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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Hoje, em SP, Sarau da Ocupa por "Nenhuma ocupação a menos"

Se ligaí! 

Acontece hoje, quinta, dia 13, às 20h, o Sarau da Ocupa edição especial "Nenhuma ocupação a menos", na Ocupação São João, Avenida São João, nº 588 (próximo a Galeria Olido).

Não esqueça a sua letra, poesia, rima ou ideia.

Em noite de Sarau, um banquete de livros é servido e fica sempre a disposição.

Pode somar porque é tudo gente da gente, é tudo gente como a gente.

Participe, crianças são bem vindas e convide amig@s!

Exposição fotográfica de pichação política fica em cartaz na livraria Ugra Press em SP

Se ligaí! 

A exposição fotográfica "Opinião Pública Diret(a): pichação e política nas ruas da cidade" fica até sábado (15) na livraria Ugra Press (Rua Augusta, nº 1371, loja 116, região central de SP), especializada em publicações independentes. 

Confira!

domingo, 5 de fevereiro de 2017

O faroeste paulistano de João Doria

Foto Ruivo Lopes, São Paulo, 2017.

Há pouco mais de um mês a frente da prefeitura de São Paulo, João Doria (PSDB) e seu secretariado, pertencente a uma fauna política que da sustentação ao tucanismo em São Paulo, tem promovido uma série de ações regressivas na cidade.

Assim que assumiu, Doria mostrou desprezo pela vida alheia ao aumentar a velocidade dos veículos nas marginais.

De gestor a populista, antecipou o carnaval e fantasiou-se de gari para promover um nebuloso programa chamado "Cidade Linda", varrendo, inclusive, a população em situação de rua da cidade.

Fez pior do que as pegadinhas de mau gosto dos programas de televisão dominicais ao se deslocar numa cadeira de rodas, fingindo ser cadeirante.

Disse que iria governar para os pobres, mas não saiu do Centro, ficando bem próximo do Jardim Europa, sugestivo nome do bairro rico da cidade onde o prefeito mora.

De prefeito a xerife, Doria quer ser uma espécie de John Wayne para São Paulo.

Numa grosseira resposta a uma jornalista da rádio CBN, o prefeito criminalizou os pichadores chamando-os de "bandidos" e sugerindo que mudassem de "profissão" ou de cidade.

A estratégia do prefeito é conhecida na História desde a publicação, em 1925, de "Mein Kampf" (Minha Luta), do líder nazista Adolf Hitler. Com significativa diferença, Hitler publicou o livro oito anos antes de chegar ao poder. O resto da história todas nós conhecemos.

De origem atrasada, assim como os que o acompanha, a perigosa estratégia do prefeito consiste em criar "os inimigos da cidade".

O alvo da vez - e não vai parar aí - são os pichadores e sua "arte degenerada".

Doria insiste em separá-los em categorias das quais nada entende, como grafiteiros e muralistas, e assim pretende dividi-los para cooptá-los em seguida.

Com ajuda do seu padrinho político, o governador Geraldo Alckmin, o prefeito pediu emprestado a ajuda da Secretaria de Segurança Pública que cedeu apoio do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e da Polícia Militar para combater pichadores na cidade.

Percebe-se que o prefeito tem uma obsessão pelo cinza, inclusive o da farda da Polícia Militar.

Doria também pretende criar uma cidade-policial ao convocar munícipes para denunciar qualquer pessoa que esteja portando uma lata de spray na mão.

A cruzada de Doria contra os pichadores já rendeu mais de 40 pessoas detidas e pretende ainda processá-las criminalmente.

Se o prefeito continuar assim, e pelo histórico já conhecido das policias paulista, não vai demorar muito para policiais militares confundirem convenientemente spray com armas. Serão os famigerados "autos de pichação" ou o "pichação seguida de morte".

Portanto, as medidas de Doria contra pichadores podem ser mortais.

Em agosto de 2014, policiais militares assassinaram dois pichadores na Mooca, zona leste de São Paulo, depois de uma suposta denuncia de que havia dois homens tentando roubar um prédio na região.

Doria carece de ideias inovadoras para São Paulo, por isso anuncia medidas regressivas como novidades, como por exemplo, entregar para a iniciativa privada, igualmente fantasiadas de organizações sociais, equipamentos públicos municipais como o Centro Cultural São Paulo e a rede de bibliotecas da cidade.

Os eleitores paulistanos elegeram um político atrasado iludidos pela suposta eficiência do empresario que virou prefeito.

Reconheçamos, a meritocracia como ideologia das elites é contagiosa e cruza fronteiras sociais.

Não adianta chorar, pois não sobrará nem leite para derramar na cidade, já que Doria pretende cortar até o programa Leve Leite, que dá 2 quilos de leite em pó por mês para as famílias com alunos matriculados na rede municipal de educação.

Bem vindos ao Velho Oeste de João Doria!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Mais um ano que promete!

Olá! Espero encontrar você bem! Esta é a primeira publicação do ano neste blog sobre Poéticas Políticas. Selecionei aqui algumas publicações que fiz no facebook desde primeiro de janeiro. Como no facebook além de efêmero tudo é relativo, espero que você encontre aqui algumas informações recuperadas de lá que considero perenes e pertinentes. Aproveito para agradecer cada minuto seu dedicado a este blog. Nos vemos no decorrer de 2016!

Educação por atacado em SP | Em documento enviado ao Ministério Público de SP, a Secretaria de Estado da Educação já tinha admitido "redução de despesa" com a tentativa de "reorganização escolar", suspensa devido a mobilização dos estudantes que promoveram inédita ocupação das escolas no final do ano passado (http://goo.gl/G7gsJv). Derrotada, a SEE acaba de oficializar a superlotação das salas das escolas públicas estaduais. Por meio de resolução (http://goo.gl/P6VWLK) as salas poderão comportar 33 estudantes nos anos iniciais, 38 nos finais e 44 no ensino médio, com a possibilidade de acrescimo em 10% em cada uma delas (http://goo.gl/Z1izXr), inclusive as de Educação de Jovens e Adultos. A redução da quantidade de estudante por sala é reivindicação antiga de professores (http://goo.gl/gKPXMl) e também dos estudantes que protagonizaram as ocupações das escolas (http://goo.gl/gkFbZz), ambos amparados pelo parecer nº 8/2010 do Conselho Nacional de Educação (http://goo.gl/4yG37E, pág. 19) no qual prevê a relação adequada entre o número de estudantes por turma de modo que permita uma aprendizagem de qualidade. A SEE afirma que atender as exigências do parecer do CNE "é impossível do ponto de vista orçamentário". Com base no Idesp, reportagem do Estadão já tinha demonstrado que a quantidade inadequada de estudantes por sala tem impacto negativo no processo de aprendizagem que envolve professor e estudantes (http://goo.gl/h8QI1Y). Em SP, educação segue por atacado!

Ainda falta debate sobre transporte em SP | Durante os protestos de junho de 2013, o prefeito de São Paulo determinou a criação do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito, instância participativa e democrática para a discussão sobre as políticas públicas do transporte coletivo - que um dia foi público e não é mais, faz tempo, desde que o poder público passou a tentar exercer apenas o papel de regulação da concessão das empresas que dominam e exploram o setor. Na época, o MPL se recusou a participar do Conselho, optando pela ocupação e debate em praça pública. No portal da Secretaria Municipal de Transportes, a última ata disponível do CMTT é de outubro de 2015. Não há nenhuma menção ao reajuste da tarifa municipal. A última reunião aconteceu no dia 16 de dezembro e a pauta principal era a "Apresentação do Plano Municipal de Mobilidade Urbana", um conjunto de ações na área previstas para os próximos 15 anos na Cidade (http://goo.gl/P1m7py). A ata da reunião ainda não esta disponível e, portanto, não tem como saber se o reajuste das tarifas também foi discutido no Conselho (http://goo.gl/hfsrNC). No entanto, no link "Reajuste Tarifário", a prefeitura disponibiliza "relatório que embasa a alteração de tarifa vigente a partir de 09/01/16", "encaminhado à Câmara Municipal em 30/12/15" (http://goo.gl/Dxbb4F). Em um ano em que a prefeitura da Cidade será cobiçada, a prefeitura atribui o reajuste a uma medida técnica e não política, como se o esforço para combinar o reajuste com o governo do estado não fosse político, mas técnico. E mais uma vez o reajuste veio sem discussão, sem participação. Não há como evitar o custo político de decisões como esta, principalmente quando os meios são equivocados. A violência policial, como sempre, é bestial, mas não pode desviar o foco do debate!

Por uma história simultânea | O historiador britânico, nascido no Egito, Eric Hobsbawm (1917 - 2012) em passagem pelo Brasil, em 1995, proferiu a conferência "O presente como história: escrever a história de seu próprio tempo". Na época, o historiador tinha lançado seu "A era dos extremos". O registro da conferência foi publicado na revista Novos Estudos nº 43 (http://goo.gl/yfq39J). Nele, o historiador reflete sobre os desafios de escrever a história do seu próprio tempo. Mas vai além, reconhece e questiona o consenso sobre os marcos da história. "Provavelmente não há mais do que meia dúzia de datas que são marcos simultâneos nas histórias distintas de 'todas as regiões' do mundo". No entanto, "Se existe tal consenso, em que medida ele é permanente, em que medida é sujeito à mudança, à erosão, à transformação, como e por quê?". A reflexão feita pelo historiador nos ajuda a situar o debate acalorado que tem dividido historiadores/as no Brasil desde que o Ministério da Educação colocou em debate a proposta da Base Nacional Comum Curricular (http://goo.gl/p17n1a). Qualquer pessoa pode enviar contribuições ao texto. Considero oportuna a proposta de abordagem sobre o desenvolvimento simultâneo da história sobre diversos aspectos como também a inserção de fatos e agentes esquecidos pela historiografia oficial. Já a ala conservadora, aceita mudanças desde que a perspectiva eurocêntrica "fique como está". Contra os últimos, Hobsbawm já alertara: "o maior pecado dos historiadores é o anacronismo". O debate seguirá em 2016, ano de conclusão do texto definitivo da BNCC, assim, pretendo voltar ao assunto em breve!

This is my man! | Não me considero nem apocalíptico nem integrado em relação ao Brasil deste século XXI. Mas justiça seja feita. O então presidente Lula não precisou chorar perante o país para aprovar o Estatuto do Desarmamento em 2003 - o qual a bancada da bala quer dilapidar a todo custo (http://goo.gl/jwKF9j). A proposta do Estatuto contava com mobilização e apoio social. Não é de hoje que os Estados Unidos precisam de um Estatuto do Desarmamento interno... e também externo. Na primeira opção poderiam aprender com o Brasil, como tentaram fazer com o SUS (Sistema Único de Saúde), mas a bancada da saúde privada de lá não permitiu que a proposta avançasse. Já no segundo caso, se fosse viável, Barack Obama entraria pela segunda vez para a história e quem sabe Lula retribuiria o agrado feito pelo colega!

Fim dos autos de resistência | Próximo de completar dez anos dos Crimes de Maio, quando ao menos 505 civis foram assassinados por arma de fogo entre os dias 12 e 26 de maio de 2006, no estado de SP, finalmente virou resolução normativa uma antiga reivindicação do Movimento Mães de Maio, formado por familiares, principalmente mães, das vítimas de violência das policias, e outros movimentos, organizações e órgãos de defesa dos direitos humanos, a abolição do uso dos termos "auto de resistência" e "resistência seguida de morte" nos boletins de ocorrência e inquéritos policiais em todo o território nacional (http://goo.gl/4gvgHf). Em setembro, policiais militares foram filmados quando forjavam troca de tiros para justificar o homicídio do adolescente Eduardo Felipe Santos Victor, de 17 anos, no Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio. Os policiais tinham registrado o caso como "auto de resistência" (https://goo.gl/zpHYQn). Em recente relatório, a Human Rights Watch aponta um aumento de 97% no número de mortes decorrentes de ações policias em SP, que foram de 369, em 2013, para 728 em 2014. No RJ, foram 416 mortes por essas causas em 2013 e 582 em 2014, um crescimento de 40% (http://goo.gl/taqgPO). Só em SP, entre janeiro e novembro de 2015, de acordo com dados da SSP, foram registrados 532 mortes por intervenção de PMs em serviço (http://goo.gl/jFrFpH). A maioria das vítimas são jovens, negros, moradores de morros, favelas e periferias. Com a resolução, além da abertura do inquérito policial, o Ministério Público deverá acompanhar cada caso!

Para tod@s tudo em 2016! | Das montanhas do Sudeste Mexicano, palavras do EZLN pelo 22º aniversário: "Companheiros e companheiras, todos e todas, estamos seguros que vamos conquistar um dia o que queremos, para todos tudo, ou seja, nossa liberdade, porque agora nossa luta está avançando pouco a pouco e nossas armas de luta são nossa resistência, nossa rebeldia e nossa palavra verdadeira que não há montanha nem fronteiras que podem impedir que chegue até o ouvido e corações de outros irmãos e irmãs no mundo inteiro". Leia a íntegra no facebook aqui: https://goo.gl/qjJH1r! [Tradução Ruivo Lopes, publicado originalmente em Enlace Zapatista http://goo.gl/gcr84r]

Desconforto da História | A crônica do jornalista Gilles Lapouge "As 'mulheres de conforto'", publicada no Estadão (31, http://goo.gl/cTF2KF), revela uma história de crimes de guerra e de Estado que não se apagam com o tempo. As 46 mulheres coreanas sobreviventes, das 200 mil, feitas escravas sexuais de soldados japoneses durante a 2ª Guerra, ficaram 70 anos invisibilizadas e portanto ficaram de fora dos acordos estabelecidos entre Japão e Coreia do Sul. Só agora o Japão reconheceu pela primeira vez sua responsabilidade pelas "mulheres de conforto" e indenizar as hoje idosas sobreviventes. São feridas sensíveis e difíceis de cicatrizar. No Brasil, a ativista dos direitos humanos Amelinha Teles revela que durante a ditadura "O estupro era uma política de Estado. Era uma prática, não eram exceções. O estupro tem sido usado no mundo inteiro como uma arma de guerra. Aquilo foi uma guerra contra o povo e eles usaram o estupro também. Era uma forma de dominação: eu controlo suas ideias, eu controlo seu corpo”, disse em entrevista publicada pela Opera Mundi (http://goo.gl/Kn6puw). O relatório final da Comissão Nacional da Verdade divulgado em 2014 traz um capítulo exclusivo sobre casos de violência sexual e estupros cometidos por agentes do Estado durante a ditadura (http://goo.gl/soLmgO). Ao contrário dos que pensam que graves violações de direitos humanos, independente do contexto e época, são páginas viradas, graças aos sobreviventes, neste caso todas mulheres, o assunto saiu da caverna da história!

domingo, 4 de outubro de 2015

Em SP, Seminário promove debate sobre Participação Social em Festival de Curtas de Direitos Humanos


A FESPSP (Faculdade Escola de Sociologia e Política de São Paulo), junto ao seu Núcleo de Diretos Humanos e o Cineclube Dacy Ribeiro, promove, entre os dias 5 e 8 de outubro, o Festival de Curtas de Direitos Humanos Entretodos FESPSP. Na programação (clique!), exibição de filmes acompanhadas dos debates temáticos: "Violência Urbana", "Participação Social" e "Diretos à cidade".  

No dia 6 de outubro, terça-feira, às 17h, o educador e ativista Ruivo Lopes participa da mesa Participação Social com historiadora Isabel Fontana e  Roseli Coelho, professora de sociologia e política da FESPSP. 









Na ocasião serão exibido os curtas "No devagar depressa dos tempos", de Eliza Capa  (25 min.), "Artigo II", de Lê Gozze (4 min.), "O herói da carruagem mágica", de Phillipe Bertrand (15 min.), e "Retrato nº 1, povo acordado e suas 1000 bandeiras", de Edu Yatri Ioschpe (5 min.).

A programação, que faz parte do Festival Entretodos 2015, encerrará com a exibição de um filme da mostra competitiva desta edição.

O evento é gratuito e compõe a programação do Seminário São Paulo: A cidade e seus Desafios e acontecerá na sala 33 da FESPSP, na Rua General Jardim, nº 522, na Vila Buarque, região central de São Paulo.

domingo, 17 de maio de 2015

Em BH, Museu de Quilombos e Favelas Urbanos promove programação para abordar Carolina Maria de Jesus, memória e sustentabilidade na 13ª Semana Nacional de Museus



No período de 18 a 24 de maio de 2015, o Museu de Quilombos e Favelas Urbanos (MUQUIFU) promove atividades que ativam discussões sobre a valorização da memória dos favelados no processo de manutenção da sustentabilidade sociocultural, ambiental e econômica durante a 13ª Semana de Museus de 2015. Promovida pelo IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus), a edição deste ano tem como tema “Museus para uma sociedade sustentável”.

“É muito importante que eventos como a Semana de Museus chamem atenção para locais como o MUQUIFU, que fica na favela e trata de assuntos da favela. Isso muda a percepção de que museu é só pra guardar riquezas materiais e aproxima a sociedade da memória, das histórias e das vivências de quem mora logo ao lado, mas não é visto nem ouvido.” Afirma Padre Mauro, diretor e curador do Muquifu.

Salve a Esperança: Fé, Memória e Resistência
Sempre trazendo o debate em torno de uma sociedade mais igualitária, com condições de crescimento para áreas tradicionalmente alvos do processo de gentrificação (enobrecimento), o MUQUIFU inicia sua programação centrada nos desdobramentos da ausência de políticas públicas capazes de manter as edificações e memórias da Vila Esperança. Esta é uma das vilas a serem demolidas na região do Aglomerado Santa Lúcia para dar lugar a construções do Vila Viva, programa da prefeitura de Belo Horizonte. A fim de que seja preservada a memória dos que ali viveram, o MUQUIFU quer manter a capela da Vila Esperança como memorial. Exposições, mostras e palestras estão previstas para tratar do tema no início da semana.

Inauguração da sala Carolina de Jesus e seminário com curadoria de Cidinha da Silva
 O seminário “Territorialidades de Carolina” tem início no dia 22 de maio, sexta-feira, e inaugura a sala Carolina Maria de Jesus no MUQUIFU. O espaço tem como foco o pensamento da mulher brasileira, negra e de origem pobre sobre a sociedade em que está inserida. Palestras, rodas de conversa e uma oficina de bonecas de pano estão previstas na programação para o seminário que ocorre no fim da 13ª Semana de Museus.

Confira a programação completa para os 7 dias de eventos no MUQUIFU:

18/05 – Segunda-feira - MUQUIFU – Esperança (Beco Santa Beira Rio, 110 – Vila Esperança)

  • 10:00 – Abertura da Mostra “Esperança em ruinas” – Curadoria: Luciana Campos Horta
Onde antes haviam casas e sonhos encontramos apenas escombros que testemunham a ausência de políticas públicas que respeitem a memórias dos favelados. A Vila Esperança é hoje uma vila fantasma que, durante a 13 semana de museus será destino para quem desejar entender o processo de gentrificação que historicamente expulsa os negros e pobres dos centros urbanos.
  • 11:00 – Museus para uma Sociedade Sustentável – Angelo Oswaldo - Secretário de Cultura do Estado de Minas  Minas Gerais. Qual a relevância do tema da 13ª Semana de Museus para os moradores das Vilas e Favelas de Minas Gerais? Quais as propostas da Secretaria de Cultura para a preservação da Memória das favelas? A sustentabilidade como um dos grandes desafios da vida contemporânea, principalmente o uso cauteloso dos recursos planetários, naturais ou não, respeitando os sistemas biológicos e o equilíbrio entre o meio ambiente e as comunidades humanas.
  • 11:30 – Salve a Esperança: Fé, Memória e Resistência! – Mauro Luiz da Silva - Pároco do Aglomerado Santa Lúcia, Diretor e Curador do Muquifu. Qual é o papel do MUQUIFU na conscientização o organização da população favelada a respeito do seu patrimônio e memória?  Padre Mauro aborda o tema da sustentabilidade sociocultural bem como o fortalecimento das tradições locais, da identidade e dos laços de pertencimento; analisa a atuação do Programa Vila Viva e a desvalorização da memória e do patrimônio dos favelados por parte do poder público.
  • 11:45 – Um outro olhar sobre os escombros – Rosa Maria Corrêa - Coordenadora do Núcleo de Inclusão e Direitos Humanos e Inclusão da PUC – MINAS. Os escombros representam apenas destruição, esquecimento, extinção? Professora Rosa mostra   que os escombros representam um mundo que ruiu e que foi destruído, mas ao mesmo tempo aponta para a desagregação do mundo em que vivemos e das varias possibilidades de resistência, luta e reconstruções que o ser humano é capaz. 
  • 12:00 – Abaixo Assinado: Salve a Esperança

Entrega simbólica do Abaixo Assinado – Salve a Esperança – aos órgãos competentes, reivindicando a  preservação do patrimônio e da memória dos favelados e a preservação do Memorial da Esperança.


19/05 -Terça-feira - MUQUIFU – Estrela (Rua Santo Antônio do Monte, 708 – Vila Estrela)

  • 17:00 - Abertura da Exposição dos Estandartes de Marcial Ávila.
  • 19:00 - Missa da Grande Árvore. Reflexão sobre a possibilidade de vivermos em equilíbrio com os
recursos disponíveis, de modo a oferecer ao planeta tanto quanto retiramos dele. Uma das possibilidades de aplicação dessa perspectiva é o aperfeiçoamento da gestão museológica sustentável. Padre Mauro conta a história da Grande Árvore da Vila Estrela. 
  • 20:00 - Chá da Dona Jovem: Padre Mauro e os artistas Fabiano Valentino (Pelé) e Cleiton Gomes da Silva apresentam a proposta iconográfica para a Igreja dos Santos Pretos às mulheres da Vila Estrela.

20/05 – Quarta-feira - MUQUIFU – Estrela (Rua Santo Antônio do Monte, 708 – Vila Estrela) 
   
  • 14:00 - Palestra: Preservação do Acervo – Fotografia como suporte da memória (profa. Gabriela Lima Gomes, do curso de Museologia da UFOP). Tem como objetivo conscientização sobre corresponsabilidade individual para a construção da coletividade e a importância da participação comunitária.
  • 15:00 - Oficina sobre conservação de acervo fotográfico (Profa. Gabriela e Dalva Pereira).

21/05 - Quinta-feira - MUQUIFU – Santa Lúcia (Rua Principal, 208 – Barragem Santa Lúcia)

  • 14:00 - Oficina de Bonecas de Pano - Vagas Limitadas
  • 17:00 - Palestra: Helielcio Vieira (Secretário de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura Municipal de Mariana). A sustentabilidade econômica do Muquifu. Aborda a questão da distribuição de renda mais igualitária e a diminuição das diferenças sociais, com participação e organização popular.
  • 18:00 - Coquetel de Inauguração da nova Loja do Muquifu. Local: Rua Principal, 321 – Barragem Santa Lúcia. A Loja do Muquifu expõe e vende artigos produzidos pelos próprios moradores, além de outros produtos correlatos.

22/05 – Sexta-feira - MUQUIFU – Estrela (Rua Santo Antônio do Monte, 708 – Vila Estrela)

  • 9:00 – 18:00 - SEMINÁRIO: TERRITORIALIDADES DE CAROLINA(Curadoria: Cidinha da Silva) 
  • 18:00 - Oficina: Boneca negra e identidade com Jaciana Melquíades – artista visual e criadora de bonecas negras. (máximo 30 participantes)

23/05 – Sábado - MUQUIFU Capela Santa Lúcia (Rua Principal, 208 – Barragem Santa Lúcia)

  • 9:00 – 18:00 - SEMINÁRIO: TERRITORIALIDADES DE CAROLINA
  • 10:00 - Oficina: Da casa para o lixo. Do lixo para a Arte!

Reflexão sobre a possibilidade de podermos viver em equilíbrio com os recursos disponíveis, de modo a oferecer ao planeta tanto quanto retiramos dele. Uma das possibilidades de aplicação dessa perspectiva é o aperfeiçoamento da gestão museológica sustentável.

  • 10:00 - Oficina: Onde você esconde o seu racismo? Cabelo bom é cabelo liso?

Tem o objetivo de abordar a imposição do padrão de beleza europeu no Brasil, já que nos dias atuais, existe uma verdadeira obsessão por cabelos esticados e pelo “embranquecimento” da cor da pele. Como muitos ainda acreditam que a única opção para uma boa aparência é o cabelo liso, esta oficina vem para (com)partilhar ideias sobre as diferentes opções de penteado, turbantes, estilos e cuidados destinados aos cabelos crespos e suas variedades. Coordenação: Lucas Henrique de Almeida Amorim.

  • 18:00 - Sarau literário/musical – Encerramento do Seminário, Lançamento de Livros e Chá da Dona Jovem. Apresentação musical (Piano e Voz) Padre Mauro, diretor e curador do Muquifu, conta e canta a história das Favelas. Entrada Franca, espaço limitado a 100 pessoas.

24/05    Domingo - MUQUIFU – Sede (Beco Santa Inês, 30 – Barragem Santa Lúcia)

  • 14:00 - Abertura da Exposição “Mapa Gastronômico Morro do Papagaio”

Fruto de seis meses de pesquisa, de Bianca de Sá e Mariana Zande, a exposição “Mapa Gastronômico Morro do Papagaio” reúne os resultados do mapeamento de pessoas da comunidade que são referência local por seus talentos culinários, além daquelas que possuem em suas casas hortas, pomares ou quaisquer outras formas de cultivo de alimentos.

  • 14:00 – Roda de conversa “Mapa Gastronômico Morro do Papagaio”
Na ocasião do lançamento da exposição “Mapa Gastronômico Morro do Papagaio”, será realizada uma roda de conversa com o público espontâneo e convidados. Bianca de Sá e Mariana Zande compartilharão a vivência da pesquisa que originou a exposição e orientarão um bate-papo sobre o tema. Moradores participantes da pesquisa serão convidados para também partilhar suas experiências e trocar conhecimentos.


SEMINÁRIO: TERRITORIALIDADES DE CAROLINA (Curadoria: Cidinha da Silva)


22/05 – Sexta-feira - MUQUIFU – Estrela (Rua Santo Antônio do Monte, 708 – Vila Estrela)

  • 9:00 – Abertura: Apresentação da sala Carolina Maria de Jesus – Padre Mauro Luiz Silva – diretor e curador do MUQUIFU 
  • 9:30 – 12:00 – Roda de Conversa

Carolina escrita - Elzira Divina Perpétua:  professora do curso de Letras da Universidade Federal de Ouro Preto, autora de “A vida escrita de Carolina Maria de Jesus”

Leitura literária de Carolina Maria de Jesus - Mariana Santos de Assis: mestre em Linguística Aplicada pela UNICAMP
  • 14:30 – 17:30 
A produção musical de Carolina Maria de Jesus – Adélcio Souza Cruz – Professor de Teoria da Literatura na Universidade Federal de Viçosa, autor de “Narrativas contemporâneas da violência”. 
A poética de Carolina Maria de Jesus – Lívia Natália: poeta, autora dos livros de poesia “Água Negra” (Prêmio Banco Capital de poesia – 2011) e “Correntezas e Outros Estudos Marinhos”. Professora Adjunta de Teoria da Literatura da Universidade Federal da Bahia.
  • 18:00 – 21:00 – Oficina: Boneca negra e identidade (máximo 30 participantes) com Jaciana Melquíades – artista visual e criadora de bonecas negras

23/05 – Sábado - MUQUIFU – Estrela (Rua Santo Antônio do Monte, 708 – Vila Estrela)
  • 9:00 – 12:00 
A recepção literária de Carolina Maria de Jesus na Alemanha – Raquel  Alves dos Santos – mestranda em tradução Alemão / Português – Universidade de São Paulo
Turismo cultural via literatura em Parelheiros – SP, onde Carolina viveu os últimos anos – Bel Santos Mayer – educadora social. Coordena o Programa de Direitos Humanos do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário – Ibeac / SP.

  • 14:30 - 17:30 Carolina, escritora e catadora dos anos 1960 e sua relação com as catadoras de material reciclável do século XXI Ruivo Lopes – poeta  e educador

Carolina Maria de Jesus: inspiração para mulheres negras brasileiras ao longo de um século (1914-2015) – Vilma Reis, socióloga, ativista dos movimentos negro e feminista, ouvidora geral eleita da Defensoria Pública do Estado da Bahia. 
  • 18:00 – 21:00 
Sarau literário/musical - Encerramento do Seminário, Lançamento de Livros e Chá da Dona Jovem

Apresentação musical (Piano e Voz) – Padre Mauro, diretor e curador do Muquifu, conta e canta a história das Favelas. Entrada Franca, espaço limitado a 100 pessoas.

Visite a página e conheça o MUQUIFU - Museu de Quilombos e Favelas Urbanos!

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Sozinhos na multidão



Em 2012, escrevi um poema chamado "Sozinho na multidão". O poema versava sobre um camelô que decidiu enfrentar a guarda que o perseguia e roubava sua dignidade. Era a luta de Davi contra Golias, o guardião da "cidade proibida" amparada no tripé "proibição", "criminalização" e "militarização" dos espaços públicos. Registrei a cena em um poema que pensei e gostaria que ficasse datado. A força dos fatos teima em deixá-lo atual. Eis alguns versos:

(...)
Aquele homem era um trabalhador
Mas naquele dia não deixaram ele trabalhar
Do pouco que tinha nada havia sobrado
Ele gritava sozinho na multidão

(...)
Aquele homem não tinha ido ali por acaso
Ele sabia de onde vinha a ordem pra tirar ele das ruas
Ninguém tinha dado permissão pra ele ficar ali
Ele gritava sozinho na multidão

(...)
Aquele homem sabia o que estava fazendo
Já tinha provado isso quando decidiu trabalhar na rua
Só estava cansado de ser caça na selva de pedra
Por isso, ele gritava sozinho na multidão*

Só em SP, em menos de trinta dias, dois trabalhadores ambulantes foram mortos, um pela GCM e o outro pela PM. O primeiro foi Edson Francisco Guedes, o Rapadura, bicampeão brasileiro de boxe, morto com seis tiros quando tentava vender garrafas d'água na porta da 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em Santana, zona norte. O outro foi Carlos Augusto Braga, morto com um tito na cabeça quando tentava socorrer o amigo também ambulante dominado pelos policiais militares na Lapa, zona oeste. Para demonstrar que não se trata de caso isolado, o mesmo PM já havia matado neste ano um morador de rua  na mesma região.

Rapadura tinha dito a esposa que não deixaria as crianças passarem fome. Já Braga, disse a esposa que eles não correriam mais da polícia. Assim como os demais camelôs, ambos buscavam na rua a dignidade que lhes era devida. Morreram sozinhos na multidão!


* O poema "Sozinho na multidão" pode ser conferido na íntegra na antologia literária do Coletivo Perifatividade, Volume 2 (2012).