Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem idéias, não vamos à parte nenhuma.
Trecho do último texto publicado no blog do escritor português José Saramago (Azinhaga, Golegã, Portugal, 16 de Novembro de 1922 — Tías, Lanzarote, Espanha, 18 de Junho de 2010).
Ah vá... Luis Nassif divulgou em seu blog que os jornalistas Gabriel Priolli e Heródoto Barbeiro, da TV Cultura, foram demitidos há poucos dias após questionarem os altos pedágios no Estado de São Paulo. O primeiro, indicado recentemente como diretor de jornalismo da emissora, planejou uma matéria sobre os pedágios paulistas. A matéria foi derrubada antes de ir ao ar, substituída por outra qualquer. Priolli foi demitido do cargo. Já Heródoto Barbeiro deixou de ser apresentador do programa Roda Viva por questionar, ao vivo, o candidato José Serra em relação aos altos pedágios cobrados nas rodovias do estado. Para José Serra e o PSDB se a imprensa não está a favor está contra!
Assista | Mano Brown (Racionais MCs) sobre o candidato a presidência da República José Serra do PSDB
Quem sabe, sabe
- Quem procura, acha.
Disse o jovem pescador da região de Atins, no Maranhão, para dois turistas perdidos no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses.
- Quem não sabe, aprende.
Emendou o jovem pescador, rindo consigo mesmo, enquanto os turistas reclamavam a ausência de placas sinalizadoras no local. O jovem pescador ganhou o dia, já os dois turistas, jamais duvidarão da sabedoria popular
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Campanha Nacional pelo Limite da Propriedade da Terra (www.limitedaterra.org.br). No sítio da Campanha você também pode assinar o abaixo-assinado em apoio à emenda constitucional que estabelece limites de extensão para o imóvel rural, como forma de garantir sua função social e a democratização do acesso a terra. Historicamente, o Brasil apresenta um dos maiores índices de concentração fundiária do mundo. Diante deste quadro de grave desigualdade, não se pode admitir que imensas propriedades rurais possam pertencer a um único dono, impedindo o acesso democrático à terra que é um bem natural, coletivo, porém limitado. A limitação do tamanho da propriedade rural também se justifica como um estímulo ao aumento da produção de alimentos, da preservação dos recursos naturais, do emprego rural e da fixação do homem no campo.
Mais Metrô: Governo de São Paulo Elitista! Mensagem registrada no muro das obras do Metrô (Rua Piauí esquina com a Consolação). A mensagem foi apagada no dia seguinte desta foto. [Foto: Ruivo Lopes | São Paulo (SP), junho de 2010]
No Estado de São Paulo, o mais rico do país, 51 dos 645 municípios, 7,9%, ainda não possuem uma biblioteca pública municipal. O dado consta do 1º Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais 2010 divulgado pelo Ministério da Cultura. No ranking dos municípios com mais bibliotecas, a primeira colocação é ocupada pela cidade paulista de Barueri, com 4,07 estabelecimentos por 100 mil habitantes. A capital paulista, que detém o maior PIB nacional, está na 157ª posição, com 0,51 estabelecimento por 100 mil habitantes. Foram pesquisados todos os 5.565 municípios brasileiros. O estudo aponta ainda que em 2009, 79% das cidades brasileiras possuíam ao menos uma biblioteca aberta. Um alívio para os leitores, pois isso significa 4.763 bibliotecas em operação em 4.413 municípios. Segundo o levantamento, em 420 municípios no território nacional, as bibliotecas foram extintas, fechadas ou nunca existiram. Veja a lista dos municípios paulistas sem biblioteca pública municipal: Águas da Prata, Alfredo Marcondes, Araçariguama, Aramina, Aspásia, Bento de Abreu, Bofete, Bom Sucesso de Itararé, Braúna, Cabrália Paulista, Caiabu, Campina do Monte Alegre, Dumont, Embaúba, Euclides da Cunha Paulista, Gabriel Monteiro, Guarantã, Igaraçu do Tietê, Igaratá, Ipaussu, Itapura, João Ramalho, Lavrinhas, Luiziânia, Lupércio, Manduri, Mineiros do Tietê, Morro Agudo, Nova Canaã Paulista, Nova Europa, Nova Luzitânia, Oleo, Orinduva, Palmares Paulista, Pardinho, Pedranópolis, Pongaí, Pontalinda, Porangaba, Queiroz, São João das Duas Pontes, São José da Bela Vista, São José do Barreiro, São Miguel Arcanjo, Serrana, Suzanópolis, Tambaú, Tuiuti, Ubirajara, Urânia, Valentim Gentil.
Virada Cultural exclui palco do Rap Não podia ser pior. Mesmo "apoiado por mais de cinquenta mil manos", o rap vai ficar de fora da festa marcada para o próximo fim de semana. A Prefeitura de São Paulo excluiu o tradicional palco do rap da Virada Cultural deste ano. José Mauro Gnaspini (não esqueça este nome), diretor do evento, alegou que o espaço [a Virada?, o Centro ?, a Cidade?] não é adequado [para rap ou o público deste?] e teme pela segurança. A exclusão do palco do rap é reflexo de como a atual gestão municipal trata a periferia da cidade e suas manifestações culturais mais importantes, ou seja, com descaso e como caso de polícia. Ah vá...
Assista | O rapper Daniel “Garnett” Epô com a excelente “Isso é Uma Vergonha”, feita após o comentário infeliz de Boris Casoy, âncora do Jornal da Band, em dezembro, sobre os garis que haviam desejado felicidades aos telespectadores da emissora. O rapper ainda pode ser ouvido em: www.myspace.com/epogarnett
Monumento a Federico Garcia Lorca Cia. de Teatro pede restauração e visibilidade para a obraNo mês de abril a Cia. Hotel Green Garden apresentou a peça Os Cantos Do Hotel. A peça tem inspiração na série de poemas Poeta em Nova Iorque, do espanhol Federico Garcia Lorca, morto em 1936 pela ditadura franquista e até hoje desaparecido. Na série, Lorca aborda sete personagens que representam a sociedade deteriorada da Nova Iorque dos anos 20 e 30, na época da crise da bolsa de valores. Em sete quadros, cada arquétipo aborda de maneira profética e surrealista como os homens se transformaram após a crise econômica e as dificuldades provocadas por ela. Foram incluídos na peça os poemas: Cidade Sem Sonho, Pequeno Poema Infinito, Fábula e Roda dos Três Amigos, Lua e Panorama dos Insetos, Morte, A Menina Afogada no Poço e Panorama Cedo de Nova Iorque. O local escolhido para as apresentações foi a Praça das Guianas, no Jardins, bairro nobre da Cidade. A Praça abriga o Monumento a Federico Garcia Lorca do escultor e arquiteto brasileiro Flávio de Carvalho (1899-1973). O objetivo de apresentar a peça na praça do monumento foi chamar a atenção para a invisibilidade da obra naquele local e sua consequente deterioração. O Monumento bem que poderia deixar a penumbra em que se encontra para repousar no Memorial da América Latina.Um monumento de resistência erguido contra ditaduras Exilados espanhóis decidiram homenagear seu maior poeta morto por forças franquistas durante a Guerra Civil Espanhola sob a acusação de ser comunista. Federico Garcia Lorca era um homem livre, sem preconceitos, que lutava contra a opressão e pelos direitos das minorias. O escritor Paulo Duarte foi convidado a participar da homenagem e envolveu o escultor e arquiteto Flávio de Carvalho. O projeto da escultura foi enviado à Serralheria Diana, de propriedade de espanhóis no bairro do Tatuapé, onde Flávio de Carvalho acompanhou sua execução passo a passo. Depois de pronta, a escultura foi depositada na Praça das Guianas. A cerimônia de inauguração, no dia 1º de outubro de 1968, foi prestigiada pelo poeta chileno Pablo Neruda, que fez um caloroso discurso elogiando o amigo Garcia Lorca e o autor da escultura. Uma exposição na Biblioteca Mário de Andrade e um espetáculo no Teatro Municipal com a participação de Chico Buarque, Geraldo Vandré, Sérgio Cardoso e outros completaram a homenagem. Na madrugada de 20 de julho de 1969, uma explosão danificou a escultura. Nunca se apurou o responsável pelo ato, que, no entanto, sabia-se ligado ao CCC (Comando de Caça aos Comunistas). Folhetos deixados junto à obra informavam sobre a destruição do monumento ao poeta "comunista e homossexual", no dia da Revolução Cubana. Os destroços da escultura foram levados a um depósito da Prefeitura. Em 1971, Flávio de Carvalho restaurou-a para levá-la à Bienal de Arte de São Paulo. Com muito custo e sem o apoio de nenhuma autoridade, conseguiu colocá-la do lado de fora do prédio da Bienal, no Parque Ibirapuera, onde ficou apenas dois dias. O embaixador da Espanha reclamou da presença da "escultura do comunista" e ela voltou ao depósito. Dispostos a devolver a obra ao espaço público, alunos da Escola de Comunicações e Artes e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, dentre eles o hoje cineasta Fernando Meirelles, falsificaram documentos e a roubaram em 1979. Durante três meses, trabalharam na sua recuperação e a depositaram no vão livre do MASP (Museu de Arte de São Paulo), estrategicamente, no dia em que o prefeito participava de um evento no museu. O diretor do MASP, e o prefeito não aprovaram o ato. Dias depois, finalmente, a obra foi novamente depositada na Praça das Guianas, seu local de origem e onde encontra-se até hoje. Saiba mais: www.hotelgreengarden.blogspot.com [Fotos: Elaine Campos | São Paulo (SP), abril de 2010]
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Carimbó – Patrimônio Cultural Brasileiro (www.campanhacarimbo.blogspot.com). Blog oficial da Campanha pelo Registro do Carimbó como Patrimônio Cultural Brasileiro. Fala Povo (www.falapovo.com). Informação críticas pautadas pelos diferentes seguimentos da sociedade brasileira. Blog Fórum Educação (blog.forumeducacao.zip.net). Espaço virtual do Fórum da Educação da Zona Leste de São Paulo. Haiti Kreyòl (www.wakky.com.br/brasildefato/haiti). Informações sobre a luta do povo haitiano para reconstruir seu país. Organização Popular Aymberê (www.opaymbere.wordpress.com). Organização ligada a movimentos sociais de base. Pseudopoetagens (www.pseudopoetagem.blogspot.com). Pseudopoesias por um pseudopoeta.
Agenda
10 a 14/05 – Paraitinga em São Paulo: Semana Artística e Cultural. O evento traz artistas de São Luiz do Paraitinga para realizar diversas atividades culturais na cidade. Confira. Centro Cultural FIESP: Av. Paulista, 1.313. Tel.: 3146-7406.
11, 18 e 25/05 – Radiografia Cultural: periferia e underground em São Paulo. Sérgio Vaz, Binho e convidados, na maioria agitadores culturais da periferia, comandam saraus e debates no evento realizado no Centro Cultural Banco do Brasil. Confira a programação aqui.
15 a 23/05 – Ladyfest Brasil 2010. Comemorando dez anos de nascimento na longinqua cidade de Olympia, nos EUA, e seis anos desde a sua primeira edição no Brasil, em 2004, o Ladyfest Brasil se consolidou como um dos festivais culturais independentes mais importantes do país e o único a celebrar uma cena de jovens mulheres feministas atuantes. Imperdível! Confira a programação aqui.
23 e 30/05 – 15º Festa do Imigrante. O tradicional evento anual é um convite para conhecer as manifestações culturais, artísticas e gastronômicas de diversas nações, além de resgatar a história dos mais de 2,5 milhões de imigrantes que passaram pela Hospedaria do Imigrante em São Paulo desde o final do século XIX. Memorial do Imigrante: Rua Visconde de Parnaíba, 1.316, Moóca (Metrô Bresser). Tel.: (11) 2692.1866. Confira a programação: www.memorialdoimigrante.org.br
Era moda bomba em banca de jornal. Era jogar uma bombazinha lá fora, nas imediações. Era um ato [para marcar] presença: nós estamos aqui, vocês estão aí no evento de comemoração do 1º de Maio. Não era [intenção matar] ninguém. [Falei a um dos oficiais]: Vai, mas joga a bomba mais afastada. E [ele] saiu com o grupo, foi junto para assegurar que a bomba seria jogada fora [do Riocentro]. E realmente a bomba foi jogada afastada, nas imediações da casa de força. Não ia incomodar ninguém. Quando fui pra casa e liguei a TV é que soube da bomba que tinha explodido [dentro do Puma].General Newton Cruz, ex-chefe do SNI e ex-comandante militar do Planalto, em recente entrevista revela seu consentimento com o atentado ocorrido no Riocentro, em 1981, quando milhares de pessoas participavam do show pelo Dia do Trabalhador. Minutos antes, uma explosão num Puma com dois militares dentro, um sargento e um capitão, ambos do DOI, braço militar da repressão, matou um deles e feriu o outro. A bomba explodiu antes de ser plantada, no colo do sargento, fato que contraria a versão dos militares à época de que aquilo seria um ato praticado pela esquerda.
Assista | Luiz Gonzaga recebe no palco Clara Nunes, João Nogueira, Chico Buarque, João do Vale, MPB4, Gonzaguinha e Roberto Ribeiro para cantar Asa Branca no encerramento do show pelo Dia do Trabalhador, em 1º de maio de 1981, no Riocentro (RJ). Momento único da Música Popular Brasileira quando nem as bombas detonadas por militares conseguiram parar o show.
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O Weblivros foi criado em 1998 para abrigar resenhas, entrevistas, autores inéditos, ensaios e notícias sobre literatura. Hoje, o Weblivros é um portal com um conteúdo bastante ampliado e inclui vídeos, fotos, links, o periódico K-Jornal de Crítica, e obras clássicas da literatura que podem ser baixadas gratuitamente. O objetivo do sítio é oferecer informação sobre o universo literário. Confira: www.weblivros.com.br
Agenda
14/04 - O STF (Supremo Tribunal Federal) deve julgar a ação movida pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) que contesta artigo da Lei da Anistia que trata dos crimes políticos ou praticados por motivação política, durante a ditadura militar. Assine o Manifesto Contra a Anistia aos Torturadores.
17/04, 10h - Feira da Reforma Agrária. Organizada pelo MST como parte da programação da Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária, a Feira apresentará a produção dos assentamentos para comercialização. Apresentações culturais estão na programação. Não perca! Endereço: Praça Central de Jandira (próximo da estação de trem e do terminal de ônibus). Tel.: (11) 4447-1011 ou pelo e-mail: grandesp@mst.org.br
Sebos me atraem. Aonde quer que eu esteja, dificilmente passo por um sem que entre, cumprimente o livreiro e de uma rápida olhada nos títulos disponíveis nas prateleiras. Faço isso há anos. Quando entro num Sebo, procuro mais do que um bom livro. Procuro um livro que me surpreenda. Com o tempo, basta alguns minutos no lugar para saber se o Sebo é bom ou não. Uns minutos, às vezes, rendem manhãs e tardes inteiras de pura investigação. Claro, esta é uma avaliação subjetiva. Por exemplo, fico mais à vontade quando o livreiro responde ao cumprimento, dá orientações sobre a organização do local e ao ouvir o nome do livro ou do autor ou do assunto que procuro, ele não só adianta informações como tece seus próprios comentários a respeito do livro, independente de comprá-lo ou não. Enfim, raro em casa são os livros novos, comprados em livrarias ou ganhados de presente. Dia desses, entrei num Sebo no centro de São Paulo disposto a sair de lá recompensado. Depois de investigar muito, achei, preso entre a prateleira e a parede, o Poesias Completas de João Cabral de Melo Neto, 4º edicão, Editora José Olympio, 1986. Capa do Ziraldo. O livro não é raro nem nada, mas é uma jóia! Único exemplar cujo primeiro leitor teve o cuidado de anexar recortes de notícias de jornais de época sobre o autor. Os recortes estão amarelados, assim como as páginas onde eles foram deixados. Uma das notícias, incompleta, é assim: "'Poetry' (Poesia): 'Eu também não gosto muito dela: há coisas mais importantes que toda essa charanga...' Augusto de Campos publicou, na página Invenção do extinto jornal 'Correio Paulistano', em 1960, tradução do poema 'The Fish' (O Peixe): 'Nad-/ando em negro jade./Conchas azul-marinhas uma/ só/sobre montes de pó...'. Décio Pignatari, em seu artigo 'Sobre poesia oral e poesia escrita' (1950), lia, nas estrofes finais de 'The Fish' 'a tipografia compondoo desenho caprichoso dos meandros que o peixe deixa na água'. Mas foi o poeta João Cabral de Melo Neto quem estabeleceu vínculos mais profundos com a autora de 'The Complete Prose': é inegável e visível a influência da poesia do autor de 'Educação pela Pedra'. João Cabral não nega a influênciae registra a admiração num de seus poemas do livro 'Serial': 'Manianne Moore, em vez de lápis,/ emprega quando escreve/ instrumento cortante:/ bisturi, simples canivete..." ('O Sim contra o Sim', 1961). Finalmente, Sebastião Uchoa Leite, em livro já mecionado neste texto, publicou tradução, com ensaio interpretativo, do poema 'Tom Fool em Jamaica': 'Lembrem-se de Jonas, embarcando em Joppa, detido pela baleia...' Uchoa Leite, em observação correta, vê tanto em João Cabral quanto em Marianne Moore um louvor comum do esforço, a moral da atividade contra a passividade, regendo o fazer poético. 'A arte da poesia é uma arte de formas singulares' dizia Miss Moore, em uma de suas muitas afirmações. Aliás, Marianne não tinha medo de afirmações. Pode-se dizer que sua proza crítica é também uma arte de formas singulares, inusuais. Nela o novo, combinado com a erudição, a obsessão pelo rigor , a sondagem e recepção de fatos literários inovadores encontram abrigo inteligente, vivo-cheio de riscos." - Folha de S. Paulo, abril de 1988. Surge, adiante, a segunda notícia, também incompleta. [João Cabral de Melo Neto] "O sentido de 'Duas Águas' [reunião de livros do autor] é isso: um tipo de poesia de extensão da cultura que era 'Morte e Vida Severina', que pensava que aquilo podia ser entendido pelo homem do Nordeste e tudo, ao contrário era entendido pelo intelectual sofisticado do Rio. Eu me lembro que quando saiu 'Duas Águas', o Vinicius de Morais veio comentar comigo, estusiasmado com 'Morte e Vida Severina'. Eu disse: 'Vinicius, 'Morte e Vida Severina' eu não escrevi para você não; para você escrevi 'Uma faca só lâmina'. 'Morte e Vida Severina' escrevi para o analfabeto do Nordeste...". Abril de 1987. Verificando outros títulos em casa, encontrei dedicatórias, autógrafos, fotos, cartas, traduções, correções de texto, desenhos, marca-páginas etc. Livros que continuam me surpreendendo.
"A reforma agrária interessa ao Brasil. Interessa a todo o povo brasileiro, aos movimentos sociais do campo, aos trabalhadores rurais e ao MST. A reforma agrária interessa também aos que se envergonham com os acampamentos de lona na beira das estradas brasileiras: ali, vive gente expulsa da terra, sem um canto para plantar - nesse país imenso e rico, mas ainda dominado pelo latifúndio" - Manifesto de criação da Rede de Comunicadores em Apoio à Reforma Agrária e Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais
Já está disponível para acesso o Blog da Rede de Comunicadores em Apoio à Reforma Agrária e Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais. Um dos objetivos do Blog é acompanhar os trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), instalada no final do ano passado por imposição da bancada ruralista que visa criminalizar os que lutam por terra no país. A nova página também servirá para divulgar experiências bem sucedidas de reforma agrária, de assentamentos rurais e de agricultura familiar, que a mídia privada omite ou distorce. O Blog, aberto à colaboração, pretende ser um ponto de referência para outros sítios, blogs e publicações que tratam deste tema. A Rede de Comunicadores foi criada com o apoio de jornalistas, radialistas, blogueiros, estudantes e radiodifusores comunitários que não aceitam a criminalização da luta pela terra promovida pelos latifundiários do campo e da mídia privada. Confira: www.reformaagraria.blog.br
Inezita Barroso completou na semana passada 85 anos de vida, dos quais 55 são dedicados a música popular brasileira. Há 30 anos ela apresenta o Viola, Minha Viola, programa de TV que está há mais tempo no ar, sem nunca deixar de ser exibido ou trocar de emissora. Personalidade muito querida por todo o Brasil de dentro, sente-se isolada na luta para não deixar morrer o cancioneiro brasileiro de raiz, principalmente a música caipira. É ela quem avisa. "Essa música moderninha de hoje, que chamam de sertanejo, não tem valor. É completamente diferente da música caipira e a folclórica, que tem vários ritmos, como chamamé, catira, cateretê e tantos outros. A Globo se esforça para destruir [a cultura caipira], mas não consegue, está dentro da gente. Eu vou por a viola lá no alto. Não quero dinheiro, quero ver a viola triunfar. Se tivesse mais aliados nesta luta... Mas não gastei 55 anos da minha vida à toa. Hoje vejo cada vez mais orquestra de violas e fabricas do instrumento para criança. É um orgulho tremendo", conta Inezita. O Viola, Minha Viola é exibido domingo, às 9h e sábado, às 21h30, pela TV Cultura. O programa fica ainda melhor se assistido ao sabor do café, pão e cuscuz de milho.
Para ensinar pescadores a ler e escrever, o governo brasileiro decidiu adotar uma iniciativa de combate ao alfabetismo utilizada por Cuba. Criado no final da década de 1990, o programa cubano Sim, eu posso (ou Yo, sí puedo), promete alfabetizar uma pessoa com 65 aulas em vídeo que nas regiões brasileiras são adequadas ao tempo disponível dos alunos. As aulas acontecem no período de defeso, em que a pesca é proibida e que dura em média três meses. Depois, seguem com os Círculos de Cultura, com objetivo de consolidar o aprendizado. Para implantar o método, já utilizado pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), técnicos cubanos foram enviados aos cinco Estados onde o projeto está sendo implementado - Santa Catarina, Bahia, Mato Grosso, Pará e Rio - com o nome de Pescando Letras, pelo Ministério da Pesca e Aquicultura. Em 2005, uma versão piloto do projeto foi realizada no Piauí pelo Ministério da Educação. A saída do aluno do estágio mais primário do analfabetismo é importante e pode levá-lo a leitura, escrita e interpretação de textos se continuado o processo de alfabetização. Moacir Gadotti, professor da Faculdade de Educação da USP e diretor do Instituto Paulo Freire, defende que as políticas de combate ao analfabetismo devem ser articuladas no marco da aprendizagem ao longo de toda a vida. Sem políticas estruturantes de longo prazo, intersetoriais e integrais, não conseguiremos eliminar o analfabetismo. Além disso, destaca, o método cubano se utiliza de cartilhas e é marcadamente instrucionista. O professor da FEUSP considera que como um instrumento inicial de promoção da alfabetização, ele pode ter efeitos positivos. Contudo, sem uma continuidade, esse método, a médio prazo, perde a eficácia inicial. As campanhas gerais tendem a desconsiderar os diferentes contextos regionais e a diversidade cultural dos aprendizes. A utilização de novas tecnologias não deve quebrar a relação pedagógica. E completa: nada substitui o alfabetizador! Gadotti lembra ainda que a alfabetização é multifacetada. Existem várias alfabetizações: digital, cívica, ecológica, política... O combate ao analfabetismo não se reduz à política de escolha de um método. A educação de adultos, a começar pela alfabetização, é um direito que deve ser garantido a todos e com qualidade. [Foto: Ruivo Lopes | Salvador (BA), janeiro de 2010]
O prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (DEM) não brinca em serviço, muito menos nos negócios. Super inflacionou a tarifa do ônibus na cidade que passou dos injustificáveis R$ 2,30 para os abusivos R$ 2,70, sem choro nem vela! Contrários ao aumento, manifestantes concentrados na porta da Prefeitura, na última quinta-feira (4), distribuíram panfletos denunciando o reajuste: o aumento abusivo da tarifa garante apenas os lucros dos empresários dos transportes, ferindo o bolso do trabalhador. Como se não bastasse o aumento da tarifa, aqui se paga para ficar parado horas nos ônibus, assistindo o triste espetáculo das águas subirem. Até agora o governador do Estado José Serra (PSDB) não explicou por que fechar as comportas de água da Zona Leste da cidade para preservar as obras das marginais é mais importante do que atender as famílias que ainda estão nas áreas alagadas por causa da medida. Em ano eleitoral a palavra de ordem dos mandatários paulistas é somar: os empresários dos transportes, das empreiteiras e das construtoras, ávidos para investir em campanhas rentáveis. Os manifestantes prometem voltar a protestar na porta da Prefeitura contra o aumento da tarifa e o descaso com as famílias nas áreas alagadas nos dias 11 e 25 de fevereiro, quintas-feiras. Concentração às 16h30 no Teatro Municipal (Praça Ramos). Saída em passeata para a Prefeitura de São Paulo às 17h30. Mais informações: www.barraroaumento.org
“A morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti” - Meditações XVII, de John Donne, poeta inglês do século XVI, que Ernest Hemingway deu destaque no início de seu livro Por quem os sinos dobram. [Foto: Ruivo Lopes | Sesc Pompéia (SP), novembro de 2009]
Siba e a Fuloresta do SambaSiba e a Fuloresta do SambaSiba e a Fuloresta do Samba com Nação ZumbiSiba e a Fuloresta do Samba com Zeca BeleiroO Estrangeiro, painel numa construção no Vale do AnhangabaúNo final da tarde dos dias 12 e 13 de novembro passado, quem passava apressado pelo Vale do Anhangabaú, no coração de São Paulo, foi surpreendido pelo palco montado para o espetáculo O Estrangeiro do grupo francês Plasticiens Volants em parceria com a dupla de irmãos paulistanos Gustavo e Otávio Pandolfo, ou osgemeos, movimentando coloridos bonecos infláveis gigantes pelo local. A abertura do espetáculo ficou por conta de Siba e a Fuloresta do Samba com participações de Nação Zumbi e Zeca Baleiro. O espetáculo aconteceu dentro do calendário de encerramento do Ano da França no Brasil. [Fotos: Ruivo Lopes]
Convidado para participar do Seminário Música nas Escolas, na Sala São Paulo, em agosto passado, Tom Zé não deixou barato. "Como é possível o professor entrar na sala [de aula] para negar o que os alunos ouvem no dia a dia?", perguntou-se o músico em referência a gêneros musicais como o rap e o funk, ainda mal vistos por educadores. Correção esperada com base na Lei nº 11.769/08 sobre o ensino de música no conteúdo da disciplina de Artes no Ensino Básico.
Despeço-me de 2009 embebecido por uma reflexão do escritor uruguaio Eduardo Galeano que diz assim: "A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar". Temos um encontro marcado em 2010. Logo depois da chuva de prata... renovados! Então, não faltem, pô! [Fotos: Ruivo Lopes | Relógio do Conjunto Nacional]
Augusto Boal era múltiplo: dramaturgo, criador do Teatro do Oprimido, homem de ação política, escritor, brasileiro, latino-americano e universal. Em ação, Boal transformou o teatro contemporâneo para jogar com a cena, de modo que todos também pudessem participar do jogo. Morreu em 2 de maio de 2009, no Rio de Janeiro, deixando um legado generoso e solidário para com os oprimidos. Libertar-se é transgredir, dizia ele. Por isso Boal vive! Leia trechos do Dossiê Augusto Boal, publicados na revista Vintém n. 7, da Companhia do Latão.
Da palestra proferida por Augusto Boal no Fórum de Arte Social da Cooperativa Paulista de Teatro, no Teatro Studio 184, em São Paulo, no dia 12 de setembro de 2008:
"Você só aprende quando ensina. Da mesma forma, você só ensina quando aprende."
"Ele [O Teatro do Oprimido] se aparenta mais a uma árvore, que não se desenvolveu sozinha, não aguentaria. É necessário que todos os galhos se convertam em troncos; se convertam em multiplicadores, para que se possa continuar a desenvolver. Por isso é que é um teatro de conversão, de auto-conversão."
"Podemos conversar, falar, sem a palavra. Fazemos esses exercícios de imagem para evitar que a palavra entre cedo demais e - pelo poder avassalador que ela tem - liquide com a capacidade de pensamento sensível do grupo."
"Podemos interferir [no processo de criação] ajudando as pessoas."
"A peça apresenta o problema cuja solução não sabemos."
"O teatro sempre foi perigoso e ainda é."
"Nós aprovamos 13 leis, todas vindas de discussões teatrais, através do procedimento do Teatro Legislativo, feito na rua, nos sindicatos, nas igrejas, escolas. Onde quer que fôssemos, a gente falava: 'Olha, está aqui uma lei, o que vocês acham?'"
"Temos que sensibilizar novamente as pessoas para aquilo que sofrem e não estão percebendo."
"O teatro nos serve para mudar a sociedade. Sr cidadão é transformar essa cidade. Não apenas viver nela, mas transformá-la. Cidadão verdadeiro é isso: 'Está ruim? Vamos mudar, vamos brigar, vamos fazer.'"
Da entrevista realizada após a palestra de Boal no Fórum de Arte Social da Cooperativa Paulista de Teatro:
"Uma das consequências de muita ditadura em cima, é que você fica pessimista. Mas é necessário tempo."
"O Teatro do Oprimido nunca termina quando acaba. O que acaba é o espetáculo, é o evento. Aí temos que fechar a sala, apagar a luz, ir para casa. Isso acaba. Evento. Mas o que a gente busca não é o evento: é a transformação social."
"A minha contribuição é no teatro. O essencial é o ser humano. O que interessa são as pessoas. Eu acredito que todo mundo é artista porque as primeiras manifestações do ser humano são todas de ordem estética, sensorial. A palavra é um meio de transporte."
"É a prática, é o combate que faz o herói."
O Dossiê reúne ainda uma série de artigos de dramaturgos sobre o fazer teatral de Augusto Boal. Acesse a revista Vintém no sítio da Companhia do Latão. Visite também o novo sítio do Centro do Teatro do Oprimido.
Acabo de ler Leite Derramado, o mais recente livro de Chico Buarque. Confesso que mais ouvi Chico que li. Embora eu tenha dado um salto na sua obra literária (já tinha lido seus textos para o teatro e com exceção de Estorvo, pulei os outros do gênero), percebo que Chico está muito a vontade com a forma intencional dada a Leite Derramado. Um romance memorialista, de família, que mergulha nas entranhas da nossa história para nos mostrar a herança deixada pelo velho Brasil de contrastes. A seguir, trechos que selecionei:
Memória "A memória é uma vasta ferida". "Parece uma moça digna apesar da origem humilde". "A memória é deveras um pandemônio, mas está tudo lá dentro, depois de fuçar um pouco o dono é capaz de encontrar todas as coisas". "Dá preguiça vasculhar a memória".
Decadência "Hoje sou da escória igual a vocês, e antes que me internassem, morava com minha filha de favor numa casa de um só cômodo nos cafundós. Mal posso pagar meus cigarros, nem tenho trajes apropriados para sair de casa. Do meu último passeio, só me lembro por causa de uma desavença com um chofer de praça. Ele não queira me esperar meia horinha em frente ao cemitério São João Batista, e como se dirigisse a mim de forma rude, perdi a cabeça e alcei a voz, escute aqui, senhor, eu sou o bisneto do barão dos Arcos. Aí ele me mandou tomar no cu mais o barão, desaforo que nem lhe posso censurar. Fazia muito calor no carro, ele era um mulato suarento, e eu a me dar ares de fidalgo. Agi como um esnobe, que como vocês devem saber, significa indivíduo sem nobreza".
Brasis "Perguntou pela procedência do cordeiro, magnífico, e sem esperar resposta farejou toques africanos no tempero, como em tudo o mais aqui no Brasil". "Seria exibida pelo amante nos salões de Paris, como séculos atrás uns índios tupinambás na corte francesa, encantaria a metrópole com seu maxixe, seu francês esdrúxulo e sua beleza mestiça".
Passado e Presente "Se com a idade a gente dá para repetir certas histórias, não é por demência senil, é porque certas histórias não param de acontecer em nós até o fim da vida".
Acesse o sítio de Chico Buarque e veja toda a obra do autor em canções, literatura, teatro e cinema. Se preferir, visite o sítio de Leite Derramado e leia o primeiro capítulo.