domingo, 23 de setembro de 2012

São Paulo: a cidade partida que só interessa à elite

O urbanista de SP é o capital
 
A região central de São Paulo não deve ser nem melhor nem pior do que qualquer outra região da cidade. A histórica concentração política e econômica na região fez com que o centro se afastasse cada vez mais das diferentes realidades da cidade. A história é uma velha conhecida e não é muito diferente de outros grandes centros urbanos do Brasil.
Durante anos, o centro foi se isolando da cidade. O acelerado processo de urbanização promovido pela elite branca paulistana privilegiou a região outrora habitada por famílias patrimoniais que detinham o poder político e econômico e os usavam para favorecer sua confortável permanência na região.
Os negros e os mais pobres que também moravam na região eram os que movimentavam o cotidiano e a econômica informal da época (vendedores ambulantes, engraxates, carregadores, empregadas domésticas, e toda sorte de serviços, etc.), foram sendo expulsos ao longo do processo de urbanização e sem alternativa foram habitar e ocupar outras regiões mais afastadas do centro onde não pagariam ou pagariam pouco para morar. Porém eles ficariam a margem da infra-estrutura de que já dispunha o centro e em alguns casos a margem até da própria cidade. Este processo de urbanização também é permeado pelo racismo, discriminação e preconceito das elites paulistanas em relação à população, denunciado em conhecidos sambas de negros perseguidos e presos pela repressão policial.
 
Gente diferenciada: vale + o interesse da elite ou a necessidade do povo?
 

A situação piorou quando a elite paulistana a partir de meados do século XX não contente com sua concentração política e econômica em São Paulo aventurou-se na concentração política e econômica da região sudeste do país e também assumir para si a arrogância de querer ser a "locomotiva" chefe do Brasil. São conhecidas até hoje sua disputa política e econômica na região com as elites de Minas Gerais e Rio de Janeiro e o preconceito da elite paulistana com o Nordeste brasileiro e seu povo, por exemplo.
A concentração de dinheiro na cidade de São Paulo não significou oportunidade para os mais pobres daqui e vindos de outras partes do país, responsáveis pelo trabalho que fez de São Paulo a cidade que ela é hoje.
Acontece que a elite paulistana sempre foi adepta de um egoísmo descartável e logo foi abandonando alguns bairros da região central e mudando-se para outros bairros onde moradia e infra-estrutura pudesse ser uma exclusividade sua, fazendo do espaço da cidade uma porção de mercadoria muito cara.  Exclusividade é marca característica da elite paulistana.
Com isso, os mais pobres voltaram a morar na porção abandonada pela elite numa condição de completo abandono e fazendo uso de uma infra-estrutura já defasada sem nenhuma adequação ou interesse por parte do poder público. São conhecidos os casarões que neste momento se tornaram abrigo para muitas famílias, também conhecidos como cortiços, muitos existentes até hoje.
 
O comodismo é um mal parasitário
 

A cartilha mudou, mas a história é a mesma. Hoje a região central é um espaço em disputa permanente onde os mais pobres estão novamente sendo expulsos pela elite paulistana detentora do poder político e econômico que domina a cidade. Essa elite tem novas caras, siglas e logomarcas, mas é a mesma. Ela foi forjada na ideia de que a cidade é partida de forma desigual e assim deve ser tratada. Ela promove uma orgia sem precedentes entre o interesse público e o privado. Embora na região central sempre houvesse desigualdades, pobreza e precariedades entre seus habitantes, foi a elite paulistana que criou a ideia de centro como espaço dotado de exclusividade, deixando a periferia a margem durante anos. Hoje, a elite paulistana quer também a periferia. Como não perdeu o vício, ela pretende descartá-la depois de usá-la. Se isso acontecer, ano que vem nem o centro estará na periferia, nem a periferia estará no centro. A cidade continuará partida e sofrendo graves conseqüências do aprofundamento das desigualdades. 
 
[Fotos: Ruivo Lopes]

sábado, 22 de setembro de 2012

Moinho: negligência e descaso em mais um incêndio na favela

Em carta aberta, moradores da Favela do Moinho, no Campos Elíseos, na região central, relatam sua frustração com a Prefeitura de São Paulo que não cumpriu o acordo de atendimento habitacional assinado em dezembro de 2011 entre Secretaria da Habitação (SEHAB), Defensoria Pública, Ministério Público e Escritório Modelo da PUC-SP.



Nove meses depois do incêndio que queimou mais de 400 casas na Favela do Moinho, o fogo voltou e novamente consumiu no último dia 17 parte das casas e também uma vida.



Diante do descaso, a Associação de Moradores do Moinho já confirmou presença na próxima reunião da CPI dos Incêndios em Favelas, inoperante até o momento, marcada para o dia 26, quarta-feira, às 12h, na Câmara Muncipal de SP (Viaduto Jacareí, nº 100, 8º andar, Sala Tiradentes) exigir explicação dos vereadores sobre as dúvidas que pairam sobre as verdadeiras causas dos incêndios recentes nas favelas localizadas em áreas de grande interesse do rico setor imoliário da cidade. Leia a Carta Aberta dos Moradores do Moinho.


Fogo no barraco

O número de investigação policial sobre os incêndios em favelas de São Paulo é muito pequeno. Apenas 1/3 dos incêndios registrados são investigados e não se tem notícia de esclarecimento algum sobre a origem ou autoria do incêndio. Um sítio na internet reuniu informações quentes sobre vários desses incêndios e disponibilizou com o nome de Fogo no Barraco. Pelo mapa, ocorrências de incêndios em favelas já foram registradas em todas as regiões da cidade. Os incêndios seguem a valorização de áreas de interesse imobiliário nos bairros.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Mostra Cultural De Fora para Dentro: uma ocupação poética



Semanas antes da notícia do possível despejo das famílias que moram na Ocupação São João, um grupo de funcionários da Escola do Parlamento da Câmara Muncipal de São Paulo, sensibilizados com o drama vivido pelos sem teto, fizeram um convite pra que se realizasse no Parlamento Municipal, também chamado de Casa do Povo, uma ocupação cultural que reproduzisse a criativa movimentação cultural que acontece na Ocupação, totalmente à margem da programação cultural que domina a Cidade.


O compromisso coletivo assumido com a organização da 1º Mostra Cultural De Fora para Dentro – Uma ocupação poética da CMSP (confira a programação completa)seguiu-se mesmo sob a ameaça de despejo das famílias, o que parecia pra todo mundo envolvido uma enorme contradição. Despejadas pelo descaso das autoridades por um lado e recebidas no Parlamento do outro! No momento, o fantasma do despejo se afastou da Ocupação São João, mas ele continua assombrando a redondeza.


Há luz no fim do túnel! É hora de mudar a voz... e denunciar a cidade que está de mal consigo mesma! Chegou a hora de ser a voz... e anunciar a cidade mais justa que queremos! Moradia digna e cultura à margem estarão no centro da Mostra pra ser a voz e a cara da vez!


Na sexta-feira, dia 14, às 14h, vai acontecer mais uma edição do Ciclo de Debates "Pensando São Paulo" Habitação e Revitalização do Centro (Plenário 1º de Maio). Debatedores, dentre outros, Raquel Rolnik – Urbanista/USP e Relatora Internacional do Direito à Moradia da ONU; e Kazuo Nakamo – Urbanista/USP e Presidente do Instituto Polis.




No mesmo dia às 19h30, vai acontecer o Sarau da Ocupa (Plenário Externo Freitas Nobre) e convidamos você pra recitar com a gente a cidade que queremos pra viver!


A organização e realização da Mostra não tem vínculo com campanhas, gabinetes, mandatos ou partidos políticos!


Porque afinal, a cultura é nossa!

domingo, 2 de setembro de 2012

Tenda Literária: literatura como libertação


Aconteceu neste sábado (1º), mais uma edição do Tenda Literária, ação cultural realizada em espaços públicos para debater literatura popular, disparar poemas e trocar ideia. O tema desta edição foi Literatura como Libertação. Lá pude contribuir para a troca de ideia e ainda pedir assinaturas para o abaixo-assinado contra o despejo das famílias da Ocupação São João, onde também acontece, o Sarau da Ocupa e outras ações culturais. Estavam presentes várias pessoas com livros já publicados como Rodrigo Ciríaco, Ni Brisant, Victor Rodrigues, Sacolinha e muita gente pra participar e apreciar o bate papo, a apresentação da Lika Rosa e o Sarau. Uma esteira de livro estava a disposição pra quem quisesse conferir. Tudo isso foi registrado pela equipe do SP Cultura comandada por Alessandro Buzo. Até aí, tudo bem. Não fosse a subprefeitura de Ermelino Matarazzo, na zona leste de SP, proibir que a Tenda Literária acontecesse numa praça ali perto. Apesar da proibição, a ação aconteceu na calçada e foi encerrada com um cortejo cultural com a trupe do Circo do Balaio até o local onde a Tenda ficaria instalada e lá, para a tristeza geral, realizou-se o enterro da praça.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Sarau da Ocupa: uma cidade inclusiva e digna pra se viver é possível com muita luta, cultura, livros e poesia!


Venha se aquecer no calor humano do Sarau da Ocupa, no centro nervoso de São Paulo. O povo tem um encontro marcado na quarta-feira, dia 5 de setembro, a partir das 19h30, na Avenida São João, nº 588 (próximo a Galeria Olido), pra celebrar mais uma vez a sabedoria popular no melhor estilo ritmo e poesia que já se ouviu na praça.


Nesta noite, o Sarau vai acolher quem acedita que uma cidade inclusiva e digna pra se viver é possível e ela se constrói também com muita luta, cultura, livros e poesia.

O Sarau também vai arrecadar alimentos pras famílias sem teto. Então, traga 1kg de alimento não perecível pra doação. E não fique de fora!

Não esqueça a sua letra, poesia, rima ou ideia. Se preferir escolha ou faça na hora, sem deixar o ritmo e a poesia caírem. Em noite de Sarau, um banquete de livros é servido e fica sempre a disposição. Pode somar porque é tudo gente da gente, é tudo gente como a gente!


Pra você que perdeu, assista, agora na internet, o SP Cultura, quadro apresentado por Alessandro Buzo, no SPTV 1ª Edição, sobre o Sarau da Ocupa.

Confira quem passou pelo último Sarau da Ocupa na noite em que o escritor Sacolinha chegou pro lançamento do seu mais novo livro Manteiga de Cacau.

O escritor Sacolinha lançou seu mais novo livro Manteiga de Cacau

Calor humano pela presença no Sarau

Eu, Landy e Sacolinha no Sarau da Ocupa

 
Afinal, a cultura é nossa!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A Ocupação São João precisa de você!



Enquanto morar for privilégio de poucos,
ocupar é um direito de muitos!

Salve, salve todo mundo que um dia chegou na Ocupação São João, e nestes quase dois anos de existência e resistência contribuiu com o calor da presença e participou de alguma das atividades, declamou no sarau, fez doações de alimentos, roupas ou livros, assistiu filmes, coloriu paredes, imprimiu personagens que ganharam vida no espaço, registrou a graça da vida em intenso movimento, realizou oficinas de artes, música, teatro e cuidado com a saúde, documentou em videos muitos momentos únicos, fez trabalhos universitários e reportagens, se emocionou com os depoimentos da gente simples e cheia de coragem que mora lá, arrancou um sorriso, riu junto e também chorou com as crianças que dão uma alegria especial para o lugar, ajudou a limpar o espaço para se reconhecer nele todo dia, a organizar as festas, enfeitar o lugar como se cuidasse de sí, que fez coro e tomou para si o lema "quem não luta, tá mort@!" caminhou com as pessoas sem teto pelas ruas do centro da cidade exigindo o cumprimento do direito fundamental a moradia digna... esta mensagem é pra você!
Neste momento, a Ocupação São João está sob ameaça de despejo. Uma primeira reunião aconteceu com as partes envolvidas sem que Prefeitura e proprietário oferecessem qualquer alternativa viável para as famílias que hoje vivem no imóvel ocupado. Uma nova reunião está marcada para o dia 5 de setembro com o objetivo de se chegar a um acordo que não prejudique as famílias, as crianças matriculadas nas escolas e quem hoje trabalha na região. Mesmo com a reunião marcada, a Justiça já sinalizou uma data para o possível despejo das famílias sem teto, o dia 11 de setembro.

Não temos muito tempo! A Ocupação São João precisa de você!

Baixe aqui o abaixo-assinado para ser entregue à Justiça paulista solicitando que a liminar de despejo das 85 famílias seja revogada e que o direito a moradia digna possa prevalecer sobre o endividamento e o abandono do imóvel. Hoje, as famlías que ocupam o imóvel dão a ele a função social de moradia que merece.

Imprima o abaixo-assinado, tire cópias, envie por email e recorra a solidariedade da sua rede de contato (saraus, escolas, faculdades, universidades, na rua ou em qualquer outro lugar). As listas assinadas poderão ser entregues na Ocupação São João, na Avenida São João, nº 588, no Centro de SP, até o dia 2 de setembro.

A solidariedade reside na mobilização!

Solidarize-se e mobilize-se!

sábado, 18 de agosto de 2012

Eu existo: Dia Nacional de Luta da População de Rua



No dia 19 de agosto de 2004, 7 pessoas em situação de rua que dormiam na praça da Sé, no centro de São Paulo, foram assassinado e outras 8 foram agredidas e gravemente feridas. A Chacina da Sé, como ficou conhecida, teve grande repercussão nacional e internacional. No entanto, apesar da cobrança por justiça feita por diversas organizações de direitos humanos, movimentos sociais e populares, até hoje não houve identificação e punição dos culpados.

Desde 2005 o Movimento Nacional da População de Rua organiza no dia 19 de agosto um ato em protesto contra a violência impune que recai sobre essa parcela da população. Essa data não foi escolhida aleatoriamente: em 19 de agosto de 2004, a Praça da Sé, em São Paulo, amanheceu manchada de sangue pela intolerância, pela violência gratuita e pela barbárie cometida contra pessoas em situação de rua.
Solidarize-se e participe do ato público seguido de passeata marcado para este domingo.
Agenda e Programação

Dia 19, domingo 19h - saída do vale do Anhangabaú rumo à Praça da Sé
20h - acampamento na Praça da Sé
21h - sarau

Dia 20, segunda-feira
9h - saída da Sé para a Faculdade de Direito do Largo São Francisco
9h30 - debate com candidatos à prefeitura de São Paulo

Afinal, a rua é nóis!




Assista o documentário Eu Existo, produzido pelo Centro Acadêmico XI de Agosto sobre a questão dos direitos humanos no centro de São Paulo. Este curta-documentário se propõe a tirar os moradores de rua da invisibilidade a qual estão condenados, colocando-os como agentes políticos capazes de expor os próprios problemas e de sugerir mudanças.

McDonald's: um cardápio de escândalos



Assista o documentário Um cardápio de escândalo (28 min.), contundente denúncia do esquema ilegal, de humilhações, exploração e de precarização do trabalho promovido pela McDonald's, uma das maiores redes de fast food no mundo e atuante no Brasil.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Sarau da Ocupa recebe o escritor Sacolinha pra lançar seu mais novo livro Manteiga de Cacau


Venha se aquecer no calor humano do Sarau da Ocupa, no centro nervoso de São Paulo. O povo tem um encontro marcado na quarta-feira, 22 de agosto, a partir das 19h30, na Avenida São João, nº 588 (próximo a Galeria Olido), pra celebrar mais uma vez a sabedoria popular no melhor estilo ritmo e poesia que já se ouviu na praça.

Nesta noite, o Sarau vai acolher o escritor Sacolinha pro lançamento do seu mais novo livro Manteiga de Cacau. O livro apresenta doze contos que abordam as crises, os conflitos , os dramas e outros aspectos do universo masculino (sem ser excludente), assuntos que incomodam, mas são evitados ou que para disfaçar a preocupação acabam virando piadas.

"- Julia, é o seguinte: eu não sei dançar.
- Como assim não sabe dançar? [...] Todos nos enganamos, de uma forma ou de outra. A gente sabe dançar, mas é outro tipo de dança. [...] Todos nós, dessa classe social, já sabemos dançar desde o nascimento. [...] Estamos aqui nesse barzinho porque bailamos a semana inteira num serviço onde somos apenas máquinas produtoras, recebendo ordens por um mísero pagamento.
Aos poucos fui ficando relaxado. [...] o que é dançar num país onde, para o povo, felicidade é carnaval, futebol, um aparelho de TV e um crediário nas Casas Bahia.
- Todo brasileiro tem um pingo de indignação contra tudo isso aí [...]. Mas agora não é hora de discutir os problemas sociais do país, vamos dançar.", dialogo do conto Eu não sei dançar!, presente em Manteiga de Cacau, de Sacolinha.

O escritor aponta já no prefácio que a pressão social de ser homem é um problema vísivel nas trajédias domésticas cotidianas. No lançamento, o livro será vendido a preço popular.

Desde suas primeiras publicações em projetos literários ousados e por isso mesmo importantes como Caros Amigos/Literatura Marginal, Ato III (2004), Sacolinha não parou de escrever e vem se tornando cada vez mais um escritor de mão cheia e com identidade própria. Escreveu outros títulos que tiveram repercussão e novas edições, teve textos traduzidos para o francês e espanhol, participou de várias antologias, escreveu prefácios, participou de revistas, escreveu dramaturgia, ganhou prêmios e mantém intensa atividade para divulgar sua obra como aulas, palestras e oficinas. Sua obstinação pela literatura fez ele ser o principal responsável pela Associação Cultural Literatura do Brasil, importante iniciativa de incentivo a literatura em Suzano, município onde o escritor reside e atualmente é Coordenador Literário pela Secretaria de Cultura. Sacolinha é um agitador cultural que tem as mãos em inúmeros projetos voltados para a literatura, sua devoção literária confunde-se com uma militância que é fonte de inspiração para novos escritores e escritoras que acreditam que a literatura é mais que a organização perfeita das palavras.

O Sarau também vai arrecadar alimentos pras famílias sem teto. Então, se puder, traga 1kg de alimento não perecível pra doação. Só não fique de fora!

Não esqueça a sua letra, poesia, rima ou ideia. Se preferir escolha ou faça na hora, sem deixar o ritmo e a poesia caírem. Em noite de Sarau, um banquete de livros é servido e fica sempre a disposição. Pode somar porque é tudo gente da gente, é tudo gente como a gente!

Confira quem passou pelo último Sarau da Ocupa, na noite em que o tambor falou mais alto e o Coletivo Cultural (Sarau) Poesia na Brasa chegou pro lançamento da Antologia Poética da Brasa, Volume IV.

Sarau da Ocupa presente nos 2 anos de Sarau Perifatividade!


Sarau Perifatividade vai comemorar 2 anos de existência e resistência com um programação imperdível no próximo sábado, dia 18 de agosto, logo alí, no Bar do Boné, na Vila das Mercês, no fundão do Ipiranga.

Atuando desde 2008 na região do Fundão do Ipiranga, zona sul de SP, o Coletivo Perifatividade realiza várias ações culturais envolvendo saraus, educação, produção cultural, web rádio, hip hop, etc, sempre levando atitude, mensagem positiva e compromisso social com a periferia.

O Sarau da Ocupa vai chegar pra somar e fotalecer a festa!

Assista o video que conta um pouco da história do Coletivo aqui.

Mais informações, acesse: Coletivo Cultural Perifatividade

Chega junto e participe! 

domingo, 12 de agosto de 2012

Afro Retratos revela mulher negra num mundo globalizado

Eu, Elaine Campos e Renata Felinto






Na exposição Afro Retratos, série de autorretratos em pintura produzidos pela artista Renata Felinto. A constituição física e o fenótipo feminino e afrodescendente constituem as bases para realização de retratos que são caracterizados e adornados a partir da observação e pesquisa de imagens de mulheres e culturas de diversos grupos étnicos mundo afora. As obras pretendem proporcionar a reflexão sobre quem é a mulher negra brasileira que vive em um grande centro urbano sujeita às mais variadas influências, estigmas e interpretações sobre sua figura e história. A exposição fica em cartaz até 18 de agosto, quando será encerrada com uma programação especial.



 
Autorretrato presente na exposição de Renata Felinto

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A cidade que queremos é inclusiva


No programa PosTV, transmitido ao vivo via internet das Casas Fora do Eixo, no último domingo (5), do qual participaram os ativistas Enrrico e Manu de Porto Alegre.


No bate papo, questões em torno de temas como ressignificação e ocupação social, cultural e de lazer de espaços públicos, bicicleta e alternativas mais humanizadas de circulação nas cidades, histórico e panorama da luta pela moradia nos grandes centros urbanos, especulação imobiliárias e privatização do espaço público, articulação das lutas populares, concentração de riqueza e desigualdade nas cidades, iniciativas e redes de coletivos e ações culturais que atuam nas margens da cidade, saraus de literatura marginal periférica e efetivação de políticas públicas para as demandas populares.
As questões abordadas no bate papo mostram que estamos muito longe da cidade que queremos para viver. Uma cidade inclusiva na qual as pessoas, cidadão e cidadãs, tenham prioridade e promova igualdade com profunda distribuição de riqueza social e cultural, material e simbólica, e que na segunda-feira vá se encontrar no Bar do Binho para mais uma noite de Sarau.



Faça Você Mesmo! Um pouco mais cedo rolou um depoimento meu e do parceiro Silvio Shina para o projeto Hardcore 90, documentário sobre a cena hardcore e punk da década de 1990. Na época, participávamos ativivamente da cena independente na feitura do fanzine politizado Punto de Vista Positivo cujas edições ultrapassaram as mil cópias xerocadas e distribuidas de mão em mão, em apresentações e cartas seledas enviadas para todo o Brasil.


Capas do Punto de Vista Positivo números 3 e 4

sábado, 4 de agosto de 2012

Sarau da Ocupa recebe o Coletivo Cultural (Sarau) Poesia na Brasa pra lançar sua 4ª Antologia de Poemas


Tambor, tambor vai buscar quem mora longe...
Ô meu tambor, que é feito de couro e pau
vai buscar todos os poetas pra falar no meu Sarau...
Ouvindo o som do meu tambor e também do berimbau
Vem chegando os poetas pra falar no meu Sarau...
O Sarau é coisa boa, com amigos é mais legal
Vem chegando os poetas pra falar no meu Sarau...
- Tambor, de Coletivo Cultural Poesia na Brasa

Ouça o chamado do tambor e venha se aquecer no calor humano do Sarau da Ocupa, no centro nervoso de São Paulo. O povo tem um encontro marcado na quarta-feira, 8 de julho, a partir das 19h30, na Avenida São João, nº 588 (próximo a Galeria Olido), pra celebrar a sabedoria popular no melhor estilo ritmo e poesia que já se ouviu na praça.


Nesta noite, o Sarau vai acolher o Coletivo Cultural (Sarau) Poesia na Brasa pro lançamento do livro Antologia Poética da Brasa, Volume IV. O livro é "um sarau impresso"! Ao todo são 47 participantes que colaboraram com textos, poemas (44 no total!) e registros fotográficos. O livro marca os 4 anos de atividade do Coletivo/Sarau e foi lançado na base do apoio e compromisso entre coletivos culturais que atuam na periferia, sendo a maioria da zona norte de SP. No lançamento, o livro será vendido a preço popular.

Em atividade desde 2008 e 11 livros lançados, o Coletivo Cultural (Sarau) Poesia na Brasa é um movimento cultural enraizado na zona norte, atua principalmente na Vila Brasilândia. Tem como objetivo produzir e divulgar a arte da periferia nos espaços de troca de ideias, do compromisso da palavra falada e de expressão dos periféricos, sejam eles um bar, escolas, centros culturais, praças, ruas ou unidades de privação de liberdade. Os poetas, poetisas e apreciadores da literatura periférica atendem quinzenalmente o chamado ancestral do tambor e participam do Sarau Poesia na Brasa, realizado com muita originalidade e independência pelo Coletivo.

Algumas palavras presentes na Antologia:

"Palavras em papéis são gritos de indignação, de denúncia, mas também são sonhos libertos, são perfumes e cores que fazem a vida amanhecer", por Sônia Bischain, na abertura da Antologia.

"... não esperamos mais, pensamos agora soluções, planejamos trabalhos que movimentem o capital da cultura para a periferia", por Coletivo Cultural Poesia na Brasa, na Apresentação da Antologia.

"Na periferia, resistimos. Da nossa forma, com pedras ou peoemas, resistimos. Os trabalhadores e periféricos se levantam. O espaço do Sarau é também um foco de resistência. Queremos um mundo que não seja dividido entre periferia e centro, entre oprimidos e opressores, entre exploradores e explorados. O trabalho do Coletivo Cultural Poesia na Brasa tem significado nada menos do que a possibilidade de realizar sonhos, de mudar pessoas, de despertar emoções adormecidas", por Flávia Rosa, no Prefácio da Antologia.

"A periferia se arma de conhecimento, a munição é o livro e os disparos vêm das letras... e é por isso que a elite teme!", por Coletivo Cultural Poesia na Brasa, no manifesto A Elite Treme, presente na Antologia.

O Sarau também vai arrecadar alimentos pras famílias sem teto. Então, se puder, traga 1kg de alimento não perecível pra doação. Só não fique de fora!

Não esqueça a sua letra, poesia, rima ou ideia. Se preferir escolha ou faça na hora, sem deixar o ritmo e a poesia caírem. Em noite de Sarau, um banquete de livros é servido e fica sempre a disposição. Pode somar porque é tudo gente da gente, é tudo gente como a gente!

Confira quem passou pelo último Sarau da Ocupa, na noite em que o poeta Victor Rodrigues esteve lá pro lançamento do seu primeiro livro Praga de Poeta.

Eu e Victor Rodrigues que lançou seu Praga de Poeta no Sarau

Poetas, poetisas e gente que aprecia
poesia com calor humano

Poetas, poetisas e gente que aprecia
poesia com calor humano

Afinal, a cultura é nossa!

[Fotos Chellmí e Ocupação Cultural]

terça-feira, 31 de julho de 2012

Encontro de troca de ideias e experiências com agentes culturais


Aconteceu hoje (30) o último encontro de troca de ideias e experiências com agentes culturais do CCJ (Centro Cultural da Juventude), na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte de SP. Vagner Souza (Coletivo Cultural Poesia na Brasa), a artista plástica independente e agitadora cultural Carolzinha Teixeira, José Soró (Quilombaque) e eu, pelo Sarau da Ocupa, falamos das nossas caminhadas pessoais e coletivas em ações culturais, sociais e políticas.


Da esquerda para a direita: José Soró, eu, Vagner e Chellmí

Carolzinha Teixeira ao centro

Temas como territorialidade, democracia, cultura, machismo, arte, direitos humanos, militarização das subprefeituras, cidade, juventude, cultura e literatura marginal periférica, saraus, gestão cultural, militância, ativismo, protagonismo, políticas públicas, rede de movimentos e ações culturais, etc, foram abordados a partir de um ponto de vista crítico, baseado em experiências vividas. O bate papo foi apresentado pelo jovem escritor Chellmí, responsável pela organização da formação.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Sarau da Ocupa recebe Victor Rodrigues pra lançar seu livro Praga de Poeta


Venha se aquecer no calor humanos do Sarau da Ocupa, no centro nervoso de São Paulo. O povo tem um encontro hoje, quarta-feira, dia 25, a partir das 19h30, na Avenida São João, nº 588 (próximo a Galeria Olido), pra celebrar a sabedoria popular no melhor estilo ritmo e poesia que já se ouviu na praça.


O Sarau vai acolher o poeta Victor Rodrigues pro lançamento do seu primeiro livro de poemas Praga de Poeta, pelo selo Edições Maloqueirista. No dia do lançamento, o livro será vendido a preço popular.

Pra quem acredita que praga de poeta não pega, o autor assegura: "praga de poeta é poesia profecia e vice-versa e verso e vício. é poesia dia a dia utopia por ofício. praga de poeta é poesia arredia. teimosa. reinício. profecia dia a dia beira de precipício. é grito de profeta. engasgado. suplício. verso maldito. escancarado. o não dito. é dedo na cara. do faraó do rei. é virgula na lei. danação do egito. veja bem onde pisa os pés. que aí vem praga. e bem mais que dez." - Em Praga de poeta, de Victor Rodrigues

O Sarau também vai arrecadar alimentos pras famílias sem teto. Então, se puder, traga 1kg de alimento não perecível pra doação. Só não fique de fora!

Não esqueça a sua letra, poesia, rima ou ideia. Se preferir escolha ou faça na hora, sem deixar o ritmo e a poesia caírem. Um banquete de livros fica sempre a disposição. Pode somar porque é tudo gente da gente, é tudo gente como a gente!

Confira quem passou pelo último Sarau da Ocupa, na noite em que o Coletivo Cicas esteve lá pro lançamento do livro e dvd A cultura em luta pela paz.


Pra você que perdeu, assista, agora na internet, o SP Cultura, quadro apresentado por Alessandro Buzo, no SPTV 1ª Edição, sobre o Sarau da Ocupa.




Afinal, a cultura é nossa!

domingo, 15 de julho de 2012

Maioria trabalhadora x Minoria corrupta


Sou trabalhador comum que depende do salário para sobreviver. Componho a maioria da população brasileira e sulamericana que para sobreviver depende de trabalho e salário. No continente africano, onde existe ilhas de riqueza, a realidade da maioria trabalhadora não é diferente. Portanto, SOMOS A MAIORIA!
Para proteger práticas mafiosas de dois dirigentes - os brasileiros João Havelange/ex-Fifa, e Ricardo Teixeira/ex-CBF - e suas relações milionárias com uma empresa de marketing - a ISL -, portanto, A MINORIA, a Fifa ofende trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, da América do Sul e de Africa ao dizer que "subornos são partes integrantes do salário da maioria da população da América do Sul e África".
A situação da classe trabalhadora nos dois continentes tem sido marcada pela precariedade e constantes derrotas e retrocessos em leis trabalhistas que pioram a condição do trabalho. As obras para o mundial de futebol ocorridas na Africa do Sul em 2010 e as obras em andameno no Brasil para 2014 e para os Jogos Olímpicos de 2016 provam isso. Se o legado das obras de infraestrutura é questionável, a situação presente é dramática.
Certo é que a maioria assalariada de sulamericanos e africanos tem trabalhado honestamente, apesar das adversidades impostas pela minoria corrupta do capitalismo sem fronteiras, que corrompe e recebe além dos lucros, subornos!

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Sarau da Ocupa recebe o Coletivo Cicas pruma noite de poesia e resistência cultural e social


Venha se aquecer no calor humanos do Sarau da Ocupa, no centro nervoso de São Paulo. O povo tem um encontro marcado hoje, a partir das 19h30, na Avenida São João, nº 588(próximo a Galeria Olido), pra celebrar a sabedoria popular no melhor estilo ritmo e poesia que já se ouviu na praça.



O Sarau vai acolher o Coletivo Cicas (Centro Inependente de Cultura Alternativa e Social) pro lançamento do livro e dvd A cultura em luta pela paz. No dia do lançamento, livro e dvd não serão vendidos, alguns exemplares serão sorteados pra quem tiver na casa.

Há 5 anos o Coletivo Cicas ocupou e recuperou um imóvel público abandonado no Jd. Julieta, na Vl. Guilherme, zona norte, e criou um centro cultural e social que é refência na região e na cidade. Localizado na Avenida do Poeta, o imóvel abandonado e sujo com muito esforço tomou a cara de um centro cultural, abrigando desde 2007 inúmeras ações culturais, mobilizando a comunidade e articulando coletivos. A Avenida do Poeta desde então erradia poesia! Em 2012, houve uma tentativa de despejar o Cicas do local. Agora, o espaço tá novamente ameaçado de despejo pela prefeitura de São Paulo. Venha saber por que e como somar na resistência. O Sarau vai arrecadar alimentos pras famílias sem teto. Se puder, traga 1kg de alimento não perecível. Não fique de fora! Traga sua letra, poesia, rima ou ideia pra trocá! Afinal, a cultura é nossa!

"A Cultura em Luta pela Paz foi um projeto idealizado e escrito em maio à todo o conflito no qual o CICAS e todos se encontravam. O livro traz depoimentos e fotos de diversos colaboradores e complementa o documentário, que mostra uma parte da história do espaço e alguns dos grupos e indivíduos que contribuíram para fortalecer a resist~encia cultural - nesse e em outros locais que também sofrem ações de repressão por parte do poder público - com cenas filmadas pela equipe e imagens de arquivo registradas por diversas pessoas. Ambos são produções coletivas, feitas a várias mãos, e só se tronaram possíveis graças ao empenho e contribuição de muitas pessoas." - Em A cultura em luta ela paz, do Coletivo Cicas.

Assista o trailer do documentário A cultura em luta pela paz.

O Sarau também vai arrecadar alimentos pras famílias sem teto. Então, se puder, traga 1kg de alimento não perecível pra doação. Só não fique de fora!

Não esqueça a sua letra, poesia, rima ou ideia. Se preferir escolha ou faça na hora, sem deixar o ritmo e a poesia caírem. Um banquete de livros fica sempre a disposição. Pode somar porque é tudo gente da gente, é tudo gente como a gente!

Confira quem passou pelo último Sarau da Ocupa, na noite em que a escritora, prosadora de mão cheia, Cidinha da Silva esteve lá pro lançamento do seu mais recente livro de crônicas Oh, margem! Reinventa os rios!.

Quem tiver interesse pelos livros da autora pode escrever diretamente pra ela (cidinha.tridente@gmail.com) ou adquirir os livros na Livraria Suburbano Convicto, que fica na Rua Treze de Maio, nº 70, sobreloja, Bixiga. Especializada em literatura marginal periférica, a livraria além de abrigar o Sarau Suburbano oferece centenas de títulos das mais variadas áreas da literatura, cds e revistas de rap, roupas e acessórios e uma atenção especial de Alessadro Buzo e família suburbano convicto. Bora lá conferir!

Clique nos links e acesse os site e blogs indicados!

Afinal, a cultura é nossa e a estrutura reforça!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

A cultura é nossa e a Livraria Suburbano Convicto reforça!

 Alessandro Buzo e eu no dia do lançamento do livro

Alessandro Buzo, o mano de mil corres, está com livro novo na praça: Profissão MC! Buzo garante que o livro, o décimo do escritor, não é o roteiro do filme dirigido por ele mesmo, em 2009, e que no momento já conta com mais de 357 mil acessos no Youtube e tem até um versão pirata nas ruas. Semelhanças com o filme são inevitáveis e lembra a vida de muitos MCs bons por aí. A escrita do Buzo é totalmente original e originalidade o autor tem de sobra. Com conhecimento de causa, Buzo leva pro romance contornos biográficos de sujeitos mais ou menos indefinidos. Histórias passadas onde as opções são raras, percalços muitos e o rebento tarda, mas nem sempre falha. Se o caminho tomado pelos personagens não é o mais facíl, a volta por cima tem sabor de vitória. Difícil não ser tocado pelo enredo e o desfecho da história apresentada no livro. E aí, descobre-se que nem sempre o final de um romance significa o final de uma história. Profissão MC, feliz lançamento da nVersos Editora, reúne um time que entende bem a história que o Buzo desenvolve no livro, Jéssica Balbino na orelha, prefácio de Daniel Ganjaman e contracapa de Criolo. Profissão MC é um presente do Buzo, escritor marginal, periférico do Itaim Paulista, suburbano convicto, pra literatura brasileira.
Adquira o livro na Livraria Suburbano Convicto, que fica na Rua Treze de Maio, nº 70, sobreloja, no Bixiga. Especializada em literatura marginal periférica, a livraria além de abrigar o Sarau Suburbano, que acontece no mesmo endereço toda terça-feira, às 20 horas, oferece centenas de títulos das mais variadas áreas da literatura, cds e revistas de rap, roupas e acessórios e uma atenção especial do próprio Alessandro Buzo e família suburbano convicto. A livraria acolhe rappers, escritores e escritoras da literatura marginal periférica, um batalhão de gente que movimenta saraus e aprecia a poesia.
A cultura é nossa e a Livraria Suburbano Convicto reforça!

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Aquilombemos!


... Como foram ousados, serei da minha parte, ousado também
Tenho o dever de falar porque não sou cúmplice
Calado, minhas noites seriam assombradas pelas memórias
Da gene que projetava na vida, sombras de esperança...
poema Quem tem medo da verdade


Recentemente fui convidado pra gravar um depoimento pro documentário Quilombos Culturais. O documentário nasceu como trabalho de conclusão de curso na área de comunicação e pretende exceder os formalismos acadêmicos por registrar parte da movimentação cultural periférica expressa nos saraus de poesia e literatura marginal realizados por coletivos da periferia de São Paulo. O caminho que o documentário tomou parece ter sofrido influência da temática que se propõem documentar! O mestre Solano Trindade já afirmava que quando se trata de cultura popular, "é preciso beber na fonte e devolver ao povo em forma de arte"!
O documentário está em fase de produção. É possível encontrar a equipe realizadora presente nos saraus da periferia de São Paulo, seja disparando versos, seja gravando, conversando com quem dispara poemas, fazendo anotações e marcando entrevistas.
Foi assim que eu conheci primeiro o Igor Carvalho e o Max Santiago numa noite de sábado no Sarau Perifatividade e já no ponto e na volta de ônibus trocamos ideias sobre cultura, literatura, saraus, periferia e o protagonismo marcante da literatura marginal periférica. Depois, conheci também a Priscila Santos e a Elisabete Aguiar também da equipe. De lá pra cá, não paramos de nos encontrar.
O documentário vem sendo produzido na raça, no suor e na fé de quem não está usando a lente pra manter uma distância do protagonismo cultural registrado, até porque é comum membros da equipe disparar poemas nos saraus que os acolhe como poetas e não documentaristas.


O documentário vai registrar alguns saraus e alguns perfis de poetas e poetisas da perferia de São Paulo. Meu depoimento pro documentário teve um significado muito forte pra mim. Primeiro pela escolha do local da gravação. A equipe se empenhou e conseguiu autorização pra gravar no inteiror do Memorial da Resistência de São Paulo, local que abrigou durante muito anos o Deops-SP (Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo), um dos principais centros de prisão e tortura da polícia política durante a ditadura militar. O local abriga hoje um museu que preserva parte da história e da memória da luta contra a repressão política em São Paulo. Lá estão disponíveis pra visita as celas onde ficaram presos políticos, breve cronologia da história Brasil e documentos do movimentos estudantil e cultural apreendidos pela censura.
Conheci muita gente que tinha passado maus momentos naquele lugar durante a ditadura. Alguns deles registraram seus nomes nas paredes de uma das celas. Histórias de pessoas que ainda hoje me emociono só de lembrar. Tem gente que não está mais ao nosso lado na caminhada da vida, mas está presente na nossa luta diária contra todas as formas de opressão cometida pelos donos do poder, pelo Estado e principalmente seu braço armado que são as polícias.
Uma geração de homens e mulheres que deram o melhor da sua juventude pra mudar o mundo pra melhor. E por ousar querer mudar o mundo pagaram com o corpo e com a alma, alguns com a própria sombra.


Não foi fácil falar sobre a minha caminhada, até porque sempre me confundi com quem esteve todo tempo ao meu lado. Sempre fui a primeira pessoa do plural e talvez por isso sempre tivesse com quem me aliar com dignidade, respeito, humildade. Falar de mim, portanto é falar da gente! E falar da gente é falar de todo mundo que compõe a caminhada!
No meu depoimento pro documentário, falei sobre minhas memórias que eu mesmo nunca tinha ouvido, por isso mesmo me surpreendi. Falei das minhas influências, praticamente figuras humanas e acolhedoras. Falei sobre o Sarau da Ocupa que hoje apresento na Ocupação São João, e que é a periferia no centro nervoso de São Paulo! Assim como tudo que já fiz, apresentar o Sarau no contexto da luta pela moradia não é mero acaso. É parte da atual caminhada!
Além das memórias, disparei o poema Quem tem medo da verdade que denuncia velhos torturadores e anuncia a chegada da verdade porque só ela pode levar a justiça.

Equipe realizadora do documentário Quilombos Culturais

O Quilombo do título do documentário parece querer anunciar o sentido de refúgio libertador, acolhimento entre os iguais, fortalecimento na presença física, no companheirismo, na exaltação da memória dos ausentes, na cumplicidade pela palavra escrita e falada e na resistência pra manter o espaço livre da cultura excludente e dominante. Aquilobemos!

[Fotos equipe Quilombos Culturais]