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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Mostra Cultural De Fora para Dentro: uma ocupação poética



Semanas antes da notícia do possível despejo das famílias que moram na Ocupação São João, um grupo de funcionários da Escola do Parlamento da Câmara Muncipal de São Paulo, sensibilizados com o drama vivido pelos sem teto, fizeram um convite pra que se realizasse no Parlamento Municipal, também chamado de Casa do Povo, uma ocupação cultural que reproduzisse a criativa movimentação cultural que acontece na Ocupação, totalmente à margem da programação cultural que domina a Cidade.


O compromisso coletivo assumido com a organização da 1º Mostra Cultural De Fora para Dentro – Uma ocupação poética da CMSP (confira a programação completa)seguiu-se mesmo sob a ameaça de despejo das famílias, o que parecia pra todo mundo envolvido uma enorme contradição. Despejadas pelo descaso das autoridades por um lado e recebidas no Parlamento do outro! No momento, o fantasma do despejo se afastou da Ocupação São João, mas ele continua assombrando a redondeza.


Há luz no fim do túnel! É hora de mudar a voz... e denunciar a cidade que está de mal consigo mesma! Chegou a hora de ser a voz... e anunciar a cidade mais justa que queremos! Moradia digna e cultura à margem estarão no centro da Mostra pra ser a voz e a cara da vez!


Na sexta-feira, dia 14, às 14h, vai acontecer mais uma edição do Ciclo de Debates "Pensando São Paulo" Habitação e Revitalização do Centro (Plenário 1º de Maio). Debatedores, dentre outros, Raquel Rolnik – Urbanista/USP e Relatora Internacional do Direito à Moradia da ONU; e Kazuo Nakamo – Urbanista/USP e Presidente do Instituto Polis.




No mesmo dia às 19h30, vai acontecer o Sarau da Ocupa (Plenário Externo Freitas Nobre) e convidamos você pra recitar com a gente a cidade que queremos pra viver!


A organização e realização da Mostra não tem vínculo com campanhas, gabinetes, mandatos ou partidos políticos!


Porque afinal, a cultura é nossa!

sábado, 4 de agosto de 2012

Sarau da Ocupa recebe o Coletivo Cultural (Sarau) Poesia na Brasa pra lançar sua 4ª Antologia de Poemas


Tambor, tambor vai buscar quem mora longe...
Ô meu tambor, que é feito de couro e pau
vai buscar todos os poetas pra falar no meu Sarau...
Ouvindo o som do meu tambor e também do berimbau
Vem chegando os poetas pra falar no meu Sarau...
O Sarau é coisa boa, com amigos é mais legal
Vem chegando os poetas pra falar no meu Sarau...
- Tambor, de Coletivo Cultural Poesia na Brasa

Ouça o chamado do tambor e venha se aquecer no calor humano do Sarau da Ocupa, no centro nervoso de São Paulo. O povo tem um encontro marcado na quarta-feira, 8 de julho, a partir das 19h30, na Avenida São João, nº 588 (próximo a Galeria Olido), pra celebrar a sabedoria popular no melhor estilo ritmo e poesia que já se ouviu na praça.


Nesta noite, o Sarau vai acolher o Coletivo Cultural (Sarau) Poesia na Brasa pro lançamento do livro Antologia Poética da Brasa, Volume IV. O livro é "um sarau impresso"! Ao todo são 47 participantes que colaboraram com textos, poemas (44 no total!) e registros fotográficos. O livro marca os 4 anos de atividade do Coletivo/Sarau e foi lançado na base do apoio e compromisso entre coletivos culturais que atuam na periferia, sendo a maioria da zona norte de SP. No lançamento, o livro será vendido a preço popular.

Em atividade desde 2008 e 11 livros lançados, o Coletivo Cultural (Sarau) Poesia na Brasa é um movimento cultural enraizado na zona norte, atua principalmente na Vila Brasilândia. Tem como objetivo produzir e divulgar a arte da periferia nos espaços de troca de ideias, do compromisso da palavra falada e de expressão dos periféricos, sejam eles um bar, escolas, centros culturais, praças, ruas ou unidades de privação de liberdade. Os poetas, poetisas e apreciadores da literatura periférica atendem quinzenalmente o chamado ancestral do tambor e participam do Sarau Poesia na Brasa, realizado com muita originalidade e independência pelo Coletivo.

Algumas palavras presentes na Antologia:

"Palavras em papéis são gritos de indignação, de denúncia, mas também são sonhos libertos, são perfumes e cores que fazem a vida amanhecer", por Sônia Bischain, na abertura da Antologia.

"... não esperamos mais, pensamos agora soluções, planejamos trabalhos que movimentem o capital da cultura para a periferia", por Coletivo Cultural Poesia na Brasa, na Apresentação da Antologia.

"Na periferia, resistimos. Da nossa forma, com pedras ou peoemas, resistimos. Os trabalhadores e periféricos se levantam. O espaço do Sarau é também um foco de resistência. Queremos um mundo que não seja dividido entre periferia e centro, entre oprimidos e opressores, entre exploradores e explorados. O trabalho do Coletivo Cultural Poesia na Brasa tem significado nada menos do que a possibilidade de realizar sonhos, de mudar pessoas, de despertar emoções adormecidas", por Flávia Rosa, no Prefácio da Antologia.

"A periferia se arma de conhecimento, a munição é o livro e os disparos vêm das letras... e é por isso que a elite teme!", por Coletivo Cultural Poesia na Brasa, no manifesto A Elite Treme, presente na Antologia.

O Sarau também vai arrecadar alimentos pras famílias sem teto. Então, se puder, traga 1kg de alimento não perecível pra doação. Só não fique de fora!

Não esqueça a sua letra, poesia, rima ou ideia. Se preferir escolha ou faça na hora, sem deixar o ritmo e a poesia caírem. Em noite de Sarau, um banquete de livros é servido e fica sempre a disposição. Pode somar porque é tudo gente da gente, é tudo gente como a gente!

Confira quem passou pelo último Sarau da Ocupa, na noite em que o poeta Victor Rodrigues esteve lá pro lançamento do seu primeiro livro Praga de Poeta.

Eu e Victor Rodrigues que lançou seu Praga de Poeta no Sarau

Poetas, poetisas e gente que aprecia
poesia com calor humano

Poetas, poetisas e gente que aprecia
poesia com calor humano

Afinal, a cultura é nossa!

[Fotos Chellmí e Ocupação Cultural]