terça-feira, 7 de setembro de 2010

Opinião pública explícita!

O processo civilizatório de Padre Anchieta, manchado de sangue, registrado no muro da Escola Marina Cintra (Rua Consolação esquina com a Antônia de Queirós)
[Foto: Ruivo Lopes | São Paulo (SP), agosto de 2010]

Ah vá... Se depender do atual secretário de educação de São Paulo, Paulo Renato, o futuro dos gigantes da mídia impressa no Estado está a salvo. Ele mandou a FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação) arrematar assinaturas dos regionais Diário da Região (São José do Rio Preto), Diário da Região (Osasco), Tribuna Impressa (Araraquara), Cruzeiro do Sul (Sorocaba), A Tribuna (Santos), Jornal de Jundiaí (Jundiaí), Jornal da Cidade (Baurú), Folha da Região (Araçatuba), O Liberal (Americana), O Vale (São José dos Campos), Jornal de Piracicaba (Piracicaba), Comércio de Franca (Franca), A Cidade (Ribeirão Preto). A lista, como não poderia deixar de faltar, inclui os gigantes O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. As revistas Isto É, Veja e Época fecham o pacote. Os impressos serão destinados as escolas paulistas. O arremate, sem licitação - claro! - e em ano eleitoral, pode custar alguns milões aos cofres do Estado. A investida não é pouca. Paulo Rentato saberá cobrar seus dividendos da compra. Veja um palpite aqui.

Nome aos Bois A Folha [de S. Paulo] tem o dom de contar histórias sem dar nome aos bois. É uma arte. Mãe extremada, transmite sua expertise a todos os rebentos. O leitor que se dane. Alberto Dines em Lima Barreto, disfarçadíssimo: da ditadura do silêncio à “lista negra”.

Chegou a Brasiliana Eletrônica

O projeto Brasiliana Eletrônica é uma iniciativa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com a finalidade de oferecer num portal da internet a íntegra dos livros que compõem a Coleção Brasiliana, lançada pela Companhia Editora Nacional em 1931, logo após, portanto, a Revolução de 1930 e criação do Ministério da Educação, numa conjuntura de grande efervescência e retomada da reflexão sobre a sociedade e a cultura brasileiras.
A coleção, dirigida pelo educador Fernando de Azevedo e depois pelo historiador Américo Jacobina Lacombe, foi um dos maiores projetos editoriais brasileiros de todos os tempos, tendo publicado um total de 415 volumes, sendo os 200 primeiros até 1940, o que demonstra o enorme sucesso alcançado pela iniciativa. Os textos que integram a coleção, sempre com foco no Brasil, são assinados por grandes autores, e eram, na época, edições originais ou reedições de obras clássicas. Eles abordam a economia, a história, a sociologia, a antropologia, a geografia, e diferentes ramos das ciências naturais, como a botânica, a zoologia, a geologia etc., além de incluírem muitos dos mais valiosos relatos de viajantes estrangeiros que visitaram nossa terra desde o século 16. No pensamento político, destacam-se na galeria de autores os nomes de Oliveira Viana, Alberto Torres, Vicente Licínio Cardoso, Azevedo Amaral e Manoel Bonfim. Na antropologia e na sociologia, Gilberto Freyre, Afrânio Peixoto, Nina Rodrigues, Artur Ramos, Roquette-Pinto, Donald Pierson, Câmara Cascudo, Josué de Castro, Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso. Entre os viajantes, Saint-Hilaire, Louis Agassiz, príncipe Maximiliano, Von Martius e Spix, Gabriel Soares de Souza e Fernão Cardim. Como se vê, é um elenco dos mais representativos da cultura brasileira.
No portal Brasiliana Eletrônica, as 80 obras já disponíveis desse riquíssimo acervo são oferecidas ao público de dupla forma – como fac-símiles da primeira edição, para serem analisados na feição como vieram à luz, e como textos normalizados e de ortografia atualizada. Estes últimos podem ser editados, selecionados, transcritos e transpostos ("recortados, copiados e colados"), respeitadas as regras de citação, para estudos, textos, pesquisas e trabalhos escolares e acadêmicos, que só fazem crescer no país e muito se beneficiarão da iniciativa.
Os livros foram integralmente digitalizados e submetidos a um programa de reconhecimento ótico de caracteres (OCR). Uma minuciosa atualização ortográfica foi então aplicada, o que requereu esforço e dedicação consideráveis, dado que boa parte dos textos apareceu na coleção em período anterior à reforma ortográfica de 1943. O trabalho de normalização foi de igual vulto, já que era um princípio praticamente inexistente à época da publicação original. Preservou-se, contudo, a grafia de certos elementos, para reter o sabor da época.
Inclui o projeto a apresentação de estudos críticos sobre as principais obras da coleção, bem como de biografias intelectuais de seus autores, encomendados a especialistas acadêmicos.

Acesse

Retalhos Ansiosos - Blog sobre as desgraças que nos assolam, pessoal e coletivamente. Poemas, crônicas, contos e textos acadêmicos. Prepare-se para sentar no colo do Capeta.

2 comentários:

femmeliberte disse...

A influencia política, na crise da imprensa!

ótima foto-opinião, fernando ruivo! =)

Ruivo Lopes disse...

Para saber mais sobre as recentes e questionáveis aquisições de materiais pedagógicos pela Secretaria de Estado da Educação (SP), acesse o link: http://namarianews.blogspot.com/2010/12/o-saber-alem-dos-livros-da-educacao-de.html