terça-feira, 22 de março de 2016
Em SP, coletivos lançam Manifesto #PeriferiasContraOGolpe
Manifesto #PeriferiasContraOGolpe
“Periferias, vielas, cortiços… Você deve estar pensando o que você tem a ver com isso”, Racionais MC's
Nós, moradoras e moradoras das periferias, que nunca dormimos enquanto o gigante acordava, estamos aqui pra mandar um salve bem sonoro aos fascistas: somos contra mais um golpe que está em curso e que nos atinge diretamente!
Nós, que não defendemos e continuamos apontando as contradições do governo petista, que nos concedeu apenas migalhas enquanto se aliou com quem nos explora. Nós, que também nos negamos a caminhar lado a lado de quem representa a Casa Grande.
Nós, periféricas e periféricos, que estamos na luta não é de hoje. Nós, que somos descendentes de Dandara e Zumbi, sobreviventes do massacre de nossos antepassados negros e indígenas, filhas e filhos do Nordeste, das mãos que construíram as grandes metrópoles e criaram os filhos dos senhores.
Nós, que estamos à margem da margem dos direitos sociais: educação, moradia, cultura, saúde.
Nós, que integramos movimentos sociais antes mesmo do nascimento de qualquer partido político na luta pelo básico: luz instalada, água encanada, rua asfaltada e criança matriculada na escola.
Nós, que enchemos laje em mutirão pra garantir nosso teto e conquistar um pedaço de chão, sem acesso à terra tomada por latifundiários e especuladores, que impedem nosso direito à moradia e destroem o meio ambiente e recursos naturais com objetivo de lucro.
Nós, que sacolejamos por três, quatro horas por dia, espremidos no vagão, busão, lotação, enfrentando grandes distâncias entre nossas casas aos centros econômicos, aos centros de lazer, aos centros do mundo.
Nós, que resistimos a cada dia com a arte da gambiarra - criatividade e solidariedade. Nós, que fazemos teatro na represa, cinema na garagem e poesia no ponto de ônibus.
Nós, que adoecemos e padecemos nos prontos-socorros e hospitais sem maca, médico, nem remédio.
Nós, que fortalecemos nossa fé em dias melhores com os irmãos na missa, no culto, no terreiro, com ou sem deus no coração, coerentes na nossa caminhança.
Nós, domésticas, agora com carteira assinada. Nós, camelôs e marreteiros, que trabalhamos sol a sol para tirar nosso sustento. Nós, trabalhadoras e trabalhadores, que continuamos com os mais baixos salários e sentimos na pele a crise econômica, o desemprego e a inflação.
Nós, que entramos nas universidades nos últimos anos, com pé na porta, cabeça erguida, orgulho no peito e perspectivas no horizonte.
Nós, que ocupamos nossas escolas sem merenda nem estrutura para ensinar e aprender. Nós, professoras e professores, que acreditamos na educação pública e não nos calamos e falamos sim de gênero, sexualidade, história africana e história indígena - ainda que tentem nos impedir.
Nós, que somos apontados como problema da sociedade, presas e presos aos 18, 16, 12 anos, como querem os deputados.
Nós, cujos direitos continuam sendo violados pelo Estado, levamos tapa do bandeirante fardado, condenados sem ser julgados, encarcerados, esquecidos, quando não assassinados - e ainda dizem: “menos um bandido”.
Nós, mulheres pretas da mais barata carne do mercado, que sofremos a violência doméstica, trabalhista, obstétrica e judicial, e choramos por filhos e filhas tombados pelo agente do Estado.
Nós, gays, lésbicas, bissexuais, travestis, homens e mulheres trans, que enfrentamos a a violência e invisibilidade, e não aceitamos que nos coloquem de volta no armário.
Nós, que não aceitamos nossa história contada por uma mídia que não nos representa e lutamos pelo direito à comunicação. Nós, que estamos construindo, com nossa voz, as próprias narrativas: poesia falada, cantada, escrita.
Nós, que sempre estivemos nas ruas, nas redes, nas Câmaras, na cola dos politiqueiros de plantão e que agora somos taxados de terroristas por causa de nossas lutas. Nós, que aprendemos a fazer até leis para continuar lutando por nossos direitos. Nós, que garantimos a duras penas o mínimo de escuta em espaços de poder, não aceitamos dar nem um passo atrás.
Nós, que somos de várias periferias, nos manifestamos contra o golpe contra o atual governo federal promovido por políticos conservadores, empresários sem compromisso com o povo e uma mídia manipuladora.
Não compactuamos com quem vai às ruas de camisa amarela com um discurso de ódio, fascista, argumentando o justo “combate à corrupção” mas motivado por interesses privados. Não compactuamos com quem defende a quebra da legalidade para beneficiar a parcela abonada da população, em troca do enfraquecimento do Estado Democrático de Direito pelo qual nós dos movimentos sociais periféricos lutamos ontem, hoje e continuaremos lutando amanhã.
Nós, que sabemos que a democracia real será efetiva apenas com a ampliação de direitos e conquistas de nosso povo preto, periférico e pobre, a partir da esquerda e de baixo pra cima.
Nós, que conquistamos só uma parte do que sonhamos e temos direito, não admitimos retrocesso. Reivindicamos o respeito à soberania das urnas e a manutenção do Estado Democrático de Direito. Reivindicamos as ruas enquanto espaço de diálogo, debate e fazer político, mas nunca como território do ódio. Reivindicamos nossa liberdade de expressão, seja ela ideológica, política ou religiosa. Reivindicamos a desmilitarização das polícias, da política e da vida social. Reivindicamos o avanço das políticas públicas, dos direitos civis e sociais.
Não vai ter golpe. Não vai ter luto. Haverá luta!
Confira quem já assinou o Manifesto e assine também aqui: http://goo.gl/forms/uRO7OhHkuf
domingo, 6 de março de 2016
Assistaí: leituras de "Quarto de Despejo", da escritora Carolina Maria de Jesus
Assistaí! | A convite da Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura/Ibeac,
em Parelheiros, zona sul de SP, leitores e leitoras leem trechos de
"Quarto de Despejo", primeiro livro publicado da escritora Carolina
Maria de Jesus. Confira!
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domingo, 28 de fevereiro de 2016
Em SP, Territorialidades de Cidinha da Silva e curso femenageiam 10 anos de atividade literária da autora

Se ligaí! | Para comemorar os 10 anos de atividade literária da escritora Cidinha Da Silva, dramaturga, cronista e prosadora, o Centro de Pesquisa e Formação - Sesc em São Paulo promove, nos dias 3 e 4 de março, o "Territorialidades de Cidinha da Silva". Na programação: encontros com Sueli Carneiro, Emerson Inácio, Ligia Ferreira, Dinha Maria Nilda, Bel Santos Mayer
e eu discorreremos sobre a produção literária da autora, abordando o
significado, o lugar literário e político, bem como o impacto da obra de
Cidinha da Silva na cena literária brasileira. Inscreva-se e participe:
https://goo.gl/uPmRdX!
Perspectivas: Territorialidades de Cidinha da Silva
Programa
Escritora em atividade há uma década, Cidinha da Silva é
dramaturga, cronista e prosadora. Nestes encontros, os convidados que
conhecem e acompanham a autora desde a juventude discorrem sobre sua
produção, abordando o significado, o lugar literário e político na cena
literária brasileira, bem como o impacto de sua obra em construção.
03 de março – Temas caros aos direitos humanos na crônica de Cidinha da Silva
Com Sueli Carneiro e Emerson Inácio. Mediação de Ruivo Lopes.
04 de março – Cidinha da Silva na cena literária brasileira
Palestrantes
Com Lígia Ferreira e Dinha. Mediação de Bel Santos Mayer.
Palestrantes
Sueli Carneiro
Doutora em Educação (USP). Presidente do Geledés – Instituto da Mulher Negra.
Bel Santos Mayer
Pedagoga social, coordenadora do
Programa de Direitos Humanos do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio
Comunitário – Ibeac; da coordenação colegiada do Polo de Leitura
LiteraSampa e membro do GT do PMLLLB/SP.
Ruivo Lopes
Educador e poeta.
Emerson Inácio
Docente da área de Estudos Comparados de Literatura de Língua Portuguesa - USP
Lígia Ferreira
Docente de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários e Linguísticos na UNIFESP. Autora de “Com a palavra Luiz Gama. Poemas, artigos, cartas, máximas”.
Docente da área de Estudos Comparados de Literatura de Língua Portuguesa - USP
Lígia Ferreira
Docente de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários e Linguísticos na UNIFESP. Autora de “Com a palavra Luiz Gama. Poemas, artigos, cartas, máximas”.
Dinha
Poeta e editora da Me Parió Revolução.
Tradução em Libras disponível. Faça sua solicitação no ato da inscrição, com no mínimo dois dias de antecedência da atividade.
Cidinha da Silva ministrará curso gratuito no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo
Contextos: Personagens interseccionais na obra de Cidinha da Silva
Programa
Nos dias 3 e 4 de março, Cidinha da Silva promoverá um curso que abordará a complexidade literária das personagens construídas pela autora em seus cinco livros de crônicas e nas centenas de outras publicadas na internet, com destaque para mulheres negras, população LGBT, homens negros, diversidade de faixas etárias, sujeitos dissonantes de um modo geral.
Palestrante
Palestrante
Cidinha da Silva
Tradução em Libras disponível. Faça sua solicitação no ato da inscrição, com no mínimo dois dias de antecedência da atividade.
sábado, 30 de janeiro de 2016
Em SP, Jornada de Educação Popular discute "Educação como movimento social"
Se ligaí! | Daqui a pouco, às 14h, participo da Jornada de Educação
Popular, no diálogo Educação como movimento social, com Fernanda Elisa
Pansica, militante pela Educação e professora de Português na rede
estadual e municipal de São Paulo; Jupiara Castro, funcionária da
Faculdade de Medicina da USP e fundadora do Núcleo de Consciência Negra
na USP; Ruivo Lopes, educador popular, agitador cultural e ativista dos
Direitos Humanos; e Silvia Lopes Raimundo, doutoranda Geografia
Humana/USP, é pesquisadora de formação do território urbano nas
periferias SP. O Núcleo Pele (Grajaú/ZS) promoverá a apresentação de
encerramento. Organizada pelo Curso Mafalda, a Jornada é aberta e gratuita, inscreva-se: http://goo.gl/forms/2Zy0Ya96VU
ou direto na Universidade Cidade de São Paulo (R. Cesário Galeno, nº
448, Tatuapé, próximo ao metrô Carrão, zona leste de SP). Participe!
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
Mais um ano que promete!
Olá! Espero encontrar você bem! Esta é a primeira publicação do ano neste blog sobre Poéticas Políticas. Selecionei aqui algumas publicações que fiz no facebook desde primeiro de janeiro. Como no facebook além de efêmero tudo é relativo, espero que você encontre aqui algumas informações recuperadas de lá que considero perenes e pertinentes. Aproveito para agradecer cada minuto seu dedicado a este blog. Nos vemos no decorrer de 2016!
Educação por atacado em SP | Em documento enviado ao Ministério Público de SP, a Secretaria de Estado da Educação já tinha admitido "redução de despesa" com a tentativa de "reorganização escolar", suspensa devido a mobilização dos estudantes que promoveram inédita ocupação das escolas no final do ano passado (http://goo.gl/G7gsJv). Derrotada, a SEE acaba de oficializar a superlotação das salas das escolas públicas estaduais. Por meio de resolução (http://goo.gl/P6VWLK) as salas poderão comportar 33 estudantes nos anos iniciais, 38 nos finais e 44 no ensino médio, com a possibilidade de acrescimo em 10% em cada uma delas (http://goo.gl/Z1izXr), inclusive as de Educação de Jovens e Adultos. A redução da quantidade de estudante por sala é reivindicação antiga de professores (http://goo.gl/gKPXMl) e também dos estudantes que protagonizaram as ocupações das escolas (http://goo.gl/gkFbZz), ambos amparados pelo parecer nº 8/2010 do Conselho Nacional de Educação (http://goo.gl/4yG37E, pág. 19) no qual prevê a relação adequada entre o número de estudantes por turma de modo que permita uma aprendizagem de qualidade. A SEE afirma que atender as exigências do parecer do CNE "é impossível do ponto de vista orçamentário". Com base no Idesp, reportagem do Estadão já tinha demonstrado que a quantidade inadequada de estudantes por sala tem impacto negativo no processo de aprendizagem que envolve professor e estudantes (http://goo.gl/h8QI1Y). Em SP, educação segue por atacado!
Ainda falta debate sobre transporte em SP | Durante os protestos de junho de 2013, o prefeito de São Paulo determinou a criação do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito, instância participativa e democrática para a discussão sobre as políticas públicas do transporte coletivo - que um dia foi público e não é mais, faz tempo, desde que o poder público passou a tentar exercer apenas o papel de regulação da concessão das empresas que dominam e exploram o setor. Na época, o MPL se recusou a participar do Conselho, optando pela ocupação e debate em praça pública. No portal da Secretaria Municipal de Transportes, a última ata disponível do CMTT é de outubro de 2015. Não há nenhuma menção ao reajuste da tarifa municipal. A última reunião aconteceu no dia 16 de dezembro e a pauta principal era a "Apresentação do Plano Municipal de Mobilidade Urbana", um conjunto de ações na área previstas para os próximos 15 anos na Cidade (http://goo.gl/P1m7py). A ata da reunião ainda não esta disponível e, portanto, não tem como saber se o reajuste das tarifas também foi discutido no Conselho (http://goo.gl/hfsrNC). No entanto, no link "Reajuste Tarifário", a prefeitura disponibiliza "relatório que embasa a alteração de tarifa vigente a partir de 09/01/16", "encaminhado à Câmara Municipal em 30/12/15" (http://goo.gl/Dxbb4F). Em um ano em que a prefeitura da Cidade será cobiçada, a prefeitura atribui o reajuste a uma medida técnica e não política, como se o esforço para combinar o reajuste com o governo do estado não fosse político, mas técnico. E mais uma vez o reajuste veio sem discussão, sem participação. Não há como evitar o custo político de decisões como esta, principalmente quando os meios são equivocados. A violência policial, como sempre, é bestial, mas não pode desviar o foco do debate!
Por uma história simultânea | O historiador britânico, nascido no Egito, Eric Hobsbawm (1917 - 2012) em passagem pelo Brasil, em 1995, proferiu a conferência "O presente como história: escrever a história de seu próprio tempo". Na época, o historiador tinha lançado seu "A era dos extremos". O registro da conferência foi publicado na revista Novos Estudos nº 43 (http://goo.gl/yfq39J). Nele, o historiador reflete sobre os desafios de escrever a história do seu próprio tempo. Mas vai além, reconhece e questiona o consenso sobre os marcos da história. "Provavelmente não há mais do que meia dúzia de datas que são marcos simultâneos nas histórias distintas de 'todas as regiões' do mundo". No entanto, "Se existe tal consenso, em que medida ele é permanente, em que medida é sujeito à mudança, à erosão, à transformação, como e por quê?". A reflexão feita pelo historiador nos ajuda a situar o debate acalorado que tem dividido historiadores/as no Brasil desde que o Ministério da Educação colocou em debate a proposta da Base Nacional Comum Curricular (http://goo.gl/p17n1a). Qualquer pessoa pode enviar contribuições ao texto. Considero oportuna a proposta de abordagem sobre o desenvolvimento simultâneo da história sobre diversos aspectos como também a inserção de fatos e agentes esquecidos pela historiografia oficial. Já a ala conservadora, aceita mudanças desde que a perspectiva eurocêntrica "fique como está". Contra os últimos, Hobsbawm já alertara: "o maior pecado dos historiadores é o anacronismo". O debate seguirá em 2016, ano de conclusão do texto definitivo da BNCC, assim, pretendo voltar ao assunto em breve!
This is my man! | Não me considero nem apocalíptico nem integrado em relação ao Brasil deste século XXI. Mas justiça seja feita. O então presidente Lula não precisou chorar perante o país para aprovar o Estatuto do Desarmamento em 2003 - o qual a bancada da bala quer dilapidar a todo custo (http://goo.gl/jwKF9j). A proposta do Estatuto contava com mobilização e apoio social. Não é de hoje que os Estados Unidos precisam de um Estatuto do Desarmamento interno... e também externo. Na primeira opção poderiam aprender com o Brasil, como tentaram fazer com o SUS (Sistema Único de Saúde), mas a bancada da saúde privada de lá não permitiu que a proposta avançasse. Já no segundo caso, se fosse viável, Barack Obama entraria pela segunda vez para a história e quem sabe Lula retribuiria o agrado feito pelo colega!
Fim dos autos de resistência | Próximo de completar dez anos dos Crimes de Maio, quando ao menos 505 civis foram assassinados por arma de fogo entre os dias 12 e 26 de maio de 2006, no estado de SP, finalmente virou resolução normativa uma antiga reivindicação do Movimento Mães de Maio, formado por familiares, principalmente mães, das vítimas de violência das policias, e outros movimentos, organizações e órgãos de defesa dos direitos humanos, a abolição do uso dos termos "auto de resistência" e "resistência seguida de morte" nos boletins de ocorrência e inquéritos policiais em todo o território nacional (http://goo.gl/4gvgHf). Em setembro, policiais militares foram filmados quando forjavam troca de tiros para justificar o homicídio do adolescente Eduardo Felipe Santos Victor, de 17 anos, no Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio. Os policiais tinham registrado o caso como "auto de resistência" (https://goo.gl/zpHYQn). Em recente relatório, a Human Rights Watch aponta um aumento de 97% no número de mortes decorrentes de ações policias em SP, que foram de 369, em 2013, para 728 em 2014. No RJ, foram 416 mortes por essas causas em 2013 e 582 em 2014, um crescimento de 40% (http://goo.gl/taqgPO). Só em SP, entre janeiro e novembro de 2015, de acordo com dados da SSP, foram registrados 532 mortes por intervenção de PMs em serviço (http://goo.gl/jFrFpH). A maioria das vítimas são jovens, negros, moradores de morros, favelas e periferias. Com a resolução, além da abertura do inquérito policial, o Ministério Público deverá acompanhar cada caso!
Para tod@s tudo em 2016! | Das montanhas do Sudeste Mexicano, palavras do EZLN pelo 22º aniversário: "Companheiros e companheiras, todos e todas, estamos seguros que vamos conquistar um dia o que queremos, para todos tudo, ou seja, nossa liberdade, porque agora nossa luta está avançando pouco a pouco e nossas armas de luta são nossa resistência, nossa rebeldia e nossa palavra verdadeira que não há montanha nem fronteiras que podem impedir que chegue até o ouvido e corações de outros irmãos e irmãs no mundo inteiro". Leia a íntegra no facebook aqui: https://goo.gl/qjJH1r! [Tradução Ruivo Lopes, publicado originalmente em Enlace Zapatista http://goo.gl/gcr84r]
Desconforto da História | A crônica do jornalista Gilles Lapouge "As 'mulheres de conforto'", publicada no Estadão (31, http://goo.gl/cTF2KF), revela uma história de crimes de guerra e de Estado que não se apagam com o tempo. As 46 mulheres coreanas sobreviventes, das 200 mil, feitas escravas sexuais de soldados japoneses durante a 2ª Guerra, ficaram 70 anos invisibilizadas e portanto ficaram de fora dos acordos estabelecidos entre Japão e Coreia do Sul. Só agora o Japão reconheceu pela primeira vez sua responsabilidade pelas "mulheres de conforto" e indenizar as hoje idosas sobreviventes. São feridas sensíveis e difíceis de cicatrizar. No Brasil, a ativista dos direitos humanos Amelinha Teles revela que durante a ditadura "O estupro era uma política de Estado. Era uma prática, não eram exceções. O estupro tem sido usado no mundo inteiro como uma arma de guerra. Aquilo foi uma guerra contra o povo e eles usaram o estupro também. Era uma forma de dominação: eu controlo suas ideias, eu controlo seu corpo”, disse em entrevista publicada pela Opera Mundi (http://goo.gl/Kn6puw). O relatório final da Comissão Nacional da Verdade divulgado em 2014 traz um capítulo exclusivo sobre casos de violência sexual e estupros cometidos por agentes do Estado durante a ditadura (http://goo.gl/soLmgO). Ao contrário dos que pensam que graves violações de direitos humanos, independente do contexto e época, são páginas viradas, graças aos sobreviventes, neste caso todas mulheres, o assunto saiu da caverna da história!
domingo, 27 de dezembro de 2015
Dicas de leitura e uma boa notícia!
Dicas de leitura! Há mais de uma década, a cena de saraus das periferias de São Paulo tem revelado inúmeros poetas, embora muitos ainda desconhecidos do público leitor. Mas isso não impede que estes poetas sejam vistos, ouvidos e muito prestigiados - ou considerados - nas noites de saraus em algum bairro da periferia da Cidade onde cada vez mais circuitos culturais independentes ou com apoio de recursos públicos atraem cada vez mais público. Quem já viu, ouviu e ficou impressionado com o poeta Helber Ladislau recitando - ou disparando - e performando seus poemas, principalmente nos saraus da zona sul de SP, terá agora a oportunidade de ler seus poemas reunidos no livro "Poesias Negreiras" (Nós por Nós Editora, 2014). O livro reúne poemas longos e curtos e alguns aforismos secos, poéticos e cortantes. A apresentação fica por conta do Movimento Mães de Maio, responsável pela editora - que segue a tradição de publicar livros que traduzam a missão do Movimento que reúne familiares, principalmente mães de vitimas da violência praticada por agentes do Estado, principalmente policiais - , que já nas primeiras páginas diz "Helber é um guerreiro precioso e especial do nosso exército de filhos porretas. Um legado que conquistamos ao longo desses anos na luta por memória, verdade e justiça. Nosso poeta negro!". No prefácio, o também poeta Sérgio Vaz afirma que "Helber não é um poeta, ele é a poesia. Esses poemas impressos ja estavam impressos em nosso ouvidos, em nossas almas, desde quando ele começou a cravar sua poesia em nossos ouvidos". O formato do livro é no tradicional formato de bolso e o inconfundível projeto gráfico e ilustrações é de Silvana Martins, artista gráfica que assina outros projetos gráficos da editora e do Movimento Mães de Maio, além de edições de antologias de saraus. Destaque para o poema "Antonio", já conhecido pelos frequentadores de saraus. Ao ler os poemas publicados no livro, é impossível não ouvir a voz de Helber gravada na memória e ver sua performance, seu corpo inclinado, braços levantados no ar e mãos e dedos apontados para todas as direções. "Poesias Negreiras" é seu primeiro livro autoral. Adquira o livro direto com o autor aqui ou com a editora das Mães de Maio aqui. Recomendo, leitura indispensável!
"América Negra & outros poemas afro-brasileiros" do poeta piauiense Elio Ferreira, edição excepcional da Quilombhoje Literatura
(2014). Elio publica desde o início dos anos 1980 e este é seu sétimo
livro de poesia. Para a felicidade de quem aprecia a poesia e a poética
negro e afro-brasileira, a edição de "América Negra" além do prefácio de
Feliciano Bezerra e ensaios sobre o poeta e sua poética por Tania Lima e
Derivaldo dos Santos, apresenta um conjunto de poemas inéditos e outros
publicados há anos, mas também nos Cadernos Negros, outras edições e
dispersos em antologias, revistas, etc. O lançamento de "América Negra",
enche de cor, "orikis, cantos e canções, bigornas, martelos e tamores" a
poesia feita no Brasil. Adquira direto com o autor:
professorelioferreira@yahoo.com.br Leia e dê livros de presente! [Foto Elaine Campos]
"Confraria dos Perdedores & Outras Crônicas de 2ª" (Edições Incendiárias e Na Função Produções Artísticas, 2015), novo livro do escritor paulistano Walner Danziger. O livro reúne 44 crônicas, entre inéditas e publicadas semanalmente no blog www.nasubidadomorro.wordpress.com,
cuja verve é o subúrbio, o futebol, o samba, a memória e o verbo afiado
de uma São Paulo crônica. Adquira direto com o autor:
walnerdanziger@gmail.com Leia e dê livros de presente!
#SãoPauloCidadeLeitora O ano de 2015 foi importante para o livro, leitura, literatura e biblioteca na cidade de São Paulo. Após intensa mobilização e muita dedicação, o prefeito Fernando Haddad promulgou a Lei 16.333 proposta pelo vereador Antonio Donato (PT) e instituiu o Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca. É a primeira vez que SP conta com um Plano para fortalecer as políticas públicas para o livro, leitura, literatura e biblioteca na Cidade. O PMLLLB contou com a ampla participação num "processo participativo, democrático e popular" com o fim de "assegurar a tod@s o acesso ao livro, à leitura e à literatura" como direito humano. Conheça o Plano publicado sábado (19) no Diário Oficial da Cidade: http://goo.gl/buo8Ex
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domingo, 13 de dezembro de 2015
Leiaí "Retratos de um cotidiano adormecido", novo livro de poesia de Hugo Paz
Leiaí! | O poeta Hugo Paz
esta de volta com seu mais recente livro "Retratos de um cotidiano
adormecido" (Editora Nelpa, 2014). Leiaí o que escrevi por ocasião do
lançamento: "Poesia é síntese, poema é enredo e poeta é quem não permite
amarras, principalmente na imaginação alheia. É assim que Hugo Paz
apresenta seus poemas em 'Retratos de um cotidiano adormecido'. Os
‘retratos’ os quais se refere o poeta são alegorias provocadas por
sentimentos contagiantes que sempre tem algo
a mais para revelar a quem se entregar a seus poemas. Esse ‘algo a mais
para revelar’ é um canal aberto pelo poeta, por onde deve passar toda a
força dos seus poemas, para ir buscar em quem o ler o sentido
necessário e decisivo para manter viva toda a sua poesia. Certos enredos
soam familiares, porém, obrigam tanto o poeta quanto quem o ler a
reivindicar para si o seu ‘cotidiano adormecido’. Do escândalo diário
sucede também a calmaria. Neste livro, onde poemas curtos, quase
pensamentos soltos, se avizinham de poemas mais versados, pés no chão,
de asas abertas e preparados para voos altos, nasce mais uma vez o
poeta". Recomendo a leitura!Livro: "Retratos de um cotidiano adormecido", 148 páginas
Gênero: Poesia
Autor: Hugo Paz
Editora: Editora Nelpa, 2014
Contato: hugopaz11@yahoo.com.br ou sintonizeapoesia@bol.com.br
Facebook: Hugo Paz
domingo, 6 de dezembro de 2015
Legado político e pedagógico das ocupações das escolas de SP
Nas ocupações, alunos valorizam escolas contra um discurso de ataque à coisa pública
Legado político e pedagógico das ocupações das escolas de São Paulo já podem ser projetados, acreditam educadores
"Estudantes e comunidade nunca mais serão os mesmos"
Por Gisele Brito
Menos de 20 dias depois do início da primeira ocupação de uma escola
estadual, em Diadema, o movimento de estudantes que tentam impedir o
fechamento de 94 unidades de ensino segue forte em várias cidades de São
Paulo. A ação obrigou o governo do estado a cancelar o Saresp nas
escolas tomadas, mudar locais de provas da Fuvest e enfrentar uma
contundente derrota no Judiciário, que entendeu que, de fato, faltou
diálogo com estudantes e professores que sofreriam os impactos da medida
e, por isso, as reintegrações de posse não seriam adequadas.
O governo ainda resiste em dar aos estudantes o que eles querem e
insiste na "reorganização", inclusive gastando R$ 9 milhões para tentar
encucá-la na população por meio de publicidade.
Dado o histórico pouco afeito ao diálogo do governador Geraldo
Alckmin (PSDB), talvez, as escolas realmente sejam fechadas. Mas para
educadores ouvidos pelo Observatório, as lições que ficam do movimento
já são perenes.
Nas escolas ocupadas, os estudantes têm manifestado satisfação em
aprender novos conteúdos a partir da experiência política, cultural e
colaborativa. Eles assumem várias facetas do protagonismo. Além de terem
de cuidar da rotina, o que inclui se reunir, deliberar e cuidar da
segurança, alimentação, limpeza, programação, comunicação e solução de
conflitos internos, ainda assumiram papel político de peso na atual
conjuntura.
"É uma mobilização ímpar. Ultrapassa tudo que poderíamos pensar em
planos de ensino", avalia a pedagoga e doutoranda em educação Crislei de
Oliveira Custódio. "Mais que qualquer proposta construtivista, é uma
experiência política de fato. Nas escolas construtivistas, há toda uma
programação para o protagonismo, mas que acaba sendo um simulacro do que
seria uma experiência democrática em um espaço público. Nesse caso, é
mais interessante porque partiu dos alunos, eles estão se organizando
nessas coisas cotidianas. Nas escolas construtivistas, ainda é preciso
uma permissão do adulto, que decide o que será democratizado", pondera.
Para o educador Ruivo Lopes, da Ação Educativa, o movimento deixa
claro que não se deve subestimar nenhuma criança ou adolescente ao se
pensar em políticas públicas, especialmente na educação. "A mensagem que
fica é que esses estudantes têm projeção de vida, desejos próprios e
condições de intervir na sua própria realidade. Eles já venceram todo o
aparato de subestimação", argumenta.
Os dois educadores ainda ressaltam como a iniciativa dos
secundaristas é carregada de valorização das escolas, em um momento em
que há um discurso deliberado contra as coisas públicas. A explicitação
de um senso de pertencimento fortalece as unidades mobilizadas como
equipamento público, fincado no coração das comunidades, que vão além da
sala de aula. São locais de encontro, de troca, de lazer. Educativas em
sentido muito mais amplo.
Além disso, o movimento conseguiu realizar um dos grandes objetivos
de currículos escolares: trazer a comunidade para dentro da escola. Isso
fica explícito na mobilização de pessoas para colaborar com aulas e
oficinas, que têm mantido efervescente o ambiente das escolas ocupadas,
mesmo nos finais de semana.
"Tanto já se falou em trazer as pessoas para a escola, usando festas,
criação de conselhos e outros mecanismos. Sempre foi muito difícil,
porque em geral a gente identifica como instituição do Estado e não como
coisa pública, nossa. Um milhão de pessoas já escreveram sobre isso. E
aí, numa coisa super de uma hora para outra, que não era um projeto do
governo, se consegue", ressalta Crislei. "Fico pensando como serão
essas escolas depois da ocupação. Certamente é um divisor de águas",
aponta a pedagoga.
"Eles não voltam a ser os mesmos. E se as escolas derem espaço, elas
serão transformadas para aquilo que sempre desejamos nos processos
educativos", acredita Ruivo.
Publicado originalmente em: Observatório da Sociedade Civil / Rede Brasil Atual
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Meu amigo, Paulo Freire!
São Paulo, 2 de dezembro de 2015.
Meu amigo, Paulo Freire!
Espero que esta carta o encontre bem!
Na última vez em que eu o ouvi, fiquei muito comovido quando o senhor
disse que estava muito cansado, embora estivesse muito feliz em estar
vivo e morreria feliz em ver um Brasil em seu tempo histórico cheio de
marchas, mas as “marchas dos que não tem escola, marcha dos reprovados,
marcha dos que querem amar e não podem, marcha dos que se recusam a uma
obediência servil, marcha dos que se rebelam, marchas dos que querem ser
e estão proibidos de ser...”. Como o senhor mesmo disse, “as marchas são
andarilhagens históricas pelo mundo”. Já se passaram alguns anos desde
aquela última vez, de lá pra cá, toda vez que demos um passo o mundo
saiu do lugar.
O senhor, como sempre, me pondo a pensar. Como um
homem que conheceu tão bem a nossa gente, que conviveu tanto com a
nossa gente, que conversou tanto com a nossa gente, que pensou tanto com
a nossa gente, que se dedicou a vida inteira a nossa gente, pudesse
estar cansado... cansado e feliz? Afinal, é a tua gente o motivo da tua
felicidade, amigo Paulo!
É por isso que os donos do poder atentam contra a tua gente, como se fôssemos uns “desabusados... destruidores da ordem”, quando na verdade afirmamos que “é preciso mesmo brigar para que se obtenha o mínimo de transformação”. O teu desejo, o teu sonho, era o de que as marchas dos “sem” acontecessem para nos afirmarmos como gente e como sociedade querendo democratizar-se.
O
senhor que nos agraciou com a mais potente “Pedagogia do Oprimido”,
elevou a “Educação como prática da liberdade”, e estimulou a “Ação
cultural para a liberdade”, fez da “Pedagogia da autonomia” um norte, no
qual “a leitura de mundo precede a leitura da palavra”, sem abrir mão
da “Importância do ato de ler”, nutrindo-nos de “Pedagogia da
esperança”. Nem a perseguição, nem a prisão, nem a censura, nem o
exílio o cansaram. Por que o cansariam agora, quando mais precisamos da
vitalidade do senhor?
Meu amigo, Paulo. Preciso contar-lhe algo
surpreendente. Há algumas semanas, estudantes secundaristas de escolas
públicas de São Paulo mobilizaram-se e ocuparam as escolas estaduais
contra a intransigência política e o autoritarismo mais atroz dos
mandatários de plantão da Secretaria de Estado da Educação do Governo de
São Paulo. Estes mandatários querem a todo custo promover uma
desorganização do sistema misto do ensino fundamental e médio na mesma
unidade escolar. Além de separar os estudantes, irmãos e irmãs em anos
diferentes, estes mandatários anunciaram o fechamento de escolas e irão
aumentar ainda mais a quantidade de estudantes por sala de aula,
prejudicando ainda mais o processo de aprendizagem da turma de
educandos, como também de educadores que ficarão pressionados entre
carteiras e lousas nas salas de aula já superlotadas.
Amigo,
Paulo. O senhor, depois de andarilhar com os oprimidos pela
America-Latina, Europa e África, foi Secretario de Educação da cidade de
São Paulo, dialogando com todo mundo disposto a falar e também a ouvir.
Ninguém mais do que o senhor sabe o valor da fala do oprimido que ao
falar denuncia sua opressão e ao fazê-lo conscientiza-se “da tomada de
decisão de intervenção no mundo”. O senhor que como Secretário Municipal
de Educação acabou com as “delegacias de ensino”, porque delegacias são
de polícia e não de ensino, e criou os Núcleos de Ação Educativa,
unindo prática e reflexão pedagógica com e entre educadores e educandos.
O senhor ficaria feliz se pudesse estar aqui para conferir a
vitalidade, a disposição, a coragem e o sorriso que só a meninice
consegue nos agraciar. Esses meninos e meninas que ainda estão se
fazendo gente têm passado noites em salas e pátios de escolas ocupadas,
organizam-se para a limpeza, para alimentarem-se, para promover a
própria segurança, realizam assembleias, discutem os feitos do dia e
planejam o dia seguinte, e assim “contrariam as estatísticas”, tomando
para si a possibilidade de decidirem sobre o próprio futuro.
O
senhor nunca deixou que esquecêssemos que não há possibilidade de
educação apartada da cultura e que não há cultura apartada da educação.
Sabemos que a truculência e a ideologia da ditadura militar nunca
permitiram que a escola fosse um centro cultural de aprendizagem mútua e
que anos mais tarde, a truculência política impediu que nossa amiga
Marilena Chauí, então Secretária Municipal de Cultura, ao teu lado,
fizesse das casas de cultura da Cidade de São Paulo, espaços educativos
de modo que escolas e casas de cultura complementar-se-iam tal qual
Cultura e Educação devem complementar-se, emaranhar-se, de modo que o
sujeito da cultura e da educação seja os educandos.
Em uma
escola ocupada e gerida pelos estudantes, prestigiei uma apresentação de
teatro cujo mote era a rebelião dos trabalhadores cansados da opressão
dos patrões. Vi amigos dos estudantes promovendo oficinas de estêncil,
comunicação alternativa, cartazes, capoeira, música, sarau de poesia e
etc. Vi pais e mães ao lado dos filhos e filhas, juntos, e não era nenhuma
reunião protocolar de pais e mestres e sim a participação tão desejada da
comunidade na vida escolar. Vi professores e professoras dialogando em
profunda comunhão, chamando os estudantes pelo primeiro nome e sendo
chamados pelo primeiro nome, aprendendo juntos a conviver fraternalmente
como sempre desejamos. Vi pessoas doando livros, mantimentos, produtos
de limpeza e etc., como demonstração de apoio aos estudantes. Vi pessoas
dispostas a dialogar com os estudantes sobre consenso, organização,
feminismo, negritude, LGBT, direitos humanos, educação popular e etc. Vi
pessoas disposta a ajudar de qualquer forma, a ouvir o que os
estudantes têm a dizer e simplesmente estar ali, solidarizando-se. E
numa das escolas ocupadas, vi no pátio, bem ao fundo e no alto, o teu
retrato mais bonito, como se estivesse olhando a e por todos nós,
testemunhando o movimento da história e feliz por estar presente. Posso
imaginar o senhor sentado ali, junto com os estudantes, muito a vontade
entre a tua gente, trocando histórias com eles como se estivesse ao pé
de uma mangueira.
A cegueira e a surdez política dos mandatários
de plantão da Secretaria de Estado da Educação enchem os brutos de
orgulho muito mais do que bom senso. É espantoso como um aparato tão
poderoso da educação pode ser manipulado por mandatários inescrupulosos e
belicosos que, sem nenhuma vergonha, declaram “guerra” ao bem mais
precioso da educação que é os estudantes, sujeitos da educação, sem os
quais a Secretaria de Estado da Educação não passa de uma ostra
moribunda, ensimesmada, destinada a prisão ao próprio casco. O Estado
declarou “guerra” aos estudantes por estes recolocarem na ordem do dia a
educação pública. Na ausência de dialogo, o Estado responde declarando a
mais bestial “guerra” suja!
Amigo, Paulo. Os estudantes estão
tomando as ruas da Cidade para buscar dialogo com cidadão e cidadãs
ainda penetráveis pela sensibilidade necessária que nos irmana a todos.
As polícias agem como os mais ferozes, sedentos e bestializados cães
raivosos a serviço dos poderosos. Contra a imposição da desorganização
escolar, os estudantes respondem com a afirmação de que “não tem
arrego”!
Como o senhor bem disse, “é preciso ir além da
passividade com uma postura rebelde e criticamente transformadora do
mundo”. Estes estudantes ainda pouco o conhecem, mas o senhor ficará
feliz quando o conhecê-los.
Estes estudantes estão escrevendo os
novos rumos da educação pública, nem eles, nem a sala de aula, nem as
escolas hoje ocupadas serão as mesmas. Como o senhor, eu também estou
feliz por testemunhar a vitalidade da história, que não está
determinada, mas que ainda está por se fazer.
Abraço do amigo de sempre,
Ruivo Lopes
P.S.: permita-me, pelo profundo respeito e admiração, que eu o chame nesta carta carinhosamente de “senhor”.
domingo, 29 de novembro de 2015
Em Santos (SP), Fórum discute educação popular, direitos humanos e lutas sociais
Se ligaí, Santos! | Nesta segunda, dia 30, participo do 3º Fórum de Educação Popular da Baixada Santista, na UNIFESP Baixada Santista unidade Silva Jardim,
nº 136. Confira a programação: "A cultura como formação em Direitos
Humanos" "Café Cultural" e "Educação Popular, Direitos Humanos e Lutas
Sociais". Participe!
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
Em SP, encontro mundial literário discute políticas públicas para o livro e a leitura
Se ligaí! | Começa nesta quinta, a 1º EMIL
- Encontro Mundial da Invenção Literária, realizado em cerca de 35
locais da cidade de São Paulo, entre 25 livrarias e 10 equipamentos
públicos, como centros culturais, bibliotecas públicas e teatros. Na
sexta, dia 13, às 9h, na sala Olido (Av. São João, nº 473, região
central), divido a mesa com Esmeralda Ribeiro, Olivio Jekupe e Ricardo Queiroz
sobre Políticas Públicas para demandas mais que urgentes: subsídios e
desafios para a implementação das Leis 10.639 e 11.645, sobre o ensino
nacional de História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena, e do Plano
Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca. Confira a
programação e participe: http://goo.gl/wj2WrO
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quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Em SP, Congresso Escritores da Periferia debate políticas públicas para literatura
Se ligaí! | Neste sábado acontece o 2º Congresso Escritores da Periferia SP
(clique!), na Fábrica de Cultura do Jardim São Luís (Rua Antônio Ramos,
nº 651, zona sul de SP). Participo do diálogo "A importância de
políticas públicas para Literatura" com Cidinha Da Silva, Ricardo Queiroz, Cazulo e Rogerio Gonzaga. Participe!
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
Literatura periférica ganha espaço fora do circuito de saraus
Slam do Grito, realizado no Sacomã, é um dos 15 torneios de poesia do país
(Crédito: Cinthia Gomes/CBN)
Literatura periférica ganha espaço fora do circuito de saraus
Por Cinthia Gomes/CBN
Livros e autores marginais circulam por todo o Brasil e até outros países, além de começarem a chegar ao sistema de ensino. Novas formas de apresentação, como o slam, uma competição de poesia, têm contribuído para a expansão.
No começo de junho, ocorre a Copa do Mundo de poesia, em Paris. O evento terá a participação de competidores de 24 países, entre eles o Brasil. O mineiro João Paiva venceu o torneio nacional Slam BR no fim de 2014 e se classificou para representar o país. Ele aposta na performance para conquistar os jurados franceses.
O slam foi criado nos Estados Unidos na década de 1980 e chegou ao Brasil há sete anos. Atualmente, existem 15 competições em todo o país. Trata-se de uma apresentação de poemas próprios sem a utilização de acompanhamento musical, cenário ou outros elementos. A interpretação é feita apenas com o uso da voz e do corpo. E já existem diversas modalidades, como explica o organizador do Slam do Grito, Lews Barbosa.
A literatura periférica tem circulado cada vez mais também fora da periferia. No ano passado, os saraus de São Paulo foram convidados para a Feira do Livro de Buenos Aires, na Argentina. O poeta Binho, que organiza um sarau com o nome dele em Taboão da Serra, na Região Metropolitana, participou da viagem.
E, por causa da importância da atuação dos saraus no incentivo à leitura em bairros afastados da região central de São Paulo, o segmento foi incluído nas discussões do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca. Um dos representantes da literatura periférica na elaboração do plano, o escritor Ruivo Lopes, do coletivo Perifatividade, explica que eles reivindicam maior diversidade de autores e editoras nos livros adquiridos para as bibliotecas públicas.
A expectativa é que o Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca da capital paulista seja finalizado em julho depois da realização de audiências públicas.
No começo de junho, ocorre a Copa do Mundo de poesia, em Paris. O evento terá a participação de competidores de 24 países, entre eles o Brasil. O mineiro João Paiva venceu o torneio nacional Slam BR no fim de 2014 e se classificou para representar o país. Ele aposta na performance para conquistar os jurados franceses.
O slam foi criado nos Estados Unidos na década de 1980 e chegou ao Brasil há sete anos. Atualmente, existem 15 competições em todo o país. Trata-se de uma apresentação de poemas próprios sem a utilização de acompanhamento musical, cenário ou outros elementos. A interpretação é feita apenas com o uso da voz e do corpo. E já existem diversas modalidades, como explica o organizador do Slam do Grito, Lews Barbosa.
A literatura periférica tem circulado cada vez mais também fora da periferia. No ano passado, os saraus de São Paulo foram convidados para a Feira do Livro de Buenos Aires, na Argentina. O poeta Binho, que organiza um sarau com o nome dele em Taboão da Serra, na Região Metropolitana, participou da viagem.
E, por causa da importância da atuação dos saraus no incentivo à leitura em bairros afastados da região central de São Paulo, o segmento foi incluído nas discussões do Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca. Um dos representantes da literatura periférica na elaboração do plano, o escritor Ruivo Lopes, do coletivo Perifatividade, explica que eles reivindicam maior diversidade de autores e editoras nos livros adquiridos para as bibliotecas públicas.
A expectativa é que o Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca da capital paulista seja finalizado em julho depois da realização de audiências públicas.
Leia e ouça as reportagens aqui:
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
Escritor e jornalista Oswaldo de Camargo recebe Título de Cidadão Paulistano da Câmara Municipal de SP
Nesta terça-feira, dia 27, às 19h, a Câmara Municipal de São Paulo (Viaduto Jacareí, nº 100, Salão Nobre 8º andar), pelo mandado do vereador Antonio Donato Madormo (PT), realizará Sessão Solene de entrega do Título de Cidadão Paulistano (clique!) ao escritor e jornalista Oswaldo de Camargo.
Aos 79 anos, Oswaldo de Camargo, além de um dos mais importantes
intelectuais vivos dedicado a literatura produzida por escritores e
escritoras negras, também é visto como “elo
de gerações”, sobretudo a que apareceu na década de 1970 e que está
hoje fortemente atuando nas Letras e na vida social do elemento
afro-brasileiro.
Na ocasião será lançado "Raiz de um Negro Brasileiro:
Esboço Autobiográfico", pela Ciclo Contínuo Editorial, e uma coletânea de poemas e textos em prosa do autor e agora "Cidadão Paulistano" Oswaldo de Camargo.
Participe!
Participe!
terça-feira, 13 de outubro de 2015
Em SP, curso promove a leitura como política pública e direito de cidadania
Se ligaí! Começa nesta quinta (15), o curso gratuito "A leitura como
política pública e direitos de cidadania", promovido pela Escola do Parlamento,
no Auditório da Escola Superior de Gestão e Contas Públicas do TCMSP
(Av. Prof. Ascendino Reis, nº 1130, Vila Clementino, zona sul de SP, Tel. 5080-1387).
A coordenação é do professor José Castilho Marques Neto (MinC/UNESP). Um dos objetivos do curso é apresentar o panorama do processo de formulação
e aprovação do Plano Nacional do Livro e Leitura e do Plano Municipal
do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca.
Na programação: Ruivo Lopes
(integrou o Grupo de Trabalho do PMLLLB), Eliana Lucia Madureira Yunes
(PUC-RJ), Ricardo Queiroz (CMSP), Rodrigo Ciríaco (escritor e professor), Dolores Prades (Instituto Emília), Vandei Oliveira Zé (Tenda Literária), Nabil Bonduki (Secretário Municipal de Cultura), João Luiz Cardoso Taipas Ceccatini (UNESP), Paulo Gabriel Soledade Nacif (SECADI/MEC), Bel Santos Mayer (IBEAC/SP e LiteraSampa), Alexsandro Santos
(CMSP), Dario Ferreira de Sousa Neto (FFLCH/USP), Charlene Kathlen de
Lemos (Centro de Formação Cultural da Cidade Tiradentes), Maria
Aparecida Arias Fernandez (Centro de Cultura Luiz Freire/PE), Rodrigo
Lacerda (Escritor), Ademiro Alves (Escritor).
Inscrições: de 06/10 a 13/10 (ou até o preenchimento das vagas, o que ocorrer primeiro) aqui http://goo.gl/KLIsFT
| 15/outubro | ||
| 19h – 21h | Mesa I – O PNLL e as políticas públicas de livro, leitura, literatura e bibliotecas no Brasil. |
|
| 16/outubro | ||
| 9h30 – 11h30 | Mesa II – O PMLLB em São Paulo: Desafios e Possibilidades da Política Urbana para a Leitura |
|
| 13h30 – 15h30 | Mesa III – Democratização do acesso à leitura e o papel da mediação: o que define o acesso, instrumentos e ações contemporâneas. |
|
| 16h – 18h | Mesa IV – O valor simbólico da leitura, seu lugar institucional na Política Pública e a Economia Criativa: a história e a contemporaneidade de múltiplas possibilidades. |
|
| 19h – 21h | Mesa V – Políticas Articuladas de Leitura entre a Educação e a Cultura: história, impasses, desafios, possibilidades. |
|
| 17/outubro | ||
| 9h30 – 11h30 | Mesa VI – Formação de Leitores e as diversidades: A importância da Leitura na afirmação da igualdade nas relações étnico-raciais, nas relações de gênero e das identidades LGBT na metrópole paulistana |
|
| 11h30 – 13h30 | Mesa VII – Biblioteca de Acesso Público e Espaços de Leitura: bibliotecas públicas, escolares, comunitárias: missões e espaços múltiplos de leitura, o que permanece no mundo digital? |
|
| 14h30 – 16h30 | Mesa VIII – A leitura Literária como principal formadora de leitores plenos: literaturas clássicas e contemporâneas, a literatura periférica das metrópoles, o papel do escritor. |
|
Participe e veja como é fácil chegar: https://goo.gl/maps/LZgPMRkyNyD2
domingo, 4 de outubro de 2015
Em SP, Espaço de Leitura promove Fórum temático "Ler é possível" para profissionais da educação
O Espaço de Leitura do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo promove a terceira edição de seu Fórum
orientado pelo tema “Ler é possível - Sobre pedras, percursos e
potências na educação”. Voltado para educadores e profissionais de
educação, serão dois dias de conversas sobre as possibilidades de
leitura de temas difíceis do cotidiano de professores, alunos e escolas.
O encontro acontece nos dias 7 e 8 de outubro (quarta e quinta-feira), no Auditório Paulinho Nogueira e no próprio Espaço de Leitura, ambos localizados no Parque da Água Branca
(entradas pela Rua Ministro Godói, nº 180 ou pela Avenida Francisco
Matarazzo, nº 455, Perdizes, próximo ao metrô da Barra Funda).
Na
programação, Ateliês de escrita - Uma leitura possível precede uma
escrita possível; Conversa aberta - Não existe um mundo para criança e
um mundo para o adulto; Pisoteada, a grama se torna um caminho: sobre a
necessidade de dar o primeiro passo, por mais difícil que seja, com
exibição de vídeo do escritor italiano Roberto Saviano, leituras de
poemas que dialogam com as temáticas suscitadas pelo vídeo; O chão da
escola - conversa aberta sobre temas que circundam o vídeo e livro de
Roberto Saviano; Textos silenciados: conversa sobre a existência das
minorias; Temas proibidos para crianças; e muito mais!
No dia 8, às 15h, o poeta e educador Ruivo Lopes promoverá leitura livre e viva de poemas com quem participou do Fórum.
Clique para conferir a programação completa!
A participação nas atividades do Fórum são gratuitas!
Marcadores:
cultura,
educação,
educadores,
espaço de leitura,
fórum,
leitura,
literatura,
livro,
parque da água branca,
poesia,
professores,
sarau
Em SP, Seminário promove debate sobre Participação Social em Festival de Curtas de Direitos Humanos
A FESPSP (Faculdade Escola de Sociologia e Política de São Paulo), junto ao seu Núcleo de Diretos Humanos e o Cineclube Dacy Ribeiro, promove, entre os dias 5 e 8 de outubro, o Festival de Curtas de Direitos Humanos Entretodos FESPSP. Na programação (clique!), exibição de filmes acompanhadas dos debates temáticos: "Violência Urbana", "Participação Social" e "Diretos à cidade".
No dia 6 de outubro, terça-feira, às 17h, o educador e ativista Ruivo Lopes participa da mesa Participação Social com historiadora Isabel Fontana e Roseli Coelho, professora de sociologia e política da FESPSP.

Na ocasião serão exibido os curtas "No devagar depressa dos tempos", de Eliza Capa (25 min.), "Artigo II", de Lê Gozze (4 min.), "O herói da carruagem mágica", de Phillipe Bertrand (15 min.), e "Retrato nº 1, povo acordado e suas 1000 bandeiras", de Edu Yatri Ioschpe (5 min.).
A programação, que faz parte do Festival Entretodos 2015, encerrará com a exibição de um filme da mostra competitiva desta edição.
O evento é gratuito e compõe a programação do Seminário São Paulo: A cidade e seus Desafios e acontecerá na sala 33 da FESPSP, na Rua General Jardim, nº 522, na Vila Buarque, região central de São Paulo.
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