
A saída do aluno do estágio mais primário do analfabetismo é importante e pode levá-lo a leitura, escrita e interpretação de textos se continuado o processo de alfabetização.
Moacir Gadotti, professor da Faculdade de Educação da USP e diretor do Instituto Paulo Freire, defende que as políticas de combate ao analfabetismo devem ser articuladas no marco da aprendizagem ao longo de toda a vida. Sem políticas estruturantes de longo prazo, intersetoriais e integrais, não conseguiremos eliminar o analfabetismo. Além disso, destaca, o método cubano se utiliza de cartilhas e é marcadamente instrucionista.
O professor da FEUSP considera que como um instrumento inicial de promoção da alfabetização, ele pode ter efeitos positivos. Contudo, sem uma continuidade, esse método, a médio prazo, perde a eficácia inicial. As campanhas gerais tendem a desconsiderar os diferentes contextos regionais e a diversidade cultural dos aprendizes. A utilização de novas tecnologias não deve quebrar a relação pedagógica. E completa: nada substitui o alfabetizador!
Gadotti lembra ainda que a alfabetização é multifacetada. Existem várias alfabetizações: digital, cívica, ecológica, política... O combate ao analfabetismo não se reduz à política de escolha de um método. A educação de adultos, a começar pela alfabetização, é um direito que deve ser garantido a todos e com qualidade.
[Foto: Ruivo Lopes | Salvador (BA), janeiro de 2010]
Um comentário:
Alfabetismo, o antônimo afirmativo de analfabetismo. Sobre esse conceito ver http://www.scielo.br/pdf/es/v18n60/v18n60a8.pdf.
Interessante o Gadotti falar de realidade... qual é a realidade desses pescadores? Pessoas que passam nove meses do ano em alto mar ou no meio do rio para, além de sua subsistência, abastecerem o mercado, interno e externo, de peixe e aquicultura – só para citar os mais conhecidos, camarões e ostras (será que Gadotti gosta de camarões e ostras?)
Gadotti saberia dizer sobre o que pensam os pescadores a respeito de ficar sentado de 3 a 4 horas em uma sala de aula diante de um alfabetizador? Lembro-me de uma mulher que me pedia para estudar em casa, porque o marido não PERMITIA que ela saísse de casa (condições diferentes e realidade muito mais diferente ainda, eu sei); nada do que eu dissesse faria com que aquela mulher saísse do LUGAR em que se encontrava, mas ela queria APRENDER as COISAS da escola...
Parabéns à iniciativa do Ministério da Pesca e Aquicultura!
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