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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Em SP: Ocupação São João recebe Plínio Marcos, a letra presepeira e o direito à moradia





Se ligaí! | Nesta sexta-feira, dia 10 de abril, às 19h, Plínio Marcos, o escritor das quebradas do mundaréu, será homenageado pelos seus 80 anos de escrita maloqueira no Centro Cultural da Ocupação São João da Ocupaçãosãojoão Mstru Flm, na Av. São João, nº 588, centro de SP. Venha ouvir, ler, contar e compartilhar as histórias dos amores, tretas e revides n'A Letra Presepeira de Plínio Marcos e o Direito à Moradia, com Ruivo Lopes. Neste dia, livros esgotados de Plínio Marcos estarão a venda a preços populares, aproveite. Confira a programação completa http://goo.gl/tPj6nR e participe!

Curadoria: Allan da Rosa 
Apoio: Biblioteca Mario de Andrade, Centro Cultural da Ocupação São João e Frente de Luta por Moradia

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Sarau do Pira tem teatro, música, poesia e roda sobre "moradia, ocupações e lutas"



Se ligaí! | Neste sábado, dia 21, às 19h, participo da roda "Moradia, ocupações e lutas" que vai acontecer durante a apresentação da Cia do Tijolo no Sarau do Pira (clique e confirme a presença!), na Casa De Cultura M'boi Mirim (Av. Inácio Dias da Silva, s/nº, Largo Piraporinha, zona sul de SP). Participam também da roda Fernando Ferrari, representante sul da Rede Popular de Cultura Mboi e Campo Limpo; Jussara Basso, coordenadora estadual do MTST; Clodoaldo Cajado, engenheiro ambiental e coordenador de projetos; Nena Machado, ex-coordenadora do MST (MG) e atual diretora do Fetec Sindicato do Bancários de SP,Osasco e Região; Gilson Periferia, coordenador e idealizador da Ocupação Terra Prometida; John JP, advogado social de movimentos de moradia. A mediação ficará por conta de Helena Silvestre, coordenadora nacional do Luta Popular. O escritor Claudio Laureatti lançará o livro "Luz e Sombra" e a música ficará por conta do Grupo Sapato Branco. Participe!

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Centenário promove a obra da escritora Carolina Maria de Jesus em SP

Por Juca Guimarães 
juca.guimaraes@diariosp.com.br


Assistaí! | Centenários Carolina de Jesus e Abdias Nascimento

Nesta quarta, dia 22, acontece mais uma rodada do ciclo de palestras e manifestações culturais para a comemoração do centenário da escritora Carolina Maria de Jesus. O evento acontece na Biblioteca Municipal Mario de Andrade, na rua da Consolação, 94, perto da estação Anhangabaú do Metrô, a partir das 19h, com entrada franca. Confira a programação completa: www.edicoestoro.net

O tema da vez é "Carolina de Jesus, letra que arranha, espeta e fertiliza. Os escritores Mário Silva, Jarid Arraes e Marciano Ventura participam do ciclo de debates com leitura de texto. 

Carolina foi precursora da literatura marginal e revolucionou o mercado literário nos anos 60 com a obra "Quarto de Despejo", traduzida para 14 idiomas, sobre o cotidiano de uma favela no bairro do Canindé, na Zona Norte de São Paulo. Além de outros livros, poesias e letras de músicas. Confira a entrevista com Ruivo Lopes e Allan da Rosa, curadores da mostra.

- Como surgiu a ideia de celebrar o centenário da escritora Carolina de Jesus?
Ruivo Lopes: Surgiu pela constatação da necessidade de ressaltar a grandeza e a complexidade de sua obra literária, e tambem a de Abdias Nascimento, cujo centenário celebraremos em novembro, mas também fazendo uso de outras linguagens e abordagens como filmes, intervenções cênicas, leituras, recitais, debates e oficinas. Estes nossos autores da veia ancestrais e enormes referencias são ainda no geral muito mais comentados do que lidos e, mesmo assim, menos comentados e conhecidos do que merecem e merecemos.

 
Oficina de abertura: “Cartas para Carolina: chão, teto e página", 
com Allan da Rosa, na Ocupação São João

- A realidade da luta por moradia digna em São Paulo mudou muito da década de 60 para cá?
Ruivo Lopes: Permanecem cenários de exclusão semelhantes, porém mudados com a lógica diferente operada pelo capital dos anos oitenta pra cá. Carolina começa seus diários ainda nos anos cinquenta e seus registros são o contraponto ao chamado desenvolvimento então na moda. O país deixou de ser rural e passou a ser urbano. a população brasileira mais que triplicou e mesmo assim o país ainda carece a vera de reformas agrária e urbana. as migrações para a cidade mudaram, diminuíram, e o que antes era tolerado, por exemplo, por sua necessária mão de obra a ser explorada, hoje, depois da automação, terceirização e outros fatores, passa a ser quase totalmente indesejável. as periferias da cidade explodiram e já tem cada vez menos condições de oferecer moradia digna.  Temos centenas de prédios abandonados, vazios, devedores de impostos na área central, que tem grande oferta de equipamentos e possibilidades de econômicas, culturais e sociais.

- Quais são as reivindicações do movimentos de luta por moradia?
Ruivo Lopes:A luta  também é por melhorias nos campos do transporte e da saúde pública, principalmente nas periferias, o acesso a bens educacionais, qualificando moradia como algo que é muito mais do que residencia. neste sentido, carolina já era protagonista na luta contra a favelização da população negra e pobre ao revelar nos seus diários as agruras de viver numa favela. não é a toa que as mulheres, mães, negras, migrantes e pobres, são a maioria nos movimentos de luta por moradia. todas elas carolinas!

Roda de sambas de Carolina de Jesus e sambas paulistas.
Com Camilla Trindade & Samba Wetu Ukweli Wetu

- Na literatura da Carolina, há muitos relatos de conflitos entre vizinhos. Atualmente, os movimentos sociais conseguiram avançar na organização e comprometimento da população sem moradia?
Allan da Rosa: As contradições de ser humano e de viver em comunidade e sociedade sempre aconteceram e continuarão acontecendo. a literatura inclusive já se ocupou bastante desse tema. os movimentos sociais lidam diretamente com essa demonização das lutas sociais (como de alguns aspectos da cultura popular e negra, como por exemplo o candomblé), com a cultura do medo e da velocidade (que surge como valor), com o individualismo, etc. mas as necessidades pessoais e coletivas e a gravidade da situação que assola e aflige a maioria absoluta, para além do acesso efêmero e por vezes ilusório aos cintilantes bens de consumo e do fato de alguns conseguirem pagar por (ainda ruins) serviços privados de saúde, educação e transporte, influenciam sim nesta questão. Mas não nos enganemos, conflitos entre vizinhos são as maiores reclamações nos condomínios mais chiques, cada vez mais isolados, blindados, cercados, ilhados e exclusivos. Por outro lado, na literatura de Carolina de Jesus, tambem por isso fascinante e comovente, os conflitos surgem crus, tanto quanto os atos de solidariedade. a solidão, o desepero e as tretas que encontram em sua caneta, os devaneios, a simplicidade do bem viver, a ironia, a sátira desbragada e os sonhos suaves. e essas esferas de ser humano prevalecem. será que um dia terão fim?

- Qual é o legado que os livros da Carolina deixa para os leitores de hoje?
Allan da Rosa: O lugar, o olhar, a fala e a escrita da carolina são atuais e cortantes. Carolina não só aborda temas, ela os vivencias intensamente e ainda assim escreve dolorosamente, mas sem perder a poesia. Se estivesse viva, Carolina não pouparia ninguém graúdo e poderoso, iriam todos parar no seu diário com as piores referências porque ainda latejam a luta por moradia e creches, contra o racismo institucional, a violência da discriminação religiosa, a repressão policial aos pobres e o genocídio sistemático da população negra. neste sentido, Carolina é puro revide!

Encontro "Na alvenaria sambando a Bitita: Carolina além de 'Quarto de Despejo'", 
da esquerda para a direita: Fernanda Miranda, Flavia Rios e Lucélia Sérgio

A programação do centenário é bastante diversificada. Tem muitas atrações e diferentes formas de expressão. A ideia é manter a comemoração permanente para os próximos anos?
Allan da Rosa: A ideia é que se levante e alumeie a memória dessas nossas grandes referencias. que sejam considerados pelo conjunto de suas obras, para além de idealizações e estereótipos. e que principalmente não sejam lembrados apenas em seus centenários. não precisamos esperar mais cem anos para reverenciar Carolina e Abdias. Nos últimos anos, por exemplo, as obras de ambos foram campo de sensibilidade e reflexão em muitos de nossos trabalhos em educação popular, em textos de ficção, ensaios e dramaturgias, e em programas de rádio. também há a vontade de que outros percursos possam acontecer na biblioteca Mario de Andrade, lugar de singular importância não só na mais principalmente da cidade, e também com nossa proposta de extensão e envolvimento da biblioteca com outros terreiros imprescindíveis, em seu entorno. recordo que há outras escritoras, ancestrais e contemporâneas, que merecem ser contempladas no desfrute e questionamento de suas obras e caminhadas, indo além do esquecimento ou de meras análises de contexto. o desejo é que possamos realizar mais rodas de diálogos, trazer outros ciclos de formação à casa e à cidade e a gente torce pra não esperar um ano pra que isso seja feito.

Publicado originalmente em: Diário de São Paulo.