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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Fotógrafa feminista expõe registros inéditos das realidades, lutas e esperanças de mulheres em SP



Nos últimos 5 anos a fotógrafa feminista Elaine Campos vem produzindo novas imagens das realidades, lutas e a esperanças das mulheres de São Paulo e de outras cidade do Brasil. A exposição Mulheres Livres: Imagens Insurgentes reúne fotos que retratam a presença das mulheres à frente da cultura contra-hegemônica, nas lutas sociais e na arte. 

A exposição fotográfica será aberta na sexta-feira, dia 08 de maio, às 19 horas, no Espaço Cultural Periferia no Centro, na sede da Ação Educativa, na Rua General Jardim, 660, 1º andar, Vila Buarque, São Paulo.

Nos dias 14 e 21 de maio duas rodas de conversa terão lugar no espaço da exposição: Arte e Feminismo: compromisso com as lutas sociais (Com: Marta Baião) e Artes do Impossível: feminismo e ações de rua (Com: Julia Di Giovanni). 

Exposição Fotográfica Mulheres Livres: Imagens Insurgentes, de Elaine Campos

Abertura: 8 de maio, às 19 horas.
 
Visitação: 9 de maio à 8 de junho. O Horário de visitação é das 10h às 20h, de segunda a sexta, e das 9h às 13h aos sábados.

Rodas de Conversa

Também no 1º andar da Ação Educativa.

14/05 (quinta-feira), 19h
Arte e Feminismo: compromisso com as lutas sociais. Com: Marta Baião (Artista feminista, doutoranda em Arte e Gênero - ECA/USP, faz parte da coordenação do Centro Informação Mulher -CIM, diretora das Mal Amadas - Poética do Desmonte, grupo de teatro feminista criado em 1992 em Diadema atualmente sediada no CIM e integrante da Cooperativa Paulista de Teatro)

21/05 (quinta-feira), 19h
Artes do Impossível: feminismo e ações de rua. Com: Julia Di Giovanni (Doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (2013) e autora de Artes do Impossível - protesto de rua no movimento antiglobalização - Annablume/Fapesp 2013, realiza desde o mestrado pesquisas sobre as relações entre estética e política e as qualidades poéticas e performáticas dos processos de organização e ação política. Desenvolve atualmente um pós-doutorado em Antropologia das Formas Expressivas no Departamento de Antropologia - USP, onde integra Coletivo ASA - Artes Saberes e Antropologia)

Serviço:
Exposição: Exposição Fotográfica Mulheres Livres: Imagens Insurgentes
Autora: Elaine Campos
Curadoria: Rodrigo Medeiros e Ruivo Lopes
Apoio: Espaço Cultural Periferia no Centro – Ação Educativa

Abertura: 8 de maio de 2015
Horário: 19 horas
Visitação: 9 de maio à 8 de junho. O Horário de visitação é das 10h às 20h, de segunda a sexta, e das 9h às 13h aos sábados.
Rodas de Conversa: dias 14 e 21/05 às 19h00 (Também no 1ºandar, e não é necessário fazer inscrição).

Local: Ação Educativa - Rua General Jardim, 660, 1º andar, Vila Buarque, São Paulo (próximo às estações de metrô Santa Cecília e República). Entrada Franca.

Mais informações e agendamento de visitas pelo telefone (11) 3151-2333.



Confirme presença aqui!


Todxs convidadxs!

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Curso "De Teto e de Afeto: Estética, Moradia e Resistência", inscrições abertas!






































INSCRIÇÕES ABERTAS NO SÍTIO DA EDIÇÕES TORÓ: www.edicoestoro.net.

Chamamos pra estudar junto, vem? Não é evento nem espetáculo o caso. É lição com tição e sabor no saber. Estudar a moradia, seus cheiros de suor e de sonho. Estudar a quebrada de dentro pra fora, a história da cidade e seus subúrbios. Com necessárias didáticas e pedagogias. Vem estudar território, paisagem e ensino, refletir sobre quilombagem, feminismo e arquitetura, sobre várzea, letra e maloca com nossas mais velhas dando aula junto com pesquisadores de sangue no olho.

A luta por moradia entrança a resistência na rua e no peito, a construção da vida no puxadinho e no espelho, os pilares das paredes e dos gestos, a organização lenhosa ou serena do bairro e dos desejos do corpo.
A cama e a cozinha, regentes de tanta poesia e convívio, refletem e influenciam os passos e as políticas da praça pública. Da intimidade e do que vaza do portão, da privacidade e do que não se tranca com cadeado. Moradia é miragem, questionamento e trabalho.

Na história da cidade se acenderam muitos movimentos, coletivos e ocupações por um lar, por uma vila ou por um campinho. No cantinho do cômodo, no escadão e no quintal se educa e se mantém coloridas linhagens ancestrais.

Por necessidade bolamos revides ao que vem ditado de cima pra baixo, às leis de morte e de expulsão, às faxinas étnicas de território, às decisões oficiais de conchavo com os magnatas e latifundiários urbanos. Por precisão se arruma o filtro e a moringa, se banha de balde ou mangueira, se chora com a bica poluída e com o córrego apinhado de plástico.

Nas periferias, estilos de criar e de viver vão bailando a dignidade entre goteiras e azulejos, entre festinhas de quintal e vasinhos em beiral de janela, entre cafezinhos e bacias. Nos cortiços por décadas e décadas se desenhou a história de nossos álbuns de família. Nas canções entre o guarda-roupa e o banheiro mora a expressão que põe o público e o privado na massa da mesma fornada. Nos atos de ocupar, orar, brincar, bater palmas na porta, derrubar muro, xingar no portão, ligar fiação ou fechar pra dormir voga um universo de teto e de afeto. Razão de luta e movimentos da razão.

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03.05 | "Portas e varais: espaços geográficos e quebrada",
com Dona Dina (Anciã, moradora de Taboão há 50 anos) e Billy Malachias (Geógrafo e educador)

10.05 
| "Do pau à laje: uma história da moradia paulistana do baldio ao asfalto", com Seu Nelson (Coordenador do Movimento de Luta por Moradia, Centro) e Raquel Rolnik (Professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e relatora da ONU sobre moradia)

17.05 
| "Arquiteturas de olhares e passos: entre aldeias e quilombos”, com Dona Neide Abati (União Popular de Mulheres do Campo Limpo) e Alex Ratts (Geógrafo e professor de antropologia da Universidade Federal de Goiás/UFG)

24.05 
| "Do acampamento ao Tekoha guarani: morando na semente do futuro”, com Jerá Guarani (Liderança e professora na aldeia Tenondé Porã) e Spensy Pimentel (Professor da Universidade da Integração Latino Americana/ UNILA)

31.05 
| "Ventando a cortina, batendo na mesa: guerra e afeto em feminino no Hip Hop”, com Sharylaine (Rapper desde 1986 , integrante da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop ) e Jaqueline Lima Santos (Doutoranda na Unicamp, pesquisadora de Hip Hop)

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Aos sábados de maio - sempre das 14h às 17h00
No Espaço Clariô: Rua Santa Luzia, 96 - Taboão da Serra/SP
Veja como chegar aqui: http://goo.gl/maps/AE1KR
Gratuito para 45 participantes.
Inscrições
de 9 a 23 de abril de 2014.

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Articulação Pedagógica: Allan da Rosa & Ruivo Lopes
Concepção e Diagramação de Cartaz: Elaine Campos | Fotografia: Guma
Realização: Edições Toró, Teatro Clariô e 5º Elemento
Agradecimentos:  Às educadoras e educadores que vêm na graça e à comunidade que chega ou oferece atenção.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

II Festival do Filme Anarquista e Punk de SP: cultura e arte política na contramão da produção do esquecimento!



A ideia continua sendo simples e direta: realizar um Festival dedicado a exibições de filmes, sobretudo documentários, recentes, criados principalmente por anarquistas e punks de várias partes do mundo. Como se isso não bastasse, inclui-se também na programação criações que abordam diversas temáticas sociais sob um olhar crítico e libertário. Círculos de conversa, oficinas, declamação de poemas e exposições artísticas completam a programação.

Herdeiro de uma cultura e arte política libertária comprometida com a classe trabalhadora e com qualquer outro grupo social historicamente marginalizado, excluído e injustiçado pela classe dominante e sua ideologia hegemônica, o Festival é apenas uma pequena amostra de como o audiovisual tem sido uma importante ferramenta de propaganda das idéias, agitações, estéticas e imaginações libertárias. No Brasil e no mundo, pequenas salas, muros, botecos, praças, campos de várzea, becos, vielas, lajes, sob um teto ou ao ar livre, cineclubes fazem exibições, realizam festivais e afirmam a presença anarquista também no contra-cinema comercial.

A maioria dos filmes e documentários que serão exibidos no Festival foi concebida de forma autônoma e independente. Munidos de tecnologia acessível e barata, muitos filmes são frutos do lema faça você também! e nem por isso perdem em qualidade estética. Não são filmes neutros nem filmes óbvios. Embora cada um deles apresente um compromisso com a história de anarquistas e lutadores/as movidos por um profundo desejo de justiça social em momentos e contextos diferentes. Aqui, não vale apenas ter “uma ideia na cabeça e uma câmera na mão”. É preciso ter a coragem de inserir na história e no imaginário social, narrativas, enredos, ações e personagens que a filmografia oficial faz questão de apagar. Neste sentido, o Festival coloca-se na contramão da produção do esquecimento na qual o cinema comercial está comprometido.

A repercussão do primeiro Festival realizado em 2012 foi tão positiva que muitas propostas surgiram antes mesmo de circular as inscrições para esta segunda edição. A quantidade de filmes aumentou depois que as inscrições foram abertas, novamente com produções feitas no Brasil, América Latina e outras partes do mundo. Da primeira para a segunda edição algo que nos chama a atenção é a quantidade de novos proponentes, que não inscreveram filmes no ano anterior e, sendo assim, são estreantes no Festival. Por um lado, o farto material reunido exigiu que a comissão estabelecesse critérios de exibição e organização da programação, e por outro, confirmou que o Festival veio mesmo para ficar!

Para esta segunda edição, o Festival preparou uma programação que vai ocupar três noites e dois dias. Na sexta tem a abertura com declamação de poemas, rap e apresentação das exposições e sábado e domingo tem exibições, círculos de conversas e oficinas, repetindo a edição anterior. Ao todo, serão exibidos 33 filmes, divididos em documentários, animações, vídeo-poesias e experimentais, longas, curtas. Além disso, quatro círculos de conversa, duas oficinas e quatro exposições permanentes. Títulos, sinopses, país de origem e ficha técnica estão disponíveis logo a seguir neste catálogo.

Durante todo o Festival, vai funcionar uma feira de livros anarquistas, libertários e publicações independentes, DVDs, discos, camisetas, acessórios e lanches veganos.

Há mais de um século o anarquismo vem alimentando a possibilidade de um mundo mais justo e igualitário no qual não caiba nenhum tipo de opressão. E há pouco mais de um século acontecia também a primeira exibição pública de um filme. O mundo nunca mais foi o mesmo depois do anarquismo e dos filmes. Ainda não sabemos se é possível um cinema anarquista. Os filmes que serão exibidos neste Festival apontam alguns caminhos. E como a história ainda não chegou ao seu fim, seguimos rumo a estação liberdade!

Do Morro Produções, AnarcoFilmes & Imprensa Marginal
Apoio: Centro Anarquista Ação Direta 


PROGRAMAÇÃO RESUMIDA

SEXTA, 13 DE DEZEMBRO

A partir das 19hs | ABERTURA

* Exibição de curta-metragem panorama do Festival 
 
* Sarau “Sangue, Suor e Poesia Libertária”

 
* Apresentação de Juntas na Luta (rap feminista)


* Abertura das exposições de fotografia de Marina Knup, desenhos de Kika, Nanu Alves e quadros de Juliano Angelin

* * *

SÁBADO, 14 DE DEZEMBRO

A partir das 11:00 | Oficina de produção audiovisual, com Coletivo Rua de Fazer  Inscrições pelo email festival@anarcopunk.org

SALA 1
14:15 | Una parte de la historia del rock y las culturas subterraneas en Tucumán y Argentina
e curta: Harina Acrata

15:30 | Sessão temática: De TIPNIS ao Santuário dos Pajés
17:00 | Rede Extremo Sul + O Muro da Vergonha
18:00 | Com Vandalismo
e curtas (A)Partidários e Anarcovândalos em Townsville
seguido de debate com Ativismo ABC, Biblioteca Terra Livre e Rede Extremo Sul


SALA 2
14:00 | Bibliotecas em Espaços Autônomos: Biblioteca Terra Livre
14:20 | Sessão Guerra Civil Espanhola – seguido de debate com Biblioteca Terra Livre
16:30 | A Voz do Trabalhador Livre: As Judias Anarquistas
17:45 | Squat Pantano Revida – O Filme
20:00 | Exibição do vídeo produzido na oficina de audiovisual, por Coletivo Rua de Fazer

ESPAÇO DE CONVIVÊNCIA
21:00 | Apresentação teatral: Trupe da Lona Preta

* * *

DOMINGO, 15 DE DEZEMBRO

A partir das 11:00 | Oficina de Câmera Pinhole com Renato (Coletivo Cultive Resistência) Inscrições pelo email festival@anarcopunk.org
* é necessário levar filme fotográfico

SALA 1
14:00 | Dos Canibais
15:00 | I Ruas de Fazer – Jardim Bandeirantes, Começou a Luta
e curtas: CICAS e Janela

16:00 | ESTRÉIA | 4F – Nem Esquecimento, Nem Perdão
18:10 | Conspirando Gritos Libertários
e curtas: Carne Perro e Caracas en Moto

19:20 | Beyond The Screams
e curta: Educatio, Omnis


SALA 2
14:30 | Sessão Encontro Ciclovida
Seguido de conversa com Coletivo Sem Nome

16:30 | Caminhada Anarcológica JF e Aos Berros: Movimento Punk em Juíz de Fora
18:00 | Feminismo Negro Contado em Primeira Pessoa
e curta: Negra Lésbica
Seguido de debate com Do Morro Produções, realizadoras e participantes dos filmes

Confira a programação detalhada aqui: http://issuu.com/anarcopunkorg/docs/catalogo_baixa?e=0
Maiores informações: www.anarcopunk.org

Agendaí 
Festival do Filme Anarquista e Punk de São Paulo
Dias 13, 14 e 15 (sexta, sábado e domingo), no Centro Anarquista Ação Direta 
Rua Dr. Almeida Lima, nº 434, ao lado da estação Brás do trem, zona leste de SP 

Veja como é fácil chegar: 


Exibir mapa ampliado

sexta-feira, 22 de março de 2013

Literatura da periferia: semeemos!


 

Sou um poeta engajado. Assim, não posso dissociar a poesia da ação.
Tudo que é cultural permanece essencial aos nossos olhos.
Aliás, a política não mereceria uma parcela sequer de energia
se não se justificasse por um projeto cultural

Aimé Césaire, poeta e ativista martiniquenho da negritude (1913-2008)


Nos dias 15, 16 e 17 de março, participei do I Seminário de Literatura da Periferia que aconteceu no CCJ - Centro Cultural da Juventude, na Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte de SP. Além do Seminário, aconteceu também uma feira de livros da periferia e edições independentes, além de oficinas, lançamentos e apresentações de dança afro e rap com Odisséia das Flores. Uma semana depois, tenho o tempo como irmão da reflexão.
 
Feira literária contou com a presença de autores e autoras nos 3 dias

O Seminário contou com eixos temáticos que orientaram cada um dos 3 encontros. Resumidamente, os eixos eram: Literatura da periferia e política, Teorias e práticas que se entrelaçam na educação e na literatura da periferia, e Entre as frestas e a forma, a presença estética na literatura da periferia.

Os coletivos Elo da Corrente, Poesia na Brasa e Projeto Espremedor, organizadores do Seminário, apontaram a fim de abordagem 3 elementos que compõem a criação literária da periferia. Além do valor literário e oral em si, a literatura da periferia manifesta também dimensões política, educativa e estética que lhe confere identidades.


 Primeiro dia do Seminário: Nelson Maca, Diego Arias e Ruivo Lopes

O tema do primeiro dia foi Literatura da periferia e política. Na roda, eu, Nelson Maca (Sarau Bem Black, da Bahia Preta) compartilhamos com quem participou algumas idéias que cada um defende a partir do tema sugerido pelo Seminário. Maca, sem fazer curva, abriu os caminhos para as idéias com poesia e apresentou alguns pontos do Manifesto daLiteratura Divergente ou Manifesto Encruzilhador de Caminhos, no qual a textualidade - e outras possibilidades - negra surge como essência. Eu optei pela abordagem do combate e situar a criação literária da periferia num campo de batalha ocupado pela literatura dominante. A saber, criação literária como estratégica e, portanto, para além das letras, campo de batalha como território (físico e subjetivo) em disputa, e literatura dominante como aquela produzida e reproduzida na imagem e semelhança dos pilares sociais conservadores da dominação. A roda foi mediada pelo Diego Arias, do Poesia na Brasa.

Segundo dia do Seminário: Celinha Reis, Chellmí e Allan da Rosa

No dia seguinte, Celinha Reis e Allan da Rosa entraram na roda para abordar o tema Teorias e práticas que se entrelaçam na educação e na literatura da periferia. Com anos de experiência como professora da rede pública, Celinha fez uma abordagem da literatura da periferia de fora para dentro da escola, apontando para a dimensão educativa e libertadora dos textos da periferia. Allan da Rosa foi buscar na própria vivência, olhares, histórias, despercebimentos e demais elementos do cotidiano da periferia para conduzir sua narrativa questionadora e avessa a modelos que limitam novas possibilidades literárias. Neste dia, a roda foi mediada pelo Chellmí, do Poesia na Brasa.

Terceiro dia do Seminário: Érica Peçanha, Michel Yakini e Cidinha da Silva
 
No último dia do Seminário, a escritora Cidinha da Silva e a pesquisadora Érica Peçanha entraram na roda para abordar o tema Entre as frestas da forma, sobre a estética presente na literatura da periferia. Em outra ocasião, eu já havia apresentado a Cidinha como uma prosadora de mão cheia. Mas ela também é prosadora na fala questionadora e na criação literária afrocentrada. Por um lado, para ela, a criação literária pode ter rumo próprio sem conter um discurso político em si, mas mais como possibilidade de quem lê suas narrativas.  Por outro, sugere o enegrecimento da literatura da periferia e seus territórios de manifestação, como, por exemplo, os saraus. Érica pela primeira vez pôde apresentar sua pesquisa num encontro organizado por alguns protagonistas do universo do seu livro Vozes Marginais na Literatura e foi além na sua ideia. Destacou a realização dos saraus como espaço de formação para além das letras, que a performance tem papel importante para a poesia da periferia e apontou o reconhecimento comunitário do poeta. Ela também chamou a atenção para a ainda pouca participação ou visibilidade da mulher como protagonista na literatura da periferia. No último encontro do Seminário, a mediação da roda ficou por conta de Michel Yakini, do Elo da Corrente.

Foram 3 dias de encontros para trocar idéias sobre outras dimensões possíveis da literatura da periferia. Alguns participantes levaram para os encontros acúmulos e reflexões de momentos e experiências que aconteceram anteriormente. A diferença de geração que se fez presente, os vários caminhos que cada um tomou pela literatura e que foram apresentados ao longo do Seminário, não impediram a palavra de correr solta entre os participantes. Pelo contrário, a todo o momento alguma citação situava as referências de quem a pronunciava. Nomes como Abdias do Nascimento, Milton Santos, Cuti, Paulo Freire e mais, surgiam para reforçar certo legado.

Algumas idéias que atravessaram os encontros surgiram quase sempre nas beiradas dos saraus. Idéias apresentadas e problematizadas por sujeitos coletivos e lançadas entre um poema e um canto ou entre um conto e um ponto.

Certo é que o I Seminário de Literatura da Periferia mobilizou e articulou gente interessada na troca de idéias e na reflexão sobre apenas algumas dimensões nem tão explícitas do que se está fazendo e chamando de literatura da periferia. É neste sentido que afirmo que o tempo é o irmão da reflexão.
 


Participantes durante os 3 dias de Seminário

Acabou o Seminário, mas a roda continua. A abordagem de temas entrelaçados a criação literária da periferia não está esgotada. O próprio Seminário mais abriu caminhos do que fechou.

Seminário quer dizer também viveiro de plantas. Lugar onde sementes são muito bem cuidadas, sem pressa, para depois de germinadas e fortalecidas as raízes serem lançadas em territórios onde a sobrevivência vai depender primeiramente do enraizamento e conquista do espaço.

Semeemos!
 
 
[Registros poéticos de Sonia Regina Bischain, veja +]