolação, altura do nº 2423 (esquina com a avenida Paulista), São Paulo
Entrada gratuita!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Em SP, escritora Cidinha da Silva lança novo livro de crônicas #PAREMDENOSMATAR


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Nesta sexta, dia 10, às 19h, no espaço Aparelha Luzia (Rua Apa, nº 78, Campos Elíseos, próximo a estação Santa Cecília do Metrô, região central de SP), a escritora Cidinha Da Silva volta a cidade para lançar seu mais novo e contundente livro de crônicas "#PAREMDENOSMARAT!" (Editora Ijumaa, 2016). 

Nas mais de 70 crônicas reunidas no livro, Cidinha passa a limpo o Brasil que insiste anular a humanidade de homens e mulheres negras, registrando com raro estilo e critica acontecimentos perversamente normalizados pelo racismo neste século XXI. 

Confirme presença, compartilhe e participe!

domingo, 5 de fevereiro de 2017

O faroeste paulistano de João Doria

Foto Ruivo Lopes, São Paulo, 2017.

Há pouco mais de um mês a frente da prefeitura de São Paulo, João Doria (PSDB) e seu secretariado, pertencente a uma fauna política que da sustentação ao tucanismo em São Paulo, tem promovido uma série de ações regressivas na cidade.

Assim que assumiu, Doria mostrou desprezo pela vida alheia ao aumentar a velocidade dos veículos nas marginais.

De gestor a populista, antecipou o carnaval e fantasiou-se de gari para promover um nebuloso programa chamado "Cidade Linda", varrendo, inclusive, a população em situação de rua da cidade.

Fez pior do que as pegadinhas de mau gosto dos programas de televisão dominicais ao se deslocar numa cadeira de rodas, fingindo ser cadeirante.

Disse que iria governar para os pobres, mas não saiu do Centro, ficando bem próximo do Jardim Europa, sugestivo nome do bairro rico da cidade onde o prefeito mora.

De prefeito a xerife, Doria quer ser uma espécie de John Wayne para São Paulo.

Numa grosseira resposta a uma jornalista da rádio CBN, o prefeito criminalizou os pichadores chamando-os de "bandidos" e sugerindo que mudassem de "profissão" ou de cidade.

A estratégia do prefeito é conhecida na História desde a publicação, em 1925, de "Mein Kampf" (Minha Luta), do líder nazista Adolf Hitler. Com significativa diferença, Hitler publicou o livro oito anos antes de chegar ao poder. O resto da história todas nós conhecemos.

De origem atrasada, assim como os que o acompanha, a perigosa estratégia do prefeito consiste em criar "os inimigos da cidade".

O alvo da vez - e não vai parar aí - são os pichadores e sua "arte degenerada".

Doria insiste em separá-los em categorias das quais nada entende, como grafiteiros e muralistas, e assim pretende dividi-los para cooptá-los em seguida.

Com ajuda do seu padrinho político, o governador Geraldo Alckmin, o prefeito pediu emprestado a ajuda da Secretaria de Segurança Pública que cedeu apoio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e da Polícia Militar para combater pichadores na cidade.

Percebe-se que o prefeito tem uma obsessão pelo cinza, inclusive o da farda da Polícia Militar.

Doria também pretende criar uma cidade-policial ao convocar munícipes para denunciar qualquer pessoa que esteja portando uma lata de spray na mão.

A cruzada de Doria contra os pichadores já rendeu mais de 40 pessoas detidas e pretende ainda processá-las criminalmente.

Se o prefeito continuar assim, e pelo histórico já conhecido das policias paulista, não vai demorar muito para policiais militares confundirem convenientemente spray com armas. Serão os famigerados "autos de pichação" ou o "pichação seguida de morte".

Portanto, as medidas de Doria contra pichadores podem ser mortais.

Em agosto de 2014, policiais militares assassinaram dois pichadores na Mooca, zona leste de São Paulo, depois de uma suposta denuncia de que havia dois homens tentando roubar um prédio na região.

Doria carece de ideias inovadoras para São Paulo, por isso anuncia medidas regressivas como novidades, como por exemplo, entregar para a iniciativa privada, igualmente fantasiadas de organizações sociais, equipamentos públicos municipais como o Centro Cultural São Paulo e a rede de bibliotecas da cidade.

Os eleitores paulistanos elegeram um político atrasado iludidos pela suposta eficiência do empresario que virou prefeito.

Reconheçamos, a meritocracia como ideologia das elites é contagiosa e cruza fronteiras sociais.

Não adianta chorar, pois não sobrará nem leite para derramar na cidade, já que Doria pretende cortar até o programa Leve Leite, que dá 2 quilos de leite em pó por mês para as famílias com alunos matriculados na rede municipal de educação.

Bem vindos ao Velho Oeste de João Doria!

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Culturas das periferias nas ondas da Rádio Heliópolis


Sintonizaí! 

Nesta terça (31), às 16h, tem Agenda Cultural da Periferia na Rádio Comunitária Heliópolis FM. Tem dica cultural gratuita (sarau, lançamento de livros, bate-papo, apresentações de teatro, dança, música)? Madaí nesta mesma postagem (o link da atividade ou data, hora e local detalhados) e ouça pela internet: www.radioheliopolisfm.com.br ou sintonize 87,5 FM nas imediações da comunidade!

domingo, 29 de janeiro de 2017

Em SP, exposição sobre pichação política foi prorrogada até fevereiro na Passagem Literária da Consolação


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Uma ótima notícia para a cultura, a arte e a convivência democrática no espaço público urbano de São Paulo.

A exposição Opinião Pública Diret(a): pichação e política nas ruas das cidades, com mais de 40 fotografias que contam mais de uma década de registros de pichações políticas em cidades do Brasil e da América Latina, foi prorrogada até 28 de fevereiro na Passagem Literária da Consolação (esquina com a avenida Paulista).

Nenhuma das pichações fotografadas existe mais. Elas foram apagadas pelas decisões higienistas de governantes autoritários que pretendem deixar as cidades cinzas, mais frias e torná-las menos públicas para a maioria da população.

Do colorido das mensagens emitidas nos muros das cidades, sobrou apenas o registro fotográfico delas.

Faça uma visita, deixe sua mensagem, compartilhe e convide amig@s!

Exposição fotográfica "Opinião Pública Diret(a): pichação e política nas ruas das cidades"
Até 28 de fevereiro, nos horários: de segunda a sexta, das 7h30 às 20h; sábado, das 10h às 22h; domingo, das 16h às 20h; feriados, das 10h às 20h.
Passagem Literária da Consolação (esquina com a avenida Paulista), São Paulo.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

A periferia nas ondas da Rádio Heliópolis, especial "São Paulo 463 anos: as periferias no centro da cultura paulistana"

Bate papo com o poeta Costa Senna e jovens da Guatemala e República Dominicana no Bairro Educador UNAS Heliópolis.

Sintonizaí! 

Nesta terça (24), tem Agenda Cultural da Periferia na Rádio Comunitária Heliópolis FM, especial "São Paulo 463 anos: as periferias no centro da cultura paulistana". 

Tem dica cultural gratuita (sarau, lançamento de livros, bate-papo, apresentações de teatro, dança, música)? Madaí nesta mesma postagem (o link da atividade ou data, hora e local detalhados) e ouça pela internet: www.radioheliopolisfm.com.br ou sintonize 87,5 FM nas imediações da comunidade!

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A periferia nas ondas da Rádio Heliópolis convida o poeta popular Costa Senna


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Nesta terça (17), às 16h, tem Agenda Cultural da Periferia na Rádio Comunitária Heliópolis FM. Entre uma dica cultural e uma trilha sonora, recebo pra um bate-papo o poeta popular, cearence-paulsitano e sexagenário Costa Senna, que virá falar sobre "60 vezes eu", seu livro mais recente.

Tem dica cultural gratuita (sarau, lançamento de livros, bate-papo, apresentações de teatro, dança, música)? Madaí nesta mesma postagem (o link da atividade ou data, hora e local detalhados) e ouça pela internet: www.radioheliopolisfm.com.br ou sintonize 87,5 FM nas imediações da comunidade!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Em SP, exposição sobre pichação política ocupa Passagem Literária da Consolação


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A exposição "Opinião Pública Diret(a): pichação e política nas ruas das cidades", apresenta mais de 40 fotografias de mais de uma década de registros de pichações políticas em cidades do Brasil e da América Latina. 

Nenhuma das pichações registradas existe mais. Elas foram apagadas pelo higienismo cinza que marca a frieza da maioria das grandes cidades, sobrando apenas o registro fotográfico delas. 

A abertura está marcada para domingo, dia 15, a partir das 10h, na Passagem Literária da Consolação (esquina com a avenida Paulista). 

Faça uma visita, compartilhe e convide amig@s! 

Exposição fotográfica "Opinião Pública Diret(a): pichação e política nas ruas das cidades"
Abertura: domingo, dia 15, a partir das 10h
Passagem Literária da Consolação (esquina com a avenida Paulista), São Paulo

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

A periferia nas ondas da Rádio Heliópolis



Sintonizaí! 

Apresento hoje (10), às 16h, o programa Agenda Cultural da Periferia na Rádio Comunitária Heliópolis FM. Ideias, músicas e dicas culturais das quebradas do mundaréu. 

Tem dica cultural gratuita (sarau, lançamento de livros, bate-papo, apresentações de teatro, dança, música)? 

Madaí nesta mesma postagem (o link da atividade ou data, hora e local detalhados) e ouça pela internet: www.radioheliopolisfm.com.br ou sintonize 87,5 FM nas imediações da comunidade!

domingo, 8 de janeiro de 2017

Ode ao massacre é parte do golpe

Jovens e negros são maioria da população carcerária brasileira

Em relação aos dados sobre cor/raça verificou-se que, em todo o período analisado (2005 a 2012), existiram mais negros presos no Brasil do que brancos.

Após o presidente Michel Temer ter chamado de "acidente" o massacre que já deixou mais de 90 pessoas presas mortas nos presídios do norte do país, foi a vez do secretario nacional de Juventude - a quem prefiro não mencionar o nome para que retorne as profundezas da insignificância e do anonimato - fazer elogios a matança e lamentar por não acontecer "uma chacina por semana". 

As declarações de representantes do governo não deixam dúvidas sobre a responsabilidade do Estado em mais este episódio lamentável de grave violação dos direitos humanos no Brasil. 

Ao referir-se ao massacre como "acidente", Temer assume, como em qualquer acidente, a possibilidade de evitá-lo por meio da prevenção. Uma vez ocorrido, cabe identificar os responsáveis pelas imprudências - no caso omissões - cometidas e responsabilizá-los, neste caso autoridades brasileiras, inclusive chefes de estado. 

Já sobre o agora ex-secretário de Juventude, que é filho de policial militar com carreira política no PMDB-MG, sua apologia ao massacre pode ser compreendida no âmbito de um governo que assumiu o poder por meio de golpe. 

Cabe destacar que a Secretaria Nacional de Juventude foi criada em 2005, pelo então presidente Lula, com objetivo de defender direitos da população jovem brasileira e criar políticas públicas que garantam seu desenvolvimento, inclusão e dignidade. 

Como se já não bastassem as declarações de Temer e seu ex-secretário nacional de Juventude, o ministro da casa civil, Eliseu Padilha, disse que o então secretário de Juventude "falou sobre um assunto que não era da área dele". 

O ministro está equivocado. Em 2015, a Secretaria Nacional de Juventude publicou um estudo inédito intitulado “Mapa do Encarceramento – Os jovens do Brasil”, uma publicação que faz parte do Plano Juventude Viva e traz um diagnóstico sobre o perfil da população carcerária no país. 

Realizado em parceria com a Secretaria-Geral da Presidência da República, da então Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, o estudo analisou dados do Sistema Integrado de Informação Penitenciária (InfoPen), e constatou que os jovens representavam 54,8% da população carcerária brasileira. 

Em relação aos dados sobre cor/raça verificou-se que, em todo o período analisado (2005 a 2012), existiram mais negros presos no Brasil do que brancos. 

Em números absolutos: em 2005 havia 92.052 negros presos e 62.569 brancos, ou seja, considerando-se a parcela da população carcerária para a qual havia informação sobre cor disponível, 58,4% era negra.

Já em 2012 havia 292.242 negros presos e 175.536 brancos, ou seja, 60,8% da população prisional era negra. 

O estudo concluiu que quanto mais cresce a população prisional no país, mais cresce o número de negros encarcerados. 

O relatório, ainda disponível na página oficial da secretaria, pode ser acessado na integra aqui: https://goo.gl/O1ZuGl!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A democracia passa ao largo dos presídios brasileiros

Foto: Divulgação

A democracia passa ao largo dos presídios brasileiros

Tenho recebido informações sobre o massacre ocorrido no presídio Anísio Jobim, no Amazonas, norte do Brasil. As informações ajudam a montar um quebra-cabeça sinistro que no conjunto contribui para que possamos compreender que o massacre de 60 pessoas presas não foi fruto de geração espontânea. O massacre era uma tragédia anunciada. 

Como defensor dos direitos humanos que conheceu de perto unidades de privação de liberdade no estado de São Paulo, repito, categoricamente, que, a despeito de presos organizados em grupos rivais no interior dos presídios, assim como de uma organização privada ter recebido milhares de reais para fazer a gestão das unidades prisionais, uma vez sob custódia judicial, a responsabilidade pela preservação da dignidade humana das pessoas presas é inteiramente do Estado, não só a representação do Amazonas, mas também a Federal.

Portanto, nem governador e seus secretários, nem ministro da justiça e seus representantes locais - que já tinham informações desde 2015 do que poderia acontecer e não tomaram medidas preventivas necessárias e suficientes -, estão isentos de responsabilidade pelo horror das mortes nos presídios do estado.

O que ocorreu no Amazonas pode acontecer a qualquer momento em qualquer outro estado, uma vez que a superlotação e as péssimas condições são regra nos presídios brasileiros.

Em 4º lugar no ranking mundial de pessoas presas, no Brasil, onde não há pena de morte, uma pessoa é assassinada a cada dia em presídios. São Paulo, por exemplo, tem a maior população carcerária do país, são aproximadamente 232.502 pessoas presas em unidades de privação de liberdade. Um barril de pólvora que pode explodir a qualquer momento.

Embora tenha optado ainda pelo silêncio, o presidente Michel Temer, que, cinco dias após outro massacre, o do Carandiru, em 1992, tinha assumido a secretaria de Segurança do Estado de São Paulo, também tem sua parcela de responsabilidade como chefe de estado.

Certamente, pela repercussão internacional do caso, a Corte Interamericana de Direitos Humanos, que em outras ocasiões já havia chamado atenção do país pelas práticas sistemáticas de tortura, maus tratos e outros tratamentos cruéis, desumanos e degradantes nas unidades de privação de liberdade, interpelará o Brasil por mais este massacre.

Quando isso ocorrer, ficará claro a responsabilidade das autoridades brasileiras quando tiverem que dar explicações consistentes perante o órgão que tem prerrogativas para condenar países e autoridades por autoria ou omissão de violações de direitos humanos, como é o caso do Brasil.

O problema começa com o Judiciário que opta pela entrada cada vez mais elevada de pessoas nos presídios brasileiros. O mesmo Judiciário é omisso no monitoramento das execuções penais previstas em lei.

Neste sentido, o Brasil caminha para um colapso em seu sistema prisional há muito tempo denunciado por organizações de defesa dos direitos humanos.

Desde o fim da ditadura civil-militar, a democracia passa ao largo do sistema prisional brasileiro. Sobra pena demais para negros e pobres onde há ausência de direitos e cidadania. O resultado disso é o medo e a violência generalizada, caminho aberto para a barbárie que não se limita aos muros dos presídios brasileiros.

O Estado precisa rever seus sistemas de Justiça, Penal e Prisional. Desencarcerar é uma política humanitária que o Brasil precisa adotar com urgência!

Ruivo Lopes, educador, pedagogo e defensor dos direitos humanos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Leiaí, "O Alien da Linha Azul", novo livro de poesia de Willian Delarte

O Alien da Linha Azul (poesia)Leiaí | Embora lançado em 2016, "O Alien da Linha Azul", lançado pela Edições Incendiárias, do poeta e contista do bairro Brasilândia, zona norte de São Paulo, Willian Delarte, abre minha dica de leitura deste ano.

Dividido em duas partes, "A margem é o eixo de tudo" e "Periferia é o centro do mundo", o livro registra mais de 60 poemas e aforismos de cunho social imersos na paisagem do autor.

O livro trás ainda, nas orelhas e contracapa, comentários de um time de escritores e agentes culturais abordando o livro e contribuindo para traçar o perfil do autor.

Para a ocasião, escrevi:

"Se poesia é síntese, Willian Delarte a faz com maestria. Os poemas reunidos em O Alien da Linha Azul traz novamente o poeta para o que parece ser sua vocação, a poesia. Poemas urbanos. Do busão pra Brasa, do Alemão pra Rocinha, de Gramacho, da Santa Cecília pra Palestina - em pedaços. São registros de personagens: Amarildo, Estamira, Madiba, sem esquecer os anônimos 'sem qualquer misericórdia'. O autor confessa que 'poetas ganham da madrugada o que se perde em vários meses'. Taí a pista dada pelo poeta, já que poesia não se ensina. Siga-a!"

Recomendo a leitura!

Livro: “O Alien da Linha Azul ", 116 páginas
Gênero: Poesia
Autor: Willian Delarte
Editora: Edições Incendiárias, 2016
Contato: (11) 96609-8994
Facebook: Willian Delarte
Blog: www.williandelarte.blogspot.com.br

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Ninguém é inocente

[Foto: divulgação]

Ninguém é inocente

Não só Manaus, como também o Brasil e o mundo, sabiam que o Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), o maior do estado e em condições desumanas, era um barril de pólvora prestes a explodir. A tragédia , que deixou ao menos 60 presos mortos - decapitados e mutilados -, era anunciada. Não é de hoje que os presídios brasileiros estão entre as piores instituições de privação de liberdade do mundo. Um verdadeiro inferno na Terra!

Há décadas, todos os anos, organizações nacionais e internacionais de defesa dos direitos humanos criticam o sistema prisional brasileiro, o aumento vertiginoso do encarceramento em massa, as péssimas condições das instituições dos presídios e as práticas sistemáticas de tortura, maus tratos e outros tratamentos cruéis, desumanos e degradantes.

É inaceitável, negligente e, portanto, criminosa a narrativa de que presos organizados em grupos dominem, rivalizem e promovam tantas mortes horríveis no seio de instituições inertes que pertencem ao sistema de Justiça e Segurança Pública brasileiros. Ninguém é inocente quando pessoas cumprindo pena sob a guarda do Estado - em qualquer circunstâncias - tem a sua dignidade humana brutalmente atacada.

Admitir que pessoas presas em condições desumanas e degradantes, que são regra nos presídios brasileiros, tem o controle das unidades é admitir a falência do Estado. Instituições de privação de liberdade são instituições totais e disciplinares, como diria Foucault, mas para o secretário de Segurança do Amazonas, que afirmou numa entrevista que, apesar do massacre, a situação já estava "sob controle", isso parece conveniência.

O sistema de Justiça, por pior e seletivo que seja - pessoas negras e pobres são regra nos presídios brasileiros -, deveria ser um anteparo da barbárie. É o sistema de Justiça que deveria exercer o controle sobre as unidades prisionais como previsto na Constituição, na Lei de Execuções Penais e nos Tratados Internacionais de Direitos Humanos assinados pelo Brasil. Quando negligente, o Estado brasileiro passa também a ser conivente com a barbárie e, portanto, também comete crime de responsabilidade.

Um juiz que participou da negociação com os presos para convencê-los a terminar a rebelião, disse, na ocasião, que nunca tinha visto nada parecido em sua vida, referindo-se aos corpos mutilados encontrados no presídio. Ora, no momento da rebelião, havia no presídio 1.224 pessoas presas, embora a lotação seja de 454. O juiz ainda não tinha visto, comunicado e alertado sobre a superlotação, como manda a Lei, causa de inúmeras rebeliões nos presídios brasileiros?

Desde o massacre de ao menos 111 pessoas presas, no extinto Carandiru, em 1992, em São Paulo, sucessivos governos fracassam e negligenciam o tratamento dado as pessoas presas no Brasil. Em 2002, 27 pessoas foram mortas no presídio Urso Branco, em Rondônia; em 2004, mais 30 mortos no presídio Benfica, no Rio de Janeiro; e em 2013, mais 13 mortos em Pedrinhas, no Maranhão. Agora, ao menos mais 60 em Manaus.

Enquanto o Judiciário parece determinar prisões e penas a atacado, o número de pessoas presas no Brasil só tem aumentado, contando atualmente com 656 mil pessoas presas. E os números não param de crescer ano a ano, chamando atenção de organizações de defesa dos direitos humanos que pedem pelo fim do encarceramento em massa no País.

Cada vez mais entorpecida por um sentimento de vingança, a sociedade brasileira parece anestesiada diante da gravidade de que em se tratando de mortes que ocorreram sob a guarda do Estado, ela também responsável. Confundindo justiça com vingança, legitima e retroalimenta sua participação na barbárie.

Não importa os crimes que cometeram. Quando uma pessoa cumpre pena num presídio ela deve ter sua dignidade respeitada e protegida conforme a Lei. Não permitir a vingança é a melhor lição que o Estado e, portanto, a sociedade, pode oferecer as pessoa presas.

Não se sabe quando, aonde nem quantos mais mortos em presídios brasileiros poderão vir na sequência. Enquanto o respeito aos direitos humanos não for realidade nos presídios e a Justiça brasileira não promover o desencarceramento em massa, a marcha fúnebre, infelizmente, prosseguirá!

Ruivo Lopes, educador, pedagogo e defensor dos direitos humanos.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Abrimos caminhos para uma São Paulo melhor


Abrimos caminhos para uma São Paulo melhor

Entre os anos de 2014 e 2015, participei do Grupo de Trabalho que elaborou o Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas de São Paulo. Formado por representantes da sociedade civil, especialistas, do Executivo e Legislativo municipais, o GT foi responsável por elaborar o primeiro Plano desta natureza na cidade de São Paulo. Depois de elaborado, o PMLLLB foi instituído pela Lei nº 16.333, na Câmara Municipal, pelo vereador Antonio Donato (PT), e sancionado pelo prefeito Fernando Haddad (PT) em dezembro de 2015. De responsabilidade executiva da Secretaria Municipal de Cultura e da Secretaria Municipal de Educação, o PMLLLB foi elaborado em um processo participativo, democrático e popular.

Dos princípios fundamentais do PMLLLB que definimos, destaco: “o reconhecimento à leitura como direito humano, a compreensão de sua natureza formativa e o incentivo à imaginação, à criação e à educação literária”; “o estímulo à bibliodiversidade, em todas as suas formas”; “a defesa e a promoção da diversidade cultural, de gênero, étnico-racial, política e de pensamento”; “o reconhecimento às tradições escritas e orais”; e finalmente, “a leitura e a escrita como meios fundamentais de produção, reflexão e difusão da cultura, da informação e do conhecimento”.

Princípios que orientam os objetivos do PMLLLB, dos quais destaco: “tornar São Paulo uma cidade leitora de expressiva produção literária, com políticas concretas e equipamentos condizentes e presentes em todas as regiões”; e “promover e fomentar a literatura não-hegemônica, a literatura marginal periférica e a literatura de mulheres, negros e LGBT”.

Para assegurar que os programas, projetos, aprimoramentos, ações, iniciativas e investimentos nas áreas específicas do PMLLLB se tornassem realidade, inserimos na Lei um conjunto de metas de curto, médio e longo prazo nos seguintes eixos que estruturam o Plano: “democratização do acesso”; “fomento à leitura e à formação de mediadores”; “valorização institucional da leitura e incremento de seu valor simbólico”; “desenvolvimento da economia do livro”; e por fim, “literatura”.

Pois bem, em 2016, fui convidado para coordenar a Divisão de Programação Cultural do Sistema Municipal de Bibliotecas (SMB) de São Paulo. Aceitei o convite porque, comprometido com os princípios, objetivos e metas do PMLLLB, eu poderia contribuir para que a programação cultural do SMB, o maior da América Latina com unidades e serviços presentes em todas as regiões da Cidade, pudesse expressar o que havíamos previsto no Plano, agora, não mais como ações isoladas, mas articuladas como política pública para potencializar ações nas áreas do livro, leitura, literatura e bibliotecas em São Paulo.

Para orientar meu trabalho, recebi da coordenação do SMB diretrizes que foram inspiradas pelo PMLLLB, das quais destaco:

“O eixo norteador das ações em 2016 será o da mediação de leituras. Pode ser leitura do mundo como dizia Paulo Freire ou de leitura literária como a promovida pela Coordenadoria do Sistema Municipal de Bibliotecas (CSMB) ao longo dos últimos anos. (...) Deve propiciar a construção e a reelaboração de significados, a reflexão e a inclusão, a formação de sujeitos críticos, a troca de experiências e o convívio social.”;

“É fundamental a aproximação da Biblioteca com seu território refletida na formação, no desenvolvimento do acervo, na democratização do acesso, na oferta de programação e no trabalho em rede com outros espaços de leitura e de manifestações culturais.”;

E por fim:

“As ações devem sempre considerar que a CSMB integra uma rede de instituições públicas culturais, educacionais, de direitos humanos, etc que podem e devem ser parceiras e empoderadoras de nossos objetivos.”

Tendo como base o PMLLLB e as diretrizes de trabalho do SMB para 2016, coordenei a Divisão de Programação Cultural amparado no tripé “Territorialização da programação cultural”; “Promoção da diversidade cultural” e “Formação cultural”.

Foi baseado neste tripé que a Divisão de Programação Cultural do SMB planejou e investiu os recursos reservados a programação cultural das bibliotecas públicas municipais. Vou apresentar alguns destaques da programação cultural promovida pela Divisão.

Começo pelo investimento na iniciativa Bibliotecas em Ação, programações definidas pelas próprias bibliotecas e articuladas com artistas locais, que em 2016 mais que triplicou.

Além das apresentações nas bibliotecas, os 22 saraus que participam do programa “Literatura Periférica: Veia e Ventania nas bibliotecas de São Paulo”, também se apresentaram todos os dias na 24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação.

Com presença negra, indígena e de mulheres, foi realizada a 12ª edição do Festival “A arte de contar histórias”, 11ª edição do Fanzines nas Zonas de Sampa e mais uma edição do Agosto Caipira, dedicada a cultura popular paulista.

Foram realizadas também dezenas de cursos, oficinas e outras programações culturais de caráter formativo, como o curso de Contadores de Histórias, os encontros com autores em parceria com a editora Boitempo e os encontros promovidos pelo coletivo “Terça Afro” e o “Contextura Negra”, ambos dedicados a produção cultural africana, afro-brasileira e negra, também tiveram espaço na programação cultural das bibliotecas.

Fomos parceiros de importantes iniciativas dedicadas ao livro, leitura e literatura na Cidade e que realizamos nas bibliotecas, das quais destaco a 2ª FELIZS (Feira Literária da Zona Sul), organizada pelo Sarau do Binho; a 2ª FLICT (Festa Literária de Cidade Tiradentes), organizado pelo Centro de Formação Cultural de Cidade Tiradentes e em colaboração com a Biblioteca Comunitária Solano Trindade; o 7º Festival do Livro e Literatura de São Miguel Paulista, organizado pela Fundação Tide Setubal; da 11ª Balada Literária; 6ª Estéticas das Periferias, organizado pela Ação Educativa; edição “Livro” do Festival do Minuto, etc.

Dezenas de outras programações foram realizadas pelas próprias equipes do SMB, e outras tantas programações foram realizadas em incríveis parcerias com escritores/as que promoveram encontros literários nas bibliotecas públicas municipais.

Além disso, assinamos compromissos com os mais diversos coletivos culturais de São Paulo para, caso fossem aprovados em editais públicos de fomento, realizassem ações de natureza artística nas bibliotecas públicas municipais em 2017. Dentre elas, uma iniciativa incrível de contação de histórias que promove a diversidade LGBT. 

Em resumo, a Divisão de Programação Cultural do SMB promoveu a distribuição da programação cultural considerando os mais diversos territórios da Cidade onde há bibliotecas e serviços vinculados como Pontos de Leitura e Bosques de Leitura, promovendo a diversidade cultural e estimulando a formação cultural de público. Não tivemos tempo para fazer tudo o que queríamos, mas também não foi pouco o que fizemos!

Abrimos caminhos, criamos as condições necessárias para uma Cidade leitora. O mais importante é que São Paulo conta hoje com uma política pública consistente e exclusiva para o livro, leitura, literatura e bibliotecas. Na Divisão de Programação Cultural do SMB da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de São Paulo, experimentamos, ousamos e vencemos inúmeros desafios. Não tenho dúvida, sendo parte da gestão pública municipal, dedicado ao bem público como sendo bem comum, fizemos de São Paulo uma Cidade melhor!

Agradeço ao Waltemir Nalles, o Miro, então coordenador do SMB, pelo convite, confiança e apoio necessário para que o trabalho da Divisão de Programação Cultural fosse realizado como havíamos desejado. Agradecimento que estendo a equipe que compõe a Coordenadoria do Sistema Municipal de Bibliotecas. Agradeço especialmente a equipe que coordenei na Divisão, sem a qual eu não teria o que dizer nesta carta. Agradeço a Maria do Rosário, por ter permitido meu ingresso na Secretaria Municipal de Cultura. Agradecimento que estendo a sua equipe na SMC. Agradeço também ao Fernando Haddad por permitir minha segunda contribuição em sua inovadora gestão pública. Em 2013, iniciamos na Cidade o que viria a ser a política de participação social. Haddad abriu caminhos, derrotou a Cidade proibida e criou as condições necessárias para uma São Paulo melhor!

Deixo a coordenação da Divisão de Programação Cultural do SMB, com a certeza de que “sou mais bibliotecas públicas”!

São Paulo, 02 de janeiro de 2017.

Ruivo Lopes, educador e pedagogo.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Ruas fez a coisa certa


Ruas fez a coisa certa
 
A prisão dos dois jovens de 21 e 26 anos que espancaram até a morte o ambulante Luiz Carlos Ruas, conhecido como Índio, de 54 anos, dentro da estação de metrô Pedro II, onde trabalhava há 20 anos, na região central de São Paulo, é a primeira parte do rito processual que enfrentarão daqui pra frente. Se condenados, poderão pegar até 20 anos de prisão, ambos darão adeus à juventude e carregarão para sempre a morte covarde que promoveram em pleno feriado de Natal. Não será pouco para ambos e suas famílias. Impagável para Ruas, sua família e amigos. Mortes banais e covardes como a de Ruas devem ser motivo de reflexão sobre o modelo de sociedade que temos e vivemos. Para não cairmos na mais grotesca indiferença em relação ao outro, devemos combater as barbáries cotidianas que marcam nossas cidades. Não permitir que mortes como a Ruas sejam naturalizadas é uma das formas de combater a barbárie.

Foi o que fez Ruas ao defender duas travestis em situação de rua que estavam sendo agredidas por dois jovens. Desesperadas, as duas travestis correram para dentro da estação de metrô. Ruas também tentou se proteger na mesma estação, mas não teve a mesma sorte. Foi perseguido e brutalmente espancado até a morte pelos dois jovens. Ruas foi morto com golpes desferidos seqüencialmente pelas mãos e pés, atingido principalmente na cabeça e rosto, mesmo depois de caído, desmaiado e sem nenhuma chance de defesa.

Certamente a brutalidade com que espancaram Ruas pesará contra os dois jovens no processo que sofrerão. Processos como este passam para a sociedade a sensação de justiça. Mas pouco contribui para que a sociedade reflita as violências cotidianas contra sua própria população, principalmente as mais vulneráveis, como as pessoas em situação de rua, ou aquelas que são alvos preferenciais de ataques de ódio, racismo, machismo e LGBTfobia. Também não contribui para a sociedade compreender e combater o que gera tamanha violência.

A justiça não deve ser limitada apenas as formalidades dos devidos processos judiciais. A justiça, ou seja, o direito de cada pessoa existir com plena dignidade, deve ser um valor compartilhado por toda a sociedade de modo que o ataque a dignidade alheia é um ataque a toda coletividade. Portanto, justiça e solidariedade são os maiores bens a serem preservados por qualquer sociedade que não queira sucumbir à barbárie.

Já dentro da estação de metrô, as câmeras de segurança registraram o espancamento de Ruas. No registro exibido posteriormente nas redes de televisão, enquanto Ruas era espancado até a morte, é possível ver várias pessoas transitando pelo local. Todas passam pelo espaço, até olham para a cena do espancamento, poucos param a distância, mas ninguém intervém. Tampouco havia seguranças de responsabilidade do metrô no local. O socorro chegou uma depois de o espancamento ter acontecido. Ainda assim, chama atenção que ninguém interveio para que os dois jovens parassem de espancar Ruas.

Com a repercussão dada pela televisão, certamente quem passou por ali no instante do espancamento tomou conhecimento do que de fato aconteceu e que aquele senhor caído no chão, desmaiado, sendo espancado, foi morto ali mesmo pelos dois jovens, até então desconhecidos. Como ficam suas consciências quando perguntado se acaso tivessem intervindo?

Ruas interveio. Não ficou indiferente diante do ataque sofrido pelas duas travestis na rua. Assim, não permitiu que fizessem com as outras pessoas aquilo que não queria para si nem ninguém. Pagou com a própria vida. Ruas não pode ser esquecido. Ele nos deixa o legado de que diante da injustiça, não se pode ter dúvidas, é melhor agir para impedir que ela continue acontecendo. Pessoas como Ruas fazem permanente a luta em defesa dos direitos humanos. Com simplicidade, Ruas fez a coisa certa!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Fanzines nas zonas de Sampa

Se ligaí! | Neste sábado (10), às 14h, na Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato (Rua General Jardim, nº 485, Vila Buarque, região central de SP), acontece o encontro de finalização do circuito anual Fanzines nas Zonas de Sampa com a participação de Márcio Sno, quadrinista e fanzineiro há mais de 20 anos, editou diversos zines e fez ilustrações para bandas e publicações. Entre 2011 e 2013 lançou três capítulos da série de documentários "Fanzineiros do Século Passado". Participe!

domingo, 13 de novembro de 2016

Trump e Temer & outros escritos e bem ditos


Trump é uma arma apontada para a minha cabeça. [Arte por Seth David Tobocman]

Trump e Temer 

Surpreso ou qualquer coisa que o valha com a vitória de Trump nos EUA? Os mesmos EUA já elegeram um ator para presidente. Procure os melhores discos punks produzidos nos EUA no início dos anos 1980 e terá o melhor retrato crítico do que foi o governo do também republicano Ronald Reagan.

Se a eleição de Trump é ruim para os EUA e o mundo, preste atenção no programa sem voto implementado pelo presidente não eleito Michel Temer no Brasil.

Trump é ruim pelo o que já anunciou. Mas Temer é pior pelo o que já tem feito!

A conveniência do Estado Mínimo

No momento em que o governo Temer pretende aprovar PEC (Projeto de Emenda Constitucional) 55 (antes 241) para congelar investimentos públicos durante 20 anos - equivalente a duas gerações -, eis que leio na Folha de S.Paulo do dia 7 que o mesmo governo prepara medida provisória para salvar da falência a Oi, empresa privada de telecomunicações. Caso aconteça, a medida abrirá precedente para intervenção do governo para salvar da falência qualquer empresa privada que presta serviço público.

No Brasil, desde a década de 1990, durante os governos Collor-FHC, com a abertura incondicional do País para o mercado internacional, o empresariado (cada vez menos) nacional promove um mantra de que Estado bom é Estado mínimo. Balela! 

Desde a crise financeira (porque a econômica é coisa do passado) de 2008, a partir dos EUA, que o mercado recorre, quando convêm, aos cofres públicos para salvá-lo da falência. Na Europa, quem dita as regras austeridade que varreu a economia grega, por exemplo, foi a Alemanha.

Com a PEC 241 e a possível medida para salvar empresas privadas da falência com dinheiro público, fica evidente a opção que o governo Temer faz: salvar o mercado financeiro e congelar investimentos públicos!

Suspeito ou... 

Pelas características com que agiu, atuando coordenada, articulada e espetacularmente com outros estados, suspeito (ou "não tenho provas, mas tenho convicção") que a Polícia Civil tenha tornado pública uma perigosa, arbitrária e belicosa competição por visibilidade e prestigio político com a Polícia Federal, detentora hoje da elite policial brasileira.

Esta ação contra o MST, outra suspeita (ou...) , cheira a Planalto, particularmente Ministério da Justiça, e é típica de mente de alguém como Lex Luthor!



MST é vítima de arbítrio, perseguição política e violência da Policia Civil 

Em notícia veiculada pelo G1 Mogi das Cruzes e Suzano, com texto das jornalistas Fernanda Lourenço e Jamile Santana, com base em informações da TV Diário, [na invasão organizada pela Polícia Civil a Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, SP] "Um dos dois detidos, segundo o MST, é RONALDO VALENÇA HERNANDES, 60 ANOS, que TRABALHA NA BIBLIOTECA DA ESCOLA e TEVE UMA FRATURA NA COSTELA. Segundo a polícia, ele É UM DOS AGRESSORES DOS POLICIAIS". Seu Ronaldo foi liberado junto com Glades Antonia de Oliveira, também acusada de agredir os policiais.

Os fatos noticiados escorem o arbítrio policial típico da ditadura servil-militar (da qual a Polícia Civil também é responsável), a perseguição política e violência características das instituições policiais com que a Policia Civil agiu na manhã do dia 4 contra o MST.

Assista o vídeo que registra o momento da invasão dos policiais civis a Escola Nacional Florestan Fernandes e reflita sobre a desproporcionalidade dos fatos noticiados!


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

#OndeEstãoOs5JovensDaZonaLeste? e outros escritos e bem ditos

#OndeEstãoOs5JovensDaZonaLeste? 

A origem das polícias no Brasil é a sistematização, por parte do Estado, da barbárie promovida pelos poderosos que já se praticava desde o período colonial contra os povos indígenas e negros. Ao longo de toda nossa história, a violência policial, portanto do Estado, com a conivência dos poderosos, só foi aprimorada. 

A violência policial no Brasil é uma epidemia! Sendo praticada sistematicamente por agentes do Estado, coloca em questão o Estado Democrático de Direito. 

No Brasil, há anos, investe-se muito mais em efetivos estaduais formados por policiais militares do que em policias investigativas, ouvidorias ou controle externo da atividade policial, sobretudo quando se trata de crimes praticados por policiais como tortura, chacinas, execuções sumárias, ocultação de cadáver e desaparecimento forçado de pessoas. 

Um caso recente deveria perturbar o sono da democracia brasileira. Há mais de 10 dias, familiares de quatro jovens, entre 16 e 19 anos, e de um motorista, vivem a angustia de não terem notícia alguma sobre eles. Desapareceram. 

A última informação que as famílias dizem ter a respeito do desaparecimento é um áudio que Jonathan, um dos jovens, mandou para uma amiga dizendo que havia sido parado pela polícia naquele dia. 

Além de Jonathan, os também amigos Caíque, César e Robson, todos da zona leste de São Paulo e um colega, Jones, motorista do grupo, estão desaparecidos. O carro foi localizado, abandonado e vazio. 

O portal Ponte Jornalismo (clique!), comprometido com os Direitos Humanos, está fazendo reportagens sobre o caso. O MovimentoMães de Maio (clique!), que reúne familiares de vítimas da violência do Estado, está divulgando a campanha #OndeEstãoOs5JovensDaZonaLeste? para dar visibilidade ao caso. 

Nenhuma democracia pode suportar do Estado, seja pela ação ou omissão, tamanho arbítrio. Se queremos uma democracia, o Estado nos deve uma resposta: #OndeEstãoOs5JovensDaZonaLeste? 

Ninguém é uma ilha! 

O Partido dos Trabalhadores foi o maior derrotado nas eleições municipais de 2016. Ponto! Foi derrotado exatamente na instância política que marcou a história do PT, o município. Ao ser derrotado nas urnas, foi derrotada também a esquerda como um todo. Por favor, não façamos da exceção a regra. Sei que esta afirmação é discutível - nem tudo cabe nas urnas e a esquerda é plural, não se resume hoje ao PT, concordo tanto quanto não há esquerda sem o PT. 

A mensagem de ódio ao PT depositada nas urnas nestas eleições municipais de 2016 é também uma mensagem de ódio para qualquer coisa que se pareça ou lembre o PT, ainda que não seja. Da democracia participativa - a direita no Brasil é tão arcaica que precisamos adjetivar a democracia - à constitucionalidade e as políticas públicas setoriais (Igualdade Racial, Mulheres, LGBT, Direitos Humanos). Qualquer pessoa que seja um ponto fora da curva hoje, a princípio, é petista e terá dificuldade para explicar que não é. 

Daqui pra frente só quero saber do que pode ser ponto em comum entre as esquerdas, entre os que são de esquerda mas acham que estão acima das esquerdas, entre autonomistas, anarquistas, socialistas, comunistas, antiautoritári@s, antirracistas, antimachistas, anti-sexistas, anticapitalistas, anti-tudo-que-está-aí, progressistas, democratas, humanistas, ecumênicos, pós-modern@s, malucos beleza, punks, gerações w, y, z, ingovernáveis, gente boa que se recusa a pensar em si - a fazer dos seus problemas o centro dos problemas do mundo - para olhar a sua volta e compreender que seu problema também é (deve ser!) coletivo, irmanar-se e dedicar-se ao bem comum. 

Sou otimistas, apesar de... sigo a utopia!

I have a dream... 

Sonhei que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso havia sido investigado pela privataria tucana iniciada em 1997!

I have a dream... 2 

Depois do ex-presidente FHC, sonhei que outro tucano, dessa vez o senador José Serra, atual Ministro das Relações Exteriores do governo Temer, foi acusado na Lava Jato de ter recebido R$ 23 milhões, por meio de uma conta na Suíça, repassados pela Odebrecht via caixa dois à campanha presidencial de 2010. Sonharei também com outros tucanos, Aécio e Alckmin?

Querido Leonel Brizola!

Espero que esta mensagem o encontre bem e em paz, já que por aqui, a vida não anda nada fácil! A política, nossa razão, inferniza nossas vidas sem nenhum descanso.

Vou direto ao assunto, como o senhor gosta, sem tempo pra esfriar a água para o chimarrão.

Neste domingo, acontecerá no Rio de Janeiro, uma eleição importante.

Marcelo Freixo (PSOL 50), um jovem político de esquerda, democrático, progressista, forjado em novos movimentos sociais e comprometido com os direitos humanos, disputará, representando um igualmente jovem partido socialista, o governo municipal da Cidade, tendo como adversário um conhecido religioso que alçou à política graças aos louvores da Igreja Universal do Reino de Deus.

Taí, o motivo da minha mensagem.

O senhor conhece bem o Rio e suas profundas contradições, preocupado que foi com as coisas da gente, principalmente com a educação no Estado.

O senhor precisa falar para o Senhor daí que a imagem dele não anda muito bem por aqui. Usam o nome dele a torto e à direita.

Peça uma força pra Ele nos ajudar, pois o povo sofrido do Rio, não aguenta mais tanto desmando, descaso, desfaçatez e pegar latinha nos megaeventos que a Cidade recebe.

Experiente como o senhor, peça os votos do outro Senhor para ajudar a eleger Marcelo Freixo.

Da nossa parte, ficaremos atentos e de olho para que ele não nos decepcione, nem aos Senhores (fiquei na dúvida agora se escrevia com maiúscula ou minúscula, já que me referia ao senhor, Leonel, e ao outro Senhor).

Espero vê-lo um dia (mas me perdoe, ainda não em breve)!

Abraço no Jango, no Glauber, no querido Darcy, no Abdias e diga ao Niemeyer que continuo concordando com a Simone, Brasília não tem alma nem coração!

Do reino dos pobres mortais,

Ruivo Lopes
São Paulo, 29 de outubro de 2016.

Obs.: Marcelo Freixo ficou em segundo lugar na disputa pela prefeitura do Rio. 

Mãos sujas de sangue! 

As Jessicas existem, algumas com outros nomes, como Ana Julia, a estudante de escola pública ocupada que retorceu deputados na Assembleia Legislativa do Paraná ao dizer a eles, alto e bom som: "A mão de vocês está suja com sangue"!

O que fizemos para impedir que Dólar fosse eleito em SP? 2 

Há algumas semanas publiquei um comentário neste humilde, mas valioso, espaço a seguinte questão - não pergunta - pra reflexão - não resposta. O que fizemos para impedir que Dólar fosse eleito em SP? 

Dada a nacionalização da eleição municipal considerava importante a manutenção do mandato de Fernando Haddad. E não se tratava de apoio incondicional. 

Pois bem, leite derramado. 

Dólar foi eleito com apoio incondicional da tríade do mal política-empresarial-midiática, selando o golpe na maior, mais populosa e mais rica – e por isso ainda muito desigual - Cidade do País. 

O golpe venceu em SP. 

Percebo um fugaz desconforto diante dos possíveis nomes para apoiar a gerência regressiva de Dólar em SP. 

Mantenho a questão: o que fizemos para impedir que Dólar fosse eleito em SP?

Sabe de nada... 

O presidente do senado Renan Calheiros é um político experiente. Mas, ao reclamar das prisões dos policiais legislativos, comporta-se de forma ingênua. Alexandre de Moraes nunca foi ministro da justiça de Temer no Palácio do Planalto. Moraes obedece apenas ao Palácio dos Bandeirantes em SP!

É pra você... 

De Alexandre de Moraes (justiça), cota do governador tucano Geraldo Alckmin (SP) no ministério de Temer: "Vocês vão ter que me engolir"!

O banquete 

Não, não foi o banquete promovido pela milionária Sarah Light, personagem da classe dominante do livro de Mário de Andrade, numa tarde de domingo no solar de inverno que ficava no subúrbio de Mentira, a simpática cidadinha da Alta Paulista. 

Foi em Brasília, na noite de 24, na casa de Rodrigo Maia, o medíocre presidente da câmara, que as decisões sobre a república foram tomadas. 

Aliás, o Brasil de hoje é governado a base da gula de poder. Troca-se o fórum público dos debates pelo privado dos jantares da casa grande. 

Ao povo, restam os farelos que caem do banquete dos medíocres!

Alugar o Brasil 

O editorial da Folha de S.Paulo do dia 23 manda Temer "apressar o programa de concessões de obras de infraestrutura e de privatizações em geral" (...) "antes do final de 2017". 

Revelo um segredo da República: Temer é um títere! 

Explico: por trás da sanha privatista estão grandes nomes do PSDB com forte experiência adquirida durante os governos FHC. Estes nomões do sudeste integram ou são base de apoio do governo Temer, por pura conveniência. 

No entanto, lembremos, o PSDB é autor de uma ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer - isso mesmo! -, mesmo que tucanos integrem o governo do último. 

Temer é um político experiente feito títere que está fazendo o trabalho sujo e sem nenhuma alternativa. Fará o trabalho sujo e ficará lambuzado, pois tudo indica que o PSDB deixará o governo e sua base até o final de 2017, engrossará uma oposição à direita para se colocar como alternativa na disputa presidencial de 2018. 

Só não se sabe ainda se a ala mineira do PSDB dará espaço para a ala paulista ou vice versa ou ainda se formarão chapa pura, o que é muito improvável. Tucanos juntos se bicam e se machucam. 

Daí, a pressa exigida pelo editorial da Folha, encomendado, certamente, por um tucano quem não dorme à noite!

domingo, 23 de outubro de 2016

Cultura, Educação e Direitos Humanos



Cultura, Educação e Direitos Humanos 

Agradeço a cada participante do Círculo de Cultura, Educação e Direitos Humanos que aconteceu na preguiçosa e gostosa sexta-feira (21), durante o IV Fórum Educação Popular - Você tem fome de quê? (clique!), na UNIFESP Baixada Santista unidade Silva Jardim, Santos.

Nunca imaginei que no bairro em que passei parte da minha meninice, famoso pela concentração decí cortiços, um dia haveria uma Universidade Pública.

Agradeço a cada pessoa dedicada a organização e também por terem escolhido participar destes Círculo, enquanto outros aconteciam, e também pelas valiosas contribuições, diálogo e propostas. 

Era para durar 1h30, e fomos a quase 3h de duração do Círculo. 

Mesmo assim, em tão pouco tempo, terminamos o Círculo com 3 propostas consideradas viáveis de serem realizadas pel@s participantes, em processos da Educação Formal ou da Educação Não-Formal - eu prefiro Popular! 

Torço para que se encontrem novamente, experimentem, reflitam e nunca deixem de realizar o que planejaram e combinaram, pensando sempre na transversalidade da Cultura (cotidiano), Educação (permanente) e Direitos Humanos (ações em defesa/conquistas de direitos). 

O importante é fazer-estar-ficar junt@s. 

Vejo vocês no próximo Fórum!



Acerto de contas 

Acertada - e um tanto surpreendente! - a decisão do juiz Valentino Aparecido de Andrade, da 10ª Vara da Fazenda Pública da capital que condena o Estado de SP a pagar R$ 8 milhões por danos morais sociais pela violência praticada pela Polícia Militar durante a repressão às manifestações de junho de 2013.

A decisão também vai além, determina a elaboração de um plano de atuação policial em protestos que preveja a identificação por nome e posto dos policiais militares em local visível da farda, esclareça as condições de ordem de dispersão de manifestações, proíbe o uso de armas de fogo, balas de borracha e gás lacrimogênio – exceto em situações excepcionais em que os protestos percam "totalmente o caráter pacífico".

Óbvio que o Estado de SP, e o brasileiro, são os maiores responsáveis pelas violações de direitos humanos no país, seja pela ação - como é o caso, em meio a tantos outros - seja pela omissão que permite que violações aconteçam Brasil afora. 

É importante lembrar que a violência policial não começou nem acabou em junho de 2013. A violência é regra da atuação da PM! 

A importância desta condenação - enquanto durar, porque foi em primeira instância, lembremos também a desastrosa decisão do Tribunal de Justiça de SP que recentemente anulou o julgamento e absolveu PMs que participaram do Massacre do Carandiru - está na jurisprudência criada, podendo servir para ocorrências futuras em que a violência policial for denunciada na justiça. 

Há muito o que se fazer, inclusive cumprir a recomendação de maio de 2012 do Conselho de Direitos Humanos da ONU para o Brasil extinguir a PM!