quarta-feira, 27 de março de 2013

Sarau Suburbano lança documentário e antologia poética!

 
 
Com licença pra fazer um convite pra você!

O escritor, apresentador e suburbano convicto Alessandro Buzo manda avisar que tem novidade na praça. Nesta quinta-feira, 28 de março, às 19h, o Sarau Suburbano, tradicional encontro poético que acontece no Bixiga, vai fazer festa pra apresentar as novas criações! Antecipando as comemorações pelos 3 anos do Sarau, vai acontecer o lançamento do documentário Sarau Suburbano - Poesia, Rimas e Atitude (57 min.) e a antologia literária Poetas do Sarau Suburbano, volume 2. O documentário cobre toda a movimentação que aconteceu durante o 2º Festivel Literário Suburbano Convicto, realizado em janeiro deste ano, na Vila Cisper, zona leste de SP. Já a antologia reúne um time de 58 poetas que se apresentam constantemente no Sarau Suburbano.
 
 

Alessandro Buzo considera os lançamentos conquistas coletivas tamanho foi o envolvimento geral no processo de criação tanto no filme quanto no livro. Um sonho realizado, conquistado e compartilhado coletivamente, sem dúvida nenhuma!

 
O lançamento vai acontecer na Livraria Suburbano Convicto (Rua Treze de Maio, nº 70, Bixiga, Centro de SP). A única livraria especializada em Literatura Marginal Periférica do país. Lá acontecem lançamentos de livros, discos, filmes e lá você encontra também toda a criação literária da periferia editada nos últimos anos e muito mais. Vá, confira, assista e leve seu documentário pra casa, escola, associação, cineclube. Aproveite porque as dedicatárias na antologia feitas por quem estiver presente são de graça!

 
Participe, porque, afinal, a cultura é nossa e a estrutura reforça!


terça-feira, 26 de março de 2013

Reintegração de posse: faltou justiça no Iguatemi



Reintegração de posse

O terreno que era baldio
O povo sem medo ocupou
De sol a sol construiu
A casa que sempre sonhou

O proprietário não gostou do viu
E a posse na justiça buscou
O nobre despacho serviu
Para o cão de guarda bastou

O povo inconformado reagiu
A força e a coragem buscou
Paus e pedras na mão reuniu
Contra a violência revidou

Armado o cão de guarda vil
Tiros e bombas disparou
Reintegração de posse cumpriu
Mas justiça mesmo faltou

                 - Ruivo Lopes


Tropas da polícia militar cumprem violentamente a ordem de reintegração de posse emitida pela justiça paulista nesta terça-feira (26). Há um ano,  mais de 700 famílias ocuparam o terreno baldio no Iguatemi, na zona leste de SP, e construíram casas para morar. Após algumas famílias terem feito a mudança dos móveis, as tropas da pm terem disparado tiros de borracha e bombas de gás, algumas casas terem sido demolidas, a prefeitura conseguiu paralizar e prorrogar a reintegração de posse na justiça para o cadastramento emergêncial das famílias expulsas do terreno. O futuro das famílias ainda é incerto.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Maracá: o memorial dos povos indígenas


Maracá

Quando senti o chão tremer
E avistei no alto o maracá voar
Despertei a aldeia para ver
O bando que acabara de chegar


Das caravelas de aço vi descer
Desafetos de outrora a bradar
Reconheci o palavreado a dizer
Que ali eu não iria mais ficar


Eles queriam ainda me fazer crer
Que para mim há outro lugar
Eu pergunto como posso assim viver
Se aqui também é o meu lugar


Reminiscências de ódio vi crescer
Ardência ignorância nos olhos a cegar
Destemida memória não trai meu ser
Foi a história que me fez para cá voltar


                                        - Ruivo Lopes

Policial militar prende indigena da Aldeia Maracanã
 
A expulsão violenta da Aldeia Maracanã, ocupação do Museu do Indio, na sexta-feira (22), produziu cenas de profunda indignação pela truculência usual da Polícia Militar do Rio de Janeiro. O objetivo da operação militar de guerra era evacuar o prédio e deixar o caminho livre para as obras de expansão comercial do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014. Representantes de diferentes etnias indígenas há anos exigem da prefeitura, estado e união o tombamento do prédio para a criação no local do memorial dos povos indígenas.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Literatura da periferia: semeemos!


 

Sou um poeta engajado. Assim, não posso dissociar a poesia da ação.
Tudo que é cultural permanece essencial aos nossos olhos.
Aliás, a política não mereceria uma parcela sequer de energia
se não se justificasse por um projeto cultural

Aimé Césaire, poeta e ativista martiniquenho da negritude (1913-2008)


Nos dias 15, 16 e 17 de março, participei do I Seminário de Literatura da Periferia que aconteceu no CCJ - Centro Cultural da Juventude, na Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte de SP. Além do Seminário, aconteceu também uma feira de livros da periferia e edições independentes, além de oficinas, lançamentos e apresentações de dança afro e rap com Odisséia das Flores. Uma semana depois, tenho o tempo como irmão da reflexão.
 
Feira literária contou com a presença de autores e autoras nos 3 dias

O Seminário contou com eixos temáticos que orientaram cada um dos 3 encontros. Resumidamente, os eixos eram: Literatura da periferia e política, Teorias e práticas que se entrelaçam na educação e na literatura da periferia, e Entre as frestas e a forma, a presença estética na literatura da periferia.

Os coletivos Elo da Corrente, Poesia na Brasa e Projeto Espremedor, organizadores do Seminário, apontaram a fim de abordagem 3 elementos que compõem a criação literária da periferia. Além do valor literário e oral em si, a literatura da periferia manifesta também dimensões política, educativa e estética que lhe confere identidades.


 Primeiro dia do Seminário: Nelson Maca, Diego Arias e Ruivo Lopes

O tema do primeiro dia foi Literatura da periferia e política. Na roda, eu, Nelson Maca (Sarau Bem Black, da Bahia Preta) compartilhamos com quem participou algumas idéias que cada um defende a partir do tema sugerido pelo Seminário. Maca, sem fazer curva, abriu os caminhos para as idéias com poesia e apresentou alguns pontos do Manifesto daLiteratura Divergente ou Manifesto Encruzilhador de Caminhos, no qual a textualidade - e outras possibilidades - negra surge como essência. Eu optei pela abordagem do combate e situar a criação literária da periferia num campo de batalha ocupado pela literatura dominante. A saber, criação literária como estratégica e, portanto, para além das letras, campo de batalha como território (físico e subjetivo) em disputa, e literatura dominante como aquela produzida e reproduzida na imagem e semelhança dos pilares sociais conservadores da dominação. A roda foi mediada pelo Diego Arias, do Poesia na Brasa.

Segundo dia do Seminário: Celinha Reis, Chellmí e Allan da Rosa

No dia seguinte, Celinha Reis e Allan da Rosa entraram na roda para abordar o tema Teorias e práticas que se entrelaçam na educação e na literatura da periferia. Com anos de experiência como professora da rede pública, Celinha fez uma abordagem da literatura da periferia de fora para dentro da escola, apontando para a dimensão educativa e libertadora dos textos da periferia. Allan da Rosa foi buscar na própria vivência, olhares, histórias, despercebimentos e demais elementos do cotidiano da periferia para conduzir sua narrativa questionadora e avessa a modelos que limitam novas possibilidades literárias. Neste dia, a roda foi mediada pelo Chellmí, do Poesia na Brasa.

Terceiro dia do Seminário: Érica Peçanha, Michel Yakini e Cidinha da Silva
 
No último dia do Seminário, a escritora Cidinha da Silva e a pesquisadora Érica Peçanha entraram na roda para abordar o tema Entre as frestas da forma, sobre a estética presente na literatura da periferia. Em outra ocasião, eu já havia apresentado a Cidinha como uma prosadora de mão cheia. Mas ela também é prosadora na fala questionadora e na criação literária afrocentrada. Por um lado, para ela, a criação literária pode ter rumo próprio sem conter um discurso político em si, mas mais como possibilidade de quem lê suas narrativas.  Por outro, sugere o enegrecimento da literatura da periferia e seus territórios de manifestação, como, por exemplo, os saraus. Érica pela primeira vez pôde apresentar sua pesquisa num encontro organizado por alguns protagonistas do universo do seu livro Vozes Marginais na Literatura e foi além na sua ideia. Destacou a realização dos saraus como espaço de formação para além das letras, que a performance tem papel importante para a poesia da periferia e apontou o reconhecimento comunitário do poeta. Ela também chamou a atenção para a ainda pouca participação ou visibilidade da mulher como protagonista na literatura da periferia. No último encontro do Seminário, a mediação da roda ficou por conta de Michel Yakini, do Elo da Corrente.

Foram 3 dias de encontros para trocar idéias sobre outras dimensões possíveis da literatura da periferia. Alguns participantes levaram para os encontros acúmulos e reflexões de momentos e experiências que aconteceram anteriormente. A diferença de geração que se fez presente, os vários caminhos que cada um tomou pela literatura e que foram apresentados ao longo do Seminário, não impediram a palavra de correr solta entre os participantes. Pelo contrário, a todo o momento alguma citação situava as referências de quem a pronunciava. Nomes como Abdias do Nascimento, Milton Santos, Cuti, Paulo Freire e mais, surgiam para reforçar certo legado.

Algumas idéias que atravessaram os encontros surgiram quase sempre nas beiradas dos saraus. Idéias apresentadas e problematizadas por sujeitos coletivos e lançadas entre um poema e um canto ou entre um conto e um ponto.

Certo é que o I Seminário de Literatura da Periferia mobilizou e articulou gente interessada na troca de idéias e na reflexão sobre apenas algumas dimensões nem tão explícitas do que se está fazendo e chamando de literatura da periferia. É neste sentido que afirmo que o tempo é o irmão da reflexão.
 


Participantes durante os 3 dias de Seminário

Acabou o Seminário, mas a roda continua. A abordagem de temas entrelaçados a criação literária da periferia não está esgotada. O próprio Seminário mais abriu caminhos do que fechou.

Seminário quer dizer também viveiro de plantas. Lugar onde sementes são muito bem cuidadas, sem pressa, para depois de germinadas e fortalecidas as raízes serem lançadas em territórios onde a sobrevivência vai depender primeiramente do enraizamento e conquista do espaço.

Semeemos!
 
 
[Registros poéticos de Sonia Regina Bischain, veja +]

quinta-feira, 21 de março de 2013

Racismo não, pára!




- o racismo não pára*
tá na cara
tá na pele
tá na folha
se escreve
é palavra
é Brasil
 
Há um costume brasileiro muito antigo e afeito que  a cordialidade no trato evita que chamemos as coisas como elas realmente são para evitar o conflito. Racismo é racismo, não é mal entendido e ponto final!
 
- o racismo não pára
tá na página
tá na estrofe
tá no verso
tá na imagem
é textura
é Brasil
 
Em menos de uma semana, dois fatos ameaçaram virar notícia. O primeiro, foi o trote aplicado por alunos de direito racistas da UFMG. O segundo, foi a homenagem racista que o estilista Ronaldo Fraga preparou para seu desfile na São Paulo Fashion Week. Digo "ameaçaram virar notícia" porque notícia quer dizer informação e deriva em conhecimento. O racismo deforma a informação e bloqueia o conhecimento.
 
- o racismo não pára
tá ao lado
tá ausente
no passado
no presente
é corrente
é Brasil
 
Os alunos racistas são de Minas Gerais. O estilista Ronaldo Fraga, responsável pela homenagem racista, também é de Minas Gerais. Estado fundado com sangue, suor e raça do povo negro. O descaso com a história de um povo é um convite para o racismo.
 
- o racismo não pára
tá na mente,
tá no agora
no passado
na memória,
é história,
é Brasil
 
Os primeiros despiram a branca, pintaram-na de preto, acorrentaram-na com cadeado, emplacaram-na com cartaz de papelão no qual estava identificada como caloura Chica da Silva, em referência a ex-escrava mineira nascida no século XVIII. A caloura foi arrastada pelo Campus da Universidade como um troféu de outrora. O sorriso branco diante da opressão são sinais evidentes de simpatia, prazer e complacência com o racismo.
 
- o racismo não pára
tá no nectar
tá no sumo
na semente
no consumo
é cultura
é Brasil
 
O outro colocou perucas de palha de aço na cabeça de modelos para supostamente homenagear a beleza negra. O racismo no Brasil é tão perverso e cínico que tenta se positivar mesmo mantendo sua natureza negativa, racista. A beleza negra não precisa de disfarce nem se apropriar daquilo que não é. Abeleza negra também está no cabelo crespo, sim!
 
- o racismo não pára
tá no fruto
tá no suco
na folhagem
no charuto
é produto
é Brasil
 
Os primeiros declararam que a prática racista não passou de uma brincadeira. O outro declarou que foi pego pela ronda politicamente correta. Duas expressões cordiais para dissimular o racismo no Brasil. Uns escondem o racismo no deboche, o outro na arrogância.
 
- o racismo não pára
tá no copo
tá no prato
no varejo
no atacado
é mercado
é Brasil
 
O ruído branco causado pelos dois fatos que não chegaram a virar notícia gerou certo incomodo. Mas como o racismo não pára, o ruído branco logo vira costume, relaxa e vai dormir.
 
- o racismo não pára
tá no nível
tá no plumo
tá na cerca
tá no muro
é concreto
é Brasil
 
Foram esses os dois fatos que quase viraram notícia na semana marcada pelo Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial. Soma-se a estes o caso da adolescente de 12 anos espancada por ser negra numa avenida pública do Distrito Federal. Enquanto as jovens a espancavam, ela ouviu de uma delas que não aceitavam negras no beco delas. Imagina o que terá acontecido com o racismo que nem chegou perto de ser quase notícia no Brasil.
 
- Racismo não!
Pára!
 
 
* Poema O Racismo não Pára, de Nelson Maca, disponível em Gramática da Ira.

quinta-feira, 14 de março de 2013

A poesia, o papa e a verdade

 

 
Um dia após o anúncio do novo-velho papa, neste 14 de março, dia do nascimento do poeta baiano Castro Alves (1847-1871) e que marca o dia da poesia, meus versos continuam retos, sem curva, afiados em defesa da memória, verdade e justiça. 
 
Que havia água benta nos gabinetes militares e marcas de coturnos nos altares da Igreja isso todo mundo já sabe. Na argentina de Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco, centenas de familias ainda aguardam uma explicação sobre o paradeiro de pelo menos 30.000 pessoas desaparecidas.
 
Quem tem medo da verdade
 
(...)
Tenho o dever de falar porque não sou cúmplice...
Quando uszomi vieram, eles chegaram abençoados
E agiram em defesa do sono dos justos
Estes tiveram a oportunidade de fazer justiça
Mas se calaram, voluntariamente
 

(...)
Onde está? Onde está?
Ainda gritam mães, filhos e avós
Ninguém - até hoje! - apareceu pra explicar

(...)
Mas a verdade está a caminho e ninguém - ninguém! - a deterá!



Poema completo publicado em Coletivo Cultural Poesia na Brasa, Antologia Volume IV, 2012.



domingo, 10 de março de 2013

Feira Literária e Seminário de Literatura da Periferia no CCJ (SP)

 

Peço licença pra fazer um convite pra você!

Nos dias 15, 16 e 17 de março, o Centro Cultural da Juventude vai realizar sua I Feira Literária junto com o I Seminário de Literatura da Periferia. O objetivo é reunir ao mesmo tempo uma amostra da produção literária da periferia e refletir suas possíveis dimensões políticas, pedagógicas e estéticas. Na pegada dos encontros onde a prosa e a troca de ideias vão longe no tempo e no espaço, o Seminário terá três momentos diferentes onde quem participar poderá se envolver com a literatura da periferia que não por acaso corre a margem da produção literária dominante no país.

Confira a programação completa abaixo, marque na agenda, divulgue pros seus contatos e, principalmente, participe!

Nos vemos lá!
 
 
 
I SEMINÁRIO DE LITERATURA DA PERIFERIA

O Seminário pretende discutir e analisar a produção literária das periferias, em SP e fora do Estado, com base nos eixos: Política, Educação e Estética, em três palestras/debate com a presença de escritores/as (poetas e prosadores) educadores/as e pesquisadores/as que atuam e refletem o tema.


PROGRAMAÇÃO
 
 





> 15/03 (sexta-feira)
 
15h às 18h
Oficina Processos Editoriais (espaço sarau) é necessário inscrição prévia

18h às 20h
Tema: Literatura da periferia e política: trança de raiz?
Sinopse: Entre manifestos e manifestações a literatura da periferia parece gritar em todos os seus temas. Nela o direito à existência é afirmado na denúncia e no amor, na dureza da narrativa e no gozo do verso e vice-versa. A proposta é discutir quais são as aproximações ente a produção literária da periferia (oral e escrita) e a ação política inerente ao ser social. Onde elas se encontram? Ou mesmo, é possível existirem separadas?Palestrantes: Nelson Maca (BA) e Ruivo Lopes (SP)Mediador: Diego Arias (Sarau da Brasa)

> 16/03 (sábado)


14h às 17h
Oficina Como fazer um e-book (sala de projetos) é necessário inscrição prévia

18h às 20h
Tema: Barreiras visíveis e invisíveis: Teorias e práticas que se entrelaçam na Educação e na Literatura da periferia.
Sinopse: A proposta é que os convidados discorram sobre suas atuações entre o universo da Educação e da criação literária da periferia, suas visões e perspectivas neste trânsito de conhecimentos que podem potencializar cada vez mais as relações sociais. Como encontrar brechas para aguçar o imaginário dos educandos no ensino formal, como desenvolver ações no ensino dito informal, em que saraus, centros culturais independentes estão em movimento, engrossarão o caldo neste encontro.Palestrantes: Allan da Rosa (SP) e Celinha Reis (SP)Mediador: Michell da Silva - Chellmí (Sarau da Brasa)

> 17/03 (domingo)


14h às 17h
Oficina Como fazer um e-book (sala de projetos) é necessário inscrição prévia

14h às 16h
Lançamento Perifeminas com Pocket Show de Odisséia das Fores

16h30 às 17h
Intervenção Dança com P.

17h às 19h
Tema: Entre as frestas da forma: Rachaduras e horizontes.
Sinopse: A mesa propõe discutir e analisar o desenvolvimento estético da literatura da periferia (oral e escrito), a relação e os entraves com a atuação engajada de seus protagonistas.Palestrantes: Cidinha da Silva (MG) e Érica Peçanha (SP)Mediador: Michel Yakini (Sarau Elo da Corrente)
 
19h - 20h - Coquetel de encerramento.

Dias: 15, 16 e 17 de março de 2013
Local: Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso
Av. Deputado Emílio Carlos, nº 3.641, Vila Nova Cachoeirinha, Zona Norte, (ao lado do terminal Cachoeirinha)

Como chegar
: http://ccjuve.prefeitura.sp.gov.br/como-chegar/

Organização
CCJ Ruth Cardoso

Projeto contemplado no Edital de Ocupação do CCJ

sexta-feira, 8 de março de 2013

Com licença, eu vou à luta: Dia Internacional de Luta das Mulheres



A equipe Blogueiras Feministas preparou especialemente para a semana do dia 8 de Março uma série de textos sobre a história da luta das mulheres que alimenta as lutas no presente e projeta no amanhã um mundo que se envergonhará da discriminação, do machisco, da desigualdade, da violência e outras formas de opressão às mulheres.

Dos textos publicados, indico a leitura de "Enegrecer o feminismo": o movimento de mulheres negras no Brasil, da historiadora feminista Bárbara Araújo.


Na história brasileira, encontramos organizações específicas de mulheres negras desde o início do século XX. A Sociedade de Socorros Mútuos Princesa do Sul, fundada em 1908, e a Sociedade Brinco das Princesas, de 1925, respectivamente em Pelotas e São Paulo, eram formadas estritamente por mulheres negras. Elas integraram também uma grande parcela da Frente Negra Brasileira (FNB), fundada em 1931 e considerada a entidade negra mais importante do país na primeira metade do século XX, tendo arregimentado mais de 20 mil associados em diversos estados. Ainda nos anos 30 foi fundada a primeira associação de trabalhadoras domésticas no estado de São Paulo, que teve como principal representante a ativista Laudelina Campos Melo, que também integrava a FNB. Já em 1950, foi fundado o Conselho Nacional da Mulher Negra, formado por mulheres vinculadas à cultura, às artes e à política.
Leia o texto completo aqui!

Participe do Ato/Passeata vai marcar o 8 de Março - Dia Internacional de Luta das Mulheres. Concentração às 13h, na Praça da Sé (SP).



domingo, 17 de fevereiro de 2013

Dez faces leais: a luta pelos Direitos Humanos no Brasil

 

A Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil lançou recentemente uma publicação chamada Dez faces da luta pelos Direitos Humanos no Brasil que destaca a luta de homens e mulheres em defesa dos direitos humanos no país. Nela, é possível conferir o perfil de lutadores e lutadoras, as causas que defendem e, por outro lado, o incômodo daqueles que defendem somente interesses próprios.

Sete homens e 3 mulheres com atuação em diferentes estados e causas sociais. São lideranças de comunidades tradicionais de pescadores, indígenas, quilombolas, sem terra e defensores de direitos como a moradia e criança e adolescente. Também faz parte do grupo um juiz. Em comum, a ameaça de morte que o grupo recebeu por defender os direitos humanos em suas comunidades. Ameaça que obrigou o grupo a mudar de vida ao fazer parte do Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos. Alguns deles viram a morte de perto quando amigos e parentes foram assassinados.

Chama atenção que a luta pelo direito a terra e teto seja o principal motivo das ameaças de morte da maioria dos defensores e defensoras dos direitos humanos que estão na publicação. Mostrando que poderosos grupos políticos e econômicos controlam militar ou paramilitarmente os negócios vinculados ao acúmulo de terra no campo e a especulação imobiliária nas cidades.

São apenas 10 histórias, certamente há muito mais espalhadas por todo o país. Porém, são suficientes para mostrar que lutar no Brasil em defesa dos direitos humanos da população historicamente marginalizada pelas elites pode custar a própria vida.

Leia abaixo um resumo das 10 histórias.

Alexandre Anderson de Souza
Alexandre Anderson de Souza“Eu agradeço a vida a cada dia que acordo, porque talvez um dia eu não acorde mais.”

Desde 2003, o pescador Alexandre Anderson de Souza vem travando uma batalha em favor da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, e de comunidades de pesca artesanais que vivem do que a baía tem para oferecer, frente à construção de empreendimentos petroquímicos que afetam o meio ambiente local. “Estamos pescando 80% menos em relação ao final dos anos 90”, diz com base em um mapa participativo que ajudou a construir com a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em função das tentativas de reverter esse quadro, fala que já sofreu seis atentados e teve quatro companheiros mortos. Alexandre é fundador e presidente da Associação dos Homens do Mar do Rio de Janeiro (Ahomar), com quase dois mil associados em sete municípios e mais de quatro mil pescadores representados. Montou um sindicato de pesca no estado e sonha em criar a primeira confederação nacional de pescadores artesanais no país.

Eliseu Lopes
Eliseu Lopes“Mesmo com perseguições, com a falta de condições, a luta não está parada, estamos buscando nossos direitos.”

O Guarani-Kaiowá Eliseu Lopes começou a se envolver com as questões indígenas em 2003, quando se tornou professor da aldeia de Taquapiri, no Mato Grosso do Sul. Mais tarde, passou a ser porta-voz do Movimento Aty Guasu, que reúne os Guarani-Kaiowá, e se engajou na luta pela recuperação da terra que historicamente pertencia a seus antepassados e no apoio a lideranças nos outros 35 acampamentos indígenas do estado. “Eu estava vendo muita liderança ser morta, meus parentes e minha família de sangue sofrendo, acampados à beira de uma rodovia federal esperando uma demarcação de terras que nunca acontece (…). Nós não usamos violência, mas continuamos sofrendo violência, atentados, assassinatos.” Atualmente em Brasília, como coordenador de mobilização da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, o defensor atua com questões indígenas de todo o país. Enquanto estava na base, não podia ficar muito tempo em uma aldeia só. “É uma situação difícil, existe medo, porque não temos para onde correr. Por isso temos que enfrentar essa vida, não tem alternativa, temos que buscar o que é nosso.”

Evane Lopes
Evane Lopes“‘Mãe, eu não queria morrer com 12 anos.’ Isso parte o coração de uma mãe.”

Evane Lopes protagonizou uma série de ações em prol da comunidade quilombola de São Domingos e de outras quatro comunidades da região de Paracatu (MG), noroeste de Minas Gerais, onde a mineração e o latifúndio têm papel influente na política de municípios. Conseguiu garantir direitos básicos para a população quilombola, exigir reparação de uma grande empresa que atua no local e levar as cinco comunidades da região para conversar com a Presidência da República. Também ganhou projeção como defensora de direitos: em setembro de 2012, foi selecionada para integrar o Grupo Nacional Assessor da Sociedade Civil da ONU Mulheres. Casada desde os 17 anos e com três filhas, em 2012 Evane se viu ameaçada de morte por causa de sua atuação. Mas não pensa em parar de atuar. “Eu não vou mentir: tive receio pela minha família, que é o meu tesouro. Minha filha chegou a me dizer: “Mãe, eu não queria morrer com 12 anos”. Isso parte o coração de uma mãe. Mas ainda assim eu tenho o apoio da minha família, eu nunca passei para elas que lutar por um ideal é ruim.”

Gleydson Gleber Bento Alves de Lima Pinheiro
Gleydson Gleber Bento Alves de Lima Pinheiro“A vida são princípios, são valores. Você pesa tudo e define o que quer.”

O juiz Gleydson Gleber, da 3ª Vara Criminal de Caruaru, uma cidade de 350 mil habitantes do Agreste pernambucano, foi o principal juiz da primeira grande operação contra o crime organizado de extermínio no país, em 2007. Mesmo sob riscos e ameaças, ajudou a desmantelar um esquema poderoso, que era responsável por um terço dos homicídios na cidade. “De 180 [homicídios por ano], nós passamos para 120 homicídios no ano de 2007, índice que conseguimos segurar até hoje. E neste ano [ de 2012], de abril a final de junho nós não tivemos homicídios na cidade, passaram-se três meses sem homicídio.” Gleydson afirma que sua atuação é a favor da vida e acredita que nos casos referentes a direitos humanos, o papel da justiça é aplicar a lei, e não ir aquém – abrandando penas – ou além –, fazendo justiçamento. E aplica o princípio de que todos têm direito a um bom tratamento durante o julgamento.


João Luís Joventino do Nascimento (João do Cumbe)
                                                 “Estamos vivendo uma recolonização.”
João Luís Joventino do Nascimento (João do Cumbe)A comunidade tradicional do Cumbe, a 12 km do município de Aracati, litoral leste do Ceará, é rica em recursos naturais e em patrimônio cultural. É cercada por dunas, lagoas interdunares, gamboas, rio Jaguaribe, praias, uma extensa área de manguezal e carnaubais. A população é formada basicamente por pescadores e pescadoras que vivem da cata de caranguejo e de mariscos do manguezal. Esse patrimônio vem sendo pressionado por grandes empreendimentos de carcinicultura – criação de camarão em cativeiro. É nessa comunidade que João Luís Joventino do Nascimento, ou João do Cumbe, como é mais conhecido, vem desenvolvendo sua luta para a preservação dos manguezais e da própria comunidade e suas tradições culturais desde 1996. João usou a escola como ponto de partida para sua mobilização. Teceu redes, deu visibilidade aos problemas, colocou as necessidades de uma comunidade pobre e esquecida no mapa. Depois de mais de quinze anos de luta, agora aos 39 anos, decidiu ampliar sua atuação e fazer mestrado em Educação na Universidade Federal do Ceará. Ele garante que continuará disseminando a história e a luta do Cumbe em defesa dos manguezais e das dunas para alertar outras comunidades que venham a passar pelo mesmo problema.

Júlio César Ferraz de Souza
Júlio César Ferraz de Souza“Defensor de direitos também é ser humano.”

Aos 47 anos, Júlio César Ferraz de Souza vem atuando na garantia do direito à moradia em Manaus há quase duas décadas, e ajudou milhares de pessoas a conquistarem sua casa e alcançarem condições mais dignas de vida. Ele acredita e aposta no poder de organização da população sem-teto como forma de resistência às pressões políticas para despejo e desocupação de terras. Atualmente, é integrante e dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto. Hoje o defensor combate a grilagem de terras públicas. “Os grileiros tomaram conta de 30 milhões de hectares de terras pertencentes ao Governo Federal ou doada a particulares que não reclamaram. É uma terra que poderia estar sendo usada para acomodar parte dos 800 mil sem-teto de Manaus.” Júlio foi militante do Partido dos Trabalhadores na década de 1980 e funcionário do governo do Amazonas. Formado técnico em patologia, Júlio nunca mais conseguiu emprego depois do início da luta. Foi preso, sofreu torturas, foi ameaçado de morte. Com um problema cardíaco descoberto em 2012, tem o sonho de reencontrar o filho que não vê há três anos.

Leonora Brunetto
Leonora Brunetto“Não dá pra abandonar um povo tão sofrido.”

Há mais de três décadas, a gaúcha Leonora Brunetto, 67 anos de idade, atua em defesa de trabalhadores e trabalhadoras rurais sem-terra. Integrante da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), irmã Leonora vem organizando lideranças e empoderando jovens para lutar pelo direito à terra e por questões associadas à pequena produção agroecológica. Atuou no Rio Grande do Sul, em Tocantins, no Rio Grande do Norte e no Maranhão. Atualmente, integra a CPT do Norte de Mato Grosso, e vem enfrentando com a voz suave e calma, mas com garra, coragem e fé o agronegócio e as grilagens de terra que dominam a região. Sua aposta é no poder da juventude para garantir que a agricultura familiar se fortaleça e permaneça no local. “Ao mesmo tempo em que você tem medo, você tem uma força divina para dizer: ‘não pare, pode lutar, pode continuar’. (…) No começo, o medo era pavoroso, ficava com vontade de largar. Agora, ele é um sinal para reflexão.”

Maria Joel Dias (Joelma)
Maria Joel Dias (Joelma)“Construímos essa história porque eu não me acovardei.”

A história de Maria Joel Dias, mais conhecida como Joelma, poderia ser apenas mais uma história de milhares de brasileiros que foram para o estado do Pará na década de 1980 em busca de melhores condições de vida e de terras para tirar o seu sustento e encontraram uma situação completamente diferente da esperada. Porém, a partir das ações de seu marido, o sindicalista José Dutra da Costa (Dezinho), morto no ano 2000, ela conseguiu garantir terra, esperança e sustento para parte desses brasileiros que foram parar em Rondon do Pará, município com cerca de 45 mil habitantes no sudeste do estado. Aos 49 anos, Joelma atua a favor dos trabalhadores rurais desde 2002, quando assumiu a presidência do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura do município, cargo antes ocupado pelo seu marido. De acordo com ela, sua luta é a continuidade do sonho de Dezinho. Por tudo o que ele lutava em vida, Joelma não deixou de colocar a cara no mundo denunciando grilagens, exploração madeireira e lutando por melhores condições de vida. Atualmente, é coordenadora regional da Federação dos Trabalhadores em Agricultura do Pará.

Rosivaldo Ferreira Dias (Cacique Babau)
Rosivaldo Ferreira Dias (Cacique Babau)“O lugar sagrado tem que ser preservado.”

Com um riso fácil e um excelente domínio da palavra, o Tupinambá Rosivaldo Ferreira Dias, o Cacique Babau, tem na ponta da língua a história de sua aldeia de Serra do Padeiro, no município de Buerarema, nos arredores de Ilhéus, na Bahia. Aos 38 anos e pai de dois filhos, ele lidera desde o ano 2000 a organização de sua tribo para lutar pela garantia de seus direitos. Seu poder de articulação e espírito empreendedor conseguiram reunir cerca de 900 pessoas de 180 famílias em torno de um modo de produção de agricultura familiar comunitário e sustentável. Coordenou 21 retomadas de terras que já foram reconhecidas como pertencentes ao seu povo. Suas três cicatrizes de tiros recebidos mostram que nem sempre essa luta é feita de forma pacífica. Ele sofre perseguições políticas, processos de criminalização e, em 2010, foi preso. Em virtude disso, foi inserido no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, com o propósito de assegurar a continuidade da sua batalha pelo direito à terra e preservação da cultura Tupinambá. Nada parece diminuir a vontade de liderar uma luta que vai além de questões de posse de terra, mas passa também por tradições, questões religiosas e preservação do meio ambiente: de acordo com os Tupinambá da Serra, a Serra do Padeiro é considerada um lugar sagrado e deve ser devolvida em sua totalidade e integridade aos seus habitantes originais.

Saverio Paolillo (Padre Xavier)
Saverio Paolillo (Padre Xavier)“Nosso trabalho é incompreendido.”

Natural da Itália, o Padre Saverio Paolillo, mais conhecido no Brasil como Padre Xavier, vem atuando em favor dos direitos da criança e do adolescente brasileiros desde 1985. Abrigos, casas-lares, centros de defesa, programas de liberdade assistida, projetos profissionalizantes e assistência às famílias de meninos e meninas abrigados ou em conflito com a lei estão entre as suas realizações. Como integrante e coordenador da Pastoral do Menor, denunciou inúmeras situações de violação de direitos humanos nas unidades de internação de adolescentes. Conseguiu dar visibilidade internacional ao problema ao levar a situação para a Corte Interamericana de Direitos Humanos. Também participou como mediador de incontáveis conflitos e rebeliões. Padre Xavier integra o Conselho Estadual de Direitos Humanos e o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Espírito Santo. Ele acredita que há uma visão equivocada a respeito do trabalho que realiza e sofre cotidianamente pressões por defender os direitos de uma parcela da população que, em sua opinião, precisa, acima de tudo, de políticas públicas que efetivem os direitos humanos. 

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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Coletivo Perifatividade apresenta antologias literárias inéditas em sarau

 
 
O Sarau Perifatividade vai acontecer neste sábado, dia 16 de fevereiro, às 19h, no tradicional Bar do Boné, localizado na Rua Nossa Senhora da Saúde, nº 100, na Vila das Mercês. Nesta edição, serão lançados o segundo volume da antologia literária do Coletivo Perifatividade e o livro Perifatividade nas Escolas. A antologia reúne um time literário que compõe um mosaico de gêneros e estilos de tecer a palavra. Em comum, a narrativa crua e nua de um mundo tal como ele é. Mas também a narrativa sincera sobre um mundo inacabado e um profundo desejo de transformá-lo. O livro Perifatividade nas Escolas é resultado de uma maratona de encontros e saraus realizados em escolas da região de atuação do Coletivo Perifatividade, os bairros do Fundão do Ipiranga, e envolveu a comunidade escolar, agentes de educação e principalmente alunos e alunas que aceitaram o convite pra mergulhar de cabeça na literatura e na poesia pra encontrar, falar e escrever versos sobre si, sua escola, sua rua, seu bairro, sua cidade e o mundo. A antologia traz muita gente já conhecida e outras nem tanto da literatura periférica e das rodas de saraus poéticos cujos principais espaços encontram-se nas bordas de São Paulo e distantes das programações culturais oficiais. O livro produzido nas escolas traz um time estreante na literatura e pela primeira vez publicado. Em ambos os casos, gênero literário, estilo e temas variados revelam um olhar panorâmico protagonizado por quem escreve e a partir da onde se está escrevendo.

O Sarau Perifatividade, assim como os livros que serão lançados, é desenvolvido pelo Coletivo Perifatividade que há mais de dois anos articula, mobiliza e realiza ações culturais no Fundão do Ipiranga, e que reúme várias linguagens artísticas sempre pelo fortalecimento das comunidades locais e da prática da solidariedade contra todas as formas de opressão. Sarau, música, opinião e leitura, são algumas armas que o Coletivo Perifatividade tem pra trocá... e elas estão com os tambores cheios até a boca!

Se você ainda não conhece o Sarau Perifatividade aproveite pra conhecer. Se já conhece sabe que é só chegar pra ser bem recebido.

Mais informações: www.perifatividade.wordpress.com ou no facebook sarau perifatividade


Participe, porque afinal a cultura é nossa!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Perifeminas: antologia literária inédita reúne 60 mulheres que registram sua relação com o Hip Hop

 

 
Há mais do que MCs, Bgirls e grafiteiras neste PERIFEMINAS, todas as autoras do livro “criaram-se” no Hip Hop. Foi ali que muitas passaram a entender-se e afirmar-se como negras. Outras, não-negras, constituíram uma irmandade estética, de classe e gênero, passando a praticar a solidariedade racial - Cidinha da Silva.
 
O lançamento da antologia literária PERIFEMINAS vai acontecer nesta quarta-feira, dia 6, às 19h30, na Ação Educativa.

A iniciativa, inédita no país, é da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop. O livro é resultado do Projeto PERIFEMINAS, realizado com apoio do VAI, que depois de oficinas sobre a história do hip-hop, a mulher e a sociedade, redação e edição de texto, diferenciação de conteúdo, linguagem, gíria, gramática, ilustrações, marketing e publicação, selecionou 60 mulheres para participar da antologia literária com textos inéditos que vão de contos a poesias e desabafos.

Quebrando o silêncio! O livro é uma contribuição das mulheres não só para o Hip Hop, mas também para a literatura. Muitas delas são conhecidas pelo que já faziam pelo Hip Hip como Mcs, Djs, Grafiteiras ou Bgirls. Outras, já eram letristas e poetisas e são conhecidas pelas participações e apresentações em saraus. Independente da particularidade de cada uma delas, todas agora encontram-se na literatura. O livro pode ser lido por qualquer pessoa interessada no que essas mulheres tão diversas que tem a síntese no Hip Hop tem a dizer sobre elas mesmas.
 
 
A escritora Cidinha da Silva, que também participa da antologia literária, disse o seguinte sobre o livro PERIFEMINAS:

PERIFEMINAS: uma história do Hip Hop narrada por mulheres! Assim eu chamaria esta obra de vozes e olhares múltiplos. Algumas autoras apresentam o currículo, listam os feitos no movimento Hip Hop e isso também é significativo, dada a pouca consideração pública à participação transformadora e estruturante das mulheres na cena. Outra...s refletem de maneira mais ampliada e filosófica sobre o movimento e sua própria trajetória. Outras, ainda, ensaiam bons textos de ficção como “Banquete de reis.”

As autoras fazem elegia a elas mesmas, são plenas de orgulho e amor para contar histórias de mulheres que estiveram na base da projeção de vários homens, escondidas, carregando o piano. Contam também histórias de mulheres que ousaram lançar CDs, sozinhas, sem qualquer tipo de apoio. Há tímidos suspiros de crítica interna à presença e ação das manas na cena.

Mulheres cristãs, rastafáris, católicas, candomblecistas e umbandistas, umas tantas sem crença religiosa, professam dois lemas fundamentais: o primeiro, “O Hip Hop salva” e o segundo, “Lugar de mulher é onde quer que ela queira estar.”

Embora possa parecer expressão messiânica, ter tido a vida salva pelo Hip Hop foi realidade para muitos manos e manas que ouviram uma frase de promoção do amor próprio, um verso de solidariedade, uma palavra de respeito ao que se é, pelas ondas do rádio, quando estavam tristes e depressivos, sem perspectiva pessoal e político-social na quebrada.

Há mais do que MCs, Bgirls e grafiteiras neste PERIFEMINAS, todas as autoras do livro “criaram-se” no Hip Hop. Foi ali que muitas passaram a entender-se e afirmar-se como negras. Outras, não-negras, constituíram uma irmandade estética, de classe e gênero, passando a praticar a solidariedade racial.

PERIFEMINAS nos conta muito de nós, do que sabemos e do que estamos por descobrir. Que a leitura nos apresente mais de nós mesmas.
 
Não fique de fora, pois uma nova página no Hip Hop e na Literatura estão sendo escritas neste momento pelas mãos das mulheres!

Põe na agenda e participe!

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Bravo Povo Brasileiro

 
 
 
Foi um fim de semana tenso no antigo Museu do Índio, ao lado das obras do Maracanã, na zona norte do Rio de Janeiro, em reforma para receber a Copa do Mundo e as Olimpíadas.
 
No sábado (12), o Batalhão de Choque da Polícia Militar cercou o prédio para fazer o despejo dos cerca de 60 indígenas que há 6 anos passaram a viver no local que passou a se chamar Aldeia Maracanã (veja fotos aqui). O Museu está desativado desde 1978. A demolição do prédio, orçada em R$ 586 mil, está numa disputa judicial. No lugar, governo e iniciativa privada pretendem construir um estacionamento, um centro comercial e áreas para saída do público.
 
Porém, a PM não contava com a resistência dos indígenas e com a solidariedade dos apoiadores contra o despejo e a demolição do prédio. Dentre eles, os carpinteiros José Antônio dos Santos Cezar, de 47 anos, e Francisco de Souza Batista, de 33, que pularam o muro que separa o canteiro de obras da reforma do Maracanã e o antigo museu, para se juntar aos índios no caso de a polícia invadir o local.
 
“Isso aqui é um patrimônio histórico. Reforma a gente aceita e entende, mas destruir não. Eles não estão reformando o Maracanã? Por que não podem fazer a mesma coisa com o museu?”, questionou o José Antônio.
 
Quando pularam o muro para retornar ao canteiro de obras, o chefe dos operários pediu o crachá de ambos e mandou que eles fossem para casa. Eles tentaram retornar ao trabalho, mas foram avisados sobre as consequências.
 
“Fui ajudar uma questão que acho justa”, disse Francisco.
 
Os indigenas querem que o lugar seja uma referência dos povos indigenas. “Qual vai ser nosso destino se nos tirarem daqui? Vai ser mais uma memória apagada? Não estamos brigando pelo prédio, estamos brigando pela nossa história. Isso aqui é um ponto de cultura”, afirmou Kamayura Pataxó.
 
Para o contador de histórias Tauá Puri o despejo significa a invisibilidade dos indígenas. “O que estão querendo fazer é um processo de invisibilidade da cultura indígena".
 
"Não fiz nada que considere errado”, disse José Antonia.

 
Nesta segunda (14), os dois operários foram homenageados pelos indígenas por se solidarizarem a luta pela preservação do espaço, colocando em risco seus própios empregos.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A chacina de cada dia

 

A tradição autoritária do Brasil vem de longe. Atravessou séculos. Conviveu em diferentes períodos e regimes, sempre conforme as conveniências dos donos do poder.

Ora dissimulada, ora explícita, o autoritarismo soube muito bem viver à sombra e ao sol, não necessariamente nessa ordem. Impregnou as instituições do país, onde se acomodou sem dificuldade. E assim fez escola.

A democracia brasileira já passou da sua maioridade e se não quiser ficar presa à tradição autoritária precisa assumir sua responsabilidade e agir como uma democracia, garantindo a sua população historicamente marginalizada o direito a vida com dignidade. É bom que seja aqui e agora.

No Brasil, os donos do poder sempre impuseram o cinismo da conciliação e comemoraram rompimentos consentidos. Qualquer um que ousasse sair da regra era abatido pela exceção.

Há anos a Polícia Militar é denunciada pelos seus desvios, excessos e principalmente pelo seu alto grau de violência e letalidade. O Estado brasileiro, várias vezes e em diferentes governos, teve que dar explicações a organismos internacionais de defesa dos direitos humanos sobre casos de violência cometidos por PMs nos vários estados do país. O Conselho de Defesa dos Direitos Humanos da ONU chegou a pedir a extinção da PM. Violência policial, portanto, não é nenhuma novidade por aqui.

No ano passado, os meios de comunicação de massa propagaram uma matemática perversa: a contagem de corpos baleados em ações envolvendo PMs. Esperava-se cada manhã para saber quantos haviam sido assassinados na noite anterior. Enquanto organizações sociais e populares cobravam investigação e ações efetivas contra o genocídio, o governo do estado queria apenas a queda dos números de mortos quando não referendava a ação letal da PM através de pronunciamentos belicosos como "Quem não reagiu está vivo", do próprio governador Geraldo Alckmin.

A chacina cometida no último dia 4, que matou sete pessoas e deixou dois feridos, num bar, no bairro Jardim Rosana, na região do Campo Limpo, zona sul de São Paulo, é chocante (ao menos para mim que não me acostumo com a banalidade do mal!).

A descrição até o momento da chacina chama atenção e pelo histórico levanta óbvia suspeita. Fala-se em pelo menos quatorze homens encapuzados dirigindo carros não identificados e mais de cinqüenta disparos de tiros.

Além disso, a rua onde aconteceu a chacina é a mesma onde em novembro uma pessoa registrou cinco PMs tirando de casa um servente de pedreiro já dominado e matando ele a tiros na rua. As imagens foram exibidas na televisão. Qualquer semelhança não é mera coincidência, já que este fato foi levantado logo que ocorreu a chacina, chegando até a se pensar que o autor das imagens pudesse estar entre os mortos. Nenhuma coincidência também no perfil das vitimas e no contexto onde a chacina ocorreu.

Das 24 chacinas registradas só no ano passado, apenas uma foi solucionada, levando seis PMs para a prisão.

Está aí o alimento do autoritarismo que ainda faz tanta gente chorar.