sábado, 21 de fevereiro de 2015

Sarau do Pira tem teatro, música, poesia e roda sobre "moradia, ocupações e lutas"



Se ligaí! | Neste sábado, dia 21, às 19h, participo da roda "Moradia, ocupações e lutas" que vai acontecer durante a apresentação da Cia do Tijolo no Sarau do Pira (clique e confirme a presença!), na Casa De Cultura M'boi Mirim (Av. Inácio Dias da Silva, s/nº, Largo Piraporinha, zona sul de SP). Participam também da roda Fernando Ferrari, representante sul da Rede Popular de Cultura Mboi e Campo Limpo; Jussara Basso, coordenadora estadual do MTST; Clodoaldo Cajado, engenheiro ambiental e coordenador de projetos; Nena Machado, ex-coordenadora do MST (MG) e atual diretora do Fetec Sindicato do Bancários de SP,Osasco e Região; Gilson Periferia, coordenador e idealizador da Ocupação Terra Prometida; John JP, advogado social de movimentos de moradia. A mediação ficará por conta de Helena Silvestre, coordenadora nacional do Luta Popular. O escritor Claudio Laureatti lançará o livro "Luz e Sombra" e a música ficará por conta do Grupo Sapato Branco. Participe!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Leiaí! "Coroações, aurora de poemas", livro de estreia da poetisa Débora Garcia



Leiaí! | "Coroações, aurora de poemas"(edição da autora, 2014), livro de estreia da poetisa Débora Garcia é um presente para quem aprecia a poesia, a beleza e a afirmação "da negra gente desta nação". Paulistana da zona leste de São Paulo e muito conhecida dos saraus da periferia da cidade, Débora reúne no livro 65 poemas, divididos em três capítulos que registram diferentes fazes e passagens da autora: "Coroa de espinhos", "Coroa de flores" e "Ojá", na qual a poetisa se revela e afirma em primeira pessoa sua "Genealogia": "Sou negra"! Para que o rebento viesse a público, Débora reuniu o "Quilombo" para embalar o livro: Nina Viera, conhecida artistas gráfica, assina assertivamente e de beleza única o Projeto Gráfico, a Capa e Ilustrações, Fernando Santos a diagramação, o prefácio é do escritor Ademiro Alves (Sacolinha), a orelha é do professor Marco Maida e quarta capa é dos também poetas Márcio Barbosa (Quilombhoje) e Akins Kintê, todos compartilham da coroação poética da autora. "Descobri o espelho e passei a me entender com ele. Descobri meu cabelo - minha coroa - e este foi, sem sombra de dúvida, o rito de passagem mais importante nos últimos anos. Descobri!", revela no posfácio a poetisa. Débora Garcia não é estreante na poesia, na literatura e nas artes. Ela já havia participado de antologias literárias, como Cadernos Negros, saraus, de produções em audiovisual e de projetos culturais como a Associação Cultural Literatura no Brasil, referência na formação de leitores e escritores no município de Suzano, na Grande SP, da qual foi presidenta. "Coroações, aurora de poemas", apresenta Débora Garcia em boa forma poética. Recomendo a leitura!

Livro: "Coroações, aurora de poemas", 103 páginas
Gênero: Poesia
Autora: Débora Garcia
Editora: Edição da autora, 2014
Contato: deboragarcia.info@yahoo.com.br
Facebook: Débora Garcia
Sítio: www.deboragarcia.blogspot.com

domingo, 25 de janeiro de 2015

Meu "Salve Geral, São Paulo", poema para a minha ÉssePê!


 
                    Minhocão, centro de SP (Foto Elaine Campos, 2011)

Salve geral, São Paulo

Salve, salve os moradores de rua do Minhocão
Salve, salve os vira latas nas esquinas
Salve, salve os meninos da Sé
Salve, salve as meninas da República
Salve, salve as ciganas da Praça Clóvis
Salve, salve as cartomantes do Viaduto do Chá
Salve, salve os cegos do meio fio
Salve, salve os catadores do Brasil
Salve, salve os michês da Vieria
Salve, salve as prostitutas da Luz
Salve, salve as travestis da Jardim
Salve, salve os irmãos e irmãs da Hellvetia
Salve, salve os barracos da Nothmann
Salve, salve os sem teto do Centro
Salve, salve os camelôs da Santa Ifigência
Salve, salve os artesãos da Ipiranga
Salve, salve os bolivianos da Kantuta
Salve, salve os africanos da São João
Salve, salve os haitianos da Glicério
Salve, salve as mulheres e crianças indígenas da Quintino
Salve, salve os cidadãos apressados por todos os lados
Salve, salve os pregadores da XV de Novembro
Salve, salve os franciscanos do Largo
Salve, salve os artistas de rua
Salve, salve os cortiços do Cambuci
Salve, salve os tios nos botecos da Boulevard
Salve, salve os peladeiros da Isabel
Salve, salve os partideiros da Osório
Salve, salve os ritmistas da Santa Cecília
Salve, salve os capoeiras da Mauá
Salve, salve os caboclos da Aldeia
Salve, salve os emboladores da Patriarca
Salve, salve os engraxates na São Jorge
Salve, salve os manos e manas numa relax no Anhangabaú
Salve, salve os poetas do Bixiga
Salve, salve os pichadores nas estrelas
Salve, salve os santos grafiteiros contra o cinza da maldade
Salve, salve os psicóticos da Ladeira da Memória
Salve, salve os enforcados na gravata da Paulista
Salve, salve os manifestantes da polícia
Salve, salve as agentes de saúde, azuis da cor do céu
Salve, salve os guardadores de carros
Salve, salve os curandeiros do Parque Dom Pedro
Salve, salve os ilusionistas da São Bento
Salve, salve as vendedoras de Ocas
Salve, salve os teatros da Roosevelt
Salve, salve os feirantes da Mato Grosso
Salve, salve a vendedora de flores da Consolação
Salve, salve a Igreja dos Homens Pretos
Salve, salve a Mãe Preta do Paissandú
Salve, salve o Luís Gama, imortal no Arouche
Salve, salve o Ilú Obá de Min no Campos Elísios
Salve, salve a Favela do Moinho
Salve, salve a distribuição de sopa da Rio Branco
Salve, salve geral, São Paulo!


Ruivo Lopes (1ª versão não publicada, 2013).