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quinta-feira, 12 de março de 2020

Em SP, Comissão da Verdade "Rubens Paiva" completa 5 anos com seminário "Lembrar, atualizar e propor"

Se ligaí! 

Participe do Seminário 5 anos da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo "Rubens Paiva": Lembrar, atualizar e propor, que será realizado no dia 13, das 9h às 21h, Centro Universitário Maria Antonia (R. Maria Antônia, nº 258, Vila Buarque, região central de SP).

Coloque na agenda!

SEMINÁRIO Comissão da Verdade do Estado de São Paulo "Rubens Paiva", 5 anos depois | TERRORISMO DE ESTADO: DA DITADURA AO DESGOVERNO ATUAL*

*Programação completa*

9:00 - 9:30 Abertura Performance a partir do caso de Ana Rosa Kucinski.
Fernanda Azevedo (Cia Kiwi de Teatro)

9:30 - 10:50 Apresentação do trabalho da Comissão e de seu relatório
Adriano Diogo, Amelinha Teles, Pádua Fernandes, Renan Quinalha e Vivian Mendes

11:00 - 12:20 Mesa 1 - Mortos de Desaparecidos: A luta hoje por Memória, Verdade e Justiça

_Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos_
Vera Paiva (filha de Rubens Paiva) membro da comissão

_Grupo de Trabalho das Ossadas de Perus do CAAF-Unifesp_
Edson Teles apresenta a situação atual do trabalho

_Comissões da Verdade das Universidades_
Rosalina Santa Cruz apresenta caso inédito de desaparecido da PUC-SP

_A participação da sociedade civil na Comissão da Verdade_
Suzana Lisboa, Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos
Eduardo Valério, Promotor de Direitos Humanos do Ministério Público de São Paulo
Rafael Oliveira, Defensoria Pública do Estado de São Paulo

12:30 - 14:00 Almoço
O concerto do Octeto da Osusp

14:00 - 15:30 Mesa 2 - Graves violações de Direitos Humanos

Depoimento do _maestro Martinho Lutero_ sobre a participação do coro Luther King nas iniciativas da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo "Rubens Paiva"

Marlon Weichert, Procurador Regional da República -MPF

Eugênio Aragão, Procurador da República, e ex-ministro da Justiça (videoconferência)

O Caso Juscelino Kubitschek e a Comissão da Verdade SP "Rubens Paiva" apresentado por Alessandro Octaviani, Prof. da Faculdade de Direito da USP

15:30 -18:00 Mesa 3 - Genocídio e tortura ontem e hoje

_Papel dos empresários na Repressão aos Trabalhadores_
Sebastião Neto e Rosa Cardoso

_Mecanismo Estadual de Combate à Tortura - Protocolo de Istambul_
Carolina Toledo Diniz, Consultora da Conectas
Mateus Oliveira Moro, Defensor Público do Estado de São Paulo, Coordenador do Núcleo Especializado de Situação Carcerária

_Comissão da Verdade da Escravidão_
Caso Chaguinhas/Liberdade - tortura e execução histórica - Sítio dos Aflitos
Prof. Silvio Luiz Sant'Anna, UNAMCA
Paula Nishida, DPH/Secretaria da Cultura
Paula Vermeersch, historiadora da Unesp

_Os genocídios da Democracia_
Participação de Solange Oliveira das Mães da Zona Leste

_Comissão Camponesa da Verdade_
Clifford Welch e Gabriel da Silva Teixeira, pesquisadores da Comissão da Verdade SP- Rubens Paiva

18:00 - 18:45 - lanche

18:50 - Apresentação de trecho da peça
Ato Institucional nº5 (AI-5) No passado e no presente.

Leitura de texto em homenagem à Iara Iavelberg, por Natália Siufi - grupo Xingó

19:00 - 21:00 Ato final - Manifesto Terrorismo de Estado: Da Ditadura ao Desgoverno Atual

Homenagem a Rafael Martinelli e Ieda Akselrud de Seixas

Leitura do Manifesto

Debate sobre o desgoverno com:
Adriano Diogo, Amelinha Teles, Eleonora Menicucci, Eliana Vendramini, Luiza Erundina, Maria Auxiliadora Arantes (Dodora) e Rosa Cardoso

segunda-feira, 24 de março de 2014

1964 + 50: quem tem medo da verdade?




Quem tem medo da verdade?


Lá vêm uszomi de bem

As mãos nos bolsos escondem o sangue de alguém

Os passos curtos e as pernas bambas

Denunciam maldades que ainda pesam em seus ombros

Uszomi carregam manchas em seus nomes

No peito cansado, já não aguentam mais velhas medalhas

Eles sabem o que fizeram no longo outono do século passado

Golpearam violentamente a verdade e a justiça

Tomaram de assalto o poder que era do povo

E se tornaram o poder absoluto!

Como foram ousados, serei da minha parte, ousado também

Tenho o dever de falar porque não sou cúmplice

Calado, minhas noites seriam assombradas pelas memórias

Da gente que projetava na vida, sombras de esperança

Quando uszomi vieram, eles chegaram abençoados

E agiram em defesa do sono dos justos

Estes tiveram a oportunidade de fazer justiça

Mas se calaram voluntariamente

Juntos, caçaram vidas, sombras e esperanças

Exigiram disciplina, quando na verdade queriam obediência

Censuraram o poeta, o poema e a poesia

Trocaram a notícia da primeira capa

Pela receita indigesta e macabra

Deram um banho de água fria no sonho de justiça

Descarregaram choques naqueles com quem se chocaram

Provocaram pesadelos

Prenderam a liberdade

Torturaram a alma

Logo ali, na sala, na cela, na vala, na viela, na mata

Desapareceram com o corpo e com a sombra

Deixaram um abraço partido e um adeus... que nunca foi dito

Na caminhada interrompida, o preço... a vida!

Onde esta? Onde está?

Ainda gritam mães, filhos e avós

Ninguém apareceu pra explicar

Quando uszomi caíram pensaram que seriam esquecidos

Acharam que ficaria o dito pelo não dito

Se esconderam da verdade porque sabiam

Que verdade significa justiça

Foi quando a poesia se fez necessária

E o poeta voltou a recitar seu poema em voz alta

Com a certeza de que a verdade está a caminho e ninguém, ninguém, a deterá.


Ruivo Lopes | Poema publicado primeiro em Coletivo Cultural Poesia na Brasa, Antologia Volume IV (2012), e só agora disponível na íntegra neste blog Poéticas Políticas, em memória daquela gente que ousou quebrar a imposição do silêncio e não se conformou com o inconformável. Este poeta recita seu poema em voz alta pela memória, verdade e justiça para todas as vítimas da violência do Estado que ainda persiste neste país de acentuados contrastes raciais, étnicos e sociais.

quinta-feira, 14 de março de 2013

A poesia, o papa e a verdade

 

 
Um dia após o anúncio do novo-velho papa, neste 14 de março, dia do nascimento do poeta baiano Castro Alves (1847-1871) e que marca o dia da poesia, meus versos continuam retos, sem curva, afiados em defesa da memória, verdade e justiça. 
 
Que havia água benta nos gabinetes militares e marcas de coturnos nos altares da Igreja isso todo mundo já sabe. Na argentina de Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, centenas de familias ainda aguardam uma explicação sobre o paradeiro de pelo menos 30.000 pessoas desaparecidas.
 
Quem tem medo da verdade
 
(...)
Tenho o dever de falar porque não sou cúmplice...
Quando uszomi vieram, eles chegaram abençoados
E agiram em defesa do sono dos justos
Estes tiveram a oportunidade de fazer justiça
Mas se calaram, voluntariamente
 

(...)
Onde está? Onde está?
Ainda gritam mães, filhos e avós
Ninguém - até hoje! - apareceu pra explicar

(...)
Mas a verdade está a caminho e ninguém - ninguém! - a deterá!



Poema completo publicado em Coletivo Cultural Poesia na Brasa, Antologia Volume IV, 2012.