domingo, 5 de junho de 2016

Para ler o mundo: políticas públicas para o livro, leitura, literatura e biblioteca


Para ler o mundo

Plano de Leitura se junta a iniciativas que buscam levar o universo da leitura, do livro e da biblioteca a um número maior de paulistanos


Por Fausto Salvadori | fausto@camara.sp.gov.br

ESTREIA - Thayaneddy Alves no lançamento do seu primeiro livro, Entre reticências Foto: Peter SchranerPara uma personagem como Thayaneddy Alves, 23 anos, negra, mulher e moradora da periferia, tornar-se escritora parecia um enredo improvável no cenário do Brasil, onde 94% dos autores são homens e 73% são brancos (conforme pesquisa da professora Regina Dalcastagnè, da Universidade de Brasília, divulgada em 2012). Mas Thayaneddy deu um jeito de escrever a própria trama. 



ESTREIA – Thayaneddy Alves no 
lançamento do seu primeiro livro,  
Em reticências  
Foto: Peter Schraner

Não só se inventou poeta e organizou um evento literário, o Sarau da Ponte para Cá, em Campo Limpo, zona sul, como publicou no final do ano passado seu primeiro livro, a coletânea de poemas Em reticências, por um selo que criou com os amigos e batizou de Academia Periférica de Letras. “Venci as estatísticas”, comemora na contracapa.

Sem interesse pelos autores que conheceu na escola (“Drummond não me representa”, diz), Thayaneddy bebe nas palavras das poetas das quebradas: nomes como Débora Garcia, Jenyffer Nascimento ou Elizandra Souza. “Se uma delas escreve sobre o sangue que jorrou de uma situação, desde um parto, a menstruação ou uma agressão, dá para sentir o cheiro no livro”, comenta Thayaneddy numa noite de fevereiro, enquanto autografa um exemplar do seu livro em uma funilaria do Socorro, na periferia sul de São Paulo.
 INICIATIVA - Casulo comanda um sarau literário em sua funilaria, na zona sul de SP Foto: Fausto Salvadori/CMSP
INICIATIVA – Casulo comanda um sarau literário em sua funilaria, na zona sul de SP
Foto: Fausto Salvadori/CMSP

Funilaria? Isso mesmo. Uma funilaria que também é biblioteca comunitária, com 600 livros colocados à disposição de quem quiser no bairro, e que uma vez por mês também vira palco para o Clamarte, um sarau de música e poesia. O dono da oficina, Gilmar Ribeiro Santos, 41 anos, o Casulo, desembestou a escrever aos 15 anos, após descobrir Machado de Assis na escola. Mas só se convenceu de que poderia virar um escritor quando conheceu o Sarau da Cooperifa, organizado pelo poeta Sérgio Vaz, um dos primeiros representantes do movimento de saraus que tomou conta da periferia paulistana a partir da virada do milênio.

Casulo escolheu fazer uma poesia com “um cunho social e político muito forte”, porque acha “muito egoísmo um autor falar só do próprio umbigo”. “O escritor tem que descer do pedestal”, diz. Seu primeiro livro, Dos olhos pra fora mora a liberdade, saiu publicado pela FiloCzar, uma editora-biblioteca-livraria que funciona na casa do seu proprietário, César Mendes da Costa, 36 anos, no Parque Santo Antônio, também na zona sul.

PIONEIRO - Cesar Mendes criou a FiloCzar, uma das poucas livrarias da periferia de São Paulo Foto: Marcelo Ximenez/CMSP
PIONEIRO – Cesar Mendes criou a FiloCzar, uma das poucas livrarias 
da periferia de São Paulo
Foto: Marcelo Ximenez/CMSP
A FiloCzar é uma raridade: uma livraria localizada na periferia paulistana. Em meio à paisagem dominada por bares e igrejas evangélicas, as estantes apinhadas com 3 mil livros chamam a atenção de quem passa pela rua. “Tem gente que entra aqui e conta que nunca tinha visto uma livraria na vida”, diz César. No bairro, os livros ainda são objetos raros, e a leitura uma atividade exótica. “A biblioteca pública mais próxima fica a 40 minutos de ônibus”, conta. Sem livros à mão, ele encontrou as primeiras leituras nos jornais amassados que a família usava para embrulhar compras. Não parou mais – apesar dos conselhos das pessoas à sua volta, que diziam: “não leia tanto, senão vai ficar doido”.

“O livro não é uma experiência de massa. Ainda somos basicamente uma sociedade oral”, avalia César. Há quatro anos, ele abandonou o emprego de professor de filosofia na rede pública e decidiu fazer sua parte para mudar o que puder dessa realidade, criando a FiloCzar. A livraria, explica, serve para financiar uma escola livre, que inclui cursos, seminários, cafés filosóficos, cineclube, uma biblioteca comunitária e a editora, que já publicou 13 livros. A única funcionária do empreendimento é sua irmã. Contratada com carteira assinada, ele ressalta. “Uma coisa que [o filósofo alemão] Karl Marx ensina é que não devemos explorar”, afirma, destacando um dos aprendizados que ganhou com a leitura.

DIREITO ESSENCIAL

AUTOR - Donato criou o projeto de lei que deu origem ao Plano Municipal Foto: Gute Garbelotto/CMSPTanto Casulo (o poeta-funileiro-artista-plástico do Socorro) como César (o livreiro-filósofo-editor do Parque Santo Antônio) participaram dos debates realizados pela Câmara Municipal de São Paulo (CMSP), no ano passado, que desembocaram na criação do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca (PMLLLB) do Município de São Paulo, nascido de um projeto de lei do vereador Antonio Donato (PT), presidente da CMSP. Para César, é um plano que deveria ter sido criado há muito tempo. “O mérito dessa lei é colocar em xeque um modelo de sociedade em que o livro não é contemplado”, afirma.



AUTOR – Donato criou o projeto de 
lei que deu origem ao Plano Municipal 
Foto: Gute Garbelotto/CMSP

Os números dão razão a ele. Pesquisa da Escola do Parlamento da CMSP realizada neste ano aponta que 52,4% dos paulistanos nunca leram ou pouco leem livros. E tem mais. 

O Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), elaborado pelo Instituto Paulo Montenegro e pela ONG Ação Educativa, mostra que 27% das pessoas entre 15 e 64 anos são analfabetas funcionais, incapazes de interpretar textos simples ou entender um gráfico.

E o ambiente escolar ainda está longe de conseguir transformar seus alunos em leitores. Prova disso são os 53 mil estudantes que, em 2015, tiraram nota zero na prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). São milhares de jovens que passaram boa parte da vida entre os muros da escola e mesmo assim não aprenderam algo tão básico como pegar uma caneta e discorrer sobre um tema numa folha de papel. Simplesmente porque a leitura não faz parte do seu mundo.

Foi com o objetivo de promover esse hábito e combater os altos índices de analfabetismo funcional que o governo federal criou, em 2006, o Plano Nacional do Livro e Leitura. “O direito à leitura é imprescindível, pois é a chave para o acesso a todos os outros direitos”, afirma José Castilho Marques Neto, secretário-executivo do Plano Nacional. Os estudantes reprovados na redação do Enem são um bom exemplo, segundo ele. “São jovens que não conseguiram acesso ao ensino superior por deficiência na leitura”, explica.

O Plano Nacional está equilibrado em quatro eixos. O primeiro é a democratização do acesso, baseada principalmente na valorização e expansão das bibliotecas públicas. A seguir vem o fomento à leitura e à formação de mediadores (pessoas que apresentam a leitura a quem não lê), desde bibliotecários e professores até pais ou vizinhos (os saraus também são um bom exemplo de mediação de leitura). O terceiro eixo leva o nome de “valorização institucional da leitura e incremento de seu valor simbólico” e significa transformar o incentivo à leitura em política de Estado e criar ações para conscientizar a população sobre a importância do ato de ler. O quarto eixo é o desenvolvimento da economia do livro, por meio de ferramentas que incentivem a produção, a distribuição e a circulação de títulos.

Hoje, dez anos após a aprovação, o Plano Nacional conseguiu provocar mudanças importantes, segundo o secretário-executivo. “Em 2005, o Brasil tinha mais de 1.700 cidades sem biblioteca. No final de 2010, já eram mais ou menos 30”, compara. O número de municípios sem biblioteca só não vai a zero, segundo ele, porque é um dos primeiros serviços que as pequenas prefeituras costumam cortar assim que ficam sem dinheiro.

Por isso, Marques Neto acredita que o Plano Nacional do Livro e Leitura só vai se realizar para valer quando todas as cidades do Brasil tiverem o seu próprio. “Com a aprovação dos planos municipais, os programas de leitura deixam de depender da vontade dos prefeitos e se tornam uma política de Estado”, diz. Nesse sentido, ele afirma que o PMLLLB paulistano seguiu o caminho correto: “o de São Paulo é um texto feito rigorosamente a muitas mãos”.

A VÁRIAS MÃOS

De fato, as primeiras articulações que levaram à criação do plano paulistano vieram de baixo para cima. Começaram em 2012, a partir de encontros que reuniam pessoas interessadas em pensar políticas públicas para a leitura e o livro na cidade. Entre eles, estavam a ONG Literasampa, o centro de pesquisa Biblioteca e Centro de Pesquisa América do Sul – Países Árabes (BibliASPA), os integrantes do Sistema S (Senai, Sesc e Sesi) e o Fórum Mudar São Paulo, que naquele ano lançou um manifesto chamado Por uma política do livro e do incentivo à leitura para o Município de São Paulo.

A partir daí, o debate iniciado na sociedade avançou por Executivo e Legislativo adentro. Em 2014, o prefeito Fernando Haddad (PT) publicou uma portaria intersecretarial criando um Grupo de Trabalho (GT) encarregado de criar a versão paulistana do Plano Nacional do Livro e Leitura. Ao grupo, além das entidades da sociedade civil que já vinham conversando sobre as propostas, juntaram-se representantes da Prefeitura e da Câmara Municipal. O plano paulistano manteve os quatro eixos do nacional e acrescentou um, a literatura.

O Grupo de Trabalho realizou dezenas de encontros públicos, além de plenárias temáticas e regionais. “Existe em São Paulo uma cena muito forte da sociedade civil na área de livro e leitura e isso foi determinante para a construção do Plano Municipal do Livro”, avalia o bibliotecário Ricardo Queiroz Pinheiro, assessor parlamentar do vereador Donato, que atuou no GT como representante do Legislativo.

Donato levou o texto redigido pelo grupo diretamente ao Plenário da CMSP, na forma de um substitutivo para o projeto de lei (PL) 168/2010, que já havia sido aprovado em primeira votação no ano de 2010, antes de Donato deixar a vereança para atuar como secretário de governo da Prefeitura, cargo em que permaneceu até 2013. “Com isso, conseguimos dar agilidade à tramitação do Plano, que só precisou de mais uma votação para ser aprovado”, explica Pinheiro. Após passar em Plenário sem modificações, o Plano Municipal foi sancionado pelo Executivo em 18 de dezembro, tornando-se a Lei 16.333/2015.

A diversidade dos participantes das discussões, que incluía a presença de coletivos de leitura, pequenas editoras e movimentos periféricos, chamou a atenção. “Os debates no processo de elaboração do Plano Municipal mostraram que o livro no Brasil deixou de ser um objeto restrito à elite”, afirma o editor Haroldo Ceravolo, presidente da Liga Brasileira de Editores (Libre) e um dos membros do GT que redigiu o Plano.

As novas vozes da literatura brasileira, contudo, ainda precisam brigar para conquistar seu espaço. “A produção literária das pequenas editoras, dos saraus de periferia, das mulheres e dos negros não tem espaço nos jornais, não chega às livrarias e ainda é pouco representada nas bibliotecas públicas”, aponta Haroldo. Numa (nova) palavra, o que falta é bibliodiversidade – que Haroldo define como “o conceito de que devemos ter o máximo possível de editoras representando o maior número possível de vozes da nossa sociedade”.

O termo aparece no texto aprovado do Plano Municipal, que propõe “o estímulo à bibliodiversidade em todas as suas formas”, inclusive na compra de obras para as bibliotecas públicas e escolares. Por essas e outras medidas da lei, Haroldo acredita que o impacto pode ser revolucionário. “Se o roteiro previsto no Plano Municipal for implementado, pode mudar o panorama do livro na cidade de São Paulo”, afirma o editor.

LETRA, GALHO E PASSARINHO

Numa conferência em que contou sobre suas primeiras leituras, Paulo Freire, um dos maiores educadores do Brasil, demorou a falar de letras e palavras. Em vez disso, falou de passarinho, árvore, cachorro. Relembrou o quintal da casa onde engatinhou pela primeira vez, os galhos dóceis à sua altura onde conseguia subir, o canto do sanhaçu e do bem-te-vi, o verde da manga-espada verde, o verde da manga-espada inchada, o amarelo esverdeado da mesma manga amadurecendo. Tudo era leitura. É que, antes de conhecer as letras, o menino já lia a realidade ao seu redor. “A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele”, afirma Freire, no livro A importância do ato de ler, que transcreve uma conferência de 1981. Segundo o educador, a leitura da palavra escrita só ganha sentido quando vem carregada das significações da experiência de vida de quem a lê.

Daí que um dos obstáculos para a expansão da leitura é a distância que muitos brasileiros sentem em relação aos livros, vistos como objetos exóticos, que não fazem parte das suas vidas. Na CMSP, há dois PLs que buscam aproximar os livros do dia a dia da população aproveitando a estrutura do transporte público. Um deles é o 266/2014, de David Soares (Democratas), que propõe a criação de bibliotecas nos pontos de ônibus, num espaço batizado de Parada Cultural. Já o 547/2014, de Alfredinho (PT), cria o Programa Leitura nos Ônibus e prevê a instalação das bibliotecas dentro dos próprios veículos.

MUDANÇA - Para o educador Ruivo Lopes, leitura é ferramenta pra transformar realidades Foto: Ricardo Rocha/CMSPUma prática semelhante ao dos projetos já é feita pelo coletivo Perifatividade, que instala pequenas bibliotecas em locais como bares, salões de cabeleireiros ou ocupações de sem-teto. “O objetivo é fazer com que os livros se tornem mais familiares, corriqueiros. Aumenta a chance de que sejam lidos”, explica Ruivo Lopes, membro do coletivo e educador da ONG Ação Educativa.




MUDANÇA – Para o educador 
Ruivo Lopes, leitura é ferramenta 
pra transformar realidades 
Foto: Ricardo Rocha/CMSP

Ruivo, que atuou nos debates do Plano Municipal do Livro como representante dos saraus de periferia, define-se como um “leitor tardio”, por só ter descoberto os livros durante a adolescência.  

Em casa, na periferia da Baixada Santista, só havia uma Bíblia e um livro de receitas. Sua escola possuía biblioteca, mas não era um ambiente acolhedor. “Uma vez tentei entrar ali com um grupo de amigos, mas a bibliotecária não deixou, porque disse que a gente iria ‘mexer no acervo’”, lembra.

Superar a cultura das bibliotecas de portas fechadas, que se preocupam mais com os livros nas estantes do que com as pessoas que poderiam usá-los, é outro dos desafios para chegar a um país de leitores. “Lembra das salas trancadas com livros sem uso que os estudantes da rede estadual descobriram quando ocuparam as escolas, no final do ano passado? Isso ainda é muito comum em algumas bibliotecas. É o pensamento patrimonialista, de que a função mais importante de uma biblioteca é preservar os livros”, afirma Ricardo Queiroz, assessor do vereador Donato.

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Os profissionais da área nunca foram muito de se misturar. “O bibliotecário sempre teve resistência a participar de fóruns de debates”, reconhece Waltemir Nalles, coordenador do Sistema Municipal de Bibliotecas de São Paulo, formado por 54 bibliotecas, 14 pontos de leitura, 13 bosques de leitura e 12 ônibus-biblioteca, além das 46 unidades dos Centros Educacionais Unificados (CEUs). Prova disso é o fato de o movimento dos saraus de literatura periférica ter surgido em locais como bares, praças ou até funilarias. “Nossas portas não estavam abertas para essas pessoas”, reconhece Nalles. Mas ele também afirma que as coisas estão mudando. Hoje, muitos saraus já realizam edições dentro de bibliotecas.

Para prosseguir no processo de aproximação entre esses locais e a comunidade, o Plano Municipal da Leitura prevê a criação de “horários alternativos de funcionamento” – o único jeito de garantir o acesso à maioria dos trabalhadores, que não tem como frequentá-los em horário comercial.

Outra medida do Plano paulistano para as bibliotecas busca ampliar a variedade dos títulos presentes nas estantes, que hoje ignoram os autores independentes e as pequenas editoras. Segundo Nalles, a seleção de livros é quase toda baseada nas resenhas dos jornais e das revistas de grande circulação, que geralmente só têm olhos para as grandes editoras. Para ampliar o leque das escolhas, foi criada uma comissão, formada por representantes da sociedade civil e das secretarias da Educação e Cultura, que vai definir uma política para o desenvolvimento das coleções de livros das bibliotecas públicas da cidade. A novidade é uma das consequências do Plano Municipal do Livro.

Para mostrar como a aproximação com as comunidades pode fazer bem para as próprias bibliotecas, Nalles conta o caso da Menotti del Picchia, no Limão, zona norte, que volta e meia era vítima de invasores que praticavam furtos e quebra-quebra no local. “Depois que a instituição se abriu para receber os saraus e outros eventos, acabou a depredação. Hoje podem deixar a porta aberta que não tem problema. A aproximação com a comunidade muda tudo”, aponta o coordenador.

E mudanças têm tudo a ver com a leitura. Lembra Ruivo Lopes: “A vivência do mundo nos ensina a ler a realidade apenas como ela é. A capacidade de imaginar outras realidades depende da cultura e das artes”. Ou, como escreveu o inglês Neil Gaiman (um dos escritores que despertou no autor desta reportagem a paixão pela escrita que o levou a se tornar jornalista), “a ficção pode levar você a um lugar onde nunca esteve e, uma vez que tenha visitado outros mundos, nunca mais ficará inteiramente satisfeito com o mundo onde cresceu”. Essa insatisfação, ensina Gaiman, é boa: “Pessoas insatisfeitas podem modificar e aprimorar os seus mundos”.

Semana incentiva leitura nas escolas

EVENTO - Eliseu Gabriel criou a Semana de Incentivo à Leitura Foto: Ricardo Rocha/CMSP“O estudo e, especialmente, a leitura são necessidades permanentes. São ‘causas’ de todos: governo e povo”, afirma o professor e vereador Eliseu Gabriel (PSB) na justificativa do projeto que deu origem à lei 14.999/ 2009, que criou a Semana de Incentivo e Orientação ao Estudo e à Leitura.

Organizado pelas secretarias municipais da Cultura, da Educação e da Assistência Social, em parceria com a Câmara Municipal, o evento ocorre na segunda semana de abril e está em sua quinta edição. A ideia é apresentar palestras, simpósios, shows, concursos, gincanas e outras vivências que estimulem a leitura. No ano passado, reuniu cerca de mil pessoas. 

EVENTO – Eliseu Gabriel criou a 
Semana de Incentivo à Leitura 
Foto: Ricardo Rocha/CMSP


APRENDIZADO - Alunos participam da Semana de Incentivo à Leitura Foto: DivulgaçãoEscritores de destaque já passaram pela Semana de Incentivo e Orientação ao Estudo e à Leitura, entre eles Heloisa Prieto, Rodrigo Lacerda, Victor Scatolin, Lúcia Hiratsuka e o multipremiado Milton Hatoum.
APRENDIZADO – Alunos 
participam da Semana de Incentivo 
à Leitura  
Foto: Divulgação

Projetos e leis que tratam da leitura
LEIS
  • 16.333/2015 | Antonio Donato (PT)
    Institui o Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca (PMLLLB)
  • 14.999/2009 | Eliseu Gabriel (PSB)
    Institui a Semana de Incentivo e Orientação ao Estudo e à Leitura
  • 14.477/2007 | Noemi Nonato (PR)
    Cria a Semana da Leitura
PROJETOS DE LEI (*)
  • 547/2014 | Alfredinho (PT)
    Cria o programa Leitura nos Ônibus, com espaço para livros dentro dos veículos
  • 266/2014 | David Soares (Democratas)
    Cria a Parada Cultural, com bibliotecas nos pontos de ônibus
  • 179/2014 | Claudinho de Souza (PSDB), Edir Sales (PSD), Eliseu Gabriel (PSB), Jean Madeira (PRB), Ota (PSB), Reis (PT), Toninho Vespoli (PSOL)
    Amplia as atribuições da Biblioteca Mário de Andrade
  • 517/2013 | Paulo Fiorilo (PT)
    Institui o Programa Vale-Leitura aos profissionais de educação do Município de São Paulo
(*) Da atual Legislatura

SAIBA MAIS

Livros

A importância do ato de ler. Paulo Freire. Cortez, 1989.
O direito à literatura. Artigo do livro Vários Escritos. Antonio Candido. Ouro Sobre Azul, 2004.

Leiaí a reportagem original Para ler o mundo, na seção de Cultura da Revista Apartes, nº 19, março/abril de 2016!

sábado, 4 de junho de 2016

Em SP, Coletivo Perifatividade lança documentário e livro de poesia e direitos humanos com estudantes de escolas públicas

Se ligaí!

Neste sábado, dia 4, às 19hs, na Casa de Cultura Chico Science (Av. Presidente Tancredo Neves, nº 1265, Ipiranga, próximo ao metrô Sacomã), o Coletivo Perifatividade promove o Lançamento Oficial "Perifatividade nas Escolas: A Poética dos Direitos Humanos (clique!).

O novo livro é fruto de diálogos sobre Direitos Humanos e oficinas de criação literária em escolas públicas das periferias de SP.

O documentário registra todo o processo em mais de uma dezenas de encontros com gestores escolares, professoras/es, funcionários, familiares e estudantes.

Na programação, além da exibição do documentário, terá também apresentação da DJ Luana Hansen e do grupo Influência Positiva.

Participe!

domingo, 22 de maio de 2016

Em SP, escritora Cidinha da Silva lança novo livro "Sobre-viventes!"

Se ligaí! | A prosadora de mão cheia Cidinha Da Silva está de volta a São Paulo para o lançamento de "Sobre-viventes!", novo livro da escritora e o primeiro lançado pela Pallas Editora. O Lançamento de Sobre-viventes! Livro novo de Cidinha da Silva, em São Paulo (clique!) será nesta segunda, 23, às 19h, no auditório da Ação Educativa (Rua Genral Jardim, nº 660, Vila Buarque, região central de SP). 

Além de editora nova, Cidinha da Silva comemora, neste ano, uma década de uma carreira literária iniciada em 2006. A escritora já havia coordenado iniciativas pioneiras sobre ações afirmativas para pessoas negras na área educacional e, em 2014, organizou o livro "Africanidades e relações raciais: insumos para políticas públicas na área do livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil", contribuição única no Brasil sobre o Plano Nacional do Livro e Leitura na perspectiva das relacionais raciais. Cidinha também tem colaborado com a dramaturgia de coletivos de teatro negro, é blogueira assídua e escreve regularmente para portais de jornalismo não-alinhados. Atualmente é doutoranda no Programa Multi-institucional e Multidisciplinar em Difusão do Conhecimento da Universidade Federal da Bahia. 

Em turnê pelo Brasil para divulgar o novo livro, o lançamento em SP, será oportunidade única para um encontro marcado com a escritora. Acesse o blog www.cidinhadasilva.blogspot.com.br e saiba tudo sobre o lançamento de "Sobre-viventes!" em SP e no Brasil. Participe, divulgue e convide amig@s!

sábado, 21 de maio de 2016

Agenda dos saraus na Virada Cultural 2016










Se ligaí, neste domingo, 22, às 17h, o Coletivo Perifatividade vai fechar a programação do palco saraus na Praça Dom José Gaspar (atrás da Biblioteca Mario de Andrade), centro de SP. 

Confira a programação completa da participação dos saraus na Virada Cultural 2016: http://goo.gl/L4lx0E!

Participe, prestigie, seja bem vind@ e fique muito a vontade!

sábado, 14 de maio de 2016

Em SP, CEU Heliópolis promove encontro de Educação Popular



A Diretoria Regional de Educação do Ipiranga e o CEU Heliópolis Profa. Arlete Persoli convidam a tod@s para o ENCONTRO DE EDUCAÇÃO POPULAR: DIÁLOGOS COM A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

O Educador Paulo Freire ressalta o caráter coletivo e político de todo projeto educacional. Desta forma, pensar a educação de jovens e adultos como educação popular significa, antes de tudo, uma opção ideológica que entende que cada estudante e cada educadora/or da EJA - Educação de Jovens e Adultos é sujeito do povo, de direitos, saberes, história, cultura.
 
No mês de maio realizaremos o Encontro de Educação Popular: diálogos com a Educação de Jovens e Adultos, no intuito de promover o diálogo entre educadoras/es e educandas/os sobre concepções e práticas pedagógicas, buscando assim garantir o respeito à diversidade e às especificidades da EJA.
 
Diálogo cuja continuidade alicerçará a formação de um Fórum de Educação de Jovens e Adultos do Ipiranga.

Objetivos:

- Promover a reflexão e discussão sobre a articulação entre a Educação Popular e a Educação de Jovens e Adultos.
 
- Promover o diálogo entre educadorxs e educandxs de diferentes formas de atendimento de Educação de Jovens e Adultos.

Local: CEU Heliópolis Profª Arlete Persoli
Estrada das Lágrimas, nº 2385, Heliópolis, zona sul de SP

PROGRAMAÇÃO:

13/05 - SEXTA
18h30 – Acolhimento
LOCAL: Sala Multiuso
19h00 - MESA “O COMPROMISSO POLÍTICO DO EDUCADOR NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS”
LOCAL: Sala Multiuso
- APRESENTAÇÃO CULTURAL -
19h30 - Abertura: Marília De Santis - Gestora CEU Heliópolis Profª Arlete Persoli/ Braz Nogueira - Diretor Regional de Educação - Ipiranga /Ilma Lopes de Aquino Diretora do DIPED da DRE-IP / Antônia Cleide Alves - Presidente da União de Núcleos e Associações de Heliópolis e Região - UNAS

Debatedoras:
1 - Marilene (MOVA);
2 – Lívia Maria Antongiovanni (Diretora de Divisão de Educação de Jovens e Adultos - Secretaria Municipal de Educação-SP);
3 – Edna Rosseto (SME - CoCeu)
4 - Luís Galeão (IP-USP)
Mediação: Laila Sala

DIA 14/05 – SÁBADO
MANHÃ:
8h00 – Acolhimento
8h30 - APRESENTAÇÃO CULTURAL:

9h às 12h - Salas Temáticas
SALA 1 – Relatos de Prática: ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO;
MEDIADORA: Meire Lima (Coordenadora de Educação do CEU Heliópolis Profª Arlete Persoli)

SALA 2 – Oficina: Cartografia da Memória
MEDIADOR: Lucas Paolo S. Vilalta (Coletivo Político Quem e Instituto Outubro)

SALA 3 – Oficina: A partir do material da Maleta “POR QUE POBREZA? EDUCAÇÃO E DESIGUALDADE”
MEDIADORA: Vanessa Pipinis (Canal Futura)

SALA 4 – Grupo de Trabalho: CURRÍCULOS PARA EJA E TERRITÓRIOS
MEDIADOR: Everton Meneses (Coord. Pedagógico do CIEJA Clóvis Caitano Miquelazzo) e Joana Silva (DRE-IP)

SALA 5 – Oficina: Círculo de Cultura, Educação e Direitos Humanos em sua transversalidade.
MEDIADOR: Ruivo Lopes (educador e integrante do Coletivo Perifatividade)

SALA 6 – Roda de Conversa: Juvenilização da EJA
MEDIADORAS: Cristiane Teixeira (Juventude da Subprefeitura do Ipiranga) e Nínive Loriane (Diretora da UNAS, Coord. do Projeto Facebook na Comunidade; Suplente da cadeira de Educação do Conselho Municipal da Juventude de São Paulo e Estudante de Comunicação)

SALA 7 - Oficina: Teatro do Oprimido
MEDIADOR: Danilo Minharro (Ator e Formador de Educadores, Monitores e Gestores em Teatro do Oprimido - Prefeitura de Santo André)

12h às 13h30 - ALMOÇO

13h30 às 17h - Plenária
LOCAL: Sala Multiuso
Mediação: Joana Silva
Apresentação das Salas Temáticas
Discussão
Ciranda

Link para Inscrição:
ATENÇÃO!! Só para participantes que SÃO SERVIDORES da REDE MUNICIPAL DE SÂO PAULO:
http://goo.gl/forms/eHZ09sxXfE

Link para Inscrição:
ATENÇÃO!! Só para participantes que NÃO SÃO SERVIDORES da REDE MUNICIPAL DE SÂO PAULO:
http://goo.gl/forms/ctWcxpPmV6

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Educação retrô: ponte para o futuro!



Educação retrô: ponte para o futuro!

Para quem nutria saudade da década de 1990, quando o Brasil virou um supermercado globalizado, seja bem vindo. Neste século XXI, a financeirização dos mercados internacionais radicalizou, mundo afora, as políticas neoliberais e de austeridade no papel do Estado como provedor de políticas públicas universais. 

Em pouco mais de uma década, o Brasil resistiu até onde pode. O golpe que afastou a presidenta Dilma Rousseff foi planejado pelo capital financeiro internacional em conjunto com seus representantes políticos e da imprensa - detentora da opinião publicada. 

Na mira da sanha privatista da vez está a educação pública, particularmente o Ensino Médio, modalidades da educação continuada e as Universidades Federais. São filões para os vilões da educação pública. 

Também a década de 1990 foi marcada por mobilizações em defesa da educação pública, contra as orientações agressivas do Banco Mundial para o Brasil criar um mercado da educação e na acirrada disputa por uma LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação, 1996) que estruturasse e fortalecesse o papel do Estado e não do mercado na educação pública. Houve derrotas significativas, mas também alguns avanços, como, por exemplo, a universalização da educação pública.

Os ataques já começaram: organizações sociais e militares assumindo escolas, a sinalização da desobrigação do Estado com a educação pública, terceirização dos profissionais da educação, parcerias público-privada em instituições de ensino, etc. 

Está mais do que na hora de educadores, educadoras, estudantes - taí a novidade deste século! - e a sociedade, comprometidos com a educação pública, não retroceder nenhum passo no direito humano à educação!

domingo, 1 de maio de 2016

Assistaí, Periferias Contra o Golpe na rede TVT

Assistaí o diálogo comigo e Luiza Romão, no programa Melhor e Mais Justo, apresentado por Tuto na Rede TVT, a tevê da classe trabalhadora.


No diálogo, passamos a limpo os motivos que levaram a movimentação #‎PeriferiasContraoGolpe‬, mobilização iniciada em São Paulo e presente em diversas periferias brasileiras.


Na roda, histórias e protagonismo das mulheres nas lutas sociais nas periferias, a defesa da democracia e dos direitos humanos, democratização da comunicação e, claro, poesia contra o golpe.Confira!

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Por que escrevo poemas?


[Foto Sergio Silva/Ponte Jornalismo] 

Por que escrevo poemas?

Certa vez, me perguntaram, por que eu escrevo poemas que versam sobre a morte. Confesso que eu não havia pensado na questão. Tampouco, faço isso de caso pensado. Apenas, atingido pelos fatos e na impossibilidade de mudá-los na velocidade em que tragicamente acontecem, recorro aos versos, mesmo quando me faltam as palavras. 

O Estado e a sociedade brasileiras são profundamente marcados pelas várias formas de violências. A diferença é que o Estado quando as pratica, assim o faz em nome da coletividade. Daí a gravidade da violência de Estado, ou seja, em meu e em seu nome. Já a sociedade, age conforme interesses e convicções próprios e não menos violenta. Ambos se retroalimentam. Racismo, LGBTfobia, xenofobia, misoginia, sexismo, discriminação de classe econômicas, intolerância religiosa e outras formas de opressão - às vezes até "sutis", mas não menos violentas -, parecem cada vez mais naturalizadas, como parte da paisagem ou do cotidiano. 

Devo afirmar: me recuso naturalizar o mal. Assim, a pergunta não é por que escrevo poemas que versam sobre a morte, mas por quem escrevo poemas. Escrevo poemas por quem teve ceifada a poesia da vida, por Deboras e Luanas. E ao escrever poemas assim, registro na história história existências anônimas, luto contra o esquecimento e preservo a memória incomoda de quem não receberá nome de praça, rua ou avenida. 

Meus poemas não versam sobre a morte. A morte é o triste fato que se sobrepõe ao valor inalienável da vida digna. Meus versos nos lembram em praça pública que se ainda estamos vivos devemos nos indignar com a morte e a barbárie que atinge todos os dias as gentes oprimidas neste país, onde a injustiça ainda é regra. Por isso, escrevo poemas!

domingo, 24 de abril de 2016

Brasil: golpe e misoginia, tudo a ver!




O golpe parlamentar contra a presidenta Dilma Rousseff é também um golpe contra as mulheres, orquestrado pela direita machista e misógina que quer governar o país sem a legitimidade popular, no grito e com ódio! [Brasil de Fato, SP, 17/04/2016]

terça-feira, 22 de março de 2016

Em SP, coletivos lançam Manifesto ‪#‎PeriferiasContraOGolpe




Manifesto ‪#‎PeriferiasContraOGolpe

“Periferias, vielas, cortiços… Você deve estar pensando o que você tem a ver com isso”, Racionais MC's

Nós, moradoras e moradoras das periferias, que nunca dormimos enquanto o gigante acordava, estamos aqui pra mandar um salve bem sonoro aos fascistas: somos contra mais um golpe que está em curso e que nos atinge diretamente!

Nós, que não defendemos e continuamos apontando as contradições do governo petista, que nos concedeu apenas migalhas enquanto se aliou com quem nos explora. Nós, que também nos negamos a caminhar lado a lado de quem representa a Casa Grande.

Nós, periféricas e periféricos, que estamos na luta não é de hoje. Nós, que somos descendentes de Dandara e Zumbi, sobreviventes do massacre de nossos antepassados negros e indígenas, filhas e filhos do Nordeste, das mãos que construíram as grandes metrópoles e criaram os filhos dos senhores.

Nós, que estamos à margem da margem dos direitos sociais: educação, moradia, cultura, saúde.

Nós, que integramos movimentos sociais antes mesmo do nascimento de qualquer partido político na luta pelo básico: luz instalada, água encanada, rua asfaltada e criança matriculada na escola.

Nós, que enchemos laje em mutirão pra garantir nosso teto e conquistar um pedaço de chão, sem acesso à terra tomada por latifundiários e especuladores, que impedem nosso direito à moradia e destroem o meio ambiente e recursos naturais com objetivo de lucro.

Nós, que sacolejamos por três, quatro horas por dia, espremidos no vagão, busão, lotação, enfrentando grandes distâncias entre nossas casas aos centros econômicos, aos centros de lazer, aos centros do mundo.

Nós, que resistimos a cada dia com a arte da gambiarra - criatividade e solidariedade. Nós, que fazemos teatro na represa, cinema na garagem e poesia no ponto de ônibus.

Nós, que adoecemos e padecemos nos prontos-socorros e hospitais sem maca, médico, nem remédio.

Nós, que fortalecemos nossa fé em dias melhores com os irmãos na missa, no culto, no terreiro, com ou sem deus no coração, coerentes na nossa caminhança.

Nós, domésticas, agora com carteira assinada. Nós, camelôs e marreteiros, que trabalhamos sol a sol para tirar nosso sustento. Nós, trabalhadoras e trabalhadores, que continuamos com os mais baixos salários e sentimos na pele a crise econômica, o desemprego e a inflação.

Nós, que entramos nas universidades nos últimos anos, com pé na porta, cabeça erguida, orgulho no peito e perspectivas no horizonte.

Nós, que ocupamos nossas escolas sem merenda nem estrutura para ensinar e aprender. Nós, professoras e professores, que acreditamos na educação pública e não nos calamos e falamos sim de gênero, sexualidade, história africana e história indígena - ainda que tentem nos impedir.

Nós, que somos apontados como problema da sociedade, presas e presos aos 18, 16, 12 anos, como querem os deputados.

Nós, cujos direitos continuam sendo violados pelo Estado, levamos tapa do bandeirante fardado, condenados sem ser julgados, encarcerados, esquecidos, quando não assassinados - e ainda dizem: “menos um bandido”.

Nós, mulheres pretas da mais barata carne do mercado, que sofremos a violência doméstica, trabalhista, obstétrica e judicial, e choramos por filhos e filhas tombados pelo agente do Estado.

Nós, gays, lésbicas, bissexuais, travestis, homens e mulheres trans, que enfrentamos a a violência e invisibilidade, e não aceitamos que nos coloquem de volta no armário.

Nós, que não aceitamos nossa história contada por uma mídia que não nos representa e lutamos pelo direito à comunicação. Nós, que estamos construindo, com nossa voz, as próprias narrativas: poesia falada, cantada, escrita.

Nós, que sempre estivemos nas ruas, nas redes, nas Câmaras, na cola dos politiqueiros de plantão e que agora somos taxados de terroristas por causa de nossas lutas. Nós, que aprendemos a fazer até leis para continuar lutando por nossos direitos. Nós, que garantimos a duras penas o mínimo de escuta em espaços de poder, não aceitamos dar nem um passo atrás.

Nós, que somos de várias periferias, nos manifestamos contra o golpe contra o atual governo federal promovido por políticos conservadores, empresários sem compromisso com o povo e uma mídia manipuladora.

Não compactuamos com quem vai às ruas de camisa amarela com um discurso de ódio, fascista, argumentando o justo “combate à corrupção” mas motivado por interesses privados. Não compactuamos com quem defende a quebra da legalidade para beneficiar a parcela abonada da população, em troca do enfraquecimento do Estado Democrático de Direito pelo qual nós dos movimentos sociais periféricos lutamos ontem, hoje e continuaremos lutando amanhã.

Nós, que sabemos que a democracia real será efetiva apenas com a ampliação de direitos e conquistas de nosso povo preto, periférico e pobre, a partir da esquerda e de baixo pra cima.

Nós, que conquistamos só uma parte do que sonhamos e temos direito, não admitimos retrocesso. Reivindicamos o respeito à soberania das urnas e a manutenção do Estado Democrático de Direito. Reivindicamos as ruas enquanto espaço de diálogo, debate e fazer político, mas nunca como território do ódio. Reivindicamos nossa liberdade de expressão, seja ela ideológica, política ou religiosa. Reivindicamos a desmilitarização das polícias, da política e da vida social. Reivindicamos o avanço das políticas públicas, dos direitos civis e sociais.

Não vai ter golpe. Não vai ter luto. Haverá luta!

Confira quem já assinou o Manifesto e assine também aqui: http://goo.gl/forms/uRO7OhHkuf

domingo, 6 de março de 2016

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Em SP, Territorialidades de Cidinha da Silva e curso femenageiam 10 anos de atividade literária da autora


Territorialidades de Cidinha da Silva

Se ligaí! | Para comemorar os 10 anos de atividade literária da escritora Cidinha Da Silva, dramaturga, cronista e prosadora, o Centro de Pesquisa e Formação - Sesc em São Paulo promove, nos dias 3 e 4 de março, o "Territorialidades de Cidinha da Silva". Na programação: encontros com Sueli Carneiro, Emerson Inácio, Ligia Ferreira, Dinha Maria Nilda, Bel Santos Mayer e eu discorreremos sobre a produção literária da autora, abordando o significado, o lugar literário e político, bem como o impacto da obra de Cidinha da Silva na cena literária brasileira. Inscreva-se e participe: https://goo.gl/uPmRdX!

Perspectivas: Territorialidades de Cidinha da Silva

Programa

Escritora em atividade há uma década, Cidinha da Silva é dramaturga, cronista e prosadora. Nestes encontros, os convidados que conhecem e acompanham a autora desde a juventude discorrem sobre sua produção, abordando o significado, o lugar literário e político na cena literária brasileira, bem como o impacto de sua obra em construção.
 
03 de março – Temas caros aos direitos humanos na crônica de Cidinha da Silva
Com Sueli Carneiro e Emerson Inácio. Mediação de Ruivo Lopes.
 
04 de março – Cidinha da Silva na cena literária brasileira
Com Lígia Ferreira e Dinha. Mediação de Bel Santos Mayer.

Palestrantes
 
Sueli Carneiro
Sueli Carneiro Doutora em Educação (USP). Presidente do Geledés – Instituto da Mulher Negra.

Bel Santos Mayer
Bel Santos Mayer Pedagoga social, coordenadora do Programa de Direitos Humanos do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário – Ibeac; da coordenação colegiada do Polo de Leitura LiteraSampa e membro do GT do PMLLLB/SP.

Ruivo Lopes
Ruivo Lopes Educador e poeta.

Emerson Inácio
Docente da área de Estudos Comparados de Literatura de Língua Portuguesa - USP

Lígia Ferreira
Docente de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários e Linguísticos na UNIFESP.  Autora de “Com a palavra Luiz Gama. Poemas, artigos, cartas, máximas”. 
 
Dinha
Poeta e editora da Me Parió Revolução.

Tradução em Libras disponível. Faça sua solicitação no ato da inscrição, com no mínimo dois dias de antecedência da atividade.

 Personagens interseccionais na obra de Cidinha da Silva
Cidinha da Silva ministrará curso gratuito no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo 
 
Contextos: Personagens interseccionais na obra de Cidinha da Silva

Programa

Nos dias 3 e 4 de março, Cidinha da Silva promoverá um curso que abordará a complexidade literária das personagens construídas pela autora em seus cinco livros de crônicas e nas centenas de outras publicadas na internet, com destaque para mulheres negras, população LGBT, homens negros, diversidade de faixas etárias, sujeitos dissonantes de um modo geral. 

Palestrante

Cidinha da Silva
 
Cidinha da SilvaCidinha da Silva é prosadora, ensaísta e dramaturga. Tem oito livros de literatura publicados, sendo os mais recentes, Racismo no Brasil e afetos correlatos (Conversê, 2013) e Baú de miudezas, sol e chuva (Mazza Edições, 2014). É doutoranda no Programa Multi-Institucional e Multidisciplinar em Difusão do Conhecimento da UFBA. (Foto: Elaine Campos)
 
Tradução em Libras disponível. Faça sua solicitação no ato da inscrição, com no mínimo dois dias de antecedência da atividade.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Em SP, Jornada de Educação Popular discute "Educação como movimento social"



Se ligaí! | Daqui a pouco, às 14h, participo da Jornada de Educação Popular, no diálogo Educação como movimento social, com Fernanda Elisa Pansica, militante pela Educação e professora de Português na rede estadual e municipal de São Paulo; Jupiara Castro, funcionária da Faculdade de Medicina da USP e fundadora do Núcleo de Consciência Negra na USP; Ruivo Lopes, educador popular, agitador cultural e ativista dos Direitos Humanos; e Silvia Lopes Raimundo, doutoranda Geografia Humana/USP, é pesquisadora de formação do território urbano nas periferias SP. O Núcleo Pele (Grajaú/ZS) promoverá a apresentação de encerramento. Organizada pelo Curso Mafalda, a Jornada é aberta e gratuita, inscreva-se: http://goo.gl/forms/2Zy0Ya96VU ou direto na Universidade Cidade de São Paulo (R. Cesário Galeno, nº 448, Tatuapé, próximo ao metrô Carrão, zona leste de SP). Participe!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Mais um ano que promete!

Olá! Espero encontrar você bem! Esta é a primeira publicação do ano neste blog sobre Poéticas Políticas. Selecionei aqui algumas publicações que fiz no facebook desde primeiro de janeiro. Como no facebook além de efêmero tudo é relativo, espero que você encontre aqui algumas informações recuperadas de lá que considero perenes e pertinentes. Aproveito para agradecer cada minuto seu dedicado a este blog. Nos vemos no decorrer de 2016!

Educação por atacado em SP | Em documento enviado ao Ministério Público de SP, a Secretaria de Estado da Educação já tinha admitido "redução de despesa" com a tentativa de "reorganização escolar", suspensa devido a mobilização dos estudantes que promoveram inédita ocupação das escolas no final do ano passado (http://goo.gl/G7gsJv). Derrotada, a SEE acaba de oficializar a superlotação das salas das escolas públicas estaduais. Por meio de resolução (http://goo.gl/P6VWLK) as salas poderão comportar 33 estudantes nos anos iniciais, 38 nos finais e 44 no ensino médio, com a possibilidade de acrescimo em 10% em cada uma delas (http://goo.gl/Z1izXr), inclusive as de Educação de Jovens e Adultos. A redução da quantidade de estudante por sala é reivindicação antiga de professores (http://goo.gl/gKPXMl) e também dos estudantes que protagonizaram as ocupações das escolas (http://goo.gl/gkFbZz), ambos amparados pelo parecer nº 8/2010 do Conselho Nacional de Educação (http://goo.gl/4yG37E, pág. 19) no qual prevê a relação adequada entre o número de estudantes por turma de modo que permita uma aprendizagem de qualidade. A SEE afirma que atender as exigências do parecer do CNE "é impossível do ponto de vista orçamentário". Com base no Idesp, reportagem do Estadão já tinha demonstrado que a quantidade inadequada de estudantes por sala tem impacto negativo no processo de aprendizagem que envolve professor e estudantes (http://goo.gl/h8QI1Y). Em SP, educação segue por atacado!

Ainda falta debate sobre transporte em SP | Durante os protestos de junho de 2013, o prefeito de São Paulo determinou a criação do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito, instância participativa e democrática para a discussão sobre as políticas públicas do transporte coletivo - que um dia foi público e não é mais, faz tempo, desde que o poder público passou a tentar exercer apenas o papel de regulação da concessão das empresas que dominam e exploram o setor. Na época, o MPL se recusou a participar do Conselho, optando pela ocupação e debate em praça pública. No portal da Secretaria Municipal de Transportes, a última ata disponível do CMTT é de outubro de 2015. Não há nenhuma menção ao reajuste da tarifa municipal. A última reunião aconteceu no dia 16 de dezembro e a pauta principal era a "Apresentação do Plano Municipal de Mobilidade Urbana", um conjunto de ações na área previstas para os próximos 15 anos na Cidade (http://goo.gl/P1m7py). A ata da reunião ainda não esta disponível e, portanto, não tem como saber se o reajuste das tarifas também foi discutido no Conselho (http://goo.gl/hfsrNC). No entanto, no link "Reajuste Tarifário", a prefeitura disponibiliza "relatório que embasa a alteração de tarifa vigente a partir de 09/01/16", "encaminhado à Câmara Municipal em 30/12/15" (http://goo.gl/Dxbb4F). Em um ano em que a prefeitura da Cidade será cobiçada, a prefeitura atribui o reajuste a uma medida técnica e não política, como se o esforço para combinar o reajuste com o governo do estado não fosse político, mas técnico. E mais uma vez o reajuste veio sem discussão, sem participação. Não há como evitar o custo político de decisões como esta, principalmente quando os meios são equivocados. A violência policial, como sempre, é bestial, mas não pode desviar o foco do debate!

Por uma história simultânea | O historiador britânico, nascido no Egito, Eric Hobsbawm (1917 - 2012) em passagem pelo Brasil, em 1995, proferiu a conferência "O presente como história: escrever a história de seu próprio tempo". Na época, o historiador tinha lançado seu "A era dos extremos". O registro da conferência foi publicado na revista Novos Estudos nº 43 (http://goo.gl/yfq39J). Nele, o historiador reflete sobre os desafios de escrever a história do seu próprio tempo. Mas vai além, reconhece e questiona o consenso sobre os marcos da história. "Provavelmente não há mais do que meia dúzia de datas que são marcos simultâneos nas histórias distintas de 'todas as regiões' do mundo". No entanto, "Se existe tal consenso, em que medida ele é permanente, em que medida é sujeito à mudança, à erosão, à transformação, como e por quê?". A reflexão feita pelo historiador nos ajuda a situar o debate acalorado que tem dividido historiadores/as no Brasil desde que o Ministério da Educação colocou em debate a proposta da Base Nacional Comum Curricular (http://goo.gl/p17n1a). Qualquer pessoa pode enviar contribuições ao texto. Considero oportuna a proposta de abordagem sobre o desenvolvimento simultâneo da história sobre diversos aspectos como também a inserção de fatos e agentes esquecidos pela historiografia oficial. Já a ala conservadora, aceita mudanças desde que a perspectiva eurocêntrica "fique como está". Contra os últimos, Hobsbawm já alertara: "o maior pecado dos historiadores é o anacronismo". O debate seguirá em 2016, ano de conclusão do texto definitivo da BNCC, assim, pretendo voltar ao assunto em breve!

This is my man! | Não me considero nem apocalíptico nem integrado em relação ao Brasil deste século XXI. Mas justiça seja feita. O então presidente Lula não precisou chorar perante o país para aprovar o Estatuto do Desarmamento em 2003 - o qual a bancada da bala quer dilapidar a todo custo (http://goo.gl/jwKF9j). A proposta do Estatuto contava com mobilização e apoio social. Não é de hoje que os Estados Unidos precisam de um Estatuto do Desarmamento interno... e também externo. Na primeira opção poderiam aprender com o Brasil, como tentaram fazer com o SUS (Sistema Único de Saúde), mas a bancada da saúde privada de lá não permitiu que a proposta avançasse. Já no segundo caso, se fosse viável, Barack Obama entraria pela segunda vez para a história e quem sabe Lula retribuiria o agrado feito pelo colega!

Fim dos autos de resistência | Próximo de completar dez anos dos Crimes de Maio, quando ao menos 505 civis foram assassinados por arma de fogo entre os dias 12 e 26 de maio de 2006, no estado de SP, finalmente virou resolução normativa uma antiga reivindicação do Movimento Mães de Maio, formado por familiares, principalmente mães, das vítimas de violência das policias, e outros movimentos, organizações e órgãos de defesa dos direitos humanos, a abolição do uso dos termos "auto de resistência" e "resistência seguida de morte" nos boletins de ocorrência e inquéritos policiais em todo o território nacional (http://goo.gl/4gvgHf). Em setembro, policiais militares foram filmados quando forjavam troca de tiros para justificar o homicídio do adolescente Eduardo Felipe Santos Victor, de 17 anos, no Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio. Os policiais tinham registrado o caso como "auto de resistência" (https://goo.gl/zpHYQn). Em recente relatório, a Human Rights Watch aponta um aumento de 97% no número de mortes decorrentes de ações policias em SP, que foram de 369, em 2013, para 728 em 2014. No RJ, foram 416 mortes por essas causas em 2013 e 582 em 2014, um crescimento de 40% (http://goo.gl/taqgPO). Só em SP, entre janeiro e novembro de 2015, de acordo com dados da SSP, foram registrados 532 mortes por intervenção de PMs em serviço (http://goo.gl/jFrFpH). A maioria das vítimas são jovens, negros, moradores de morros, favelas e periferias. Com a resolução, além da abertura do inquérito policial, o Ministério Público deverá acompanhar cada caso!

Para tod@s tudo em 2016! | Das montanhas do Sudeste Mexicano, palavras do EZLN pelo 22º aniversário: "Companheiros e companheiras, todos e todas, estamos seguros que vamos conquistar um dia o que queremos, para todos tudo, ou seja, nossa liberdade, porque agora nossa luta está avançando pouco a pouco e nossas armas de luta são nossa resistência, nossa rebeldia e nossa palavra verdadeira que não há montanha nem fronteiras que podem impedir que chegue até o ouvido e corações de outros irmãos e irmãs no mundo inteiro". Leia a íntegra no facebook aqui: https://goo.gl/qjJH1r! [Tradução Ruivo Lopes, publicado originalmente em Enlace Zapatista http://goo.gl/gcr84r]

Desconforto da História | A crônica do jornalista Gilles Lapouge "As 'mulheres de conforto'", publicada no Estadão (31, http://goo.gl/cTF2KF), revela uma história de crimes de guerra e de Estado que não se apagam com o tempo. As 46 mulheres coreanas sobreviventes, das 200 mil, feitas escravas sexuais de soldados japoneses durante a 2ª Guerra, ficaram 70 anos invisibilizadas e portanto ficaram de fora dos acordos estabelecidos entre Japão e Coreia do Sul. Só agora o Japão reconheceu pela primeira vez sua responsabilidade pelas "mulheres de conforto" e indenizar as hoje idosas sobreviventes. São feridas sensíveis e difíceis de cicatrizar. No Brasil, a ativista dos direitos humanos Amelinha Teles revela que durante a ditadura "O estupro era uma política de Estado. Era uma prática, não eram exceções. O estupro tem sido usado no mundo inteiro como uma arma de guerra. Aquilo foi uma guerra contra o povo e eles usaram o estupro também. Era uma forma de dominação: eu controlo suas ideias, eu controlo seu corpo”, disse em entrevista publicada pela Opera Mundi (http://goo.gl/Kn6puw). O relatório final da Comissão Nacional da Verdade divulgado em 2014 traz um capítulo exclusivo sobre casos de violência sexual e estupros cometidos por agentes do Estado durante a ditadura (http://goo.gl/soLmgO). Ao contrário dos que pensam que graves violações de direitos humanos, independente do contexto e época, são páginas viradas, graças aos sobreviventes, neste caso todas mulheres, o assunto saiu da caverna da história!

domingo, 27 de dezembro de 2015

Dicas de leitura e uma boa notícia!



Dicas de leitura! Há mais de uma década, a cena de saraus das periferias de São Paulo tem revelado inúmeros poetas, embora muitos ainda desconhecidos do público leitor. Mas isso não impede que estes poetas sejam vistos, ouvidos e muito prestigiados - ou considerados - nas noites de saraus em algum bairro da periferia da Cidade onde cada vez mais circuitos culturais independentes ou com apoio de recursos públicos atraem cada vez mais público. Quem já viu, ouviu e ficou impressionado com o poeta Helber Ladislau recitando - ou disparando -  e performando seus poemas, principalmente nos saraus da zona sul de SP, terá agora a oportunidade de ler seus poemas reunidos no livro "Poesias Negreiras" (Nós por Nós Editora, 2014). O livro reúne poemas longos e curtos e alguns aforismos secos, poéticos e cortantes. A apresentação fica por conta do Movimento Mães de Maio, responsável pela editora - que segue a tradição de publicar livros que traduzam a missão do Movimento que reúne familiares, principalmente mães de vitimas da violência praticada por agentes do Estado, principalmente policiais - , que já nas primeiras páginas diz "Helber é um guerreiro precioso e especial do nosso exército de filhos porretas. Um legado que conquistamos ao longo desses anos na luta por memória, verdade e justiça. Nosso poeta negro!". No prefácio, o também poeta Sérgio Vaz afirma que "Helber não é um poeta, ele é a poesia. Esses poemas impressos ja estavam impressos em nosso ouvidos, em nossas almas, desde quando ele começou a cravar sua poesia em nossos ouvidos". O formato do livro é no tradicional formato de bolso e o inconfundível projeto gráfico e ilustrações é de Silvana Martins, artista gráfica que assina outros projetos gráficos da editora e do Movimento Mães de Maio, além de edições de antologias de saraus. Destaque para o poema "Antonio", já conhecido pelos frequentadores de saraus. Ao ler os poemas publicados no livro, é impossível não ouvir a voz de Helber gravada na memória e ver sua performance, seu corpo inclinado, braços levantados no ar e mãos e dedos apontados para todas as direções. "Poesias Negreiras" é seu primeiro livro autoral. Adquira o livro direto com o autor aqui ou com a editora das Mães de Maio aqui. Recomendo, leitura indispensável!


"América Negra & outros poemas afro-brasileiros" do poeta piauiense Elio Ferreira, edição excepcional da Quilombhoje Literatura (2014). Elio publica desde o início dos anos 1980 e este é seu sétimo livro de poesia. Para a felicidade de quem aprecia a poesia e a poética negro e afro-brasileira, a edição de "América Negra" além do prefácio de Feliciano Bezerra e ensaios sobre o poeta e sua poética por Tania Lima e Derivaldo dos Santos, apresenta um conjunto de poemas inéditos e outros publicados há anos, mas também nos Cadernos Negros, outras edições e dispersos em antologias, revistas, etc. O lançamento de "América Negra", enche de cor, "orikis, cantos e canções, bigornas, martelos e tamores" a poesia feita no Brasil. Adquira direto com o autor: professorelioferreira@yahoo.com.br Leia e dê livros de presente! [Foto Elaine Campos]


"Confraria dos Perdedores & Outras Crônicas de 2ª" (Edições Incendiárias e Na Função Produções Artísticas, 2015), novo livro do escritor paulistano Walner Danziger. O livro reúne 44 crônicas, entre inéditas e publicadas semanalmente no blog  www.nasubidadomorro.wordpress.com, cuja verve é o subúrbio, o futebol, o samba, a memória e o verbo afiado de uma São Paulo crônica. Adquira direto com o autor: walnerdanziger@gmail.com Leia e dê livros de presente!



#SãoPauloCidadeLeitora O ano de 2015 foi importante para o livro, leitura, literatura e biblioteca na cidade de São Paulo. Após intensa mobilização e muita dedicação, o prefeito Fernando Haddad promulgou a Lei 16.333 proposta pelo vereador Antonio Donato​ (PT) e instituiu o Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca. É a primeira vez que SP conta com um Plano para fortalecer as políticas públicas para o livro, leitura, literatura e biblioteca na Cidade. O PMLLLB contou com a ampla participação num "processo participativo, democrático e popular" com o fim de "assegurar a tod@s o acesso ao livro, à leitura e à literatura" como direito humano. Conheça o Plano publicado sábado (19) no Diário Oficial da Cidade: http://goo.gl/buo8Ex

domingo, 13 de dezembro de 2015

Leiaí "Retratos de um cotidiano adormecido", novo livro de poesia de Hugo Paz



Leiaí! | O poeta Hugo Paz esta de volta com seu mais recente livro "Retratos de um cotidiano adormecido" (Editora Nelpa, 2014). Leiaí o que escrevi por ocasião do lançamento: "Poesia é síntese, poema é enredo e poeta é quem não permite amarras, principalmente na imaginação alheia. É assim que Hugo Paz apresenta seus poemas em 'Retratos de um cotidiano adormecido'. Os ‘retratos’ os quais se refere o poeta são alegorias provocadas por sentimentos contagiantes que sempre tem algo a mais para revelar a quem se entregar a seus poemas. Esse ‘algo a mais para revelar’ é um canal aberto pelo poeta, por onde deve passar toda a força dos seus poemas, para ir buscar em quem o ler o sentido necessário e decisivo para manter viva toda a sua poesia. Certos enredos soam familiares, porém, obrigam tanto o poeta quanto quem o ler a reivindicar para si o seu ‘cotidiano adormecido’. Do escândalo diário sucede também a calmaria. Neste livro, onde poemas curtos, quase pensamentos soltos, se avizinham de poemas mais versados, pés no chão, de asas abertas e preparados para voos altos, nasce mais uma vez o poeta".  Recomendo a leitura!

Livro: "Retratos de um cotidiano adormecido", 148 páginas
Gênero: Poesia
Autor: Hugo Paz
Editora: Editora Nelpa, 2014
Contato: hugopaz11@yahoo.com.br ou sintonizeapoesia@bol.com.br
Facebook: Hugo Paz

domingo, 6 de dezembro de 2015

Legado político e pedagógico das ocupações das escolas de SP

 
 Nas ocupações, alunos valorizam escolas contra um discurso de ataque à coisa pública

Legado político e pedagógico das ocupações das escolas de São Paulo já podem ser projetados, acreditam educadores

"Estudantes e comunidade nunca mais serão os mesmos"

Por Gisele Brito
Menos de 20 dias depois do início da primeira ocupação de uma escola estadual, em Diadema, o movimento de estudantes que tentam impedir o fechamento de 94 unidades de ensino segue forte em várias cidades de São Paulo. A ação obrigou o governo do estado a cancelar o Saresp nas escolas tomadas, mudar locais de provas da Fuvest e enfrentar uma contundente derrota no Judiciário, que entendeu que, de fato, faltou diálogo com estudantes e professores que sofreriam os impactos da medida e, por isso, as reintegrações de posse não seriam adequadas.

O governo ainda resiste em dar aos estudantes o que eles querem e insiste na "reorganização", inclusive gastando R$ 9 milhões para tentar encucá-la na população por meio de publicidade.

Dado o histórico pouco afeito ao diálogo do governador Geraldo Alckmin (PSDB), talvez, as escolas realmente sejam fechadas. Mas para educadores ouvidos pelo Observatório, as lições que ficam do movimento já são perenes.

Nas escolas ocupadas, os estudantes têm manifestado satisfação em aprender novos conteúdos a partir da experiência política, cultural e colaborativa. Eles assumem várias facetas do protagonismo. Além de terem de cuidar da rotina, o que inclui se reunir, deliberar e cuidar da segurança, alimentação, limpeza, programação, comunicação e solução de conflitos internos, ainda assumiram papel político de peso na atual conjuntura.

"É uma mobilização ímpar. Ultrapassa tudo que poderíamos pensar em planos de ensino", avalia a pedagoga e doutoranda em educação Crislei de Oliveira Custódio. "Mais que qualquer proposta construtivista, é uma experiência política de fato. Nas escolas construtivistas, há toda uma programação para o protagonismo, mas que acaba sendo um simulacro do que seria uma experiência democrática em um espaço público. Nesse caso, é mais interessante porque partiu dos alunos, eles estão se organizando nessas coisas cotidianas. Nas escolas construtivistas, ainda é preciso uma permissão do adulto, que decide o que será democratizado", pondera.

Para o educador Ruivo Lopes, da Ação Educativa, o movimento deixa claro que não se deve subestimar nenhuma criança ou adolescente ao se pensar em políticas públicas, especialmente na educação. "A mensagem que fica é que esses estudantes têm projeção de vida, desejos próprios e condições de intervir na sua própria realidade. Eles já venceram todo o aparato de subestimação", argumenta.

Os dois educadores ainda ressaltam como a iniciativa dos secundaristas é carregada de valorização das escolas, em um momento em que há um discurso deliberado contra as coisas públicas. A explicitação de um senso de pertencimento fortalece as unidades mobilizadas como equipamento público, fincado no coração das comunidades, que vão além da sala de aula. São locais de encontro, de troca, de lazer. Educativas em sentido muito mais amplo.

Além disso, o movimento conseguiu realizar um dos grandes objetivos de currículos escolares: trazer a comunidade para dentro da escola. Isso fica explícito na mobilização de pessoas para colaborar com aulas e oficinas, que têm mantido efervescente o ambiente das escolas ocupadas, mesmo nos finais de semana.

"Tanto já se falou em trazer as pessoas para a escola, usando festas, criação de conselhos e outros mecanismos. Sempre foi muito difícil, porque em geral a gente identifica como instituição do Estado e não como coisa pública, nossa. Um milhão de pessoas já escreveram sobre isso. E aí, numa coisa super de uma hora para outra, que não era um projeto do governo, se consegue", ressalta Crislei. "Fico pensando como serão essas escolas depois da ocupação. Certamente é um divisor de águas", aponta a pedagoga.

"Eles não voltam a ser os mesmos. E se as escolas derem espaço, elas serão transformadas para aquilo que sempre desejamos nos processos educativos", acredita Ruivo.

Publicado originalmente em: Observatório da Sociedade Civil /  Rede Brasil Atual