Assistaí o diálogo comigo e Luiza Romão, no programa Melhor e Mais Justo, apresentado por Tuto na Rede TVT, a tevê da classe trabalhadora.
No diálogo, passamos a limpo os motivos que levaram a movimentação #PeriferiasContraoGolpe, mobilização iniciada em São Paulo e presente em diversas periferias brasileiras.
Na roda, histórias e protagonismo das mulheres nas lutas sociais nas
periferias, a defesa da democracia e dos direitos humanos,
democratização da comunicação e, claro, poesia contra o golpe.Confira!
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domingo, 1 de maio de 2016
Assistaí, Periferias Contra o Golpe na rede TVT
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sábado, 30 de janeiro de 2016
Em SP, Jornada de Educação Popular discute "Educação como movimento social"
Se ligaí! | Daqui a pouco, às 14h, participo da Jornada de Educação
Popular, no diálogo Educação como movimento social, com Fernanda Elisa
Pansica, militante pela Educação e professora de Português na rede
estadual e municipal de São Paulo; Jupiara Castro, funcionária da
Faculdade de Medicina da USP e fundadora do Núcleo de Consciência Negra
na USP; Ruivo Lopes, educador popular, agitador cultural e ativista dos
Direitos Humanos; e Silvia Lopes Raimundo, doutoranda Geografia
Humana/USP, é pesquisadora de formação do território urbano nas
periferias SP. O Núcleo Pele (Grajaú/ZS) promoverá a apresentação de
encerramento. Organizada pelo Curso Mafalda, a Jornada é aberta e gratuita, inscreva-se: http://goo.gl/forms/2Zy0Ya96VU
ou direto na Universidade Cidade de São Paulo (R. Cesário Galeno, nº
448, Tatuapé, próximo ao metrô Carrão, zona leste de SP). Participe!
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
Mais um ano que promete!
Olá! Espero encontrar você bem! Esta é a primeira publicação do ano neste blog sobre Poéticas Políticas. Selecionei aqui algumas publicações que fiz no facebook desde primeiro de janeiro. Como no facebook além de efêmero tudo é relativo, espero que você encontre aqui algumas informações recuperadas de lá que considero perenes e pertinentes. Aproveito para agradecer cada minuto seu dedicado a este blog. Nos vemos no decorrer de 2016!
Educação por atacado em SP | Em documento enviado ao Ministério Público de SP, a Secretaria de Estado da Educação já tinha admitido "redução de despesa" com a tentativa de "reorganização escolar", suspensa devido a mobilização dos estudantes que promoveram inédita ocupação das escolas no final do ano passado (http://goo.gl/G7gsJv). Derrotada, a SEE acaba de oficializar a superlotação das salas das escolas públicas estaduais. Por meio de resolução (http://goo.gl/P6VWLK) as salas poderão comportar 33 estudantes nos anos iniciais, 38 nos finais e 44 no ensino médio, com a possibilidade de acrescimo em 10% em cada uma delas (http://goo.gl/Z1izXr), inclusive as de Educação de Jovens e Adultos. A redução da quantidade de estudante por sala é reivindicação antiga de professores (http://goo.gl/gKPXMl) e também dos estudantes que protagonizaram as ocupações das escolas (http://goo.gl/gkFbZz), ambos amparados pelo parecer nº 8/2010 do Conselho Nacional de Educação (http://goo.gl/4yG37E, pág. 19) no qual prevê a relação adequada entre o número de estudantes por turma de modo que permita uma aprendizagem de qualidade. A SEE afirma que atender as exigências do parecer do CNE "é impossível do ponto de vista orçamentário". Com base no Idesp, reportagem do Estadão já tinha demonstrado que a quantidade inadequada de estudantes por sala tem impacto negativo no processo de aprendizagem que envolve professor e estudantes (http://goo.gl/h8QI1Y). Em SP, educação segue por atacado!
Ainda falta debate sobre transporte em SP | Durante os protestos de junho de 2013, o prefeito de São Paulo determinou a criação do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito, instância participativa e democrática para a discussão sobre as políticas públicas do transporte coletivo - que um dia foi público e não é mais, faz tempo, desde que o poder público passou a tentar exercer apenas o papel de regulação da concessão das empresas que dominam e exploram o setor. Na época, o MPL se recusou a participar do Conselho, optando pela ocupação e debate em praça pública. No portal da Secretaria Municipal de Transportes, a última ata disponível do CMTT é de outubro de 2015. Não há nenhuma menção ao reajuste da tarifa municipal. A última reunião aconteceu no dia 16 de dezembro e a pauta principal era a "Apresentação do Plano Municipal de Mobilidade Urbana", um conjunto de ações na área previstas para os próximos 15 anos na Cidade (http://goo.gl/P1m7py). A ata da reunião ainda não esta disponível e, portanto, não tem como saber se o reajuste das tarifas também foi discutido no Conselho (http://goo.gl/hfsrNC). No entanto, no link "Reajuste Tarifário", a prefeitura disponibiliza "relatório que embasa a alteração de tarifa vigente a partir de 09/01/16", "encaminhado à Câmara Municipal em 30/12/15" (http://goo.gl/Dxbb4F). Em um ano em que a prefeitura da Cidade será cobiçada, a prefeitura atribui o reajuste a uma medida técnica e não política, como se o esforço para combinar o reajuste com o governo do estado não fosse político, mas técnico. E mais uma vez o reajuste veio sem discussão, sem participação. Não há como evitar o custo político de decisões como esta, principalmente quando os meios são equivocados. A violência policial, como sempre, é bestial, mas não pode desviar o foco do debate!
Por uma história simultânea | O historiador britânico, nascido no Egito, Eric Hobsbawm (1917 - 2012) em passagem pelo Brasil, em 1995, proferiu a conferência "O presente como história: escrever a história de seu próprio tempo". Na época, o historiador tinha lançado seu "A era dos extremos". O registro da conferência foi publicado na revista Novos Estudos nº 43 (http://goo.gl/yfq39J). Nele, o historiador reflete sobre os desafios de escrever a história do seu próprio tempo. Mas vai além, reconhece e questiona o consenso sobre os marcos da história. "Provavelmente não há mais do que meia dúzia de datas que são marcos simultâneos nas histórias distintas de 'todas as regiões' do mundo". No entanto, "Se existe tal consenso, em que medida ele é permanente, em que medida é sujeito à mudança, à erosão, à transformação, como e por quê?". A reflexão feita pelo historiador nos ajuda a situar o debate acalorado que tem dividido historiadores/as no Brasil desde que o Ministério da Educação colocou em debate a proposta da Base Nacional Comum Curricular (http://goo.gl/p17n1a). Qualquer pessoa pode enviar contribuições ao texto. Considero oportuna a proposta de abordagem sobre o desenvolvimento simultâneo da história sobre diversos aspectos como também a inserção de fatos e agentes esquecidos pela historiografia oficial. Já a ala conservadora, aceita mudanças desde que a perspectiva eurocêntrica "fique como está". Contra os últimos, Hobsbawm já alertara: "o maior pecado dos historiadores é o anacronismo". O debate seguirá em 2016, ano de conclusão do texto definitivo da BNCC, assim, pretendo voltar ao assunto em breve!
This is my man! | Não me considero nem apocalíptico nem integrado em relação ao Brasil deste século XXI. Mas justiça seja feita. O então presidente Lula não precisou chorar perante o país para aprovar o Estatuto do Desarmamento em 2003 - o qual a bancada da bala quer dilapidar a todo custo (http://goo.gl/jwKF9j). A proposta do Estatuto contava com mobilização e apoio social. Não é de hoje que os Estados Unidos precisam de um Estatuto do Desarmamento interno... e também externo. Na primeira opção poderiam aprender com o Brasil, como tentaram fazer com o SUS (Sistema Único de Saúde), mas a bancada da saúde privada de lá não permitiu que a proposta avançasse. Já no segundo caso, se fosse viável, Barack Obama entraria pela segunda vez para a história e quem sabe Lula retribuiria o agrado feito pelo colega!
Fim dos autos de resistência | Próximo de completar dez anos dos Crimes de Maio, quando ao menos 505 civis foram assassinados por arma de fogo entre os dias 12 e 26 de maio de 2006, no estado de SP, finalmente virou resolução normativa uma antiga reivindicação do Movimento Mães de Maio, formado por familiares, principalmente mães, das vítimas de violência das policias, e outros movimentos, organizações e órgãos de defesa dos direitos humanos, a abolição do uso dos termos "auto de resistência" e "resistência seguida de morte" nos boletins de ocorrência e inquéritos policiais em todo o território nacional (http://goo.gl/4gvgHf). Em setembro, policiais militares foram filmados quando forjavam troca de tiros para justificar o homicídio do adolescente Eduardo Felipe Santos Victor, de 17 anos, no Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio. Os policiais tinham registrado o caso como "auto de resistência" (https://goo.gl/zpHYQn). Em recente relatório, a Human Rights Watch aponta um aumento de 97% no número de mortes decorrentes de ações policias em SP, que foram de 369, em 2013, para 728 em 2014. No RJ, foram 416 mortes por essas causas em 2013 e 582 em 2014, um crescimento de 40% (http://goo.gl/taqgPO). Só em SP, entre janeiro e novembro de 2015, de acordo com dados da SSP, foram registrados 532 mortes por intervenção de PMs em serviço (http://goo.gl/jFrFpH). A maioria das vítimas são jovens, negros, moradores de morros, favelas e periferias. Com a resolução, além da abertura do inquérito policial, o Ministério Público deverá acompanhar cada caso!
Para tod@s tudo em 2016! | Das montanhas do Sudeste Mexicano, palavras do EZLN pelo 22º aniversário: "Companheiros e companheiras, todos e todas, estamos seguros que vamos conquistar um dia o que queremos, para todos tudo, ou seja, nossa liberdade, porque agora nossa luta está avançando pouco a pouco e nossas armas de luta são nossa resistência, nossa rebeldia e nossa palavra verdadeira que não há montanha nem fronteiras que podem impedir que chegue até o ouvido e corações de outros irmãos e irmãs no mundo inteiro". Leia a íntegra no facebook aqui: https://goo.gl/qjJH1r! [Tradução Ruivo Lopes, publicado originalmente em Enlace Zapatista http://goo.gl/gcr84r]
Desconforto da História | A crônica do jornalista Gilles Lapouge "As 'mulheres de conforto'", publicada no Estadão (31, http://goo.gl/cTF2KF), revela uma história de crimes de guerra e de Estado que não se apagam com o tempo. As 46 mulheres coreanas sobreviventes, das 200 mil, feitas escravas sexuais de soldados japoneses durante a 2ª Guerra, ficaram 70 anos invisibilizadas e portanto ficaram de fora dos acordos estabelecidos entre Japão e Coreia do Sul. Só agora o Japão reconheceu pela primeira vez sua responsabilidade pelas "mulheres de conforto" e indenizar as hoje idosas sobreviventes. São feridas sensíveis e difíceis de cicatrizar. No Brasil, a ativista dos direitos humanos Amelinha Teles revela que durante a ditadura "O estupro era uma política de Estado. Era uma prática, não eram exceções. O estupro tem sido usado no mundo inteiro como uma arma de guerra. Aquilo foi uma guerra contra o povo e eles usaram o estupro também. Era uma forma de dominação: eu controlo suas ideias, eu controlo seu corpo”, disse em entrevista publicada pela Opera Mundi (http://goo.gl/Kn6puw). O relatório final da Comissão Nacional da Verdade divulgado em 2014 traz um capítulo exclusivo sobre casos de violência sexual e estupros cometidos por agentes do Estado durante a ditadura (http://goo.gl/soLmgO). Ao contrário dos que pensam que graves violações de direitos humanos, independente do contexto e época, são páginas viradas, graças aos sobreviventes, neste caso todas mulheres, o assunto saiu da caverna da história!
domingo, 20 de setembro de 2015
Em Santo André, Coletivos e Pontos de Cultura debatem Livro, Leitura e Movimentos Culturais
Se ligaí! | Nesta segunda, dia 21, às 20h, os Coletivos e Pontos de
Cultura convidam para o Debate sobre Livro e Leitura e Movimentos
Culturais no Gambalaia Espaço de Artes, na Rua das Monções, nº 1018, Santo André (SP) - veja como é fácil chegar: https://goo.gl/maps/PNKoE3eGQAR2.
Na roda, a experiência paulistana na elaboração do Plano Municipal do
Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca e a emergência dos movimentos
culturais na conjuntura social e política brasileira. Compartilhe e
participe!
domingo, 7 de junho de 2015
Movimento Negro dá recado: a luta não acabou!
Em ato do 13 de maio, Movimento Negro dá recado: a luta não acabou!
Manifestação
reuniu diversas entidades que denunciaram o racismo, pautaram a necessidade das
cotas raciais nas universidades e instituições públicas e a luta contra a
redução da maioridade penal
Por Simone
Freire, de São Paulo (SP)
Cartazes,
bandeiras, palavras de ordem e dezenas de pessoas levaram uma mensagem às ruas
nesta quarta-feira (13), no centro de São Paulo: a luta do negro no Brasil não
acabou após a Lei Áurea, que concedeu liberdade aos escravos em 1888.
O "13 de
Maio de Luta" reuniu entidades do movimento negro, como Uneafro e rede
Emancipa, movimentos como o Levante Popular da Juventude e integrantes da rede
de cursinhos populares, professores e estudantes.
A manifestação
saiu do Largo da Batata, na região oeste da capital, ocupou uma das faixas da
Avenida Rebouças, e se dirigiu para a Universidade de São Paulo (USP). O ato
seguiu pelo interior da universidade até à frente da Faculdade de Economia e
Administração (FEA), onde foi realizada uma assembleia.
Pós-abolição
As falas dos
participantes salientaram que, além do 13 de maio, o 14 de maio, primeiro dia
pós-abolição, foi o mais importante para a luta afrodescente, uma vez que
milhares de negros e negras se viram desamparados pelo Estado e pela sociedade,
precisando buscar formas de sobrevivência e de conquistar seus direitos.
É o que aponta o educador e integrante do Coletivo Literário Perifatividade, Ruivo Lopes.
Segundo ele, o dia 14 de maio já dura mais de cem anos, pois "junto com a
abolição da escravatura não veio a restituição das terras que foram roubadas,
não veio a restituição de todo o trabalho empreendido durante a escravidão no
país, que ajudou a construir toda a sua riqueza. Até hoje esta luta pela
reparação histórica é permanente".
Estatísticas e
episódios rotineiros de racismo comprovam que é negada à população negra as
mesmas condições de vida na sociedade. Para Wagner Tito, do coletivo de
Esquerda Força Ativa, o que o Brasil vive hoje é uma abolição inacabada.
"Ainda
vivemos no 14 de maio porque o Brasil tem uma dívida histórica com o nosso
povo. Não adianta achar que nós somos libertados, livres porque em uma
sociedade escravista, capitalista e machista, nós temos que lutar contra todas
as formas de opressão. E a luta contra o racismo se faz fundamental. Seja você
branco ou negro, independente de etnia, a luta contra o racismo é uma luta de
humanos contra esta doença que não precisa existir", apontou.
Genocídio
Cantando
"Acabou o amor, vai ter cotas na USP, sim senhor", o movimento negro
também levou para às ruas, nesta quarta-feira, a necessidade das cotas raciais
nas universidades e instituições públicas.
Foi este o
principal apontamento feito por Milton Barbosa, um dos fundadores do Movimento
Negro Unificado (MNU), que foi ovacionado pelos manifestantes. "A
universidade pública não pode ser só para brancos e ricos", disse.
A luta pela não
redução da maioridade penal e contra os projetos de ampliar as terceirizações
no país também foram lembradas na marcha, além da denúncia do genocídio da
juventude negra em favelas e periferias das cidades.
Cláudia Silva,
empregada doméstica; Amarildo, ajudante de pedreiro; Douglas (DG), dançarino, e
as centenas de vítimas assassinadas todos os anos pela Polícia Militar, foram
evocados durante todo o trajeto.
"Se bandido
bom é bandido morto, por que Alckmim, Maluf, família Saney, ainda concentram
riqueza e estão vivos?", ironizou uma das integrantes do Levante Popular
da Juventude ao microfone.
Fundado por funcionários, estudantes e professores em 13 de maio de 1987, o Núcleo de Consciência Negra da USP (NCN) também foi parabenizado. Maria José Menezes, coordenadora do NCN, fez questão de lembrar da importância de se resgatar e destruir os estereótipos atribuídos à cultura e tradição dos negros.
"Nós
civilizamos o mundo, somos os pensadores. Nós precisamos nos apoderar desse
conhecimento e mostrar para nossos jovens", disse.
Fotos: Simone Freire
Publicado originalmente em Brasil de Fato.
Fotos: Simone Freire
Publicado originalmente em Brasil de Fato.
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Festival exibe filmes políticos e promove debate sobre protestos e criminalização dos movimentos sociais
Nem perseguições, nem
montagens: LUTAR NÃO É CRIME!
Prévia do III Festival do
Filme Anarquista e Punk de São Paulo, 2014
Em junho de 2013, uma multidão tomou as ruas de São Paulo para exigir
a anulação do aumento das tarifas de transporte. Durante anos denunciando o
controle privado das catracas do transporte público, o Movimento Passe Livre
protagonizou uma onda de protestos que logo tomaria as ruas de outras capitais
do país. Os vinte centavos a mais na tarifa foram a gota d’água para mostrar aos
donos do poder que nunca se deve subestimar a capacidade de indignação do povo.
Herdeiro de movimentos sociais sem liderança definida, assembleísta, organizado
horizontalmente, reunindo os de baixo e os mais diversos coletivos, organizações
e sujeitos, todo mundo “contra o aumento” da passagem. Manifestações chamadas
rapidamente pelas redes digitais, em curto espaço de tempo e cada vez maiores,
paralisando a capital mais acelerada do país, de imediato foi dura e
seguidamente reprimida pela Polícia Militar com o apoio de grandes veículos de
comunicação. Dias depois, os donos do poder recuaram e anularam o aumento das
tarifas.
E veio a Copa do Mundo de 2014 e com ela leis e ordem de exceção. E
para o desespero dos donos do poder vieram também mais protestos. Orientada,
equipada e determinada a impedir que os protestos ganhassem a mesma proporção do
ano anterior, as policias atuaram em conjunto para reprimir, prender e fichar
manifestantes. Outro componente entrou em cena para intimidar os protestos, o
Judiciário. Por um lado, a polícia efetua prisões, forja flagrantes, recicla o
entulho jurídico da ditadura, transforma objetos de uso doméstico em armas mais
letais que as suas próprias, dificulta o acesso da defesa e intimida
manifestantes em suas casas e emite chamados para depor no mesmo dia e hora das
manifestações. Por outro, promotores públicos acolhem as montagens e sem nenhum
questionamento fazem a denúncia para juízes que determinam
prisões.
Qualquer ativista terá sempre uma história como essa para contar.
Hoje ela se passa numa grande cidade. Mas amanhã, ela poderá bater na sua porta
e quem sabe até você poderá ser alçado a personagem de uma história de
perseguição e montagem.
A Prévia do III Festival do Filme Anarquista e Punk de São Paulo
exibirá três produções documentais recentes, um curta e dois longas, sendo um da
Espanha, um do Chile e um da Bolívia, exibidos no Brasil apenas na II edição do
Festival (2013), na qual foram destaques, que abordam a criminalização das lutas
sociais naqueles países e o revide em forma de solidariedade e resistência
coletiva.
Para discutir o tema “Lutar não é crime”, o Festival convida
militantes do Movimento Passe Livre de São Paulo e Rodolfo Valente, da Rede 2 de
Outubro, para um bate papo mediado por Igor Carvalho, jornalista da Revista
Fórum e SPressoSP, depois das sessões. E para fechar a programação, o
punkjazzrock libertário da Ordinária Hit!
Programação
15h
De Montagem em Montagem (2013, Doc., 9m16s., Chile - legendas em
português)
Montagem: Caso Bombas (2013, Doc., 81m., Chile - legendas em
português)
16h30 | Intervalo
17h | 4F - Nem esquecimento, nem perdão (2013, Doc., 110m., Espanha –
legendas em português)
19h | Bate papo: Lutar não é crime, com Militantes do Movimento Passe
Livre São Paulo e Rede 2 de Outubro.
21h | Apresentação: Ordinária Hit (SP)
Sinopses:
De Montagem em Montagem
(Documentário | 9:16 min. | Productora de Comunicación Social | Chile
- legendas em português)
O curta “De Montagem em
Montagem” denuncia as fraudes de montagens policiais na tentativa de incriminar
judicialmente anarquistas apoiadores da luta dos povos do TIPNIS. No dia 29 de
maio de 2012 em La Paz e Cochabamba, Bolívia, 12 casas particulares foram
invadidas pela polícia à procura de 13 pessoas. Elxs estavam sendo acusados de
tentativa de homicídio e terrorismo, além de lhe atribuírem a fabricação de
artefatos explosivos. Tudo isto construído num contexto de mobilização social
pela luta dos povos indígenas em defesa do TIPNIS e antes da reunião da OEA, em
Cochabamba. A operação policial invadiu as casas sem a presença de alguns dos
acusados, oferecendo a opinião pública provas insuficientes, tais como máscaras
ou patches punks.
Montagem: Caso Bombas
(Documentário | 81 min | 2013 | Chile - legendas em
português)
Através de diversos depoimentos, o documentário “Montagem: caso
bombas” constrói um sólido relato que narra de forma crítica e explicativa as
diversas situações e acontecimentos relacionados com o conhecido “Caso Bombas”,
um caso de montagem político-policial contra diversos grupos e anarquistas no
Chile que recentemente teve seu desfecho.
4F – Nem esquecimento, nem perdão
(Documentário | 110 min | 2013 | Espanha – legendas em
português)
Barcelona: uma festa em um prédio ocupado termina em conflito com a
polícia e um policial fica em estado vegetativo após ser golpeado na cabeça por
um vaso que cai de uma das sacadas. Sem que se pudesse encontrar culpados para o
acidente, a polícia inicia todo um processo de montagem policial e
criminalização que levou ao cárcere companheirxs envolvidxs com o movimento
okupa na Espanha. Este documentário trás a tona a verdade sobre o caso 4F, um
caso emblemático que gerou intensa mobilização de apoio por parte de movimentos
sociais espanhóis.
Movimento Passe Livre São PauloO Movimento Passe Livre (MPL)
é um movimento social horizontal, autônomo, independente e apartidário que luta
pela adoção da Tarifa Zero para o transporte público. Protagonizou os protestos
de junho de 2013 que resultou no cancelamento do aumento das tarifas em São
Paulo.
Saiba mais: www.saopaulo.mpl.org.br
Rede 2 de Outubro
A Rede 2 de Outubro é composta por um conjunto de organizações,
movimentos sociais e grupos culturais que partilham a percepção de que a
dinâmica social que produziu o Massacre do Carandiru (1992) ainda continua
vigente e segue a fomentar massacres cotidianamente. A Rede promove reuniões,
seminários, debates e outras atividades com o objetivo de denunciar e debater as
origens e o significado das terríveis condições de encarceramento, do caráter
seletivo do sistema penal e prisional, do uso desmedido da violência pelo Estado
com evidente corte racial e de classe, entre outras
questões.
Saiba mais: www.rede2deoutubro.blogspot.com.br
Ordinária Hit (SP)
A vida ordinária tocada em hit. Prática conforme a música, ordenada
em duas vias. Não ligue, é barulho convencional: não canto sem refrão,
eletricidade, bateria, guitarra, baixo e um pouco mais de corda... Só que tudo
de ponta cabeça, punk e a ética do faça-você mesm@.
Saiba mais: http://ordinariahit.bandcamp.com/
Realização: Festival do Filme Anarquista e Punk de São Paulo
Do Morro Produções, Imprensa Marginal & Projeto
Espremedor
Saiba mais: www.anarcopunk.org/festival
Apoio: Matilha Cultural
Saiba mais: www.matilhacultural.com.br
Agenda
31 de agosto (domingo), às 15h
Matilha Cultural, Rua Rego Freitas, nº 542, República, centro de
SP
Telefone: (11) 3256-2636
Confirme sua presneça aqui: https://www.facebook.com/events/367057246781710
GRATUITO!
*No local haverá venda de bebidas e alimentos veganos e
vegetarianos.
**Haverá também distribuição e venda de materiais “faça você também”
da cultura libertária (fanzines, livros, discos, etc.) a preços
populares.
***Espaço amigo da criança, ciclistas e
cachorros.
domingo, 10 de agosto de 2014
Brasil Perifa: moradia digna, cultura e educação popular, direito à cidade, movimentos sociais e ativismo
Assistaí! | Na última quinta (7), com a equipe do BrasilPerifa/Perifa Livre (Revista Fórum/SPressoSP) sobre moradia digna, cultura e educação popular, direito à cidade, movimentos sociais e ativismo. Na roda Ivaneti Araujo (Comunidade Mauá), Guilherme Boulos (Mtst Trabalhadores Sem Teto), vereador Nabil Bonduki (PT), relator do Plano Diretor Estratégico de SP, eu e os livros. Existe uma cultura própria dos movimentos sociais que é a expressão da luta, da solidariedade e da liberdade. Compartilho com você as reflexões deste encontro!
quinta-feira, 11 de julho de 2013
Horizontalidade na luta de classes: a hora e a vez da periferia!
Horizontalidade na luta de classes
Por José Francisco Neto/Brasil de Fato
Quanto mais essa horizontalidade politizada, afinada com os princípios coordenados coletivamente, os movimentos sociais e populares serão mais fortalecidos
Desde o início que cobravam a diminuição das tarifas do transporte público, o Movimento Passe Livre (MPL) não demonstrou interesse em se destacar como o protagonista dos protestos que se alastraram pelo país. Pelo contrário. Em todas as entrevistas concedidas à imprensa, integrantes do movimento disseram que “essa luta quem faz é o povo”.
Diferentemente de outros movimentos sociais, o MPL se organiza de maneira horizontal, ou seja, na busca pela igualdade de participação política. A comunicação se dá entre todos do grupo, e a adesão a uma proposta se faz por convicção, como declara Matheus Preis, integrante do movimento
“Todo mundo tem espaço para participar das deliberações coletivamente. Nesse sentido, a gente acaba tomando decisões mais acertadas por terem mais pessoas participando do processo da discussão da linha política do coletivo,” declara.
Apartidarismo
O apartidarismo também está na base do movimento, mas isso não significa que ele seja antipartido. Os partidos políticos são bem-vindos nas manifestações, mas não participam do MPL enquanto organizações. Pessoas filiadas a partidos podem aderir ao movimento enquanto indivíduos.
Preis acredita que a adesão popular, tanto nas ruas quanto no movimento, tenha sido motivada por conta da não ligação partidária do MPL e das decisões tomadas coletivamente.
“Nós achamos que nenhum militante deve participar mais do que outros de maneira determinada. A gente estabelece uma relação muito forte devido à horizontalidade, por isso, construímos sempre com o coletivo, todo mundo junto.”
Para Ruivo Lopes, membro do coletivo Sarau Perifatividade, da zona sul de São Paulo, o MPL deu um grande exemplo de organização que permitiu maior participação nos debates.
“Quanto mais essa horizontalidade politizada e afinada, sobretudo com os princípios coordenados coletivamente [for posta em prática], sem dúvida, os movimentos sociais e populares serão ainda mais fortalecidos. A gente não pode desperdiçar esse exemplo”, avalia.
Grazi Massoneto, integrante do movimento Ocupa Sampa, que atuou em manifestações em São Paulo no ano de 2011 e 2012, avalia que a horizontalidade permite mais diálogo por ser mais aberta.
“Com a horizontalidade, ninguém precisa se preocupar em aceitar o que alguém de cima falou, pois não existe esse ‘de cima’. As pessoas são mais livres para manifestar seu pensamento”, explica.
Atuante em movimentos sociais há 30 anos, Givanildo Manoel (Giva), hoje militante do PSOL, diz que sindicatos e partidos de esquerda sempre lutaram para que as relações fossem as mais horizontais e democráticas possíveis. No entanto, ele explica que o processo de burocratização e institucionalização foi dando espaço para uma estrutura mais verticalizada, retirando parte do protagonismo dos trabalhadores.
“O êxito das lutas [do MPL] nesse último período oxigenará, possibilitando mudanças importantes nas organizações de forma geral.”
Atuação nas periferias
Além da luta contra o aumento das tarifas, o MPL realiza atividades sobre o transporte público em bairros afastados do centro da cidade. Além disso, também apoia outras lutas de movimentos sociais, como, por exemplo, as organizações que lutam por moradia.
Fernando Ferrari, militante do Luta Popular, movimento que atua nas periferias de São Paulo e em outras regiões, reconhece a participação do MPL como fundamental para dar continuidade nas ruas. “O MPL foi um movimento que deu um ponta pé inicial para a retomada das ruas. O MPL foi primordial para lutar por um movimento que é de todos”, afirma.
Preis aponta que o movimento sempre busca a participação popular para que todos tenham maior apropriação da pauta. Para ele, é mais produtivo quando as pessoas participam das discussões. “Então a gente não chega lá [nas periferias] para dar palestra. A gente chega para discutir mesmo, de uma forma mais horizontal”, conclui.
Publicado originalmente em Brasil de Fato.
A hora e a vez da periferia
Por José Francisco Neto/Brasil de Fato
Através das diversas atividades que são realizadas pelos grupos da periferia, a gente reforça durante as nossas atuações para não dar qualquer espaço para que nazifascistas se aproveitem da situação
Quando o assunto é transporte público de má qualidade fica evidente que o usuário mais comum é o morador de bairros periféricos. Quando se fala em violência policial, hospitais lotados, moradia precária e falta de saneamento básico, as vítimas continuam sendo as mesmas pessoas. Por esses e outros motivos é que a periferia resolveu descer do morro para o asfalto de forma conjunta para reivindicar melhorias nos serviços públicos localizados.
Aproveitando o calor das manifestações que explodem no país inteiro, o momento não poderia ser melhor. De meados para o fim de junho, milhares de pessoas ligadas a movimentos populares e culturais se juntaram aos trabalhadores e saíram às ruas do Campo Limpo, de Guaianazes e do Capão Redondo. O Movimento Passe Livre (MPL), que iniciou as manifestações pela redução da tarifa em São Paulo, também esteve presente nas manifestações.
“Com a ida às periferias, os movimentos e os trabalhadores ganham força, conscientização e clareza de objetivos, de amigos e inimigos, para voltar ao centro da cidade e tomar as ruas de forma mais coesa, com maior unidade entre seus dirigentes e com mais firmeza de suas exigências”, avalia Helena Silvestre, do Movimento Luta Popular.
Neofascistas
Entretanto, além dos problemas enfrentados cotidianamente nas periferias, um outro agravante fez com que as pessoas e os movimentos populares se unissem ainda mais. No dia 20 de junho, durante o ato comemorativo do MPL na avenida Paulista, movimentos sociais e partidos de esquerda foram duramente expulsos à pancadaria por grupos de skinheads, considerados pelos movimentos como “neofascistas”. O que era para celebrar a vitória pela redução das tarifas do transporte público, terminou em agressividade e violência.
Diante desse episódio que abalou as organizações populares, dois dias depois foi convocada uma reunião no Sarau da Cooperifa, na zona sul de São Paulo. Artistas, lideranças comunitárias, militantes de coletivos culturais e movimentos sociais das periferias se reuniram para discutir o atual cenário político do país, avaliado pelos presentes como imprevisível e alarmante.
Ruivo Lopes, integrante do coletivo Perifatividade, que realiza saraus na zona sul da capital paulista, participou da reunião. Ele ressaltou a importância de a periferia se organizar ainda mais em momentos como esse.
“Através das diversas atividades que são realizadas pelos grupos da periferia, a gente reforça durante as nossas atuações para não dar qualquer espaço para que nazifascistas se aproveitem da situação”, declara.
E, realmente, não tiveram espaço. Milhares de pessoas tomaram às ruas nos últimos dias de junho de forma pacífica, bloquearam avenidas e gritaram pelos seus direitos.
Seguir na luta
Após o ato realizado no dia 25 de junho pelos movimentos sociais e culturais das periferias, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), se reuniu com integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e do movimento Terra Livre. Foram discutidas questões como moradia, transporte e reajuste do auxílio-moradia.
Durante uma coletiva de imprensa, o governador anunciou que reajustará o valor do auxílio de R$ 300,00 para R$ 400,00.
“Vamos igualar o benefício para os moradores da região metropolitana, onde o aluguel é mais caro”, explicou.
Presente na reunião, Thais Miranda, integrante do movimento Terra Livre, considera que, apesar do avanço no diálogo, só aumentar o bolsa aluguel é uma medida paliativa.
“Mas isso tem que servir pra gente seguir na luta. As pessoas estão com esse sentimento que só a luta muda a vida. Isso tem que servir para a gente seguir o nosso trabalho de base”, diz.
Publicado originalmente em Brasil de Fato.
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