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domingo, 1 de março de 2015

Leiaí! "Sagrado Sopro, do solo que eu renasço", primeiro livro autoral da poetisa Raquel Almeida





Leiaí! | "Sagrado Sopro, do solo que eu renasço” (Elo da Corrente Edições, 2014), primeiro livro autoral da poetisa Raquel Almeida. Paulistana da zona oeste de São Paulo, Raquel é cofundadora do Coletivo Literário Elo da Corrente, ambos atuantes no bairro Pirituba, realizando saraus, mostras de artes, encontros literários e ações culturais no espaço que abriga uma biblioteca comunitária e leva o mesmo nome do coletivo. Raquel também é cofundadora do Coletivo Cultural Esperança Garcia que aborda a presença da mulher negra e periférica nas artes em geral e na literatura em particular. Conhecida dos saraus da periferia da cidade, Raquel reúne no livro 50 poemas corridos... Não, não, não, corridos, não, são como a calmaria só aparente do mar, calmo, mas cheio de mistérios como aquele da brisa que lambe a maresia e salga até o céu da boca. Para a finalização do livro, Raquel convidou Carolzinha Teixeira, conhecida artista plástica, que assina a capa e ilustrações, a fotógrafa e escritora Sonia Bischain é responsável pela diagramação, a arte final, a revisão – junto com Taís Lopes - e o texto da primeira orelha do livro. A propósito deste texto poético, Sonia descreve o livro assim

“Sagrado Sopro é brisa leve
que alimenta corpo e alma,
é calmaria, é  recomeço”

O prefácio é da escritora Mirian Alves que no seu texto não só localiza Raquel Almeida “na escrita e na luta cotidiana de escritores [escritoras] negros [negras] e periféricos [periféricas] no Brasil”, mas também expõe seu lugar afirmativo ao revelar que a poetisa “desenvolve a militância com a palavra valendo-se do ato de escrever para estabelecer pontes entre a fala do nosso lugar social e o lugar elitista canônico da literatura brasileira que nos invisibiliza enquanto sujeitos criadores capazes de letrear com arte os sentidos da vida”. Miriam Alves é uma escritora experiente com incursões na poesia e dialoga com o leitor/a sem revelar os mistérios do livro, escreve que “Sagrado Sopro” é “um rio que se abre”, onde “as palavra em forma de poema abrem afluentes, primeiro como pequenos olhos d’água”, para em seguida arrematar “Sou corpo nu inundado por sensações”.

Este “lugar social”, descrito por Miriam Alves, está anunciado pela autora já na dedicatória do livro, uma femenagem as mulheres, particularmente as presentes na vida da poetisa.

O elemento água está muito presente também nos poemas e em toda a poética subjetiva do livro. Solo fértil, a possibilidade de renascer, é bem vinda em solo encharcado pela água, como em

“Da terra que renasço

Solo que me fez
Me refaça!
Como a mãe preta que amacia a argila
Remolde!
Revista meu coração com paredes de aço
Pra que nenhum abraço me cegue
Os retoques
Que sejam nas águas sagradas
Me banhe, me rega (...)”

O mar se destaca em

“Se um dia eu cantar pra o mar

Se um dia eu cantar pra ti, mar
Será de encontro ao fundo
Só pra sentir teu verdadeiro sabor
Irei cantando
Sendo doce minha partida
Sendo salgada minhas lágrimas
E não as tuas águas de morte
Aquelas
Que cantaram ao entregarem-se a ti
Colheria flores,
Ofertaria sem esperá-las de voltar à praia (...)”

Já “Mund’água”, não fosse o ritmo do poema escrito, bem que os versos poderiam ritmar uma bela ciranda como “uma dança escorrendo em rios...”

Raquel não é estreante na literatura. Em 2008, ela publicou o livro “Duas gerações sobreviventes no gueto – contos, poesias e crônicas” em co-autoria com Soninha Mazo (Elo da Corrente Edições), além de ter participado de antologias de coletivos e saraus da cena literária periférica de São Paulo e outras.

Em “Sagrado Sopro”, os poemas de Raquel Almeida estão banhados da autora. Ao ler cada um deles, lemos também uma poetisa que “não cessa e não cansa”. O livro parece anunciar o encontro definitivo da autora com a poesia. Se tens sede, beba da água que aflora de “Sagrado Sopro”!

Livro: “Sagrado Sopro", 64 páginas
Gênero: Poesia
Autora: Raquel Almeida
Editora: Elo da Corrente Edições, 2014
Contato: rakayakini@gmail.com
Facebook: Raquel Almeida
Sítio: www.elo-da-corrente.blogspot.com.br

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Leiaí! "Coroações, aurora de poemas", livro de estreia da poetisa Débora Garcia



Leiaí! | "Coroações, aurora de poemas"(edição da autora, 2014), livro de estreia da poetisa Débora Garcia é um presente para quem aprecia a poesia, a beleza e a afirmação "da negra gente desta nação". Paulistana da zona leste de São Paulo e muito conhecida dos saraus da periferia da cidade, Débora reúne no livro 65 poemas, divididos em três capítulos que registram diferentes fazes e passagens da autora: "Coroa de espinhos", "Coroa de flores" e "Ojá", na qual a poetisa se revela e afirma em primeira pessoa sua "Genealogia": "Sou negra"! Para que o rebento viesse a público, Débora reuniu o "Quilombo" para embalar o livro: Nina Viera, conhecida artistas gráfica, assina assertivamente e de beleza única o Projeto Gráfico, a Capa e Ilustrações, Fernando Santos a diagramação, o prefácio é do escritor Ademiro Alves (Sacolinha), a orelha é do professor Marco Maida e quarta capa é dos também poetas Márcio Barbosa (Quilombhoje) e Akins Kintê, todos compartilham da coroação poética da autora. "Descobri o espelho e passei a me entender com ele. Descobri meu cabelo - minha coroa - e este foi, sem sombra de dúvida, o rito de passagem mais importante nos últimos anos. Descobri!", revela no posfácio a poetisa. Débora Garcia não é estreante na poesia, na literatura e nas artes. Ela já havia participado de antologias literárias, como Cadernos Negros, saraus, de produções em audiovisual e de projetos culturais como a Associação Cultural Literatura no Brasil, referência na formação de leitores e escritores no município de Suzano, na Grande SP, da qual foi presidenta. "Coroações, aurora de poemas", apresenta Débora Garcia em boa forma poética. Recomendo a leitura!

Livro: "Coroações, aurora de poemas", 103 páginas
Gênero: Poesia
Autora: Débora Garcia
Editora: Edição da autora, 2014
Contato: deboragarcia.info@yahoo.com.br
Facebook: Débora Garcia
Sítio: www.deboragarcia.blogspot.com