Chegou em minhas mãos o livro "Favela em Ação", organizado pelo Slam Capão, coletivo criado por jovens mulheres do Capão Redondo, emblemático bairro da zona sul de São Paulo.
Pra quem ainda não conhece, "os slams são campeonatos de poesia de autoria própria (...). Com texto escrito previamente ou improvisado (...). O júri é escolhido na hora e dá notas inteiras ou fracionadas (...). Entre todos os competidores, a maior nota vence", explica o texto na contracapa do livro.
Já nas orelhas do livro, o crítico literário Reynaldo Damazio destaca que "o movimento que vem das periferias desloca o eixo da escrita e da leit
ura, da hegemonia da edição e circulação do poema, abrindo espaço para novas vozes, escancarando a realidade excludente e desigual do país, com ritmo e crítica, metáfora e denúncia".
No prefácio, Geovana Maria, integrante do Slam Capão, escreve sobre o início do coletivo até a publicação do livro e conta como a poeta Kimani venceu competições locais, chegando a representar o Brasil na Batalha Mundial na França, para onde "levou junto de si o Capão pro Mundo".
A apresentação é assinada por Emerson Alcalde, curador do Torneio dos Slams. Ele escreve como ocorreu, do começo ao fim, o torneio de 2019 e a participação das comunidades slams, incluindo as da Grande SP. Em sua narrativa, Alcalde refere-se aos coletivos slams como comunidades, isso se deve ao fato dos coletivos destacarem - e às vezes ostentarem - em seus trânsitos os lugares de origem aos quais pertencem, assim como fazem outras expressões culturais das periferias. Impossível não pensar na herança da cultura Hip Hop, territorializada desde a origem. "É nas rodas culturais ocorridas em praças e ruas que as intervenções artístico-literárias habitam, comunicando-se diretamente com os transeuntes em um ato imediato e efêmero, mediado pela expressão corporal, vocal e pelo discurso afiado. A recepção a obra é coletiva, ampliando a noção de comunidade (...). Poetas e plateia tornam-se cúmplices uníssonos na participação.(...) As vozes dos slammers nos fazem crer que não estamos sozinhos", escreve Alcalde. O Slam Capão foi a comunidade vencedora desta edição e o prêmio incluiu a publicação deste livro.
O livro reúne onze poetas e três textos para cada. Antes de cada texto, o leitor é apresentado ao poeta por meio de breve biografia sempre seguida por retrato do poeta. Dos onze poetas do livro, oito são mulheres. Além dos paulistanos, alguns tem origem em outros estados como Minas Gerais, Ceará e Rio de Janeiro.
O tempo do poema falado conta para a apresentação do poeta durante cada etapa do slam. Assim, é possível perceber também a presença do tempo no poema escrito. Nesta versão dos poemas falados, tempo e ritmo atuam no subconsciente do leitor, principalmente para quem já ouviu ou testemunhou algum destes poemas declamados - anunciados ou falados - pelo próprio autor. Escritos, o poemas apresentam formas da prosa com parágrafos bem definidos e da poesia com tradicionais conjunto de versos. Em comum, a primeira pessoa como sujeito das narrativas.
No posfácio, a trabalhadora da cultura Priscila Mastro escreve: "Este livro é da quebrada, mas é a resposta de que a quebrada não está pegando caco de nada, ela está buscando de volta toda referência negada, todo ouro roubado, toda a história que tentaram apagar. O futuro certamente lerá esse livro e saberá porque a história mudou no meio do caminho, muito tempo depois da invasão do Brasil".
O livro foi publicado com apoio da Ação Educativa/Estéticas das Periferias - 2019, Poiesis, Casa das Rosas e Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, e editado pela Cosmos.
Acompanha o exemplar que tenho em mão um poster lambe lambe com a mensagem afirmativa "Eu amo slam". Nada mais sugestivo!
Livro: "Favela em Ação", 168 páginas
Gênero: Poesia
Autor: Slam Capão (org.)
Editora: Cosmos, 2020
Contato: cosmos@editoracosmos.com.br
Sítio: www.editoracosmos.com.br
Mostrando postagens com marcador literatura periférica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador literatura periférica. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 12 de novembro de 2020
Slam Capão reúne onze poetas e um livro
Livro e Poster Lambe Lambe do Slam Capão (2020)
Marcadores:
capão redondo,
cultura,
leitura,
literatura,
literatura marginal,
literatura periférica,
livro,
poesia,
São Paulo,
slam,
slam capão,
sp
sábado, 6 de agosto de 2016
Sarau reúne cena poética das periferias em Itaquera, zona leste de SP
Se ligaí! Acontece hoje (6), a partir das 16h, o Grande Sarau do Coletivo #SomosNós
(clique!), reunindo professoras/es, ativistas sociais, militantes de
movimento negro, feminista e LGBTs e de cursinhos populares, na Sub-Sede
da Apeoesp de Itaquera (R. Colonial das Missões, nº 204, próximo à
estação de trem Dom Bosco, zona leste de SP).
Na programação: o Poeta
Sergio Vaz (Cooperifa), lançará seu mais recente livro “Flores de
Alvenaria”, com participação das poetizas Luíza Romão e Débora Garcia,
Ruivo Lopes e Vinão Alobrasil (Perifatividade), Allan da Rosa, o
fotógrafo e ativista Sérgio Silva, Rocha Silva (QI Alforria), os
cantores e compositores Aloysio Letra, Tita Reis e Clayton Belchior e o
Jongo dos Guaianás e mais... Participe!
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
Literatura periférica ganha espaço fora do circuito de saraus
Slam do Grito, realizado no Sacomã, é um dos 15 torneios de poesia do país
(Crédito: Cinthia Gomes/CBN)
Literatura periférica ganha espaço fora do circuito de saraus
Por Cinthia Gomes/CBN
Livros e autores marginais circulam por todo o Brasil e até outros países, além de começarem a chegar ao sistema de ensino. Novas formas de apresentação, como o slam, uma competição de poesia, têm contribuído para a expansão.
No começo de junho, ocorre a Copa do Mundo de poesia, em Paris. O evento terá a participação de competidores de 24 países, entre eles o Brasil. O mineiro João Paiva venceu o torneio nacional Slam BR no fim de 2014 e se classificou para representar o país. Ele aposta na performance para conquistar os jurados franceses.
O slam foi criado nos Estados Unidos na década de 1980 e chegou ao Brasil há sete anos. Atualmente, existem 15 competições em todo o país. Trata-se de uma apresentação de poemas próprios sem a utilização de acompanhamento musical, cenário ou outros elementos. A interpretação é feita apenas com o uso da voz e do corpo. E já existem diversas modalidades, como explica o organizador do Slam do Grito, Lews Barbosa.
A literatura periférica tem circulado cada vez mais também fora da periferia. No ano passado, os saraus de São Paulo foram convidados para a Feira do Livro de Buenos Aires, na Argentina. O poeta Binho, que organiza um sarau com o nome dele em Taboão da Serra, na Região Metropolitana, participou da viagem.
E, por causa da importância da atuação dos saraus no incentivo à leitura em bairros afastados da região central de São Paulo, o segmento foi incluído nas discussões do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca. Um dos representantes da literatura periférica na elaboração do plano, o escritor Ruivo Lopes, do coletivo Perifatividade, explica que eles reivindicam maior diversidade de autores e editoras nos livros adquiridos para as bibliotecas públicas.
A expectativa é que o Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca da capital paulista seja finalizado em julho depois da realização de audiências públicas.
No começo de junho, ocorre a Copa do Mundo de poesia, em Paris. O evento terá a participação de competidores de 24 países, entre eles o Brasil. O mineiro João Paiva venceu o torneio nacional Slam BR no fim de 2014 e se classificou para representar o país. Ele aposta na performance para conquistar os jurados franceses.
O slam foi criado nos Estados Unidos na década de 1980 e chegou ao Brasil há sete anos. Atualmente, existem 15 competições em todo o país. Trata-se de uma apresentação de poemas próprios sem a utilização de acompanhamento musical, cenário ou outros elementos. A interpretação é feita apenas com o uso da voz e do corpo. E já existem diversas modalidades, como explica o organizador do Slam do Grito, Lews Barbosa.
A literatura periférica tem circulado cada vez mais também fora da periferia. No ano passado, os saraus de São Paulo foram convidados para a Feira do Livro de Buenos Aires, na Argentina. O poeta Binho, que organiza um sarau com o nome dele em Taboão da Serra, na Região Metropolitana, participou da viagem.
E, por causa da importância da atuação dos saraus no incentivo à leitura em bairros afastados da região central de São Paulo, o segmento foi incluído nas discussões do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca. Um dos representantes da literatura periférica na elaboração do plano, o escritor Ruivo Lopes, do coletivo Perifatividade, explica que eles reivindicam maior diversidade de autores e editoras nos livros adquiridos para as bibliotecas públicas.
A expectativa é que o Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca da capital paulista seja finalizado em julho depois da realização de audiências públicas.
Leia e ouça as reportagens aqui:
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Festa Literária acontece em Cidade Tiradentes
Se ligaí! | Começa nesta sexta, dia 11, a 1ª Festa Literária de Cidade
Tiradentes. No domingo, 13, às 16h, compartilho um diálogo com o meu
amigo escritor Ademiro Alves (Sacolinha) sobre "Literatura Periférica ou Marginal?", no Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes (Rua Inácio Monteiro, n° 6.900, zona leste de SP). Confira a participação completa http://goo.gl/Rwk93d e participe!
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Coletivo Perifatividade apresenta antologias literárias inéditas em sarau
O Sarau Perifatividade vai
acontecer neste sábado, dia 16 de fevereiro, às 19h, no tradicional Bar
do Boné, localizado na Rua Nossa Senhora da Saúde, nº 100, na Vila das
Mercês. Nesta edição, serão lançados o segundo volume da antologia
literária do Coletivo Perifatividade e o livro Perifatividade nas
Escolas. A antologia reúne um time literário que compõe um mosaico de
gêneros e estilos de tecer a palavra. Em comum, a narrativa crua e nua de um
mundo tal como ele é. Mas também a narrativa sincera sobre um mundo inacabado e
um profundo desejo de transformá-lo. O livro Perifatividade nas Escolas
é resultado de uma maratona de encontros e saraus realizados em escolas da
região de atuação do Coletivo Perifatividade, os bairros do
Fundão do Ipiranga, e envolveu a comunidade escolar, agentes de
educação e principalmente alunos e alunas que aceitaram o convite pra mergulhar
de cabeça na literatura e na poesia pra encontrar, falar e escrever versos sobre
si, sua escola, sua rua, seu bairro, sua cidade e o mundo. A antologia traz
muita gente já conhecida e outras nem tanto da literatura periférica e das rodas
de saraus poéticos cujos principais espaços encontram-se nas bordas de São Paulo
e distantes das programações culturais oficiais. O livro produzido nas escolas
traz um time estreante na literatura e pela primeira vez publicado. Em ambos os
casos, gênero literário, estilo e temas variados revelam um olhar panorâmico
protagonizado por quem escreve e a partir da onde se está escrevendo.
O Sarau Perifatividade,
assim como os livros que serão lançados, é desenvolvido pelo Coletivo
Perifatividade que há mais de dois anos articula, mobiliza e realiza
ações culturais no Fundão do Ipiranga, e que reúme várias
linguagens artísticas sempre pelo fortalecimento das comunidades locais e da
prática da solidariedade contra todas as formas de opressão. Sarau, música,
opinião e leitura, são algumas armas que o Coletivo
Perifatividade tem pra trocá... e elas estão com os tambores cheios até
a boca!
Se você ainda não conhece o Sarau
Perifatividade aproveite pra conhecer. Se já conhece sabe que é só
chegar pra ser bem recebido.
Mais informações: www.perifatividade.wordpress.com ou no
facebook sarau perifatividade
Participe, porque afinal a cultura é
nossa!
Assinar:
Postagens (Atom)



