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quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Vacina é direito das crianças

 
Vacina é direito das crianças
por Ruivo Lopes*

(…) que as crianças cantem livres sobre os muros
E ensinem sonho ao que não pode amar sem dor
E que o passado abra os presentes pro futuro
Que não dormiu e preparou o amanhecer (…)
"Que as crianças cantem livres", Taiguara

Nesses quase dois anos de pandemia um tema muito recorrente foi a educação escolar, ou seja, a escola, as aulas, os profissionais da educação, os estudantes, as famílias etc. Quando estamos imersos na rotina, nem parece que a escola é tudo isso, mas é. Interditada pela pandemia do Coronavírus, a educação escolar teve sua rotina e seu circuito de relações interpessoais e funcionamentos administrativos e pedagógicos prejudicados.

Enquanto assistíamos incrédulos parte do mundo agonizar pelas consequências da Covid-19, maus governantes no Brasil pagaram para ver e apostaram numa letal imunidade de rebanho que até o momento já custou a vida de mais 600 mil brasileiros e brasileiras. A omissão intencional e criminosa retardou a vantagem de tempo e antecipar medidas para minimizar o impacto da pandemia no País. Ainda me lembro do áudio de celular enviado de Barcelona, em meados de fevereiro de 2020, por um amigo ainda atônito com as medidas de isolamento impostas pelo governo espanhol: “Se cuidem. Porque se esse vírus chegar no Brasil fará um enorme estrago”, disse ele em tom de voz que lhe custava sair pela garganta. Naquela ocasião, 800 pessoas morriam por dia na Espanha. Em março, o Brasil já registrava mais de 3 mil mortes por dia de Covid-19. Um preço muito alto, pago com a vida, devido a opção pela morte feita pelo governo brasileiro.

Pois bem. De repente todos sentimos falta da educação escolar. Um misto de preocupação genuína com o prejuízo dos estudantes com a suspensão das aulas presenciais e as projeções catastróficas dissimuladas de empresários da educação e seus representantes – inclusive na sociedade civil – para o retorno a todo custo, inclusive de vidas, das aulas – das escolas particulares -, interditou o debate sobre qualquer plano de ação emergencial adotado por secretarias de Educação estaduais e municipais, já que o Ministério da Educação, a exemplo do governo, lavou as mãos e deixou escorrer pelo ralo qualquer responsabilidade de coordenação federativa para amparar os entes vinculados ao MEC, fazer frente ao impacto da pandemia nas escolas e apoiar profissionais da educação, estudantes, famílias etc. Resultado, cada ente federativo agiu como pode, como quis, como bem entendeu. O preço pago por essa desarticulação federativa promovida pelo MEC ainda não foi calculado.

Vacina para crianças

Eis que entramos no terceiro ano da pandemia e novamente todos se perguntam como será o retorno das aulas presenciais, especialmente tendo as vacinas retardadas para crianças em um gesto intencional e criminoso do governo federal.

Longe de mim ser catastrófico, principalmente quando o assunto é educação. Se há uma dimensão da vida humana capaz de enfrentar catastrofismos intencionais que reduzem a visão de mundo da humanidade é a educação. Portanto, só a educação recupera qualquer tempo na história. Recuso a ideia de “tempo perdido”. Em mais de vinte anos de atuação na educação, testemunhei – e lamentavelmente ainda testemunho -, uma imensa maioria de gente que tem seu “tempo roubado”, expropriadas pela ganância do vil metal. A própria História nos ensina como não sucumbimos à catástrofes intencionais incensadas em palácios nesse longo caminho da humanidade.

Mas este momento também nos ensina que viver é resistir a insensatez que expõe crianças aos riscos de um vírus para o qual já existe vacina. Precisamos ensinar às nossas crianças que as vacinas são fruto da capacidade humana para compreender a natureza, articular conhecimentos e produzir medicamentos para o bem comum. Elas precisam saber que foi assim que eliminamos de circulação outras doenças e proporcionamos a longevidade que conhecemos hoje. As vacinas contribuíram para o encontro de gerações entre avôs e avós com seus netos, por exemplo.

Que nossas crianças tenham o direito de se beneficiar do bem produzido neste momento para eliminar de circulação esse terrível vírus. Que elas possam contar para as próximas gerações que viveram porque resistiram a insensatez de um Herodes contemporâneo que governou o Brasil. Dentre elas estarão os futuros profissionais da educação, cientistas, bons governantes etc. Elas terão a vantagem da História como companheira para não permitir que outras gerações paguem com a vida o preço que suas famílias, parentes e amigos/as pagaram em um triste passado recente.

Ruivo Lopes é Educador do Círculo de Cultura, Educação e Direitos Humanos.

Publicado originalmente em Jornalistas Livres, 12/01/2022. 

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

CIDADES JUSTAS E DEMOCRÁTICAS é tema do programa Voz Ativa do Jornalistas Livres

Se ligaí!

Nesta sexta (6), às 17h, conecte-se ao Facebook (CLIQUE!) e Youtube (CLIQUE!) do Jornalistas Livres (CLIQUE!) e assista ao vivo o programa Voz Ativa - Cultura, Educação e Direitos Humanos na Web. Ruivo Lopes convida o professor Alexsandro Santos, doutor em Educação pela USP e diretor da Escola do Parlamento da Câmara Municipal de São Paulo, para dialogar sobre CIDADANIA, MUNICIPALISMO E CIDADES JUSTAS E DEMOCRÁTICAS. Coordenação: Joana Brasileiro. Não perca, curta, compartilhe e participe!

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

PARTICIPAÇÃO POLÍTICA DOS POVOS ORIGINÁRIOS EM SP é tema do programa Voz Ativa do Jornalistas Livres

 

Nesta sexta (23), às 17h, conecte-se ao Facebook e Youtube do Jornalistas Livres e assista ao vivo o programa Voz Ativa - Cultura, Educação e Direitos Humanos na Web. Ruivo Lopes convida o MANDATO JARAGUÁ É GUARANI para dialogar sobre PARTICIPAÇÃO POLÍTICA DOS POVOS ORIGINÁRIOS EM SÃO PAULO. Coordenação: Joana Brasileiro. Não perca, curta, compartilhe e participe! 

Assista pelo Facebook: https://www.facebook.com/292074710916413/posts/2200952173361981/

Assista pelo YouTube: https://youtu.be/1QKias_aFbc

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Livro, leitura, literatura e bibliotecas para derrotar o fascismo

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Nesta terça (20), às 19h, vem dialogar com a gente na página do facebook ABC Contra o Golpe sobre como o livro, a leitura, a literatura e as bibliotecas podem derrotar o fascismo canarinho que assola o país. 

Compartilhe e participe com a gente!
 

sexta-feira, 13 de março de 2020

Em SP, encontro Marielle Vive! debate segurança e direitos humanos nas periferias

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Acontece neste sábado (14), a partir das 9h30, o Marielle Vive! - Ato-Debate: Que segurança queremos? (CLIQUE!), na Paróquia Santos Mártiress, na Rua Luís Baldinato, nº 9, Jardim Angela, zona sul de SP.

Na pauta: Qual a segurança que temos? Qual a segurança que queremos?, abordagem com Bruno Paes Manso, Helena Silvestre, Ruivo Lopes e Stephanie de Oliveira Cunha. Compartilhe e participe!

Dois anos do assassinato de Marielle Franco e Anderson Silva. Duas das 65 mil pessoas mortas anualmente em nosso país (Instituto Igarapé). 

Você sabia que 18% dos homicídios do mundo acontecem no Brasil? Isso significa que a cada 100 assassinatos que acontecem no mundo 18 são em terras brasileiras (Instituto Igarapé).

Você sabia que a nossa polícia é a polícia que mais mata no mundo, 6 mil pessoas foram mortas em 2016, de acordo com os dados oficiais. Nos Estados Unidos, por exemplo, foram 452 (Uniform Crime Reporting/FBI).

Vamos nos reunir para conversar sobre possíveis caminhos para o enfrentamento do feminicídio e da violência policial, direito à cidade e educação em direitos humanos. Venha sonhar com a gente a segurança que queremos.

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AGENDA

1) Mesa de debate - 9h30-11h
Bruno Paes Manso é jornalista e integrante do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo.
Helena Silvestre é feminista favelada, militante afroindígena das lutas territoriais, escritora, educadora na Escola Feminista Abya Yala e editora da Revista Amazonas.
Ruivo Lopes é educador do Círculo de Cultura, Educação e Direitos Humanos.
Stephanie de Oliveira Cunha é técnica Psicóloga da Casa Sofia e voluntária do Cursinho Ubuntu.

2) Rodas de conversa - 11h-12h
Encaminhamento de propostas - 12h-12h30
A ideia é elaborarmos uma carta proposta com a segurança cidadã que queremos.
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Obs. os dados desta nota foram retirados da matéria de Daniel Veloso Hirata e Carolina Christoph Grillo publicada na Le Monde Diplomatique (fevereiro/2020)
Organização: Fórum em Defesa da Vida
(parte da campanha Vida Viva)

*** Fontes dos dados apresentados:
Instituto Igarapé
Uniform Crime Reporting/FBI

quinta-feira, 12 de março de 2020

Em SP, Comissão da Verdade "Rubens Paiva" completa 5 anos com seminário "Lembrar, atualizar e propor"

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Participe do Seminário 5 anos da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo "Rubens Paiva": Lembrar, atualizar e propor, que será realizado no dia 13, das 9h às 21h, Centro Universitário Maria Antonia (R. Maria Antônia, nº 258, Vila Buarque, região central de SP).

Coloque na agenda!

SEMINÁRIO Comissão da Verdade do Estado de São Paulo "Rubens Paiva", 5 anos depois | TERRORISMO DE ESTADO: DA DITADURA AO DESGOVERNO ATUAL*

*Programação completa*

9:00 - 9:30 Abertura Performance a partir do caso de Ana Rosa Kucinski.
Fernanda Azevedo (Cia Kiwi de Teatro)

9:30 - 10:50 Apresentação do trabalho da Comissão e de seu relatório
Adriano Diogo, Amelinha Teles, Pádua Fernandes, Renan Quinalha e Vivian Mendes

11:00 - 12:20 Mesa 1 - Mortos de Desaparecidos: A luta hoje por Memória, Verdade e Justiça

_Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos_
Vera Paiva (filha de Rubens Paiva) membro da comissão

_Grupo de Trabalho das Ossadas de Perus do CAAF-Unifesp_
Edson Teles apresenta a situação atual do trabalho

_Comissões da Verdade das Universidades_
Rosalina Santa Cruz apresenta caso inédito de desaparecido da PUC-SP

_A participação da sociedade civil na Comissão da Verdade_
Suzana Lisboa, Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos
Eduardo Valério, Promotor de Direitos Humanos do Ministério Público de São Paulo
Rafael Oliveira, Defensoria Pública do Estado de São Paulo

12:30 - 14:00 Almoço
O concerto do Octeto da Osusp

14:00 - 15:30 Mesa 2 - Graves violações de Direitos Humanos

Depoimento do _maestro Martinho Lutero_ sobre a participação do coro Luther King nas iniciativas da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo "Rubens Paiva"

Marlon Weichert, Procurador Regional da República -MPF

Eugênio Aragão, Procurador da República, e ex-ministro da Justiça (videoconferência)

O Caso Juscelino Kubitschek e a Comissão da Verdade SP "Rubens Paiva" apresentado por Alessandro Octaviani, Prof. da Faculdade de Direito da USP

15:30 -18:00 Mesa 3 - Genocídio e tortura ontem e hoje

_Papel dos empresários na Repressão aos Trabalhadores_
Sebastião Neto e Rosa Cardoso

_Mecanismo Estadual de Combate à Tortura - Protocolo de Istambul_
Carolina Toledo Diniz, Consultora da Conectas
Mateus Oliveira Moro, Defensor Público do Estado de São Paulo, Coordenador do Núcleo Especializado de Situação Carcerária

_Comissão da Verdade da Escravidão_
Caso Chaguinhas/Liberdade - tortura e execução histórica - Sítio dos Aflitos
Prof. Silvio Luiz Sant'Anna, UNAMCA
Paula Nishida, DPH/Secretaria da Cultura
Paula Vermeersch, historiadora da Unesp

_Os genocídios da Democracia_
Participação de Solange Oliveira das Mães da Zona Leste

_Comissão Camponesa da Verdade_
Clifford Welch e Gabriel da Silva Teixeira, pesquisadores da Comissão da Verdade SP- Rubens Paiva

18:00 - 18:45 - lanche

18:50 - Apresentação de trecho da peça
Ato Institucional nº5 (AI-5) No passado e no presente.

Leitura de texto em homenagem à Iara Iavelberg, por Natália Siufi - grupo Xingó

19:00 - 21:00 Ato final - Manifesto Terrorismo de Estado: Da Ditadura ao Desgoverno Atual

Homenagem a Rafael Martinelli e Ieda Akselrud de Seixas

Leitura do Manifesto

Debate sobre o desgoverno com:
Adriano Diogo, Amelinha Teles, Eleonora Menicucci, Eliana Vendramini, Luiza Erundina, Maria Auxiliadora Arantes (Dodora) e Rosa Cardoso

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Em SP, encontro promove ações transversais em Cultura, Educação e Direitos Humanos

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Nesta quinta, às 9h, participo do encontro Cultura, Educação e Direitos Humanos: práticas transversais nos diferentes espaços educativos, na Sociedade Santos Mártires (Rua Luis Baldinato, nº 9, Jd. Ângela, zona sul de SP), no âmbito do 8o. Fórum Social Sul - 2019 (CLIQUE!) "Uma outra periferia é possível, necessária e urgente!", que acontece até dia 2 de novembro. 

O encontro é aberto para toda a comunidade. 

Compartilhe e participe!

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Em SP, Festival promove encontro para celebrar 11ª edição de curtas de Direitos Humanos

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Acontece hoje (11), às 19h, no Centro Cultural São Paulo - CCSP (estação Vergueiro do metrô), a abertura da 11ª do Entretodos Curtas de Direitos Humanos "De fora pra dentro"

Participo da abertura junto com o escritor, tradutor e professor na FFLCH especialista em estudos árabes e africanos, representações, estudos migratórios e de refúgio, Paulo Farah

A mediação será de Leonardo Medeiros, coordenador de comunicação da Conectas Direitos Humanos

O bate-papo vai acontecer logo após o coquetel e a exibição da sessão de abertura. Grátis. 

Curta, compartilhe e participe!

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Quem tem medo da verdade?

Não há nada que seja ruim que não possa piorar. É o caso da chamada intervenção federal na segurança público no Rio de Janeiro a mando do governo Temer, o mais impopular e ilegítimo governo desde a redemocratização do país, já aprovada pela Câmara e a espera de aprovação do Senado. 

O rito é apenas pró-forma numa democracia cada dia mais fragilizada, uma vez que as forças armadas já estão nas ruas do Rio. Não exatamente nas ruas, mas sim nas favelas cariocas, alvos das operações realizadas. 

Não há democracia que sobreviva com uma sociedade com medo, seja ele real ou fabricado. Caso contrário, esta mesma sociedade repudiaria com veemência o pedido do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, em reunião do Conselho da República (19), para que fosse necessário dar aos militares "garantia para agir sem o risco de surgir uma nova Comissão da Verdade" no futuro. 

A Comissão da Verdade foi criada durante o governo Dilma para investigar crimes de tortura, execução, desaparecimento de pessoas e outras violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura militar. 

É de suspeitar o que tem a temer o general Villas Bôas com uma nova Comissão da Verdade para investigar atos cometidos durante a intervenção federal no Rio!

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

No Parque Bristol, Perifatividade oferece cursos populares gratuitos em Círculo de Cultura


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A partir desta segunda (19), o Coletivo Perifatividade abre inscrições gratuitas para as novas turmas dos cursos gratuitos de Jornalismo Comunitário; Dança do Ventre; Defesa Pessoal; Direitos Humanos, Cultura e Educação; Espanhol; Grafite; Inglês e MC (Mestre de Cerimônias para Rap e Funk). 

As inscrições podem ser feitas diretamente no Circulo de Cultura Perifatividade, das 9h às 18h, na Rua Dr. Benedito Tolosa, nº 729, Parque Bristol, zona sul de SP. 

Inscreva-se, convide amig@s e compartilhe!

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Literatura e Direitos Humanos na 3ª FLICT - Festa Literária de Cidade Tiradentes


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Aconteceu na última quarta (27), no Centro de Formação Cultural de Cidade Tiradentes, o diálogo sobre práticas de mediações de leituras durante a 3ª FLICT Festa Literária de Cidade Tiradentes. Fiz uma abordagem sobre experiências literárias na defesa dos direitos humanos para uma turma de educador@s e estudantes de escolas públicas da região.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Mostra cultural debate Educação e Direitos Humanos nas Periferias de SP



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Em agosto, o Coletivo Perifatividade completa 7 anos de atuação no Fundão do Ipiranga. Para comemorar, preparamos uma programação especial para a 1ª Mostra Cultural Perifatividade 7 anos de Luta! 

Encerrando a série de cinco encontros, nesta sexta (25), às 19h, "Caminho novo: a recostrução de uma luta por Cultura, Educação e Direitos Humanos", reunirá no Círculo de Cultura Perifatividade Francisca Rodrigues (Instituto Paulo Freire), Valdênia Aparecida Paulino Lanfranchi (Cdhs/Cedeca Sapopemba) e Elaine Mineiro (Movimento Cultural das Periferias). 

No sábado, dia 26, o Sarau Perifatividade e Estéticas das Periferias 2017 convidam para a comemoração dos 7 anos do Coletivo. 

No domingo, 27, um cortejo poético com congada e samba tomarão as ruas do Parque Bristol, zona sul de SP. 

Confira a programação completa, confirme presença, compartilhe, convide @s amig@s e fique muito a vontade: https://goo.gl/fgpkUv!

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Em SP, ato político-cultural marca o Dia Internacional de Combate à Tortura




JORNADA DE LUTA CONTRA A TORTURA

Dia 26 de Junho, às 16h, nas escadarias da Catedral da Sé, Praça da Sé, centro de São Paulo

Estamos atravessando um período sombrio, em que o governo oriundo de um golpe parlamentar tenta fazer passar medidas regressivas que cortam direitos conquistados arduamente pela classe trabalhadora, alguns estabelecidos desde a década de 1940, resultado das lutas sociais iniciadas no começo do século XX.  Este governo utiliza-se de uma base parlamentar corrupta, comprada com cargos e favores, exatamente na mesma tradição dos anteriores que criticava. 

Desde a última ditadura civil-militar a frágil democracia brasileira não foi suficiente para superar os males de origem do país como o genocídio dos povos indígenas e a perseguição e o controle dos pobres das periferias, especialmente negros, trabalhadores precarizados, desempregados e sem renda formal. 

O Judiciário brasileiro tem sido a mão de ferro do encarceramento em massa. Enquanto o Brasil já soma mais de 14 milhões de desempregados, há 700 mil pessoas presas no país, um vergonhoso terceiro lugar depois dos Estados Unidos e da China. O número de mulheres presas pobres e negras só aumenta, sugerindo a "criminalização do gênero" pelo Judiciário. As unidades de privação de liberdade para adolescentes, como a Fundação Casa, estão superlotadas e a tortura é praticada como método de controle.
As chacinas e execuções sumárias de pessoas consideradas arbitrariamente como "suspeitos" continuam e a tortura permanece sendo o método sistemático das polícias para incriminar, montando provas forjadas, inclusive para criminalizar diversos movimentos e organizações sociais e populares que lutam contra este estado de mazelas. 

No contexto desse governo oriundo de um golpe parlamentar esses arbítrios perpetrados por policiais e autoridades ligadas à segurança pública multiplicam-se vertiginosamente. A indústria da “guerra às drogas” declarada pelo Estado só fez aumentar a prática da tortura, o encarceramento em massa e a execução sumária. Só para dar um exemplo, de 1º de janeiro deste ano até 5 de abril a polícia de São Paulo matou 247 pessoas. As chacinas de sem terras e de outros trabalhadores do campo aumentaram vertiginosamente. As audiências de custódia implementadas, que visavam fazer os juízes verificarem quais torturas, maus-tratos e arbitrariedades tinham sido cometidas no momento da prisão, não têm dado o resultado esperado porque a maioria dos juízes não interroga o preso de modo que ele possa denunciar o que sofreu até chegar a audiência. As bancadas da bala e medieval dos órgãos legislativos municipal, estadual e nacional incentivam o "linchamento" verbal das populações periféricas, LGBT, especialmente os segmentos travesti e transexual, e dos trabalhadores em geral, concorrendo assim para ampliar o sentimento de ódio contra os pobres. 

Defensores de direitos humanos precisam encarar esta realidade: a maioria dos juízes e dos policiais, bem como uma parte da população brasileira, entorpecida diariamente por programas televisivos que estimulam o medo social e a justiça com as próprias mãos apoiam a tortura como método de vingança. É um hábito secular herdado da colonização, aprimorado ao longo do período de escravidão e que se entranhou na mentalidade de parte significativa da população brasileira. Neste atual momento, em que o governo quer implementar medidas que empobrecerão ainda mais os mais pobres, o resultado será que mais pessoas se tornarão vulneráveis à perseguição e à brutalidade policial. Neste contexto, a tortura praticada pelos agentes do Estado torna-se uma perigosa arma de controle social e é o primeiro passo para acontecimentos dramáticos para os pobres, que são a execução sumária ou a prisão em massa.

Por isso, nós, movimentos e organizações sociais e populares, coletivos e grupos autônomos, ativistas culturais e artistas engajados, segmentos dos mais diversos, pessoas comprometidas com a defesa dos direitos humanos que reúne militantes de direitos humanos, ativistas políticos, sociais e pelas liberdades civis, ex-presos e perseguidos políticos, familiares de mortos pela ditadura civil-militar, familiares e vítimas da violência de estado praticada no período de frágil democracia, preocupados com a prática sistemática da tortura e da violência praticada por agentes do Estado, especialmente policiais, vimos exigir um basta de tortura neste 26 de Junho – Dia Internacional de Combate à Tortura! 

Exigimos que o governo Alckmin demonstre que não é conivente com a tortura e a violência dos agentes do Estado, instalando imediatamente a Comissão Estadual de Prevenção e Combate à Tortura em São Paulo, composta pela sociedade civil, com plenas condições de atuação efetiva, além de independência e autonomia, conforme previsto em lei! 

A tortura é incompatível com a democracia real que queremos.

Somente juntos podemos dar um basta à tortura! 

São Paulo, 26 de Junho de 2017.

Apoiam esta iniciativa:

ABRAPSO - Associação Brasileira de Psicologia Social - Regional São Paulo; ABRASBUCO - Associação Brasileira de Saúde Bucal Coletiva; ACAT – Ação dos Cristãos pela Abolição da Tortura; Associação Amparar; Associação da Parada do Orgulho LGBT de Campinas; Associação de Mulheres da Zona Leste; Associação Juízes para a Democracia; Blogueiras Negras; Centro de Cultura Social da Favela Vila Dalva; Centro de Direitos Humanos de Sapopemba; Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos; Centro Santo Dias de Direitos Humanos da Arquidiocese de SP; Cia. Kiwi de Teatro; Cia. Madeirite Rosa; Círculo de Experimentação Artística; Clínica do Testemunho do Instituto Sedes Sapientiae; COADE - Coletivo Advogados para Democracia; Coletiva Marãna; Coletivo Contra a Tortura; Coletivo DAR – Desentorpecendo a Razão; Coletivo de Esquerda Força Ativa; Coletivo Diversitas da Universidade de São Paulo; Coletivo Luana Barbosa; Coletivo Memória - Associação Paulista de Saúde Pública; Coletivo Perifatividade; Coletivo VivaCidade; Comissão da Memória e Verdade da Prefeitura de São Paulo; Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos; Comissão Justiça e Paz de São Paulo; Cordão da Mentira; CPV - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro; CRP SP - Conselho Regional de Psicologia de São Paulo; Escola de Cidadania Zona Oeste Butantã; Estúdio Gaya1; Fala Guerreira-Periferia Segue Sangrando; Filh@s & Net@s - SP DH, Memória, Verdade e Justiça; Fórum de Defesa da Vida; Fórum Municipal de Defesa dos Direitos Humanos de Campinas; Geledés - Instituto da Mulher Negra; Grudis – Em Defesa da Democracia; Grupo de Estudos Anarquistas de Araraquara; Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo; Instituto AMMA Psique e Negritude; Juventude e Resistência Negra Zona Sul; Kazungi - Bloco Afro Percussivo; Kilombagem; Kiwi – Companhia de Teatro; LEIA - Laboratório de Estudos Interdisciplinares e Analises Social da Universidade Federal de São Paulo; Levante Mulher; Marcha das Mulheres Negras de SP; Marcha Mundial das Mulheres; Margens Clínicas; MNU - Movimento Negro Unificado; MST - Movimento dos Trabalhadores/as Rurais Sem Terra; Observatório de Violências Policiais de São Paulo; Pânico Brutal; PLENU - Instituto Plena Cidadania; Projetos Terapêuticos; Promotoras Legais Populares de Piracicaba; Promotoras Legais Populares de Sorocaba; Rádio Madalena; Rastilho; Rede de Proteção e Resistência contra o genocídio; Revolta Popular; Samba Negras em Marcha; SOF – Sempreviva Organização Feminista; Tribunal Popular; UMMSP - União dos Movimentos de Moradia da Grande São Paulo; União de Mulheres de São Paulo.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Hoje, em SP, Sarau da Ocupa por "Nenhuma ocupação a menos"

Se ligaí! 

Acontece hoje, quinta, dia 13, às 20h, o Sarau da Ocupa edição especial "Nenhuma ocupação a menos", na Ocupação São João, Avenida São João, nº 588 (próximo a Galeria Olido).

Não esqueça a sua letra, poesia, rima ou ideia.

Em noite de Sarau, um banquete de livros é servido e fica sempre a disposição.

Pode somar porque é tudo gente da gente, é tudo gente como a gente.

Participe, crianças são bem vindas e convide amig@s!

Carolineando em prosa, versos e provérbios


Oficina "Carolineando em prosa, versos e provérbios" com Ruivo Lopes. 

A oficina promoveu uma prosa sobre a vida e a obra da escritora Carolina Maria de Jesus, destacando seus versos e provérbios. 

A partir da prosa, os participantes foram estimulados a criar seus próprios versos e provérbios para publicar em fanzines (publicações criativas e independentes). 

A oficina fez parte da programação do III Seminário Sementeiras de Direitos, organizado pelo Ibeac, e aconteceu em Parelheiros, zona sul de SP!

domingo, 8 de janeiro de 2017

Ode ao massacre é parte do golpe

Jovens e negros são maioria da população carcerária brasileira

Em relação aos dados sobre cor/raça verificou-se que, em todo o período analisado (2005 a 2012), existiram mais negros presos no Brasil do que brancos.

Após o presidente Michel Temer ter chamado de "acidente" o massacre que já deixou mais de 90 pessoas presas mortas nos presídios do norte do país, foi a vez do secretario nacional de Juventude - a quem prefiro não mencionar o nome para que retorne as profundezas da insignificância e do anonimato - fazer elogios a matança e lamentar por não acontecer "uma chacina por semana". 

As declarações de representantes do governo não deixam dúvidas sobre a responsabilidade do Estado em mais este episódio lamentável de grave violação dos direitos humanos no Brasil. 

Ao referir-se ao massacre como "acidente", Temer assume, como em qualquer acidente, a possibilidade de evitá-lo por meio da prevenção. Uma vez ocorrido, cabe identificar os responsáveis pelas imprudências - no caso omissões - cometidas e responsabilizá-los, neste caso autoridades brasileiras, inclusive chefes de estado. 

Já sobre o agora ex-secretário de Juventude, que é filho de policial militar com carreira política no PMDB-MG, sua apologia ao massacre pode ser compreendida no âmbito de um governo que assumiu o poder por meio de golpe. 

Cabe destacar que a Secretaria Nacional de Juventude foi criada em 2005, pelo então presidente Lula, com objetivo de defender direitos da população jovem brasileira e criar políticas públicas que garantam seu desenvolvimento, inclusão e dignidade. 

Como se já não bastassem as declarações de Temer e seu ex-secretário nacional de Juventude, o ministro da casa civil, Eliseu Padilha, disse que o então secretário de Juventude "falou sobre um assunto que não era da área dele". 

O ministro está equivocado. Em 2015, a Secretaria Nacional de Juventude publicou um estudo inédito intitulado “Mapa do Encarceramento – Os jovens do Brasil”, uma publicação que faz parte do Plano Juventude Viva e traz um diagnóstico sobre o perfil da população carcerária no país. 

Realizado em parceria com a Secretaria-Geral da Presidência da República, da então Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, o estudo analisou dados do Sistema Integrado de Informação Penitenciária (InfoPen), e constatou que os jovens representavam 54,8% da população carcerária brasileira. 

Em relação aos dados sobre cor/raça verificou-se que, em todo o período analisado (2005 a 2012), existiram mais negros presos no Brasil do que brancos. 

Em números absolutos: em 2005 havia 92.052 negros presos e 62.569 brancos, ou seja, considerando-se a parcela da população carcerária para a qual havia informação sobre cor disponível, 58,4% era negra.

Já em 2012 havia 292.242 negros presos e 175.536 brancos, ou seja, 60,8% da população prisional era negra. 

O estudo concluiu que quanto mais cresce a população prisional no país, mais cresce o número de negros encarcerados. 

O relatório, ainda disponível na página oficial da secretaria, pode ser acessado na integra aqui: https://goo.gl/O1ZuGl!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

A democracia passa ao largo dos presídios brasileiros

Foto: Divulgação

A democracia passa ao largo dos presídios brasileiros

Tenho recebido informações sobre o massacre ocorrido no presídio Anísio Jobim, no Amazonas, norte do Brasil. As informações ajudam a montar um quebra-cabeça sinistro que no conjunto contribui para que possamos compreender que o massacre de 60 pessoas presas não foi fruto de geração espontânea. O massacre era uma tragédia anunciada. 

Como defensor dos direitos humanos que conheceu de perto unidades de privação de liberdade no estado de São Paulo, repito, categoricamente, que, a despeito de presos organizados em grupos rivais no interior dos presídios, assim como de uma organização privada ter recebido milhares de reais para fazer a gestão das unidades prisionais, uma vez sob custódia judicial, a responsabilidade pela preservação da dignidade humana das pessoas presas é inteiramente do Estado, não só a representação do Amazonas, mas também a Federal.

Portanto, nem governador e seus secretários, nem ministro da justiça e seus representantes locais - que já tinham informações desde 2015 do que poderia acontecer e não tomaram medidas preventivas necessárias e suficientes -, estão isentos de responsabilidade pelo horror das mortes nos presídios do estado.

O que ocorreu no Amazonas pode acontecer a qualquer momento em qualquer outro estado, uma vez que a superlotação e as péssimas condições são regra nos presídios brasileiros.

Em 4º lugar no ranking mundial de pessoas presas, no Brasil, onde não há pena de morte, uma pessoa é assassinada a cada dia em presídios. São Paulo, por exemplo, tem a maior população carcerária do país, são aproximadamente 232.502 pessoas presas em unidades de privação de liberdade. Um barril de pólvora que pode explodir a qualquer momento.

Embora tenha optado ainda pelo silêncio, o presidente Michel Temer, que, cinco dias após outro massacre, o do Carandiru, em 1992, tinha assumido a secretaria de Segurança do Estado de São Paulo, também tem sua parcela de responsabilidade como chefe de estado.

Certamente, pela repercussão internacional do caso, a Corte Interamericana de Direitos Humanos, que em outras ocasiões já havia chamado atenção do país pelas práticas sistemáticas de tortura, maus tratos e outros tratamentos cruéis, desumanos e degradantes nas unidades de privação de liberdade, interpelará o Brasil por mais este massacre.

Quando isso ocorrer, ficará claro a responsabilidade das autoridades brasileiras quando tiverem que dar explicações consistentes perante o órgão que tem prerrogativas para condenar países e autoridades por autoria ou omissão de violações de direitos humanos, como é o caso do Brasil.

O problema começa com o Judiciário que opta pela entrada cada vez mais elevada de pessoas nos presídios brasileiros. O mesmo Judiciário é omisso no monitoramento das execuções penais previstas em lei.

Neste sentido, o Brasil caminha para um colapso em seu sistema prisional há muito tempo denunciado por organizações de defesa dos direitos humanos.

Desde o fim da ditadura civil-militar, a democracia passa ao largo do sistema prisional brasileiro. Sobra pena demais para negros e pobres onde há ausência de direitos e cidadania. O resultado disso é o medo e a violência generalizada, caminho aberto para a barbárie que não se limita aos muros dos presídios brasileiros.

O Estado precisa rever seus sistemas de Justiça, Penal e Prisional. Desencarcerar é uma política humanitária que o Brasil precisa adotar com urgência!

Ruivo Lopes, educador, pedagogo e defensor dos direitos humanos.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Ninguém é inocente

[Foto: divulgação]

Ninguém é inocente

Não só Manaus, como também o Brasil e o mundo, sabiam que o Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), o maior do estado e em condições desumanas, era um barril de pólvora prestes a explodir. A tragédia , que deixou ao menos 60 presos mortos - decapitados e mutilados -, era anunciada. Não é de hoje que os presídios brasileiros estão entre as piores instituições de privação de liberdade do mundo. Um verdadeiro inferno na Terra!

Há décadas, todos os anos, organizações nacionais e internacionais de defesa dos direitos humanos criticam o sistema prisional brasileiro, o aumento vertiginoso do encarceramento em massa, as péssimas condições das instituições dos presídios e as práticas sistemáticas de tortura, maus tratos e outros tratamentos cruéis, desumanos e degradantes.

É inaceitável, negligente e, portanto, criminosa a narrativa de que presos organizados em grupos dominem, rivalizem e promovam tantas mortes horríveis no seio de instituições inertes que pertencem ao sistema de Justiça e Segurança Pública brasileiros. Ninguém é inocente quando pessoas cumprindo pena sob a guarda do Estado - em qualquer circunstâncias - tem a sua dignidade humana brutalmente atacada.

Admitir que pessoas presas em condições desumanas e degradantes, que são regra nos presídios brasileiros, tem o controle das unidades é admitir a falência do Estado. Instituições de privação de liberdade são instituições totais e disciplinares, como diria Foucault, mas para o secretário de Segurança do Amazonas, que afirmou numa entrevista que, apesar do massacre, a situação já estava "sob controle", isso parece conveniência.

O sistema de Justiça, por pior e seletivo que seja - pessoas negras e pobres são regra nos presídios brasileiros -, deveria ser um anteparo da barbárie. É o sistema de Justiça que deveria exercer o controle sobre as unidades prisionais como previsto na Constituição, na Lei de Execuções Penais e nos Tratados Internacionais de Direitos Humanos assinados pelo Brasil. Quando negligente, o Estado brasileiro passa também a ser conivente com a barbárie e, portanto, também comete crime de responsabilidade.

Um juiz que participou da negociação com os presos para convencê-los a terminar a rebelião, disse, na ocasião, que nunca tinha visto nada parecido em sua vida, referindo-se aos corpos mutilados encontrados no presídio. Ora, no momento da rebelião, havia no presídio 1.224 pessoas presas, embora a lotação seja de 454. O juiz ainda não tinha visto, comunicado e alertado sobre a superlotação, como manda a Lei, causa de inúmeras rebeliões nos presídios brasileiros?

Desde o massacre de ao menos 111 pessoas presas, no extinto Carandiru, em 1992, em São Paulo, sucessivos governos fracassam e negligenciam o tratamento dado as pessoas presas no Brasil. Em 2002, 27 pessoas foram mortas no presídio Urso Branco, em Rondônia; em 2004, mais 30 mortos no presídio Benfica, no Rio de Janeiro; e em 2013, mais 13 mortos em Pedrinhas, no Maranhão. Agora, ao menos mais 60 em Manaus.

Enquanto o Judiciário parece determinar prisões e penas a atacado, o número de pessoas presas no Brasil só tem aumentado, contando atualmente com 656 mil pessoas presas. E os números não param de crescer ano a ano, chamando atenção de organizações de defesa dos direitos humanos que pedem pelo fim do encarceramento em massa no País.

Cada vez mais entorpecida por um sentimento de vingança, a sociedade brasileira parece anestesiada diante da gravidade de que em se tratando de mortes que ocorreram sob a guarda do Estado, ela também responsável. Confundindo justiça com vingança, legitima e retroalimenta sua participação na barbárie.

Não importa os crimes que cometeram. Quando uma pessoa cumpre pena num presídio ela deve ter sua dignidade respeitada e protegida conforme a Lei. Não permitir a vingança é a melhor lição que o Estado e, portanto, a sociedade, pode oferecer as pessoa presas.

Não se sabe quando, aonde nem quantos mais mortos em presídios brasileiros poderão vir na sequência. Enquanto o respeito aos direitos humanos não for realidade nos presídios e a Justiça brasileira não promover o desencarceramento em massa, a marcha fúnebre, infelizmente, prosseguirá!

Ruivo Lopes, educador, pedagogo e defensor dos direitos humanos.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Ruas fez a coisa certa


Ruas fez a coisa certa
 
A prisão dos dois jovens de 21 e 26 anos que espancaram até a morte o ambulante Luiz Carlos Ruas, conhecido como Índio, de 54 anos, dentro da estação de metrô Pedro II, onde trabalhava há 20 anos, na região central de São Paulo, é a primeira parte do rito processual que enfrentarão daqui pra frente. Se condenados, poderão pegar até 20 anos de prisão, ambos darão adeus à juventude e carregarão para sempre a morte covarde que promoveram em pleno feriado de Natal. Não será pouco para ambos e suas famílias. Impagável para Ruas, sua família e amigos. Mortes banais e covardes como a de Ruas devem ser motivo de reflexão sobre o modelo de sociedade que temos e vivemos. Para não cairmos na mais grotesca indiferença em relação ao outro, devemos combater as barbáries cotidianas que marcam nossas cidades. Não permitir que mortes como a Ruas sejam naturalizadas é uma das formas de combater a barbárie.

Foi o que fez Ruas ao defender duas travestis em situação de rua que estavam sendo agredidas por dois jovens. Desesperadas, as duas travestis correram para dentro da estação de metrô. Ruas também tentou se proteger na mesma estação, mas não teve a mesma sorte. Foi perseguido e brutalmente espancado até a morte pelos dois jovens. Ruas foi morto com golpes desferidos seqüencialmente pelas mãos e pés, atingido principalmente na cabeça e rosto, mesmo depois de caído, desmaiado e sem nenhuma chance de defesa.

Certamente a brutalidade com que espancaram Ruas pesará contra os dois jovens no processo que sofrerão. Processos como este passam para a sociedade a sensação de justiça. Mas pouco contribui para que a sociedade reflita as violências cotidianas contra sua própria população, principalmente as mais vulneráveis, como as pessoas em situação de rua, ou aquelas que são alvos preferenciais de ataques de ódio, racismo, machismo e LGBTfobia. Também não contribui para a sociedade compreender e combater o que gera tamanha violência.

A justiça não deve ser limitada apenas as formalidades dos devidos processos judiciais. A justiça, ou seja, o direito de cada pessoa existir com plena dignidade, deve ser um valor compartilhado por toda a sociedade de modo que o ataque a dignidade alheia é um ataque a toda coletividade. Portanto, justiça e solidariedade são os maiores bens a serem preservados por qualquer sociedade que não queira sucumbir à barbárie.

Já dentro da estação de metrô, as câmeras de segurança registraram o espancamento de Ruas. No registro exibido posteriormente nas redes de televisão, enquanto Ruas era espancado até a morte, é possível ver várias pessoas transitando pelo local. Todas passam pelo espaço, até olham para a cena do espancamento, poucos param a distância, mas ninguém intervém. Tampouco havia seguranças de responsabilidade do metrô no local. O socorro chegou uma depois de o espancamento ter acontecido. Ainda assim, chama atenção que ninguém interveio para que os dois jovens parassem de espancar Ruas.

Com a repercussão dada pela televisão, certamente quem passou por ali no instante do espancamento tomou conhecimento do que de fato aconteceu e que aquele senhor caído no chão, desmaiado, sendo espancado, foi morto ali mesmo pelos dois jovens, até então desconhecidos. Como ficam suas consciências quando perguntado se acaso tivessem intervindo?

Ruas interveio. Não ficou indiferente diante do ataque sofrido pelas duas travestis na rua. Assim, não permitiu que fizessem com as outras pessoas aquilo que não queria para si nem ninguém. Pagou com a própria vida. Ruas não pode ser esquecido. Ele nos deixa o legado de que diante da injustiça, não se pode ter dúvidas, é melhor agir para impedir que ela continue acontecendo. Pessoas como Ruas fazem permanente a luta em defesa dos direitos humanos. Com simplicidade, Ruas fez a coisa certa!

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

#OndeEstãoOs5JovensDaZonaLeste? e outros escritos e bem ditos

#OndeEstãoOs5JovensDaZonaLeste? 

A origem das polícias no Brasil é a sistematização, por parte do Estado, da barbárie promovida pelos poderosos que já se praticava desde o período colonial contra os povos indígenas e negros. Ao longo de toda nossa história, a violência policial, portanto do Estado, com a conivência dos poderosos, só foi aprimorada. 

A violência policial no Brasil é uma epidemia! Sendo praticada sistematicamente por agentes do Estado, coloca em questão o Estado Democrático de Direito. 

No Brasil, há anos, investe-se muito mais em efetivos estaduais formados por policiais militares do que em policias investigativas, ouvidorias ou controle externo da atividade policial, sobretudo quando se trata de crimes praticados por policiais como tortura, chacinas, execuções sumárias, ocultação de cadáver e desaparecimento forçado de pessoas. 

Um caso recente deveria perturbar o sono da democracia brasileira. Há mais de 10 dias, familiares de quatro jovens, entre 16 e 19 anos, e de um motorista, vivem a angustia de não terem notícia alguma sobre eles. Desapareceram. 

A última informação que as famílias dizem ter a respeito do desaparecimento é um áudio que Jonathan, um dos jovens, mandou para uma amiga dizendo que havia sido parado pela polícia naquele dia. 

Além de Jonathan, os também amigos Caíque, César e Robson, todos da zona leste de São Paulo e um colega, Jones, motorista do grupo, estão desaparecidos. O carro foi localizado, abandonado e vazio. 

O portal Ponte Jornalismo (clique!), comprometido com os Direitos Humanos, está fazendo reportagens sobre o caso. O MovimentoMães de Maio (clique!), que reúne familiares de vítimas da violência do Estado, está divulgando a campanha #OndeEstãoOs5JovensDaZonaLeste? para dar visibilidade ao caso. 

Nenhuma democracia pode suportar do Estado, seja pela ação ou omissão, tamanho arbítrio. Se queremos uma democracia, o Estado nos deve uma resposta: #OndeEstãoOs5JovensDaZonaLeste? 

Ninguém é uma ilha! 

O Partido dos Trabalhadores foi o maior derrotado nas eleições municipais de 2016. Ponto! Foi derrotado exatamente na instância política que marcou a história do PT, o município. Ao ser derrotado nas urnas, foi derrotada também a esquerda como um todo. Por favor, não façamos da exceção a regra. Sei que esta afirmação é discutível - nem tudo cabe nas urnas e a esquerda é plural, não se resume hoje ao PT, concordo tanto quanto não há esquerda sem o PT. 

A mensagem de ódio ao PT depositada nas urnas nestas eleições municipais de 2016 é também uma mensagem de ódio para qualquer coisa que se pareça ou lembre o PT, ainda que não seja. Da democracia participativa - a direita no Brasil é tão arcaica que precisamos adjetivar a democracia - à constitucionalidade e as políticas públicas setoriais (Igualdade Racial, Mulheres, LGBT, Direitos Humanos). Qualquer pessoa que seja um ponto fora da curva hoje, a princípio, é petista e terá dificuldade para explicar que não é. 

Daqui pra frente só quero saber do que pode ser ponto em comum entre as esquerdas, entre os que são de esquerda mas acham que estão acima das esquerdas, entre autonomistas, anarquistas, socialistas, comunistas, antiautoritári@s, antirracistas, antimachistas, anti-sexistas, anticapitalistas, anti-tudo-que-está-aí, progressistas, democratas, humanistas, ecumênicos, pós-modern@s, malucos beleza, punks, gerações w, y, z, ingovernáveis, gente boa que se recusa a pensar em si - a fazer dos seus problemas o centro dos problemas do mundo - para olhar a sua volta e compreender que seu problema também é (deve ser!) coletivo, irmanar-se e dedicar-se ao bem comum. 

Sou otimistas, apesar de... sigo a utopia!

I have a dream... 

Sonhei que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso havia sido investigado pela privataria tucana iniciada em 1997!

I have a dream... 2 

Depois do ex-presidente FHC, sonhei que outro tucano, dessa vez o senador José Serra, atual Ministro das Relações Exteriores do governo Temer, foi acusado na Lava Jato de ter recebido R$ 23 milhões, por meio de uma conta na Suíça, repassados pela Odebrecht via caixa dois à campanha presidencial de 2010. Sonharei também com outros tucanos, Aécio e Alckmin?

Querido Leonel Brizola!

Espero que esta mensagem o encontre bem e em paz, já que por aqui, a vida não anda nada fácil! A política, nossa razão, inferniza nossas vidas sem nenhum descanso.

Vou direto ao assunto, como o senhor gosta, sem tempo pra esfriar a água para o chimarrão.

Neste domingo, acontecerá no Rio de Janeiro, uma eleição importante.

Marcelo Freixo (PSOL 50), um jovem político de esquerda, democrático, progressista, forjado em novos movimentos sociais e comprometido com os direitos humanos, disputará, representando um igualmente jovem partido socialista, o governo municipal da Cidade, tendo como adversário um conhecido religioso que alçou à política graças aos louvores da Igreja Universal do Reino de Deus.

Taí, o motivo da minha mensagem.

O senhor conhece bem o Rio e suas profundas contradições, preocupado que foi com as coisas da gente, principalmente com a educação no Estado.

O senhor precisa falar para o Senhor daí que a imagem dele não anda muito bem por aqui. Usam o nome dele a torto e à direita.

Peça uma força pra Ele nos ajudar, pois o povo sofrido do Rio, não aguenta mais tanto desmando, descaso, desfaçatez e pegar latinha nos megaeventos que a Cidade recebe.

Experiente como o senhor, peça os votos do outro Senhor para ajudar a eleger Marcelo Freixo.

Da nossa parte, ficaremos atentos e de olho para que ele não nos decepcione, nem aos Senhores (fiquei na dúvida agora se escrevia com maiúscula ou minúscula, já que me referia ao senhor, Leonel, e ao outro Senhor).

Espero vê-lo um dia (mas me perdoe, ainda não em breve)!

Abraço no Jango, no Glauber, no querido Darcy, no Abdias e diga ao Niemeyer que continuo concordando com a Simone, Brasília não tem alma nem coração!

Do reino dos pobres mortais,

Ruivo Lopes
São Paulo, 29 de outubro de 2016.

Obs.: Marcelo Freixo ficou em segundo lugar na disputa pela prefeitura do Rio. 

Mãos sujas de sangue! 

As Jessicas existem, algumas com outros nomes, como Ana Julia, a estudante de escola pública ocupada que retorceu deputados na Assembleia Legislativa do Paraná ao dizer a eles, alto e bom som: "A mão de vocês está suja com sangue"!

O que fizemos para impedir que Dólar fosse eleito em SP? 2 

Há algumas semanas publiquei um comentário neste humilde, mas valioso, espaço a seguinte questão - não pergunta - pra reflexão - não resposta. O que fizemos para impedir que Dólar fosse eleito em SP? 

Dada a nacionalização da eleição municipal considerava importante a manutenção do mandato de Fernando Haddad. E não se tratava de apoio incondicional. 

Pois bem, leite derramado. 

Dólar foi eleito com apoio incondicional da tríade do mal política-empresarial-midiática, selando o golpe na maior, mais populosa e mais rica – e por isso ainda muito desigual - Cidade do País. 

O golpe venceu em SP. 

Percebo um fugaz desconforto diante dos possíveis nomes para apoiar a gerência regressiva de Dólar em SP. 

Mantenho a questão: o que fizemos para impedir que Dólar fosse eleito em SP?

Sabe de nada... 

O presidente do senado Renan Calheiros é um político experiente. Mas, ao reclamar das prisões dos policiais legislativos, comporta-se de forma ingênua. Alexandre de Moraes nunca foi ministro da justiça de Temer no Palácio do Planalto. Moraes obedece apenas ao Palácio dos Bandeirantes em SP!

É pra você... 

De Alexandre de Moraes (justiça), cota do governador tucano Geraldo Alckmin (SP) no ministério de Temer: "Vocês vão ter que me engolir"!

O banquete 

Não, não foi o banquete promovido pela milionária Sarah Light, personagem da classe dominante do livro de Mário de Andrade, numa tarde de domingo no solar de inverno que ficava no subúrbio de Mentira, a simpática cidadinha da Alta Paulista. 

Foi em Brasília, na noite de 24, na casa de Rodrigo Maia, o medíocre presidente da câmara, que as decisões sobre a república foram tomadas. 

Aliás, o Brasil de hoje é governado a base da gula de poder. Troca-se o fórum público dos debates pelo privado dos jantares da casa grande. 

Ao povo, restam os farelos que caem do banquete dos medíocres!

Alugar o Brasil 

O editorial da Folha de S.Paulo do dia 23 manda Temer "apressar o programa de concessões de obras de infraestrutura e de privatizações em geral" (...) "antes do final de 2017". 

Revelo um segredo da República: Temer é um títere! 

Explico: por trás da sanha privatista estão grandes nomes do PSDB com forte experiência adquirida durante os governos FHC. Estes nomões do sudeste integram ou são base de apoio do governo Temer, por pura conveniência. 

No entanto, lembremos, o PSDB é autor de uma ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer - isso mesmo! -, mesmo que tucanos integrem o governo do último. 

Temer é um político experiente feito títere que está fazendo o trabalho sujo e sem nenhuma alternativa. Fará o trabalho sujo e ficará lambuzado, pois tudo indica que o PSDB deixará o governo e sua base até o final de 2017, engrossará uma oposição à direita para se colocar como alternativa na disputa presidencial de 2018. 

Só não se sabe ainda se a ala mineira do PSDB dará espaço para a ala paulista ou vice versa ou ainda se formarão chapa pura, o que é muito improvável. Tucanos juntos se bicam e se machucam. 

Daí, a pressa exigida pelo editorial da Folha, encomendado, certamente, por um tucano quem não dorme à noite!