domingo, 15 de setembro de 2013

Racismo nas histórias em quadrinhos brasileiras



 A literatura como manifestação artística ao mesmo tempo é reflexo e também reflete valores culturais de  determinada sociedade. Estes valores são impressos pelo topo da hierarquia social. Uma sociedade excludente como a brasileira reproduz os valores que determinam a exclusão nas suas manifestações artísticas, tensionando o campo da cultura. Quando o assunto é racismo, a literatura e gêneros literários não saem ilesos. Vejamos o que revela uma pesquisa recente sobre como a população negra é retratada nas histórias em quadrinho (HQs) no Brasil.

O professor Nobuyoshi Chinen, pesquisador da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, destacou a estereotipização na forma como os negros são retratados nas histórias em quadrinhos (HQ) brasileiras desde o final do século 19. As informações fazem parte do seu estudo de doutorado histórias em quadrinhos publicadas no Brasil desde 1869, considerando como publicação inicial o título “Nhô Quim”, de Angelo Agostini, até publicações de 2011. “Elas tendiam a homogeneizar o aspecto visual dos personagens”, diz Chinen, que também participa do Observatório de Quadrinhos da ECA.

Os estereótipos foram identificados não só nos aspectos visuais, mas também nos papéis desempenhados nas histórias, em comparação com os personagens brancos. “Invariavelmente [os negros] eram subalternos, intelectualmente limitados e socialmente desfavorecidos” conta.

Chinen também procurou outros tipos de publicações para avaliar o papel dos negros nos quadrinhos. “Achei que devia dar um contexto mais amplo e me preocupei em incluir um breve histórico da iconografia do negro nas artes visuais, desde a primeira pintura a representar um negro no Brasil, em tela feita pelo holandês Frans Post, até as caricaturas e charges do Período Imperial.”

O pesquisador encontrou mais personagens negros do que inicialmente esperado. A representação, no entanto, não é, ainda, ideal. “Embora o panorama geral tenha mudado de uns tempos para cá, penso que ainda há poucos personagens negros nos quadrinhos brasileiros e menos ainda os que têm papel de protagonista” diz.

As HQ têm como algumas de suas bases a caricatura e o humor. Isso, em algumas vezes, se dá com o reforço de traços exagerados e com generalizações. Para Chinen, “o perigo dos estereótipos é quando o público passa a achar que determinado tipo de figuração é normal, quando na verdade é ofensiva. É da natureza do humor construir situações que requerem uma dose de crueldade perpetrada sobre o outro e o limite entre o fazer rir e o humilhar é extremamente sutil”.

A representação equivocada de negros nas HQ, para o pesquisador, auxilia, como todo produto de comunicação em massa, a perpetuação de preconceitos e o racismo. O professor acredita que trabalhos como o seu ajudam a debater o racismo presente nas representações do negro na sociedade. “A princípio eu tentei evitar uma abordagem que fugisse do âmbito das histórias em quadrinhos, mas no decorrer da pesquisa, compreendi que não dava para ignorar os aspectos sociopolíticos e a questão da identidade”.

Acesse a tese de doutorado O papel do negro e o negro no papel: representação e representatividade dos afrodescendentes nos quadrinhos brasileiros, de Nobuyoshi Chinen, aqui! 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Sobrenome Liberdade faz aniversário e lança antologia literária!



Nesta sexta-feira, 13, às 20h, no Relicário Rock Bar, Rua Manoel de Lima, 178, Jordanópolis/Grajaú, zona sul de SP, o movimento cultural Sobrenome Liberdade vai comemorar seu primeiro aniversário do mesmo jeito que veio ao mundo, reunindo poesia, música, suor e arte livre num sarau.

Antologia literária Sobrenome Liberdade
(Capa: Célio Luigi)

Na mesma noite em que completa um ano, o movimento vai fazer também o lançamento da antologia literária Sobrenome Liberdade. Organizada por Damásio Marques e Ni Brisant, a antologia é uma publicação independente que reúne poesias, contos e crônicas de 40 escritores e escritoras, além de imagens do sarau feitas por 3 fotógrafos. Confira a lista de quem participa da antologia aqui!

A comemoração vai contar também com as apresentações das bandas Além da Ponte, Apologia Groove, Couro Cabeludo Rock e Pensamento Negro.

Como sempre, o microfone é aberto para leitura e declamação de textos. Vai ter sorteio de livros e discos, varal de fotografias e venda de livros e camisetas.



O Sobrenome Liberdade é uma iniciativa sem fins lucrativos e autônoma, não sem apoio de instituições públicas ou privadas.

Então vamos juntos!

Quando: Sexta-feira (13/9), às 20h.
Endereço: Relicário Rock Bar
Rua Manoel de Lima, 178 - Bairro Jordanópolis/Grajaú
Contatos: contatolevante@bol.com.br
Telefone: (11) 5939-3134
Grátis!

terça-feira, 10 de setembro de 2013

O Grito dos Excluídos e a surdez política




O Grito dos Excluídos, realizado no último dia 7 de setembro, marcou presença em praticamente todo o país. O lema da 19ª edição era "Juventude que ousa lutar constrói o projeto popular". Cada cidade organizou seu próprio grito, incorporando pautas diversas. Desde a sua origem, o Grito dos Excluídos, como o próprio nome sugere, é articulado e mobilizado por movimentos sociais e populares marginalizados tanto pelas políticas neoliberais privatistas quanto pelo neodesenvolvimentismo de alto custo.

Em São Paulo, outro grito ecoou no centro da cidade. Manifestantes foram impedidos de chegar até a Câmara Municipal por policiais militares fortemente armados e truculentos. As cenas da violência policial contra os manifestantes nas barbas do legislativo municipal são sintomáticas.

Na semana passada, no dia 3, a mesma Câmara, numa sessão polêmica e muito tumultuada, aprovou por 37 votos a 15 - e uma abstenção -, o projeto do vereador coronel Telhada (PSDB) para conceder uma honraria a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), tropa de elite da Polícia Militar também conhecida como a “polícia que mata”.

O grito que se ouviu ali na rua naquele sábado foi o de "é guerra" por parte dos PMs e o de "fiquei cego" do estudante Vitor Araújo, atingido no olho direito por estilhaços de bombas lançadas pelos policiais. A vingança policial seguiu ainda por outras ruas do centro da cidade, ferindo novos manifestantes e até pedestres.

Estes manifestantes, a maioria jovens, que a princípio tinham como alvo a Câmara Municipal, queriam também tirar satisfação da chamada Casa do Povo pela vergonhosa negociação política dos vereadores que resultou na aprovação de uma homenagem para a Rota. Estes jovens foram até lá para gritar que não estão dispostos a entrar para as estatísticas do Mapa da Violência, onde a juventude preta, pobre e da periferia é o alvo preferido das policias. Mas, infelizmente, a Câmara se faz de surda!

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Bancada da bala: um bunker para homenagear a Rota na Câmara Municipal de SP



O nosso júri é racional, não falha!
Não somos fã de canalha!
Racionais MCs


A Câmara de Municipal de São Paulo aprovou nesta terça-feira (3), por 37 votos a 15, o projeto do vereador coronel Telhada (PSDB), para conceder uma Salva de Prata para a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), uma honraria do legislativo paulistano a tropa de elite da Polícia Militar que ficou conhecida como a “polícia que mata”.

O projeto foi repudiado por organizações e ativistas que defendem os Direitos Humanos desde que foi apresentado e defendido pelos vereadores que compõe a bancada política e militar da bala como Álvaro Camilo (PSD), ex-comandante-geral da PM, e Conte Lopes (PTB), capitão aposentado que também atuou na Rota e foi deputado estadual, além do Telhada, ex-comandante da Rota e autor do projeto. 

O projeto tem como justificativa os serviços prestados pela Rota durante a ditadura militar que resultou na prisão, tortura e morte de oponentes ao regime até execuções sumárias denunciadas no livro Rota 66 - A história da policia que mata, do jornalista Caco Barcelos. 

Foi a quarta vez que o projeto foi para votação no plenário em duas semanas. Manifestantes contrários a homenagem passaram a comparecer as sessões com faixas e cartazes para pressionar os vereadores a abandonar o projeto de caráter corporativista de interesse apenas da bancada política e militar da bala e exigir que fosse colocado na pauta assuntos que beneficiassem toda a população da cidade. 

O vereador Floriano Pesaro, líder do PSDB na Câmara, chegou a afirmar que nada mais seria votado enquanto o projeto do Telhada não fosse aprovado. Como se não houvesse para a população mais pobre que vive na cidade urgências maiores do que prestar homenagem a Rota.  

Sonia Mele/CMSP

Toda vez que os vereadores da bancada política e militar da bala defendiam o projeto, a Polícia Militar e as ações da Rota, os manifestantes respondiam: “Da Rota eu abro mão, quero ver na pauta mais saúde e educação!”, “Assassinos!” e “Justiça!”. Toda vez que um vereador defendia ou votava favorável ao projeto, era fortemente vaiado.


RenattodSousa/CMSP
 Placar da sessão: Favoráveis 37 x 15 Contrários a Salva de Prata a Rota   (1 abstenção)

A confusão começou quando o vereador José Américo (PT), presidente da Câmara, deu ordem para que os policiais militares expulsassem da sessão os manifestantes que não se calaram quando o coronel Telhada disse que eles promoviam uma perseguição “nazista”. O plenário foi tomado pelo coro: “Polícia, racista, fascista não passarão!”. Os manifestantes também denunciaram que a vereadora Juliana Cardoso (PT), enquanto falava, foi chamada de “vagabunda” por um dos apoiadores da bancada política e militar da bala, também presentes na sessão a convite do próprio Telhada, e que nada havia sido feito para retirá-lo de lá.

Assista: PMs agridem manifestantes na Câmara de SP

Telhada ficou conhecido durante e depois das eleições por ameaçar defensores dos Direitos Humanos e jornalistas, como informa a reportagem do jornal Brasil de Fato.

Coincidência ou não, há cerca de um mês, 25 policiais militares da Rota foram condenados pela morte de 52 presos no massacre do Carandiru. Os presos foram executados pelos PMs no terceiro pavimento do pavilhão 9 do presídio no dia 2 de outubro de 1992. Eles receberam uma pena de 624 anos de reclusão cada um, mas estão em liberdade.

O julgamento do caso, considerado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo como o maior já realizado pela Justiça do Estado, representa uma segunda etapa: em abril, no primeiro júri do massacre, 23 PMs foram condenados a 156 anos pela morte de 13 presos que estavam no segundo pavimento do presídio. Ao todo, o massacre registrou 111 mortos e 84 policiais denunciados. Mais dois julgamentos do caso ocorrerão, um previsto ainda para este ano e o outro no início do ano que vem.

No final da sessão que manchou de sangue da juventude negra, pobre e periférica na Câmara Municipal de SP, os manifestantes lembraram aos vereadores que aprovaram a homenagem a Rota que “a rua vai cobrar!”.

sábado, 24 de agosto de 2013

Hip Hop Rua: literatura, rap e grafite na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte de SP!



No domingo, 25, a partir das 10h!, vai acontecer o Hip Hop Rua, na Vila Nova Cachoeirinha, zona norte de SP.
Na programação: a partir das 13h!, a 2ª Feira Literária, e, às 14h!, apresentação da iniciativa Rap Contra a Redução da Maioridade Penal. Tem ainda a maratona do Grafite que vai acontecer durante todo o evento, e muito mais!

Destaque na programação é a Tenda Literária que vai receber às 15h! o bate papo Escrevivências da mulher negra e da periferia, que abordará as experiências coletivas de mulheres escritoras e artistas que resultaram nos livros recem-lançados PerifeMinas e Literatura Negra Feminina Louva Deusas.



Como chegar (ao lado do CCJ):
Nos vemos na Praça!

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Hip Hop Rua e 2ª Feira Literária do CCJ promovem muito ritmo, poesia e troca de conhecimento na Vila Nova Cachoeirinha



A 2ª edição da Feira Literária do CCJ (Centro Cultural da Juventude) está marcada para o dia 25/8, domingo, das 13h às 17h, e vai acontecer junto com o Hip Hop Rua, na Praça do Cemitério da Vila Nova Cachoeirinha, em frente ao CCJ.

A Feira será voltada para a difusão de publicações e produções culturais da periferia e independentes. Os interessados em expor e vender seus livros poderão se inscrever até 15 de agosto por meio de simples formulário/regulamento online disponível aqui! Caso você tenha alguma dúvida sobre o preenchimento escreva para: feiraliteraria@ccj.art.br

E para quem for prestigiar a Feira, os livros serão vendidos a preços populares! 

Caso seja confirmado, haverá também a participação do Carrinho de Mãoteca, projeto que promove a distribuição de livros gratuitamente pra quem quiser se embrenhar na literatura. Doações e trocas são bem vindas!

 Escrevivências: Jackeline, Lunna e Raquel

Além da presença de várias escritoras e escritores, a Feira vai contar com uma Tenda Literária, onde vai acontecer o debate Escrevivências da mulher negra e da periferia: Perifeminas & Literatura Negra Feminina Louva Deusas, com: Jackeline Romio, do Coletivo de Mulheres Negras Louva Deusas e Lunna Rabetti, da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop. A mediação ficará por conta de Raquel Almeida, dos coletivos Sarau Elo da Corrente / Esperança Garcia.

Capas das Coletâneas Perifeminas e Louva Deusas

Iniciativa da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop, o livro Perifeminas - nossa história, é resultado de oficinas sobre a história do hip-hop, a mulher e a sociedade, redação e edição de texto, diferenciação de conteúdo, linguagem, gíria, gramática, ilustrações, marketing e publicação, e no final selecionou 60 mulheres para participar da antologia literária com textos inéditos que vão de contos a poesias e desabafos.

Outra iniciativa é a do Coletivo de Mulheres Negras Louva Deusas, que reuniu 25 autoras de diferentes gerações e estados brasileiros para compartilhar seus escritos no livro Coletânea de Literatura Feminina Negra Louva Deusas. A criação do livro é um estímulo e difusão da produção cultural literária de mulheres negras.  

A instalação presente na tenda é da artista plástica Carolzinha Teixeira.

Já o Hip Hop Rua, prévia do Encontro Estéticas da Periferia, levará ao palco todo o conhecimento de MC's e Poetas que participaram de corpo, rima, verso e alma da ação Rap Contra a Redução da Maioridade Penal.
 
A ação é idealizado pelos poetas Akins Kintê e Tubarão DuLixo e reúne rappers e poetas de diversas cidades brasileiras contrários à redução da maioridade penal. Clique nas fotos e assista os vídeos.

No dia, alguns dos participantes do projeto serão acompanhados pelo DJ Eduardo Brechó. MC’s e poetas convidados: Elizandra Souza, Fino du Rap, James Lino, Luisa Valente, Lurdez da Luz, Preto Win, Raphão Alaafin, Roberta Estrela D’Alva, Tati Botelho, Tiago Redniggaz.
 
Já a partir das 10h, haverá apresentações do DJ Pec Jay, Bgirls & Bboys com The King Crew e Grafite com Bonga. 

Participe porque a cultura é nossa!

Organização: Amanda Prado/CCJ
Curadoria: Ruivo Lopes/Feira Literária e Akins Kintê/Rap Contra a Redução

Agendaí!
Hip Hop Rua: Rap Contra a Redução da Maioridade Penal & 2ª Feira Literária do CCJ
Dia 25 (domingo), a partir das 13h.
Centro Cultural da Juventude
Av. Deputado Emílio Carlos, 3.641. Vila Nova Cachoeirinha
(Ao lado do Terminal Vila Nova Cachoeirinha)
Zona Norte de SP. (11) 3984-2466.
Entrada franca.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Livrar o Brasil da tortura!




Tortura deixa preso cego e tetraplégico  

O jovem Wesley Ferreira da Silva, de 27 anos, estava cumprindo pena no presídio Urso Branco, em Porto Velho (RO), e, no inicio do ano, foi transferido para o presídio federal Antonio Amaro Alves, de segurança máxima, em Rio Branco (AC).

Segundo um juiz, Silva entrou íntegro e capaz fisicamente no presídio. A justiça tinha aplicado a ele a pena de mais de 21 anos de prisão. O sistema penitenciário aplicou-lhe outra "pena": a tortura.

Em maio, agentes penitenciários submeteram o rapaz e mais dois presos, a sessões de tortura, durante horas, onde fizeram uso de marreta de borracha, spray de pimenta, chutes e socos.

O preso chegou a ser escondido por agentes penitenciários para que promotores não o vissem durante inspeção de rotina. Silva deixou o presídio cego e tetraplégico e há quase dois meses encontra-se prostrado no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco. Ele consegue apenas movimentar a cabeça e fala com muita dificuldade.

O caso veio a público pelo Blog da Amazônia, leia a reportagem aqui.

No inicio do ano, o presídio Urso Branco, emPorto Velho (RO), foi denunciado pelas más condições em que mantinha os presos. Neste momento, o presídio está sendo monitorado pelo Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) com o propósito de verificar o cumprimento das ações de melhorias no sistema carcerário no estado, pactuadas junto à Corte Interamericana de Direitos Humanos, em Bogotá, na Colômbia, em 2011.

No Paraná, o Ministério Público denunciou 21 pessoas por envolvimento no caso de tortura contra quatro funcionários de um parque de diversões presos em junho acusados do assassinato de uma adolescente. Os quatro rapazes foram barbaramente torturados para que confessassem o crime. Eles disseram que foram espancados, empalados, asfixiados com sacos plásticos, eletrocutados, forçados a fazer sexo oral entre si e um deles relatou ter tido a cabeça enfiada num formigueiro. Um teste de DNA apontou que eles não estupraram a adolescente. Os quatro rapazes tiveram que entrar para o Programa de Proteção a Testemunhas. A maioria dos denunciados pela tortura são policiais, incluindo um delegado e uma escrivã de policia. O caso provocou a demissão do chefe da Polícia Civil do estado.

A tortura ainda é uma chaga institucionalizada no Brasil e praticada por agentes públicos a serviço do Estado. Policiais e agentes que atuam nas unidades de privação de liberdade são constantemente denunciados pela prática de tortura. Mas a responsabilidade não é apenas deles.

Funcionários que fazem atendimento especifico em unidades de privação de liberdade também são co-responsáveis pela prática de tortura quando se omitem diante deste crime ou mentem para ocultá-lo. Sejam eles educadores, assistentes sociais, médicos, enfermeiros, psicólogos, advogados, etc.

Aparentemente blindados, até promotores, juízes e o próprio executivo podem responder criminalmente pela omissão. É obrigação da promotoria, do judiciário e do executivo inspecionar unidades de privação de liberdade e colher denúncias de tortura e maus tratos.

O Projeto de Lei da Câmara (PLC)11/2013, que institui o Mecanismo Nacional de Prevenção da Tortura no Brasil, precisa ser sancionado com urgência pela presidenta Dilma Rousseff para que o Brasil possa contar com um comitê, independente e autônomo, de 23 membros e 11 peritos encarregados exclusivamente de prevenir e combater a tortura – prática que, de acordo com a ONU, é “sistemática” no Brasil. A instituição do Mecanismo é uma obrigação assumida pelo Brasil perante a comunidade internacional em 2007, quando ratificou o Protocolo Facultativo a Convenção contra Tortura da ONU.

Para que a prática da tortura seja banida do Brasil será preciso esforço coletivo. O país precisa adotar os mecanismos necessários para combater a tortura em todas as unidades de privação de liberdade, punir todos aqueles agentes públicos denunciados por tortura contra quem estiver sob a guarda do Estado, inclusive por omissão, e repudiar publicamente qualquer manifestação de incentivo e banalização de sevícias e maus tratos contra quem estiver sob a guarda do Estado - incluindo apresentadores de programas de televisão.

Ou o Brasil acaba de uma vez com a tortura ou a tortura deixará o Brasil tetraplégico!

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Comunidade Mauá recebe Sarau neste domingo!



Neste domingo, dia 28, às 17h, o Sarau da Praga vai acontecer na Comunidade Mauá, na Rua Mauá, 340 (ao lado da estação Luz de trem/metrô). Nesta edição, o Projeto Praga convida pra se apresentar o poeta Ni Brisant e o grupo de capoeira Herdeiros da Mauá. A entrada é gratuita, mas, por favor, doe livros de poesia, literatura, infantil e pra colorir que ficarão pra comunidade. Participe!

Exibição de filme e debate destacam a defesa dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes



No sábado, 27, às 18h, na Cinemateca de Santos, na Rua Xavier de Toledo, nº 42, Campo Grande, em Santos (SP), será exibido o documentário Juízo (Brasil/2007, 90 min.), da cineasta Maria Augusta Ramos, sobre o sistema social, econômico e judiciário em conflito com crianças e adolescentes pretos e pobres no Brasil. Em seguida, os educadores Ruivo Lopes e Tubarão Santos debaterão Por que a redução da maioridade penal é um crime contra os Direitos Humanos. A atividade é gratuita e é promovida pelo Núcleo de Estudos Libertários Carlos Aldegheri. Participe!

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Saraus promovem muito ritmo, poesia, debate e lançamento de livro em SP



O Sarau Sangue, Suor e Poesia Libertária, recital de poesia de combate, vai abrir o Festival Sinfonia de Cães Xtreme V, que acontece neste sábado, 20, às 13h, na Praça Carolina Maria de Jesus* (também conhecida como Praça Roosevelt), no centro de SP. Várias atividades compõe a programação do Festival, além da apresentação de bandas peso-pesado.


E um pouco mais tarde, às 19h, acontece o Sarau Perifatividade, no Bar do Bone, que fica na Rua Nsa. Sra. da Saúde, 1007, Vila das Mercês, Ipiranga, na zona sul. Nesta edição o rapper e escritor Eduardo (ex-Facção Central) chegará pra apresentar e lançar seu primeiro livro "A guerra não declarada na visão de um favelado". 

Tanto no Festival quando no Perifatividade HAVERÁ VENDA DE LIVROS DE LITERATURA DE COMBATE, MARGINAL E PERIFÉRICA a preços populares. 

Doações são sugeridas, mas é tudo gratuito. 

Participe... afinal, a cultura é nossa!


* É uma sincera homenagem do Sarau Sangue Suor e Poesia Libertária a escritora negra Carolina Maria de Jesus (Sacramento, MG, 1914 - São Paulo, SP, 1977), autora de Quarto de Despejo (1960), entre outros. Senhora de uma escrita autêntica e baseada nas próprias vivências, Carolina viu sua obra vender milhares de cópias e ser traduzida para vários idiomas mundo afora. A autora e sua obra continuam influenciando gerações de escritores e escritoras. Uma escola aqui e outro espaço ali levam o nome de Carolina. Em São Paulo, na Vila Tolstói, no Sapopemba, zona leste de SP, uma rua leva o nome de Carolina Maria de Jesus. Carolina merece mais!

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Sua filha quer ser negra, que ironia!


Blackface: modelo branca pintada de preto  
[Foto Sylvie Blum/ Models Paparazzi]

Isabel é branca, tem só 4 anos e chora muito. A mãe, com uma intenção na cabeça e uma camera na mão, filma a filha banhada em lágrimas. Isabel chora porque quer ter a pele negra. A menina acha a pele negra linda. A mãe reforça que a pele branca também é linda. Ela tenta amparar a filha, dizendo que quando ela crescer poderá se casar com um marido negro e ter um monte de filho negrinho. Isabel se desespera, ela parece não querer esperar nada disso. Decidida, ela quer ser negra aqui e agora. A mãe apela: "Papai do céu fez você com a pele branca". A menina parece não se conformar e insiste: "Quero negra!". Diante do impasse, a mãe negocia uma saída, pintar a filha com tinta negra. A menina pára de chorar. Começa a se recompor e pede para não pintar seu olho. "E o cabelo?", pergunta a mãe. "Loiro", responde a filha. "A menina negra do cabelo loiro", anuncia a mãe. (ouve-se risos ao fundo) "Combinado", diz a mãe, "compramos a tinta e pintamos você de negro", prossegue. A menina pede para fazer uma rodinha no olho, para não arder. Emocionada e com a filha já tranquilizada, a mãe pergunta: "Tá feliz?". "Tô", arremata a filha. É o fim!

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Horizontalidade na luta de classes: a hora e a vez da periferia!


Horizontalidade na luta de classes
Por José Francisco Neto/Brasil de Fato

O Movimento Passe Livre, diferentemente de outras organizações sociais, abre espaço para autonomia sem lideranças e busca a participação popular na política [Foto: Marcelo Camargo/ABr]

Quanto mais essa horizontalidade politizada, afinada com os princípios coordenados coletivamente, os movimentos sociais e populares serão mais fortalecidos 

Desde o início que cobravam a diminuição das tarifas do transporte público, o Movimento Passe Livre (MPL) não demonstrou interesse em se destacar como o protagonista dos protestos que se alastraram pelo país. Pelo contrário. Em todas as entrevistas concedidas à imprensa, integrantes do movimento disseram que “essa luta quem faz é o povo”.

Diferentemente de outros movimentos sociais, o MPL se organiza de maneira horizontal, ou seja, na busca pela igualdade de participação política. A comunicação se dá entre todos do grupo, e a adesão a uma proposta se faz por convicção, como declara Matheus Preis, integrante do movimento

“Todo mundo tem espaço para participar das deliberações coletivamente. Nesse sentido, a gente acaba tomando decisões mais acertadas por terem mais pessoas participando do processo da discussão da linha política do coletivo,” declara.

Apartidarismo

O apartidarismo também está na base do movimento, mas isso não significa que ele seja antipartido. Os partidos políticos são bem-vindos nas manifestações, mas não participam do MPL enquanto organizações. Pessoas filiadas a partidos podem aderir ao movimento enquanto indivíduos.

Preis acredita que a adesão popular, tanto nas ruas quanto no movimento, tenha sido motivada por conta da não ligação partidária do MPL e das decisões tomadas coletivamente.

“Nós achamos que nenhum militante deve participar mais do que outros de maneira determinada. A gente estabelece uma relação muito forte devido à horizontalidade, por isso, construímos sempre com o coletivo, todo mundo junto.”

Para Ruivo Lopes, membro do coletivo Sarau Perifatividade, da zona sul de São Paulo, o MPL deu um grande exemplo de organização que permitiu maior participação nos debates.

“Quanto mais essa horizontalidade politizada e afinada, sobretudo com os princípios coordenados coletivamente [for posta em prática], sem dúvida, os movimentos sociais e populares serão ainda mais fortalecidos. A gente não pode desperdiçar esse exemplo”, avalia.

Grazi Massoneto, integrante do movimento Ocupa Sampa, que atuou em manifestações em São Paulo no ano de 2011 e 2012, avalia que a horizontalidade permite mais diálogo por ser mais aberta.

“Com a horizontalidade, ninguém precisa se preocupar em aceitar o que alguém de cima falou, pois não existe esse ‘de cima’. As pessoas são mais livres para manifestar seu pensamento”, explica.

Atuante em movimentos sociais há 30 anos, Givanildo Manoel (Giva), hoje militante do PSOL, diz que sindicatos e partidos de esquerda sempre lutaram para que as relações fossem as mais horizontais e democráticas possíveis. No entanto, ele explica que o processo de burocratização e institucionalização foi dando espaço para uma estrutura mais verticalizada, retirando parte do protagonismo dos trabalhadores.

“O êxito das lutas [do MPL] nesse último período oxigenará, possibilitando mudanças importantes nas organizações de forma geral.”

Atuação nas periferias

Além da luta contra o aumento das tarifas, o MPL realiza atividades sobre o transporte público em bairros afastados do centro da cidade. Além disso, também apoia outras lutas de movimentos sociais, como, por exemplo, as organizações que lutam por moradia.

Fernando Ferrari, militante do Luta Popular, movimento que atua nas periferias de São Paulo e em outras regiões, reconhece a participação do MPL como fundamental para dar continuidade nas ruas. “O MPL foi um movimento que deu um ponta pé inicial para a retomada das ruas. O MPL foi primordial para lutar por um movimento que é de todos”, afirma.

Preis aponta que o movimento sempre busca a participação popular para que todos tenham maior apropriação da pauta. Para ele, é mais produtivo quando as pessoas participam das discussões. “Então a gente não chega lá [nas periferias] para dar palestra. A gente chega para discutir mesmo, de uma forma mais horizontal”, conclui.

Publicado originalmente em Brasil de Fato.


A hora e a vez da periferia
Por José Francisco Neto/Brasil de Fato

Milhares de pessoas ligadas a movimentos populares saem às ruas da zona sul e zona leste de São Paulo [Foto: Outras Palavras/Periferia Ativa]

Através das diversas atividades que são realizadas pelos grupos da periferia, a gente reforça durante as nossas atuações para não dar qualquer espaço para que nazifascistas se aproveitem da situação

Quando o assunto é transporte público de má qualidade fica evidente que o usuário mais comum é o morador de bairros periféricos. Quando se fala em violência policial, hospitais lotados, moradia precária e falta de saneamento básico, as vítimas continuam sendo as mesmas pessoas. Por esses e outros motivos é que a periferia resolveu descer do morro para o asfalto de forma conjunta para reivindicar melhorias nos serviços públicos localizados.

Aproveitando o calor das manifestações que explodem no país inteiro, o momento não poderia ser melhor. De meados para o fim de junho, milhares de pessoas ligadas a movimentos populares e culturais se juntaram aos trabalhadores e saíram às ruas do Campo Limpo, de Guaianazes e do Capão Redondo. O Movimento Passe Livre (MPL), que iniciou as manifestações pela redução da tarifa em São Paulo, também esteve presente nas manifestações.

“Com a ida às periferias, os movimentos e os trabalhadores ganham força, conscientização e clareza de objetivos, de amigos e inimigos, para voltar ao centro da cidade e tomar as ruas de forma mais coesa, com maior unidade entre seus dirigentes e com mais firmeza de suas exigências”, avalia Helena Silvestre, do Movimento Luta Popular.

Neofascistas

Entretanto, além dos problemas enfrentados cotidianamente nas periferias, um outro agravante fez com que as pessoas e os movimentos populares se unissem ainda mais. No dia 20 de junho, durante o ato comemorativo do MPL na avenida Paulista, movimentos sociais e partidos de esquerda foram duramente expulsos à pancadaria por grupos de skinheads, considerados pelos movimentos como “neofascistas”. O que era para celebrar a vitória pela redução das tarifas do transporte público, terminou em agressividade e violência.

Diante desse episódio que abalou as organizações populares, dois dias depois foi convocada uma reunião no Sarau da Cooperifa, na zona sul de São Paulo. Artistas, lideranças comunitárias, militantes de coletivos culturais e movimentos sociais das periferias se reuniram para discutir o atual cenário político do país, avaliado pelos presentes como imprevisível e alarmante.

Ruivo Lopes, integrante do coletivo Perifatividade, que realiza saraus na zona sul da capital paulista, participou da reunião. Ele ressaltou a importância de a periferia se organizar ainda mais em momentos como esse.

“Através das diversas atividades que são realizadas pelos grupos da periferia, a gente reforça durante as nossas atuações para não dar qualquer espaço para que nazifascistas se aproveitem da situação”, declara.

E, realmente, não tiveram espaço. Milhares de pessoas tomaram às ruas nos últimos dias de junho de forma pacífica, bloquearam avenidas e gritaram pelos seus direitos.

Seguir na luta

Após o ato realizado no dia 25 de junho pelos movimentos sociais e culturais das periferias, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), se reuniu com integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e do movimento Terra Livre. Foram discutidas questões como moradia, transporte e reajuste do auxílio-moradia.

Durante uma coletiva de imprensa, o governador anunciou que reajustará o valor do auxílio de R$ 300,00 para R$ 400,00.

“Vamos igualar o benefício para os moradores da região metropolitana, onde o aluguel é mais caro”, explicou.

Presente na reunião, Thais Miranda, integrante do movimento Terra Livre, considera que, apesar do avanço no diálogo, só aumentar o bolsa aluguel é uma medida paliativa.

“Mas isso tem que servir pra gente seguir na luta. As pessoas estão com esse sentimento que só a luta muda a vida. Isso tem que servir para a gente seguir o nosso trabalho de base”, diz.

Publicado originalmente em Brasil de Fato.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Em nome da prosa!



No clima das manifestações que tomam as ruas do país, policiais civis realizaram na última quarta-feira (26), uma batida na casa de um jovem morador de Itaboraí, no Rio de Janeiro. O jovem foi indiciado sob suspeita de formação de quadrilha, dano ao patrimônio, porte de artefato explosivo e tentativa de homicídios contra um policial militar agredido durante protestos na semana passada. A cena foi exibida em canais de televisão. O jovem teve a prisão temporária decretada pela justiça, mas até o momento ele não foi encontrado.

Na casa do jovem os policiais teriam apreendido fotos, cartazes e panfletos de temática punk anarquista com mensagens contra o racismo, contra o neonazifascismo, contra a guerra e contra o capitalismo. Os policiais teriam recolhido objetos de uso domésticos como facas e martelos. E teriam levado um soco inglês e um "nunchaku" (dois bastões pequenos conectados em seus fins por uma corda ou corrente). Nada ilegal.

O que chamou mesmo a atenção foi o fato de os policiais terem recolhido e apresentado o exemplar de um livro. A obra é na verdadeira uma verdadeira pérola da literatura norte-americano, o livro Mate-me, por favor, dos escritores e historiadores culturais Legs McNeil e Gillian McCain. A versão em português foi editada no Brasil por nada menos que a L&PM Edições, tendo sua primeira edição esgotada. Anunciada como sendo "uma história sem censura do punk" e dividida em dois volumes, a versão apreendida na casa do jovem é apenas o primeiro - o segundo volume da obra não foi apresentado -, reeditada na Coleção L&PM Pocket disponível até em bancas de jornais espalhadas por todo o país.

O livro Mate-me, por favor, conta a história da cena punk baseada em centenas de entrevistas com personagens bem conhecidos como Iggy Pop, Patti Smith, Dee Dee e Joey Ramone, Debbie Harry, Nico, Wayne Kramer, Danny Fields, Richard Hell e, claro, Malcolm MacLaren, responsável pela estética do Sex Pilstols. Algumas histórias reveladas por estes personagens ficaram bem conhecidas como a do então viciado Iggy Pop ter sido acolhido por David Bowe em sua casa por um tempo para se livrar das drogas.

O livro é descrito pela editora brasileira como sendo um mergulho nos camarins e nos apartamentos desses personagens para reviver o que começou nas entranhas de Nova York como uma pequena cena artística do final dos anos 1960 e início dos 1970 e se tornou um verdadeiro momento revolucionário da música. Mate-me, por favor começa quando os clubes CBGB e o Bowery eram uma legítima terra de ninguém e revive os dias de glória do Velvet Underground, Ramones, MC5, Stooges, New York Dolls, Television e Patti Smith Group.

O delegado carioca responsável pela batida na casa do jovem disse que o livro, além das fotos e cartazes apreendidos, demonstram "o perfil do suspeito", a ideologia dele frente a nação brasileira, de defesa da anarquia e sugere ainda que o jovem não teria participado de modo pacífico do protesto.

São bem conhecidas as histórias de perseguição da igreja católica a obras profanas e que levou muita gente pras fogueiras da santa inquisição, na idade média. Regimes fascistas e totalitários iluminaram noites com  fogueiras feitas de livros que consideravam obras degeneradas fruto da mente de livres pensadores perseguidos, presos e mortos em prisões ou fuzilamentos. Agentes da ditadura podiam invadir casas, prender, torturar e esfolar até a morte pessoas que tivessem, por exemplo, o clássico O Vermelho e o Negro, do escritor francês Stendhal ou qualquer coisa do tipo. Fica difícil explicar o teor de um romance quando se está num pau-de-arara. A verdade é que a brutalidade dos agentes que compõem o aparato repressivo do estado se dá exatamente pela insensibilidade e incapacidade deles de compreenderem a arte como expressão da liberdade. Na dúvida eles prendem, esfolam e queimam.

O livro Mate-me, por favor tem uma conclusão um tanto polêmica no meio cultural, porque a certa altura os autores decretam a morte do punk, que para eles ocorre quando a cena se torna manchete de jornais e uma nova onda juvenil, mercadológica é absorvida pelo sistema. Não se trata de um livro de teoria anarquista, bem longe disso, são histórias até muito engraçadas. Um retrato de uma cena, de uma geração e muitas micro-briografias contadas e contestadas umas pelas outras. A repercussão da apreensão do livro pela policia pode impulsionar a venda de mais um punhado de exemplares. Isso aumentará também as chances de você ter um em casa, na estante ou na mochila, nem que seja por curiosidade. Fica o recado, caso a obra entre pra alguma lista dos livros proibidos.

Aliás, aí uma acusação ainda a ser feita. Quem seria o responsável pela morte do punk, se é que morreu? A prova pode estar no segundo volume de Mate-me, por favor, o que não teria sido encontrado pelos policiais na casa do jovem. Neste momento, ele deve tá rodando por aí. Fato é que sem ele, não será possível contar o final desta história.

Mate-me, por favor, volumes 1 e 2

domingo, 23 de junho de 2013

Partido Alto: unidos venceremos!




Reunidos no quintal da Escola de Samba Unidos Venceremos, velhos bambas formaram em roda a tradicional assembléia geral do Partido Alto. Instrumentos na mão, os partideiros, como sempre, não estavam indiferentes ao que acontecia nos últimas dias. Eles guardavam a sabedoria dos mais velhos e o entusiasmo dos mais jovens. Previam que daqueles dias poderia sair samba e prestaram atenção. Antes do ziriguidum comer no tamborim, os puxadores começaram a analisar parte das alegorias e enredos que tomaram as principais avenidas dos país. Eles perceberam que as alas vermelhas e pretas foram sendo aos poucos engolidas por uma onda esquisita na qual se destacava o tradicional verde, amarelo, os azuis e muito branco.

Bons da cabeça, na cadência do samba e com a experiência de quem nunca adoeceu do pé, os partideiros logo chegaram a um consenso.

- Não se pode levar o bloco pra avenida sem apresentar nenhuma surpresa, tampouco improvisar o enredo no meio do caminho. Lembra daquela escola que apareceu na televisão antes da hora e já comemorava a vitória? Pois é. Já pensou se alguém rouba nossas alegorias e o nosso enredo... comé que fica? Questionou o primeiro.

- Pra brilhar na avenida tem que ter surpresa. O povo tem que conquistar a avenida de surpresa. Nos outros anos foi assim. Não levamos, mas também não nos levaram de lá. Fizemos bonito e nos convencemos de que aquele era o caminho certo. E é. De lá pra cá fizemos ainda melhor. Mas na miúda. Disse o outro, enquanto afinava o tom do cavaquinho.

- A boa Escola é aquela que aparece primeiro no seu quintal. Tem que ganhar primeiro no chão de terra batida e arrastar o bloco nas ruas acidentadas. O coro do samba enredo tem que começar aqui. Ganha na avenida quem primeiro ganhar na rua. Tem que experimentar tem que ensaiar. Assim, no sapatinho. O resto é entregar os pontos pros adversários de graça. Concluiu o terceiro.

Pra fechar o encaminhamento e indicar que o consenso ali era geral, cada partideiro levantou seu copo e em seguida viraram ligeiramente um gole pro santo e numa tagalada só lavaram a garganta e a alma. Partideiro véio não se engana nem se deixa enganar. A cara torcida e o desabafo quente eram sinais de que a água ardente era de rara qualidade. E quem é louco de servir cachaça batizada pra bamba. Santo nenhum aceita. Copo batido na mesa, o tamborim começou a soar. Só parou de tocar quando o galo cantou. Já era manhã de um novo dia.  

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Das ruas eu não saio não!



A última postagem neste blog tinha sido feita minutos antes do ato contra o aumento das passagens do dia 13 e que foi marcado pela violência policial. Apenas uma semana separa os con-textos. Ao contrário do que possa parecer, a cidade não acolheu aquela multidão que até então não se comportava como se tivesse indo a copa, na final entre a seleção brasileira e um time qualquer. É justamente esta a multidão que a Avenida Paulista acolheu.
 
A pauta contra o aumento das passagens dos transportes na cidade de São Paulo começou a ruir depois da violência policial cometida naquele dia. A repercussão foi grande e provocou manifestações em outras cidades do país.

A mudança da postura na cobertura da imprensa dominante deu não só uma nova cara pro ato, trouxe também para as ruas suas principais manchetes. Esta manobra não é nenhuma novidade. Óbvio, toda grande redação do país é também um partido político conservador.

O que poderia ter sido comemorado como uma vitória popular considerável contra a intransigência política, foi anunciado então como sendo "só o começo". Porém, bem distante da tarifa zero, a principal reivindicação do movimento que iniciou os protestos em SP.

Não demorou e deu logo para ver o que também havia começado. Na Avenida Paulista ontem presenciei alguns indícios. Assim que a faixa Contra a Política de Genocídio da Juventude, sempre presente nas ruas, foi aberta, um grupo protegido por neonazistas avançou e começou a dizer que eram "brasileiros com muito orgulho e com muito amor", "sem partido" e outras palavras de ordem tão vazias quanto um copo meio cheio.

Um homem enrolado numa bandeira do Brasil chegou por trás de mim e perguntou se eu era de algum partido político. Aproveitei que havia gente ali registrando tudo e disse a ele que não falo com racista. Com um sorriso de hiena, ele então voltou para seu posto e junto a outros puxou o grito "Ei, PT vai tomar no cú", sendo logo seguido pelo grupo que ele ajudava a proteger. Não era apenas uma questão de partido  político, longe disso.

Em um pequeno grupo, começamos então a puxar outro grito: "Racistas, fascistas não passarão" e a partir daí fomos ainda mais hostilizados. Seguramos a faixa até sermos expulsos daquele lugar pela primeira vez. Naquele momento, havia crianças segurando a faixa com a gente também.

Nos juntamos novamente a manifestação e, mais a frente, abrimos a faixa mais uma vez. Pouco depois, o mesmo grupo protegido pelos mesmos neonazistas que tinha ficado para trás conseguiu alcançar novamente a faixa, desta vez, agredindo covardemente as pessoas pelas costas com as hastes das bandeiras do Brasil, deram patadas e rolou até spray de pimenta. Outras pessoas foram atingidas com garrafas cheias no rosto lançadas das laterais da avenida.

Recolhemos a faixa definitivamente. Aplaudidos, o bloco protegido por neonazistas avançou sem problema algum pela avenida.

Parados na calçada, vendo a banda passar, líamos as mensagens dos cartazes e faixas nada ingênuos. Uma mulher com uma camisa vermelha levou uma bandeirada do Brasil na cabeça de um homem branco que tinha o dobro do seu tamanho, hiper-bem-alimentado. Ela chama ele de reacionário, em vão. Ecos da história. Lamentamos a manobra.

Tenho dito que as ruas são palcos de disputas permanentes. Diluídas no cotidiano, as contradições ficam mais visíveis quando a população está concentrada e tensionada. A cidade, como espaço político, é território dos conflitos. Ou eles se tornam visíveis na ocupação do espaço público ou eles se tornam menos visíveis no espaço privado. Tanto faz, os conflitos continuarão existindo.

Pode ser o clima da copa, pode ser aventura, pode ser arriscado, pode ser desfile, pode ser válvula de escape, pode ser desabafo, pode ser oportunismo, pode ser oportunidade, pode ser que dê certo, pode ser que não, pode ser aprendizado, pode ser lição, pode ser encantamento, pode ser desencantamento, pode ser partido amador, pode ser sem partido profissional, pode ser movimento, pode ser massa, pode ser a primeira vez, poder militante, pode ser uma onda, pode ser marola, pode ser civil, pode ser militarizado, pode ser público, pode ser privado, pode ser cavalo de pau, pode ser contramão, pode ser por direitos, pode ser por privilégios, pode ser bem intencionado, pode ser recalcado, pode ser midiotizado, pode ser muito barulho, pode ser quente, pode ser molhado, pode ser fogo, pode ser palha, pode ser sem violência, pode ser violentado, pode ser meio vazio, pode ser poder ser, mas com certeza não é por nada. Afinal, ninguém é neutro na multidão em movimento.

Fato é que senti alguns golpes hoje cedo. Vale a pena refletir, sim. Mas das ruas, como sempre, eu não saio não!

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Pontos para os atos contra o aumento das passagens em SP


Se a tarifa não baixar, a cidade vai parar!


Os grandes atos organizados contra o aumento das passagens em São Paulo têm marcado pontos importantes dos quais ligeiramente destaco: 1) A capacidade crescente de mobilização social entorno de uma pauta comum; 2) O ensaio de um xeque-mate em quem aprecia a democracia nos limites e conforto dos salões; e, 3)  Desafia a hegemonia da imprensa dominante, quando manifestantes cobrem e apresentam pontos até então invisíveis de dentro dos fatos.

Não é novidade o aumento da passagem dos transportes coletivos em SP. Nos últimos anos, o período em que ocorre os reajustes da tarifa tem sido marcado por manifestações contrárias ao aumento e junto vem a exigência por melhorias significativas no sistema de transporte coletivo para a população. A tarifa zero, que parecia impossível, entrou na pauta e já começa ser discutida, agora no campo da sua viabilidade ou não. Parece pouco, mas não é. As pessoas na rua consideram caro a tarifa e avaliam como sendo péssimo o serviço prestado pelas empresas de transportes coletivos. Todos os dias, milhares de pessoas perdem horas em trânsito, saem muito cedo e voltam muito tarde para casa, esperam muito e ainda vão espremidas nos transportes coletivos. As empresas dos transportes lucram muito e quem sofre é a população. É justamente essa insatisfação que alimenta as manifestações que tem tomado as ruas de SP. Mas não só. Há também um desejo real e compartilhado de participação no processo político no qual nenhuma cidade pode abrir mão. Um desejo de ser visto e ouvido no espaço público da cidade. Aliás, a salvação das cidades está na participação política da sua população, sobretudo, substituindo a paisagem do trânsito e seus veículos nas ruas por pessoas. As exigências que emergem das ruas é para acordar os poderosos acomodados no poder.

Para alguns políticos de plantão, lotados em gabinetes e redações, a democracia parece ser boa quando ela faz barulho apenas no quintal do vizinho. Prefeito e governador, cada um do seu modo, demonstram insatisfação com a cobrança feita nas ruas. Enquanto Haddad desqualifica a legitimidade e o caráter democrático do ato, Alckmin criminaliza e autoriza a violência policial, que, aliás, lhe é muito característica.  Os dois vêem nos atos a inconveniência de milhares de pessoas cobrarem nas ruas da cidade a revogação de uma decisão política tomada por eles em gabinetes. Se levar para as ruas o debate sobre uma questão que afeta a grande maioria da população de SP não for democrático, então, prefeito e governador devem avaliar seus conceitos.

A imprensa dominante massificou uma impressão dos atos que não é verdadeira. As manchetes dos principais jornais impressos inverteram a ordem dos fatos. É a Polícia Militar que sempre entra em confronto com quem participa dos atos, ferindo até quem passa perto da manifestação, e não o contrário. É a velha e conhecida estratégia de instaurar o consenso fabricado. As emissoras de tevê seguiram a mesma lógica e exibiram apenas aquilo que está alinhado ao poder dos editoriais. Nem a rádio escapou. Os donos da verdade queriam as suas versões dos fatos nas ruas. Graças à tecnologia digital, portátil e redes virtuais, centenas de pessoas que participaram dos atos relataram em textos e imagens o que aconteceu de dentro da manifestação. Através delas, é possível identificar a violência praticada por policiais militares fortemente armados contra uma multidão de manifestantes desarmadas. Comparar um batalhão armado portando espingardas de balas de borracha, bombas, gás de pimenta, cassetetes de borracha e de madeira com indivíduos que eventualmente revidam a violência policial com uma pedra ou ateiam fogo em um saco de lixo é um exercício de convencia que quando repetido mil vezes, infelizmente, pode pegar.  Contudo, a regra desta comparação é que as vitimas é sempre da violência policial.

Os grandes atos organizados contra o aumento das passagens em SP têm marcado pontos importantes porque tem gerado um incontrolável - isso sim! -, protagonismo social nas ruas. São Paulo deveria acolher melhor essa multidão. 



Assista como a PM reprimiu o 3º Grande Ato
Contra o Aumento das Passagens em SP,
realizado no dia 11 de junho

domingo, 9 de junho de 2013

Funk: Cultura e Arte X preconceito e criminalização





Mas não me bate doutor
Porque eu sou de batalha
Eu acho que o senhor tá cometendo uma falha (...)

(...)
E se um mar de rosas virá um mar de sangue
Você pode ter certeza, vão botar a culpa no funk

trechos de Não me bate doutor, de Cidinho e Doca


O jornal O Globo, do dia 25 de maio, destacou a chegada do funk na classe média carioca. O óbvio é que a novidade apresenta o que já se sabia desde o tempo em que o samba do morro virou bossa nova no calçadão de Ipanema. Vale destacar que no jornal, a reportagem esta abrigada no caderno Rio!

A frase que inicia a reportagem é lapidar: "O batidão foi descendo, descendo, até chegar, hoje, ao chão dos melhores endereços da cidade". Nota-se que este "melhores" aí, sugere uma oposição aos endereços de origem dos MCs destacados na reportagem. 

As jornalistas que assinam a reportagem foram generosas e fizeram o favor de deixar tudo muito bem explicadinho pros leitores da zona sul compreender como funciona o funk, nascido e criado nos morros, favelas e periferias cariocas. Até então parecia muito fácil discriminá-lo e, sobretudo, criminalizá-lo em reportagens policialescas, mas descobriram que não é bem assim. Pelo menos quando convém. Na matéria, elas revelam que o funk abriga, incorpora e dialoga com outros estilos e fontes musicais, sempre acompanhados por coreografias próprias, complexas que não deixam nada a dever pro que é ensinado em qualquer escola de dança "dos melhores endereços da cidade". O funk é sofisticado, na fusão, não perde a raiz, na coreografia, canta o corpo. As afirmações aqui ficam por minha conta.

Assim, patricinhos e patricinhas recem-iniciados no ritmo do momento não vão fazer feio no salão quando estiverem embalados pelo pancadão numa boate do lado sul do mapa carioca. Enquanto seus pais estiverem tranqüilos, encastelados num condomínio fechado ou jantando num restaurante famoso localizados nos "melhores endereços da cidade", seus filhos estarão embalados no que a reportagem chama de batidão, pancadão light, ou versão "família". 

O Globo, é claro, não dá ponto sem nó e puxa pra si parte da responsabilidade pela classe média carioca se encantar com o funk. E reinvidica seus pontos na história. Na reportagem são citados programas da própria emissora em que MCs já se apresentaram e sucessos emplacados em trilha sonora de novelas. 

Artistas que tem em comum os morros, favelas e periferias cariocas como berço e devotam todo seu aprendizado a sua origem, conquistaram o público em suas comunidades e, principalmente, na internet onde seus clipes são assistidos por milhares de pessoas. Artistas que vieram de uma produção totalmente independente e agora colhem cachês polpudos recebidos em maratonas de apresentações que realizam por noite. 

São jovens de origem pobre, todos negros na sua maioria - só pra lembrar! -, que estão dando certo, trabalham duro, começaram a ganhar muito dinheiro, sustentam suas famílias e consomem nas mesmas lojas exclusivas da classe media, localizadas também nos "melhores endereços da cidade". 

A primeira vista, a reportagem tenta apresentar um tom conciliador bem característico das interpretações que as elites sempre fizeram dos conflitos sociais que ainda hoje marcam a sociedade brasileira. Um tom de integração, através da Arte. Talvez um desejo de O Globo imprimir pra seus leitores um rosto pra chamada nova classe média. Talvez um retoque na vitrine de vidro na qual fica em exposição ao mundo os brasis divididos em “piores” e “melhores endereços da cidade” carioca. Brasis dos quais as elites esperam sempre que apenas um lado seja "bem comportado". Não é a toa que a frase que inicia a matéria é construída num discurso de oposição velada. Aquele batidão, apelido pro "funk light", não é o pancadão, associado sempre a "apologia às drogas, às armas e ao tráfico", como a própria reportagem sugere e lá mesmo no texto  arrisca já ser coisa do passado. 

O caminho esconde a paisagem. A descida pro chão dos “melhores endereços da cidade” é a dos morros, favelas e periferias. Caminhos trilhados por jovens funkeiros e funkeiras que estão fazendo a vida na cidade maravilhosa as custas da sua Arte. Jovens que estão entrando pra outras estatísticas que não a do Mapa da Violência. E isso parece incomodar a classe média tradicional, digamos assim. Por mais que aparente pacificador, expressão de guerra importado pelas elites políticas cariocas e que estampa também as páginas de O Globo, o Rio de Janeiro continua sendo a velha cidade partida de sempre.

 Assista aqui o Rap da felicidade, de Mc Cidinho e Doca

Se não é O Globo, são os leitores nos comentários da reportagem que rompem com qualquer possibilidade de cordialidade, outra marca das elites brasileiras. Alguns comentários lembram que apesar de tudo, o pobre, mesmo com dinheiro, ainda tem seu lugar.

Em meio a centenas de comentários de leitores de O Globo, exibidos logo em seguida da reportagem, não foi difícil selecionar alguns deles que demonstram o quanto há de racismo, discriminação, preconceito, hostilidade e ódio nas elites mesmo quando o assunto parece tratar apenas de Cultura e Arte, esse campo minado coberto de flores.

Lá vai:

Música de bandidos feita para bandidos. Não me surpreende que gente de morro goste disso. A casa da minha mãe na Tijuca ficava perto de favela e é um suplício morar perto da escória, LC.


Triste notícia! Quase dez milhões de clic´s com mentalidade favelizada (...).  Viva a impunidade (...), V.


Assim como a imprensa local faz com as favelas, tentando convencer as pessoas que é um lugar igual aos outros (...), tentam desesperadamente convencer que o funk faz parte da cultura carioca. Não adianta, a esmagadora maioria das pessoas não se sentem representadas pelo funk, não diz respeito ao estilo de vida das pessoas que não vivem a realidade das favelas. Não é porque alguns adolescentes da zona sul estão gostando que isso quer dizer que foi aceito, RA.


Vamos combinar que funk é coisa de gente...porca, CA.


Não vou criticar esta baixaria para não dar IBOPE a estes coitados, RC.


Classe média era eu, essa gente é, e sempre será, classe baixa. A classe média tem horror a funk e não deixa suas crianças perderem o senso crítico disso. Estas moças da foto não são em nada diferentes de bailarinas de prostíbulos. E os rapazes, filhos de mães assim. Além de pena me dão nojo, BC.


Para quem já teve a bossa nova como referência, isso soa mais como uma tribo de indígenas, JM.


Daqui um pouco pagaremos o "Bolsa Funk", WVDT.


Funk carioca é lixo. Não é cultura. Não adianta, Globo, vocês não vão conseguir empurrar goela abaixo esta porcaria na população pensante e de classe média. Não adianta ,Globo, a sociedade pensante do Rio não assiste a "Ixquenta " e não ouve Funk. Não adianta insistir. Nós ainda pensamos e temos bom gosto. Favor não insisttir com lixo de funk. Nossa mente não é favelada. Grato, F.


Lixo, esgoto cultural da pior qualidade, C.


Não é a classe média tradicional, e sim a nova classe média que adora esse tipo de porcaria barulhenta e sem conteúdo, FR.


O Congo fica no Rio de Janeiro.... (...) Não obstante o funk ser um ritmo originalmente criado pelos "niggers" americanos na década de 60 por James Brown, a versão tupiniquim copiada pelos M.A.C.AC.O.S. de imitação dos favelados do Rio é um verdadeiro de circo de aberrações hilariantes, EC.


A influência negra na música já foi mais aproveitável, hj se resume a drogas e pornografia - seja aqui ou seja nos EUA, C.


Serei curto e grosso: pesquisem se européias e americanas gostam de funk principalmente o tal pancadão...elas tem cérebro...Aliás, não só as mulheres, os homens também. Já no Brasil, MTAP.


Muito triste essa noticia!com esses favelados ganhando dinheiro, vai aumentar muito o consumo de cocaina!, MM.


Funck - carioca - é cultura? Cultura de verdade tem relação com a Arte, que desperta o melhor do ser humano. Mesmo o rock pesado nos estimulava a uma mudança de entendimento do mundo com objetivo de muda-lo. Os valores do funck - carioca - vão de incitação a violência, ao rebaixamento da mulher e a vida em comunidades pobres como opção de vida e não como necessidade. Cultura liberta, educa e conscientiza. É por isso que essas comunidades são onde mais se elegem os políticos corruptos, AC.


Assista aqui Som de preto, de Amilcka e Chocolate

Deixo aqui um alerta, a visão crítica do mundo que nos cerca é necessária. Nenhuma estrutura, seja ela física ou mental, deve parecer impossível de ser transformada. Cultura e Arte, quando irmanadas, são fundamentais pra reflexão sobre tantas questões individuais e coletivas que cercam cada um de nós. Entendo que Cultura e Arte estão umbilicalmente ligadas a busca incessante por Justiça. É um campo minado porque Cultura, Arte e Justiça estão em constante disputa numa sociedade desigual como a brasileira. Quando você for fazer alguma crítica do funk, assegure-se de qual lado do campo minado da Cultura e da Arte ela esta lançando você. Reflita, porque amanhã o alvo das injustiças poderá ser você.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Ocupa Sarau na Praça Zumbi dos Palmares




Neste domingo, dia 9 de junho, a partir das 13h, vai acontecer mais um edição do Ocupa Sarau: a periferia vista na bolinha do olho. A novidade é que será realizado na Praça Zumbi dos Palmares, localizada na Avenida Inajar de Souza, bem próximo do Terminal da Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte de SP. Veja detalhes de como chegar aqui.

A ideia é ocupar esta pequena praça, que leva o none de uma grande referência na luta por liberdade do povo negro no Brasil, com muitas manifestações arteiras da cultura que faz a nossa cabeça na periferia. Por isso, a ocupação da praça é uma ação cultural coletiva na qual estão participando vários grupos e pessoas dedicados as mais variadas linguagens arteiras.

Na programação: varal de xilo, grafite, Carrinho de Mãoteca, Editora Quilombola, stencil pra identificar a Praça Zumbi dos Palamares, discotecagem, venda, troca e distribuição de livros e outros materiais, pique-nique comunitário e espaço aberto para intervenções diversas.

Presenças confirmadas...

Na poesia: Thiago Gonzales (Santana), Karen Rego (Cachoeirinha), Cláudio Cákis (Suzano), Celinha Reis (Pompeia), Ana Fonseca e Paulo Rams, Perifatividade (Fundão do Ipiranga), Messias (Pirituba), Felipe Nagô (Brasilândia), Renata Prado (Itaim Paulista), Sonia Regina Bischain (Brasilândia), Fuzzil & Deeanto (Capão Redondo), Ruivo Lopes (Centro), Indy Naíse (Butantã), Lu'z Ribeiro (Guarapiranga), Luís Felipe Lucena (Mundão), Fanti Manumilde (Heliópolis).

No rap: ZoioOmc (Brasilândia), Mc Trexx (Jd. Pery), Mano Réu (Brasilândia), Flávio Casimiro (Jd. Pery), D'Grand'Stilo (Heliópolis), Robson - Conteúdo Majestoso (Brasilândia), Jenny (Cachoeirinha).

No cadência: Samba do Congo (Brasilândia-Morro Grande).

No grafite: Caiana, Alemck e Mild - CANIL (São José dos Campos), Bruno Perê (Jabaquara), Dimy - Somos Pobre (Vila Penteado), Isis Flores (Jaçanã), Ed Lincoln (Pirituba).

Na xilogravura: Jardélio Santos (Vila Souza).

Circo: Hélio Gonçalves Costa (São Bernardo).

Na fotografia: Elaine Campos (Centro).

Na discotecagem: Dodo (Bairro do Limão) e DJ Canelês (Brasilândia).

Na organização: Chellmí, Projeto Espremedor, Amanda Prado e Banca Subterrâneo.