domingo, 17 de outubro de 2010

Elite e povo: interesses irreconciliáveis

Em menos de 24h do resgate dos 33 mineiros que estavam soterrados a 70 dias em uma mina em San José, no Chile, um novo drama. Um mineiro morreu esmagado por uma pedra de uma tonelada na região de Valparaíso, no litoral chileno. Roberto Benítez Fernández, de 26 anos foi atingido enquanto trabalhava em um jazida a mil metros de profundidade. O mineiro colocava uma cunha na rocha, justamente para evitar que ela deslizasse. As condições precárias de trabalho impostas aos mineiros no Chile são bem piores do que o dramalhão novelesco criado pela imprensa durante o resgate do grupo da mina de San José. A situação dos mineiros, fragilizados pela flexibilização trabalhista, terceirizados por empresas estrangeiras e sujeitos a precarição, não é diferente em outras partes do mundo, inclusive no Brasil.

Ingratidão É correta a afirmação do presidente Lula de que neste país os ricos foram as pessoas que mais ganharam dinheiro no seu governo. Essas pessoas, disse Lula, na verdade, o que elas não conseguiram foi superar o preconceito. Enquanto no andar de baixo os mais pobres estão se alimentando melhor, fazendo prestações e comprando itens básicos para a casa, como, por exemplo, geladeira, da classe média para cima, nunca antes na história deste país ela viajou tanto para o exterior e comprou tantos carros importados com prestações iniciais a partir de um salário mínimo. Como se pode ver há, sim, uma oposição de interesses entre elite e povo. Os ricos ficaram mais ricos e os pobres mais exigentes. O exclusivo clube do andar de cima está desconfortável diante das exigências dos milhões de brasileiros que saíram da miséria e querem mais do país que lhes deve uma condição de vida melhor. Tudo o que o andar de cima não esperava ver é o povo escolher a candidata do presidente Lula, Dilma Rousseff, para a nova presidência do país.

Abortar ou não abortar não é a questão O segundo turno das eleições presidenciais iniciou com um retrocesso numa questão cara para milhões de mulheres brasileiras, principalmente a parcela pobre delas. Dados do sistema DATA-SUS para o procedimento médico-hospitalar - Curetagem Pós-Abortamento/Puerperal -, atingiu, em 2009, o número de 202.766 procedimentos. Mas esse número, seria apenas dos casos de gravidez em etapas avançadas e em geral de pacientes muito pobres que recorrem ao SUS em situações de risco iminente de aborto ou de seqüelas pós-aborto, externas ao Sistema (leia artigo sobre o tema aqui). Num falso assenso moralista, falsos moralistas de plantão, na imprensa inclusive, plantaram o tema da interrupção da gravidez indesejada no debate entre os dois candidatos a presidência. O falso moralismo da sociedade brasileira, abrigado, sobretudo, no andar de cima - o mesmo que também é a favor da pena de morte e não tá nem aí para as crianças nascidas sem direito a crescer dignamente beneficiadas pelas riquezas produzidas pelo país - falou mais alto e o tema, equivocadamente, voltou a ocupar o debate público de modo subjetivo, divino, rasteiro e policialesco quando na verdade deveria ocupar claras linhas nos programas de saúde pública dos candidatos que é o que objetivamente interessa.

Horror, Horror Nos último oito anos, o sociólogo Chico de Oliveira não poupou críticas ao governo Lula pelas opções políticas que fez. No entanto, suas críticas, situadas claramente no campo da esquerda, opõem-se as elites políticas atrasadas de direita, representadas hoje na candidatura demotucana de José Serra.
“Os governos tucanos têm horror ao povo. Isso não é força de expressão. É uma questão de classe social. Eles não têm contato com o real cotidiano popular. Eles não andam de ônibus, não têm experiência do cotidiano da cidade. Nem de metrô eles andam, o que é incrível. A cidade é grande, tem violência, a gente sabe. Mas eles não sabem como é o transporte, como são os hospitais, as escolas públicas. Há uma fratura real, eles perderam a experiência do cotidiano real. E isso não entra pelas estatísticas, só pela experiência. Por causa disso, o governo deles é sempre uma coisa muito por cima. Eles são pouco à vontade com o popular. Essa é a diferença marcante em relação a Lula”. Leia a entrevista completa concedida pelo sociólogo aqui.

Nada a comemorar São dois milhões os educadores no Brasil. Entre os futuros profissionais – matriculados nos cursos de Pedagogia – 40% têm renda mensal inferior a três salários mínimos e trabalham em outras atividades para complementar a renda. No último concurso público realizado no estado de São Paulo passaram 56 mil professores e serão efetivados somente 12 mil. O Estado não honra o piso mínimo dos professores e não há plano de carreira. O Dia dos Professores - 15 de outubro - é marcado como um dia de protesto. Leia mais aqui.

Subprefeituras de São Paulo mais pobres para os pobres A proposta orçamentária da Prefeitura de São Paulo para 2011 prevê reduzir verbas de subprefeituras localizadas em regiões pobres da capital. Por outro lado, áreas com moradores de maior renda média devem receber mais dinheiro, segundo o projeto de lei 444, entregue pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) à Câmara Municipal no final do mês passado. Confira.

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3 comentários:

femmeliberte disse...

Em tempo: Ex-alunas confirmam hipocrisia de Monica Serra.

"... sua indignação ao perceber a mudança de atitude da professora que, em 1992, revelava às alunas um episódio marcante na vida de qualquer mulher, como o aborto realizado diante o exílio iminente, ao lado do marido, e a possível primeira-dama que, em uma campanha política (hoje), acusa a adversária do casal de “matar criancinhas”.
– Pior do que isso foi o silêncio do Serra que deveria ter saído em defesa da mulher, fosse qual fosse a situação em que se encontrava ali diante das câmeras (Sheila Ribeiro)."

“– Eu confirmo aqui o depoimento da Sheila Ribeiro. Foi aquilo mesmo.”

“ – Ela estava sentada no chão em uma sala de dança, onde não há móveis e apenas um grande espelho e a barra de exercícios, ao lado das colegas Kátia Figueiredo, que mora atualmente na Suécia, Ana Carla Bianchi, Ana Carolina Melchert e Érika Sitrângulo Brandeburgo, entre outras estudantes, residentes aqui no país", (colega, hoje, dona de academia em Brasília).

Enquanto isso, José Serra continua mudo. Mônica Serra foi ao Chile levar uma imagem de N S Aparecida. Provavelmente ficará um bom tempo por lá...

Confira a matéria do Correio do Brasil:

http://correiodobrasil.com.br/ex-alunas-de-monica-serra-confirmam-relato-sobre-aborto/186052/?sms_ss=email&at_xt=4cb7db4cfd458099,0

101 disse...

É, mas parece que o Chico de Oliveira não concordou com a proposta de Marilena Chauí, de boicotar o PiG... Chauí, no dia 8/10, participou de um ato em defesa da candidatura da Dilma, organizado pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco (FDUSP), ao lado de intelectuais e membros do corpo docente da Faculdade, defendeu que intelectuais (o Chico se encaixa aqui, né?), lideranças de esquerda e do PT deixem de atender jornalistas da imprensa convencional, fazer silêncio, boicotar pedidos de entrevista. Acho que ela está certa, a entrevista do Chico (mesmo concordando com ele), acaba favorecendo o candidato Serra. Veja os vídeos da entrevista de Marilena Chauí http://www.conversaafiada.com.br/video/2010/10/15/chaui-explica-por-que-serra-depende-do-aborto-para-fugir-do-fhc/

Ruivo Lopes disse...

Outras Palavras | O Chile é hoje uma das pontas de lança no capitalismo extrativista latino-americano. A mineração representa 58% das exportações e 15% do Produto Interno Bruto (PIB). O país explora carvão, ouro e sobretudo cobre, de que é o principal produtor no mundo (com 40% do mercado), graças a maior mina ao céu aberto do planeta (Chuquiquamata). As reservas seriam suficientes para 200 anos de exploração. Leia o artigo completo de Frank Gaudichaud em: http://www.outraspalavras.net/?p=2264