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domingo, 14 de outubro de 2012

No Itaim Paulista, Favela Toma Conta no Dia das Crianças

Ruivo Lopes e o time de poetas Suburbano Convicto
 
Um Dia das Crianças muito especial. Foi assim a 26ª edição do Favela Toma Conta realizado no último dia 12 de outubro no Itaim Paulista, na zona leste de SP. Pelo nono ano consecutivo o evento é realizado no Dia das Crianças. No comando da locomotiva cultural estavam Alessandro Buzo, Tubarão Du Lixo e toda família Suburbano Convicto.
O tempo fechado não desanimou o público que compareceu em peso ao evento que desde 2004 reverencia o Hip Hop nacional. Foi muito bonito ver crianças, jovens e adultos ligados em cada palavra que saia dos alto-falantes e vidrados no palco. Emocionante ver uma quantidade enorme de crianças coladas no palco e que vez e outra roubavam a cena, afinal, aquilo tudo era pra elas. A presença das mães também foi muito grande. Vi e ouvi muitas cantando junto com o Dexter a versão dele para Mágico de Óz, um clássico dos Racionais MCs de 1997.
Vi em primeira mão a gravação de uma cena do Profissão MC 2, dirigido pelo Alessandro Buzo, que também atua no filme ao lado de Dexter, Emicida e grande elenco. O bonde do Buzo não para!

Negro Panta, Ruivo Lopes, Alessandro Buzo, WL e Rafael Marques

A programação tava chapada! Os grandes que me desculpem, mas MC Cauam é o elo de gerações do rap. Ninguém segurava a criançada na hora de distribuir doces, brinquedos, livros e cds.
"O futuro do Hip Hop está aqui!", disse Dexter depois de presentear com seu disco uma criança que aparentava menos de dez anos de idade. "Ouve aí e canta rap", aconselhou o rapper que se apresentou para o fechamento do evento.
Depois de uma maratona de idas e vindas, baldeações de metrô, trêm e ônibus, cheguei no Favela Toma Conta a tempo de compor o time de poetas do Sarau Suburbano e compartilhei com quem tava presente um poema meu disparado alto e bom som. De longe, eu já ouvia a voz do Tubarão du Lixo anunciado poetas e disparando seu poema.
Em meio a onda de terror e assassinatos nas periferias da cidade, no interior e na Grande São Paulo, denunciada também nos falantes, o Favela Toma Conta no Dia das Crianças deu exemplo de que a coletividade da Cultura de Rua do Hip Hop continua viva, promovendo e salvando vidas por um mundo melhor.
Em outras partes da cidade, coletivos realizaram ações culturais pra marcar o Dia das Crianças de um jeito bem diferente do consumo e da comercialização de produtos a que a data infelizmente remete. Foi o caso dos coletivos Elo da Corrente, Sarau Poesia na Brasa, do Sarau da Ocupa (Sarauzinho), Pensamento Negro, toda  rapaziada e moçada que mora e que apóia às ocupações de moradia na região central, etc, que com criatividade coloriram, musicaram, leram, adocicaram e presentearam as crianças com um dia muito especial.