Em luta por autonomia e igualdade, contra o machismo e o capitalismo, milhares de feministas sairão às ruas do Brasil mais uma vez para celebrar o Dia Internacional de Luta das Mulheres. Em São Paulo, as atividades serão marcadas, em dias diferentes, pelo bloco de carnaval feminista "Adeus, Amélia" e caminhada no Centro de São Paulo. “Estamos em luta diária contra a violência sexista, pela descriminalização e legalização do aborto, valorização do nosso trabalho, educação de qualidade para todos e solidárias às lutas anti-capitalistas travadas no Brasil e no mundo”, afirmam as quase cem organizações que convocam o ato do dia 12. Com a celebração, as feministas querem chamar a atenção da população para os principais problemas que enfrentam. Entre eles, a tentativa, por parte do STF (Superior Tribunal de Justiça), de flexibilizar a Lei Maria da Penha; a falta de investimento por parte do governo estadual na ampliação das delegacias da mulher e casas abrigos; o déficit de vagas em creches e na educação infantil de São Paulo; o crescimento da intolerância e do conservadorismo, com manifestações de violência contra lésbicas, homossexuais e transexuais na cidade; o desrespeito a direitos trabalhistas das mulheres; o descaso do poder público com a reforma urbana e agrária; e a mercantilização do corpo da mulher nos meios de comunicação, entre outros. As brasileiras prestarão ainda solidariedade internacional às mulheres que neste momento estão em luta em todo o mundo.
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08/03, 14h - O Bloco “Adeus, Amélia!” levará a mensagem das feministas à população paulista. A concentração será na Praça Padre Péricles, próximo ao Parque da Água Branca (Metrô Barra Funda). De lá seguirá pelo Elevado (Minhocão) até a Rua Consolação.
12/03, 9h30 - A concentração da Caminhada de Luta das Mulheres será no (CIM) Centro de Informação da Mulher, na Praça Roosevelt (Rua Consolação, 605). De lá, as mulheres caminharão pelo centro da cidade, encerrando o ato na Praça da Sé.
Não é crime passional é femicídio
Pesquisa aponta que 5 mulheres apanham a cada 2 minutos
Pesquisa feita pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o Sesc projeta uma chocante estatística: a cada dois minutos, cinco mulheres são agredidas violentamente no Brasil. Há 10 anos, eram oito as mulheres espancadas no mesmo intervalo. Realizada em 25 Estados, a pesquisa Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado ouviu em agosto do ano passado 2.365 mulheres e 1.181 homens com mais de 15 anos. Aborda diversos temas e complementa estudo similar de 2001. Mas a parte que salta aos olhos é, novamente, a da violência doméstica. A projeção nacional aponta que 7,2 milhões de mulheres com mais de 15 anos já sofreram agressões. No entanto, a pequena diminuição do número de mulheres agredidas entre 2001 e 2010 pode ser atribuída, em parte, à Lei Maria da Penha. Os dados mostram que a violência contra a mulher não é um problema privado, de casal. É social e exige políticas públicas específicas e eficientes de combate à violência contra a mulher. [Fotos: Ruivo Lopes | São Paulo, 2010]
Em 1979, a Revolução Islâmica no Irã impôs uma férrea censura ao rock e a outras formas da "cultura decadente do Ocidente". No mesmo 1979, Frank Zappa, inspirado pelos mesmos acontecimentos, lançou seu Joe’s Garage. No disco, as palavras de Zappa são certeiras. Leia o artigo na íntegra aqui.
Assista | Je Vous Salue, Sarajevo, texto, narração e direção de ninguém menos que Jean-Luc Godard. O filme foi a exceção na última Bienal de São Paulo, que teve como tema principal a "política na arte". Tema, aliás, familiar e por isso mesmo conflituoso para um diretor como Godard. O texto narrado por ele no filme não deixa sombra de dúvida. Cultura é a regra e arte a exceção, diz Godard. Para o diretor francês, todos falam a regra, ninguém fala a exceção.
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Até 13/03, sab às 19h30 e dom às 20h - O Percevejo, de Vladimir Maiakovski. Último texto do autor antes do suicídio em 1930. Comédia fantástica, cheia crítica e sarcasmo, sobre a história de um patético herói da revolução russa ressuscitado no distante futuro de 1979. Imperdível! No Indac - Escola de Atores (Praça Américo Jacomino, 63, Sumarezinho, ao lado do metrô Vila Madalena , 3862-0947). Gratuito.
Até 26/06, sáb e dom, às 20h - O Núcleo 184 apresenta o espetáculo teatral Rosa Vermelha - Concerto Mínimo para a Vida, Obra e Morte de Rosa Luxemburgo, O Socialismo ou a Barbárie. A peça conta a história da polonesa Rosa Luxemburgo, revolucionária que atuou pelo socialismo internacional, fundadora do Partido Comunista da Alemanha e assassinada em 1919 por militares de extrema direita. Teatro Studio 184 (Praça Franklin Roosevelt, 184, Consolação, 3259 6940). Gratuito.
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O blog de Rômulo Santos e veja interessantes produções pedagógicas em audiovisual.
O álbum virtual fotográfico de Marcão Palhano e veja belíssimas fotos de cultos religiosos afro-brasileiros de São Luis (MA).
A Casa-Museu Fernando Pessoa, localizada em Lisboa (Portugal), lançou uma ferramenta incrível que permite ao internauta de qualquer parte do mundo acessar a vasta biblioteca do poeta português, percorrer seus interiores, ler suas anotações e conhecer sua letra miúda, espremida em cantos de página. O acervo virtual do poeta pode ser acessado aqui.
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O Portal Domínio Público propõe o compartilhamento de conhecimentos, colocando à disposição de todos os usuários da rede mundial de computadores uma biblioteca virtual de referência para professores, alunos, pesquisadores e para a população em geral. Seu principal objetivo é promover o amplo acesso às obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos), já em domínio público ou que tenham a sua divulgação autorizada, que constituem o patrimônio cultural brasileiro e universal. O Portal Domínio Público, ao disponibilizar informações e conhecimentos de forma livre e gratuita, busca incentivar o aprendizado, a inovação e a cooperação entre os geradores de conteúdo e seus usuários. Acesse agora e baixe o conto Pai contra mãe, de Machado de Assis, sobre o cotidiano no período em que vigorou a escravidão de negros no Brasil.
A manifestação pública e pacífica de estudantes e trabalhadores ocorrida na tarde da última quinta-feira (17) na frente da Prefeitura de São Paulo contra o aumento da passagem de ônibus foi duramente reprimida por policiais militares e guardas civis metropolitanos. Nem o prefeito nem o secretário municipal dos transportes quiseram uma negociação. Em protesto pela falta de diálogo, manifestantes se acorrentaram dentro da prefeitura. A resposta a ação dos manifestantes veio na forma de uma gratuita e desmedida violência praticada por PMs e GCMs armados até os dentes. O resultado foi uma gravíssima violação aos direitos humanos promovida por policiais militares e guardas civis metropolitanos em plena luz do dia e fartamente registrada pela imprensa televisiva, impressa e alternativa. No entendimento dos partidos da ordem, PSDB e DEM, a questão social continua sendo caso de polícia. O movimento contra o aumento da passagem promete uma nova manifestação pública e pacífica na próxima quinta (24), às 17h, em frente ao Teatro Municipal, no Centro de São Paulo.
Venha para a rua contra o aumento da passagem você também!
Brasília, a cidade planejada e em permanente construção, onde o que interessa e impressiona é o imprevisível. Palco principal das decisões políticas do país não poderia deixar de ter suas largas contradições. Tão largas quanto seu eixo monumental. Lado a lado: exuberância e mazelas. Projeto arquitetônico ousado e sofisticado para o plano piloto que não incluiu as cidades satélites, obra da sabedoria popular. Brasília é um projeto inacabado. Feito a todo momento por quem nele mora, caminha, trabalha, ri, soa, prospera, sofre, saúda e se despede. Brasilienses, nordestinos, paulistas, brasileiros de todas as partes fazem de Brasília a obra que ela é. Dedicado a todos os amigos e amigas de Brasília, sem os quais a cidade não seria a mesma. [Foto: Ruivo Lopes | Brasília, 2011 | Pixação política no parapeito da passarela superior da Rodoviária do Plano Piloto. Ao fundo, o Congresso Nacional e a Esplanada dos Ministérios. À direita, a Capela Metropolitana]
Carregado de recicláveis, catador corre em meio ao trânsito da Rua da Consolação para tentar fugir da forte chuva que caiu na tarde de hoje em São Paulo. A chuva o pegou segundos depois do registro da foto. População ainda em situação de vulnerabilidade social, os catadores contam com o apoio do poder público para a execução de políticas de inclusão socioeconômica para o segmento.
Assista | Polícia Militar reprime violentamente participantes da manifestação ocorrida no fim da tarde ontem (13) contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo.
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21/01, 18h - Encontro preparatórico do Tribunal Popular da Terra, a ser realizado no fim de 2011. O Debate sobre "Políticas e Direitos Indígenas" ocorrerá no Espaço Ay Carmela, na Rua dos Carmelitas, 140, Sé (próximo ao Poupa Tempo).
Heleieth Saffioti (1934–2010) na sua tese de doutorado defendida em 1966 e publicada em 1969: A Mulher na Sociedade de Classes, demonstrou que atuar pela libertação das mulheres exige o engajamento na luta de classes. Temos que remeter a luta de emancipação feminina à luta de classes, declaração dela ao jornal Brasil Mulher, em 09/10/1975. Naqueles anos conturbados em que se entendiam lutas especificas e gerais como antagônicas, seus estudos definiram um rumo aos movimentos: as lutas das mulheres e as lutas de classes devem caminhar juntas e estão entrelaçadas pelo mesmo sistema de opressão e exploração. Leia o artigo "Heleieth, a ousadia do livre pensar feminista!", homenagem de Maria Amélia de Almeida Teles.
Assista | Augusto Boal "A política é a arte de tornar possível o que é necessário fazer"
Brasil profundo A História do Brasil está fortemente marcada pelo oficialismo das elites da vez. Constitui a História do Brasil uma rigorosa seleção de "fatos" cujos desdobramentos históricos raramente escapam à conciliação social. Na voz dos excluídos da História, a memória e a narrativa revelam o que a História Oficial faz questão de esquecer: a guerra das elites contra o homem comum. Guerra que precede e força a conciliação social. O jornal O Estado de S. Paulo, num momento de lucidez jornalistica, disponibiliza para acesso virtual a reportagem "Guerras desconhecidas do Brasil", de Leonencio Nossa e Celso Júnio. Acesse a reportagem e entenda por que as guerras do passado ajudam a explicar problemas sociais do presente.
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História Geral da África Publicada em oito volumes, a coleção completa História Geral da África está agora também disponível em português para download gratuito. Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) nos últimos trinta anos, a coleção História Geral da África é um marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.
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O blog do Espaço Cultural Mané Garrincha. Espaço dos sem terra, dos famélicos da terra, dos sem teto, dos sem-universidade, dos sem emprego, mas que se reconhecem nos movimentos sociais.
O blog Provacontato do fotojornalista porto alegrense Daniel Marenco e veja ensaios fotográficos pelo Brasil afora.
O futuro ainda não existe e, quando chegar, deixará de ser futuro, para ser presente. O passado já deixou de existir e, quando existiu ainda não era passado, mas sim, presente. O presente é o único momento que realmente existe para nós. O que realmente conta é o momento presente. É no presente que devemos colocar nossa energia, nossa atenção, nossa concentração. É no presente que devemos investir nossa ação, pois é no presente que podemos modificar as conseqüências do passado e mudar as perspectivas e possibilidades para o futuro. Que no ano que se inicia façamos, aqui e agora, um mundo mais justo, solidário e igualitário. [Foto-montagem: Ruivo Lopes | Relógio do Conjunto Nacional, São Paulo-SP]
A cidade de São Paulo tem fama de ser cosmopolita. Porém, e sempre tem um porém, é uma cidade que tem dificuldade com sua própia diversidade. Diversidade não significa ausência de desigualdade, de conflito social. São Paulo é muitas e muitas cidades, territórios e espaços numa só. É pura contradição. Em São Paulo tem indio na favela lutando com outros brasileiros por uma vida mais digna. Na favela Real Parte, no bairro nobre do Morumbi, zona sul de São Paulo, indios Pankararu para não serem queimados juntos com seus barracos correram do fogo, mas não da luta. Das chamas, salvaram sua dignidade, as máscaras sagradas do ritual do Toré, reunião para cultuar os encantados, entoar cantos, cobrir o corpo com os praiás (as máscaras que incorporam os espíritos) e dançar ao som do maracá. O Toré mantém viva a cultura e identidade do grupo aonde quer que ele esteja. Estima-se haver mais de 50 mil índios vivendo nas cidades brasileiras, dentro do universo de 720 mil índios do país, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os Pankararu somam 1,6 mil pessoas em São Paulo, a maioria na favela Real Parque, e compartilham a história da migração indígena com mais 19 etnias que se fixaram no município paulista e seus arredores. Em meio à população urbana da metrópole, há mais de 12 mil indígenas, distribuídos em comunidades pobres e em quatro aldeias Guarani. Em sua maioria originária do Nordeste, os indigenas chegaram a São Paulo após casos de invasão de suas terras, dificuldade de produção de alimentos, e, até, carência de oportunidades de educação e saúde nas aldeias. Coincide com a construção do estádio do Morumbi, por exemplo, o estabelecimento dos primeiros Pankararu à margem do rio Pinheiros, ainda na década de 1950. A viagem de 2,2 mil km da aldeia de Brejo dos Padres, em Pernambuco, até o centro urbano, foi empreendida, primeiro, pelos homens, que sobreviveram da renda na construção civil, e foi seguida pela chegada de suas famílias e da fundação da Vila da Mandioca, hoje, Real Parque. Preservar os traços culturais é desafio mesmo para as etnias que ainda vivem em aldeias, como os Guarani Mbyá das aldeias Tekoá Itu e Tekoá Pyiaú, do pico do Jaraguá, e das aldeias Tenonde Porã e Krukutu, da região de Parelheiros. No Jaraguá, a menor aldeia do Brasil (2,7 hectares) sofre com as pressões por reintegração de posse, a construção do trecho oeste do Rodoanel e a inserção de projetos imobiliários na região. Ali a presença indígena remonta ao século 16, e a língua guarani ainda é falada e ensinada no centro de educação bilíngue construído no local. A religiosidade e a produção artesanal estão entre os principais elementos da resistência Guarani, já que a terra não pode ser mais fonte de sobrevivência.
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Blog Olhar sobre o Mundo Veja o arquivo Ikpeng, os “exilados” do Xingu com fotos do Parque Indígena do Xingu, no nordeste no Mato Grosso. O Parque Indígena do Xingu, que em 2011 completará 50 anos, notabilizou os irmãos Cláudio, Orlando e Leonardo Villas Boas pelos seus trabalhos em defesa das populações indígenas.
O racismo no Brasil se caracteriza pela covardia. Ele não se assume e, por isso, não tem culpa nem autocrítica. Costumam descrevê-lo como sutil, mas isto é um equívoco. Ele não é nada sutil, pelo contrário, para quem não quer se iludir ele fica escancarado ao olhar mais casual e superficial. O olhar aprofundado só confirma a primeira impressão: os negros estão mesmo nos patamares inferiores, ocupam a base da pirâmide social e lá sofrem discriminação e rebaixamento de sua autoestima em razão da cor. No topo da riqueza, eles são rechaçados com uma violência que faz doer. Quando não discrimina o negro, a elite dominante o festeja com um paternalismo hipócrita ao passo que apropria e ganha lucros sobre suas criações culturais sem respeitar ou remunerar com dignidade a sua produção. Os estudos aprofundados dos órgãos ofi ciais e acadêmicos de pesquisa demonstram desigualdades raciais persistentes que acompanham o desenvolvimento econômico ao longo do século 20 e início do 21 com uma fi delidade incrível: à medida que cresce a renda, a educação, o acesso aos bens de consumo, enfim, à medida que aumentam os benefícios econômicos da sociedade em desenvolvimento, a desigualdade racial continua firme.Abdias do Nascimento, incansável aos 96 anos de vida intelectual e militância nas lutas negras no Brasil. Leia a entrevista completa aqui.
Ovos, Tomates e Saúde PúblicaOs governos federal, estaduais e municipais vêm há muito desenvolvendo argumentos e políticas de terceirização dos serviços de saúde e optando pela minimização das funções do Estado na saúde pública - o que põe a vida humana sob o jugo de critério impróprio, que é o critério do mercado, no fundo o mesmo que se aplica no comércio de ovos e tomates, a mesma lógica, os mesmos princípios. É inútil o médico e o enfermeiro se esmerarem no atendimento se ele for regulado pelas restrições impostas pelo primado do lucro ou pelas limitações que acabam redundando em economia de vida para fazer economia de dinheiro. A economia hospitalar acaba sendo dispensada da sensatez de uma economia política da vida, com repercussões muitas vezes danosas nos próprios serviços médicos; um cenário de descuidos em que a omissão de um técnico é, no mais das vezes, expressão e efeito do modo equivocado e até irracional como o conjunto da instituição hospitalar está organizada. Mais do que questões puramente médicas ou éticas, esses casos indicam uma questão sociológica de valores sociais, de concepções de referência na divisão do trabalho e na definição de procedimentos médicos e hospitalares.José de Souza Martins, sociólogo da USP, no artigo Nossos hospitais enfermos, aponta as verdadeiras razões por trás das recentes mortes em hospitais públicos paulistas: precarização do serviço de saúde decorrente da crescente terceirização de profissionais da área e da má qualidade da formação do agente de saúde para o serviço público.
A Ideologia da Segurança Nacional requentada O controle totalizante sobre as comunidades pobres dentro do paradigma bélico é um modelo muito usado pelos Estados Unidos nas ocupações que promove. E também é um modelo usado por Israel no tratamento do Estado Palestino. Isso significa que existe um atropelo das garantias, as áreas pobres ficam transformadas em territórios de exceção, onde não regem direitos e as garantias são completamente supérfluas porque trabalham com a ideologia da segurança nacional. O governo do Rio tem a polícia que mais mata do mundo, tem toda a ideologia do confronto. O paradigma bélico é comum, inclusive com o uso das forças armadas na segurança pública. As forças armadas norte-americanas jamais entram como polícia. Mas eles gostariam muito que as forças armadas da América Latina entrassem nessa função porque isso faz com que desmoronem. É um fiasco em relação aos objetivos a que ela se propõe, porque na indústria da guerra ela é um espetáculo: vende tanques e armas para os dois lados. O capitalismo é completamente alimentado pelas guerras. Se olharmos toda a história do capitalismo, a própria história dos Estados Unidos, percebemos que nas crises econômicas a guerra levanta a economia. E nós aqui estamos incorporando esse modelito, que é um modelo fracassado. Os Estados Unidos se retiraram do Iraque fracassados, estão se retirando do Afeganistão sem possibilidade de vitória, mas a indústria bélica e seus serviços são vitoriosos. E é essa indústria bélica que agora está sendo mimetizada para as políticas de segurança pública, porque política de segurança pública não tem nada a ver com o que está acontecendo, com a guerra. Há todo um mercado da violência e do controle da violência. Vera Malaguti, socióloga da UERJ, em recente entrevista joga luz sobre as ações militares nas áreas pobres do Rio de Janeiro. Leia a integra aqui.
Geopolítica do crimeA farsa da operação de guerra e seus inevitáveis mortos, muitos dos quais sem qualquer envolvimento com os blocos que disputam a hegemonia do crime no tabuleiro geopolítico do Grande Rio, serve apenas para nos fazer acreditar que ausência de conflitos é igual à paz e ausência de crime, sem perceber que a hegemonização do crime pela aliança de grupos criminosos, muitos diretamente envolvidos com o aparato policial, como a CPI das Milícias provou, perpetua nossa eterna desgraça: a de acreditar que o mal são os outros.José Cláudio Souza Alves, sociólogo da UFRRJ, no artigo Violência no Rio: a farsa e a geopolítica do crime desnuda a farsa criminológica das ações miliatres nas áreas pobres do Rio de Janeiro sob a lógica da guerra ao terror.
Criminalização da pobrezaTodo crime é político, é uma construção política. Quando você está prendendo gente com a mesma extração social, da mesma classe social, da mesma etnia, é claro que é político. Existem 62 mil brasileiros presos por furto. Declaração de Nilo Batista, jurista carioca, no seminário Encarceramento em Massa: Símbolo do Estado Penal. Ouça a declaração completa aqui.
O livro de Monteiro Lobato "Caçadas de Pedrinho", foi publicado em 1933, e teve origem em "A caçada da onça", de 1924. Portanto, poucas décadas após a abolição da escravatura, que aconteceu sem que houvesse qualquer ação que reabilitasse a figura do negro, que durante séculos havia sido rebaixada para que se justificasse moralmente a escravidão, e sem um processo que incorporasse os novos libertos ao tecido da sociedade brasileira. Os ex-escravos continuaram relegados à condição de cidadãos de segunda classe e o preconceito era aceito com total normalidade. Eles representavam o cisco incômodo grudado à retina, o "corpo imperfeito" dentro de uma sociedade que, a todo custo, buscava maneiras de encobri-lo, desbotá-lo ou eliminá-lo, contando com a colaboração de médicos, políticos, religiosos e outros homens influentes daquela ápoca. Monteiro Lobato não era imune a isso. Leia o artigo completo de Ana Maria Gonçalves aqui.
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25, 26 e 27/11, das 9h às 21h - A já tradiconal Festa do Livro da USP, em sua 11º edicação, será realizada no saguão do prédio da Geografia e História (Av. Prof. Lineu Prestes, 338, Cidade Universitária, SP). Todos os livros vendidos durante o evento terão desconto mínimo de 50% em relação ao preço de capa. Participarão cerca de 130 expositores que vão apresentar ao público um volume em torno de 15.000 títulos de seus catálogos, a maioria deles composta de novidades ou obras que foram publicadas recentemente. Por isso, vá com sua lista pronta e prepare seu bolso!
28/11, a partir das 13h - O Bazar de Discos de São Paulo é um ótima opção para quem quer comprar, vender e trocar discos de vinil antigos de todos os gêneros. O bazar é itinerante e ocorre no último domingo de cada mês sempre em espaços diferentes. Comemorando a décima edição, a organização convidou os músicos Marcos Gerez e Cleber Dantas para uma apresentação especial. O Bazar acontecerá no Tapas Bar (R. Augusta, 1.246, Consolação). O Big Papa Records manda avisar: não ande, corre e garanta o seu biscoito fino!
29/11 a 05/12 - 3ª Mostra Cultural da Cooperifa. Dança, literatura, recreação, cinema, música e distribuição de livros infantis fazem parte da programação, que acontecerá em várias escolas públicas na região do Jardim São Luiz, Parque Santo Antônio, Jardim Guarujá, Jardim Vaz de Lima e Jardim Ângela. A Mostra comemorará os 9 anos de atividade da Cooperifa. É só colar! A programaçõ completa está aqui.
A pretenciosa e corportamental Revista Vice, aquela mesma que pode ser encontrada em balcões de bares da Rua Augusta, em São Paulo, dedicou sua edição #7 (agosto de 2010) ao que os responsáveis pela revista classificam como sendo Antimúsica. O editor convidado desta edição foi ninguém menos que Sam McPheeters, que nos anos de 1990 foi vocalista da banda de hardcore norte-americana Born Against a qual lançou alguns discos pela Vermiform Records, pertencente a Sam. A edição não teria a mesma importância se não fosse pelas 14 páginas da entrevista com os ingleses Penny Rimbaud (acima) e Steve Ignorant (abaixo), membros formadores de uma das bandas punk mais politizada, criativa e ao mesmo tempo controversa desde o final dos anos de 1970: Crass! O tema que motivou a entrevista feita por Andy Capper é pequeno assim como a chamada descabida na introdução da entrevista. Ao leitor é importante compreender a banda no contexto que a originou. Abaixo, trechos que selecionei da entrevista.
Por que a banda acabou? Penny Rimbaud Sempre achamos que 1984 era essa coisa mítica, orwelliana. E acho que a banda acabou porque eu estava me interessando por coisas além do punk. Os nossos interesses estavam se ampliando, e foi também depois que fizemos aquele último show em Aberdare, que foi tão decepcionante e triste, resultado da Inglaterra perversa da Tatcher. E acho que todos nós sentíamos que ficar pulando no palco e gritando “No more war!” era uma piada frente à pobreza e ao desespero que vimos aquela noite.
O que aconteceu? PR Era um show beneficente para os mineradores demitidos de Aberdare. Fomos com a van, como sempre, lotada de latas de comida, porque as pessoas estavam literalmente morrendo de fome naqueles vilarejos. Como sempre, naqueles vales estava chovendo, e tudo tinha um aspecto muito triste, uma sensação de destruição e desespero. Muitos homens não sabiam mais o que fariam da vida. Muitos nem sabiam o que tinha acontecido. Era horrível. E o show foi ótimo e todo mundo gostou, mas mesmo assim foi muito triste. Na manhã seguinte o Andy me disse, “Estou saindo da banda, Pen”, e eu não reagi porque pensei, “Beleza, eu entendo perfeitamente”. De certa forma ele deu início ao que acho que teria acontecido de qualquer jeito. Era 1984 e nós tínhamos combinado que terminaríamos naquele ano, e foi por isso que os números do nosso catálogo eram uma contagem regressiva. Dissemos tudo que tinha para ser dito naquele contexto. O fato de que isso ainda seja pertinente hoje é sinal de que nada mudou. Não se pode dizer mais do que falamos, sério, com exceção talvez de tentar oferecer algumas respostas. Mas, sabe, ainda estou procurando pelas respostas. E certamente não são do tipo que podem ser encontradas no contexto do punk rock. Acho que, no contexto do punk rock, fizemos tudo que podíamos ter feito. Steve Ignorant Estávamos fazendo aquilo desde 1977. Todos aqueles anos, sem intervalo. Morávamos na Dial House, as portas estavam sempre abertas, e no palco éramos as mesmas pessoas que éramos no dia a dia. Não dava pra tirar uma semana de férias depois de uma turnê. Tomávamos conta de tudo pessoalmente e ainda tocávamos o outro selo, Corpus Christi. O Pen estava sempre no estúdio, eu estava gravando vocais no Conflict ou alguma coisa do tipo e compondo músicas para outras pessoas. Não era como um emprego, das 9 às 5 da tarde. Não acabava nunca. Quando a Margaret Tatcher assumiu, tudo ficou mais intenso. Sem fim. Imagens terríveis, tempos horríveis, tendo que lidar com coisas como a guerra das Malvinas, a greve dos mineradores, o desemprego. Foram tempos horríveis. Tinha muita violência nos shows, eu só me vestia de preto. Fiquei de saco cheio. Se eu saía pra beber sentia sempre uma responsabilidade implícita, de que, se ficasse bêbado, ninguém podia perceber. Se eu caísse na sarjeta, não era só eu caindo na sarjeta, era o Crass. Então tinha essa responsabilidade de não foder com tudo. O que te fez mudar de ideia?[Com o fim do Crass, alguns de seus membros partiram para trabalhos autorais ou revisitaram as músicas da banda. Steve Ignorant apresentou ao vivo o disco Feeding Of The 5000. No início, Penny Rimbaud ficou contrariado] PR A Eve Libertine me disse, “Você deixaria qualquer outra pessoa fazer isso, então por que não o Steve?”. E era verdade. Qualquer outra pessoa poderia tocar as músicas, mas não o Steve, e isso realmente soava injusto. Então eu liguei pra ele e disse, “Olha, desculpe, Steve. Faça o que você quiser, só não posso oferecer o meu apoio, e se me perguntarem, vou dizer que sou contra. Boa sorte. Divirta-se”. Ele ficou muito agradecido por isso, e sempre foi assim com o Steve, sempre com honestidade. Ele acha que sou maluco e que faço coisas bizarras, completamente incompreensíveis, e eu acho que as coisas dele são um pouco pueris e fúteis, mas são ótimas. Eu também me culpo. Eu era um homem de 35 anos de idade quando um garoto de 17 anos apareceu querendo formar uma banda, e a banda que eu e ele formamos juntos negou a ele tudo que ele deveria ter tido. Ele devia ter comido as groupies, cheirado pó e se divertido. Ele nunca se divertiu: nunca teve adolescência. O nosso esquema linha-dura não permitia. Hoje eu percebo isso, mas não percebia na época. Achei que estivéssemos nos divertindo, mas, meu Deus, que tipo de diversão era aquela? Quer dizer, acho que eu me divertia mais com aquilo porque a minha diversão sempre foi mais cerebral e intelectual, então para mim alguns dos conflitos que criamos com o Estado e esse tipo de coisa era diversão. Mas o Steve queria se divertir de verdade, e hoje eu entendo. E também não acredito que não deem valor ao trabalho dele. Acho que o cara era brilhante, estava entre os melhores do punk.
Quando o Crass acabou e os discos continuaram sendo vendidos, o logo virou uma marca, não virou? As pessoas começaram a piratear. O que você achou disso? PR Acho que isso prova a força do design, em primeiro lugar. Apesar dos pastiches e das outras bandas tentando fazer coisas parecidas, ninguém conseguiu fazer um logo tão poderoso. Acho que foi por isso que a Naomi Klein falou dele. Fomos o primeiro caso de sucesso com logo. Fomos sim, você sabe disso. Era um design fenomenal. Foi o Dave King que criou o logo. Ele é um puta gênio. Ele fez isso enquanto ainda estudava arte com a Gee e comigo. Quer dizer, ele era absolutamente brilhante nesse domínio. As pessoas perderam a noção do que seja design, mesmo, ainda mais na era digital. Levou meses e meses até que ele chegasse àquele desenho. Na verdade, não foi feito para o Crass, mas para o livro Reality Asylum. Era a arte da capa. E representava a destruição do Estado, da família e da Igreja. Já estive em muitos lugares no mundo inteiro e sempre cruzei com o logo. É legal. Talvez algumas pessoas tenham a curiosidade de saber o que aquilo significa e se envolver com o significado. Acho isso bom. A transformação em mercadoria que me incomoda. Nunca gostei e nunca gosto quando as grandes marcas de moda de Nova York roubam trabalhos da Gee, fazem uma colagem e transformam em estampas de vestidos. Não me incomodei quando o Wal-Mart nos pirateou. Prefiro que as pessoas comprem camisetas do Crass no Wal-Mart do que camisetas da Coca-Cola porque prefiro que elas andem por aí com alguma coisa que tenha algum significado. Acho que sou meio ambíguo com isso. Não quero nada com o Wal-Mart, mas, sabe, por outro lado, é demais! Coloca na rua! Por que vocês resolveram incluir arte nova e fotos antigas da banda? PR Pensamos que, em primeiro lugar, tinha muita gente conhecendo a banda que não conhecia nossa história, e nem o que estava acontecendo na sociedade da época. Então decidi assumir a tarefa de escrever um ensaio para cada lançamento. Achamos que seria bom incluir fotos, pela primeira vez, porque as pessoas não têm mais a oportunidade de ir aos nossos shows, e portanto não sabem como somos, e tínhamos fotos muitas boas da banda, então resolvemos incluí-las. A Gee adaptou parte da arte original do Crass e acrescentou imagens novas onde achou que cabia. Eu sugeri o nome meio de mau gosto The Crassical Collection e queria que tivesse um ar de música clássica porque pensei: “Somos clássicos agora, não somos mais um bando de garotos zoando com um mimeógrafo, estamos fazendo de um jeito classudo, pra valer”. É necessário um senso estético peculiar para gostar das coisas antigas do Crass. Tem o seu charme, mas só isso... é irrelevante. Queria que tivesse uma aparência bacana, que fizesse as pessoas dizer, “Porra, que design é muito bom!”. A Gee é capaz de fazer isso, e fez, preservando os elementos originais, mas acrescentando elementos novos impactantes. Parece que o que ela fez com a arte foi exatamente o que fiz com o som. Fomos capazes de pegar algo que parecia ter saído de uma porra de um museu e fazê-lo parecer moderno. Algo como Yes Sir, I Will soa como se pudesse ter sido gravado no ano que vem, de tão poderoso.
A entrevista completa recheada de fotos de arquivo de Penny Rimbaud e Gee Vaucher, também membro formadora do Crass e responsável pela identidade visual da banda, pode ser lida aqui.
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A Editora Faísca, que agora também é uma Cooperativa formada por militantes dos movimentos sociais e que se organiza de forma horizontal, acaba de inaugurar sua loja virtual e com promoções imperdíveis. A Cooperativa assegura não vender apenas livros, mas sobretudo distribuir idéias! Por isso, ao comprar da Cooperativa, você também está apoiando uma experiência de economia solidária e autogestão! Veja os títulos disponíveis aqui.
Já está em funcionamento mais um blog no portal Anarcopunk.org. O blog Mumia Livre Já! surgiu da necessidade de divulgar e ampliar as discussões e apoio em torno do caso do preso político afro-americano Mumia Abu-Jamal e é ainda uma extensão da Jornada que ocorrerá em dezembro em São Paulo em solidariedade a ele. Para ler mais sobre o caso, ver a programação das Jornadas clique aqui.
Agende-se e participe
18, 19 e 20/11, a partir das 9h - A Fundação Tide Setubal realizará pelo quinto ano consecutivo o Festival do Livro e da Literatura de São Miguel Paulista. Milhares de pessoas participaram das edições anteriores. A novidade, em 2010, é que o Festival não se restringirá à sede Fundação, mas também estará nas ruas, praças, paradas de ônibus, biblioteca, mercado municipal e estação de trem do bairro. Serão os Corredores de Livros, conceito inspirado nos corredores de ônibus que seguem itinerários mais livres para se livrar do tormento dos engarrafamentos urbanos. Acontecerão, em diferentes locais, intervenções artísticas, contação de histórias, conversa com o autor, workshop e lançamento de livros, oficinas de criação literária, intervenções teatrais, recitais poéticos, apresentações de dança, ônibus biblioteca, sarau literário, feira de livros, doação e troca de livros, exposições e exibição de curtas/filmes, ônibus Itinerante para escolas da rede pública, entre outras atrações. Os livros doados serão distribuídos, gratuitamente, na feira de troca de exemplares do CDC. Para convidar os moradores à leitura, exemplares também serão pendurados em árvores. Confira a programação completa aqui.
19/11, 21h - O Memorial da América Latina, Auditório Simón Bolívar (Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda, São Paulo) recebe o compositor, intérprete e guitarrista Hyldon para comemorar os 35 anos do seu primeiro álbum “Na rua, na Chuva, na Fazenda”, acompanhado da banda Brasil Samba Soul e com a participação especial do “guitarreiro” Luis Vagner e do MC Du Bronk’s (Racionais MC’s). A apresentação integra a programação pelo Dia da Consciência Negra. A entrada, como não poderia dexar de ser, é gratuita!
20/11, a partir das 11h - A Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura, está com uma programação imperdível no Dia da Consciência Negra. Dança Afro, Canto Lírico de Orixás, Palestra e apresentação da sambista da cidade de São Francisco do Conde (BA) Ducineia Cardoso, a Nega Duda, e seus sambas do Recôncavo Baiano. Veja a programação completa e os horários aqui.
20/11, a partir das 14h30 - O Museu da Casa Brasileira abrirá suas portas para um evento especial pelo Dia da Consciência Negra. Na programação exposição da herança africana na casa brasileira, documentário sobre o panorama musical de Burkina Faso, apresentação musical de Carlinhos Antunes, Orquestra Munda e participação da cantora Fanta Konatê e do grupo Djembedon e seus ritmos e molodias africanas. Mais informações aqui.
20 e 21/11, a partir das 13h - O Museu Afro Brasil sediará o Encontro dos Maracatus de Baque Virado de São Paulo com diversas apresentações e debates. Estão confirmadas as presenças dos grupos Cangarussu, Rochedo de Ouro, Bloco de Pedra, Ilê Alafia, Baque Sinhá, Mucambos de Raiz Nagô, Baque do Vale, Arrastão do Beco e Caracaxá. O evento faz parte do Dia da Consciência Negra. Na ocasião, será relançado o Livro “A Mão Afro Brasileira – Significado da Contribuição Artística e Histórica” organizado pelo artista plástico Emanoel Araújo, com edição da Imprensa Oficial. Maiores informações aqui.
20 e 21/11, a partir das 8h - A 1ª Mostra Urbana de Cultura será realizada no bairro União de Vila Nova, em São Miguel Paulista, Zona Leste da capital. A Mostra conta com uma intervenção principal, que é a ação de grafitagem em 2.500 metros de muro da CPTM-Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, que atravessa a comunidade de União de Vila Nova. Intervenções artísticas e culturais como o Hip Hop, Skate, Artes Circenses, além de atividades de Ação Educativa também estão contempladas na Mostra. Veja a programação completa aqui.
21/11, às 12h – O SESC Ipiranga seguindo com a programação dos shows Africanidades Brasileiras apresenta Fanta Konatê e Troupe Djembedon.
23/11, às 13h e 19h30 – O Centro Cultural Banco do Brasil receberá em duas sessões o músico Jards Macalé e a banda carioca Brasov para juntos interpretarem canções de Noel Rosa.
24/11, a partir das 10h - O Centro de Referência do Auditório do Ibirapuera abrirá suas portas para o UnConvention São Paulo, evento sobre tendências musicais contemporâneas. O painel de encerramento do evento, intitulado “Punk Rock e Música Alternativa 1977-2011”, terá como expositores nada mais nada menos que Pete Shelley (Buzzcocks), Viv Albertine (The Slits) e Redson (Cólera). Para participar inscreva-se aqui.
Desde os anos 70, quando o romance Zero foi proibido pela ditadura militar, Inácio de Loyola Brandão não via um festival de sandices como o ocorrido recentemente, quando se provocou celeuma em torno de um conto seu, escrito há 27 anos, adaptado para teatro e vídeo e traduzido em não sei quantas línguas. Obscenidades Para Uma Dona de Casa está incluído na antologia Os Cem Melhores Contos do Brasil, de Ítalo Moriconi. Há na história solidão, humor, sensualidade. O conto, indicado para alunos do ensino médio, provocou revolta em mentes mais estreitas, pais indignados, professores assombrados. Um jornal ouviu alunas do Colégio Amadeu Amaral que acentuaram: "Não tem nada além do que já ouvimos na rua e na escola." Um juiz ficou estupefato: "É um falso moralismo que não leva a nada." Já alunas de outro colégio, primeira linha, campeão do Enem, disseram que o "texto é nojento e faz o sexo parecer horrível, em vez de prazeroso". Cadê a professora que não ensina a ler? Não explica a vida? Os pais que reclamaram conversaram com os filhos? Trocaram ideias? Olharam em torno? Inquisidores de plantão olhem em volta! Atualizem a folhinha, estamos em 2010. Para alguns, estamos na Idade Média. Inquisição, fogueira para os infiéis. Leia o conto aqui.
O Fino do Fino Zimbo é uma palavra africana que significa prosperidade. E não é preciso ir longe para concluir que a escolha do nome vingou. Na ativa há 46 anos e com mais de 40 discos gravados, o “trio dos trios” ainda mantém seu posto na esfera das entidades musicais de maior respeito e influência no Brasil e no mundo. O trio se consagrou como um dos principais expoentes da bossa nova nos anos 60, e foi um grande divisor de águas para a música instrumental brasileira. Entre experimentações e inovações, em 1973, o trio decidiu investir na formação de músicos. Criaram então o CLAM – Centro Livre de Aprendizagem Musical, voltado para a “formação musical ampla, sem separação entre erudito e popular”. A formação original do Zimbo Trio reuniu o baixista e criador do grupo Luiz Chaves (falecido em 2007), Rubens Barsotti, o “Rubinho”, na bateria, e Amilton Godoy no piano. Foi ele quem concedeu a entrevista para Débora Pill, da revista +Soma(set. de 2010, #19). No site da revista você pode conferir fotos do arquivo pessoal além de vídeos.
Como o músico instrumentista era visto quando vocês começaram?Na época, músico instrumentista só tocava o que a gente chamava de “fundo de conversa”, música ambiente. Ninguém queria saber, ninguém queria ouvir. A gente queria tocar um som que dignificasse a música brasileira, mas sem depender de um cantor pra isso.
E foi assim que vocês começaram?O Zimbo começou na Roosevelt e acabou conquistando a crítica. Na sequência a gente começou a ensaiar com a Norma Bengell, que havia acabado de chegar da Itália e procurou o Rubinho. Ela gostou do nosso som, e a gente começou a ensaiar
O que mudou nesse cenário depois do Zimbo? Antes os músicos não eram valorizados. O Zimbo começou numa fase muito feliz, porque existiam disc-jóqueis que escolhiam o que havia de melhor pra tocar nas rádios. E então começou a aparecer quem até então fazia jazz, fazia outros gêneros, e passou a fazer música brasileira. Acho que esse foi o grande legado do Zimbo: não precisar mais usar temas estrangeiros, poder fazer o jazz e tudo mais com tema brasileiro. Fomos o primeiro grupo instrumental com essa proposta, mostramos que era possível, porque o disco foi pra parada de sucesso. Quem iria imaginar que no Brasil poderia ter um disco instrumental no primeiro lugar da parada de sucesso
Fala um pouquinho mais sobre como funcionavam as rádios naquela época. Na época em que começamos o rádio era bom. Os disc-jóqueis tinham muito conhecimento pra avaliar o que apresentavam. Os principais nomes eram o Walter Silva e o Fausto Canova. Foi o Fausto, inclusive, quem organizou o concurso pra dar nome ao trio. Mas isso faz tempo. Hoje em dia rádio está uma porcaria. Hoje só ouço futebol. Música não dá pra ouvir.
E a CLAM, como surgiu?A escola CLAM nasceu em 1973, porque os três eram muito procurados pra dar aula particular. Não havia formação decente na época, as músicas eram executadas sem grande conhecimento de harmonia. Qual era a proposta da escola?A ideia era formar professores de qualidade, que lecionassem um conteúdo diferenciado, completo. As escolas da época formavam intérpretes que executavam a música, mas não tinham o conhecimento da obra. Só focavam na forma, não no conteúdo, entende? E o tom? E a distribuição do acorde? Qual a harmonia? É basicamente a diferença entre Beethoven e Mozart. Por que o Beethoven foi tão importante? Mozart era primitivo, técnico. Beethoven ouvia com o ouvido de dentro.
O que é um bom músico pra você?Um bom músico é um arranjador. Ele precisa ser criativo, pegar uma música e deixá-la da forma como ele acha que deve ser. Os DJs fazem isso. Põem aquilo do jeito deles, fazem outra proposta, repetem, misturam com um ritmo diferente. Deve ser muito legal pra um compositor ouvir a música dele produzida por um DJ. Fica diferente
Como você vê o músico instrumentista hoje?As pessoas fazem o seu trabalho sem esperar que sejam chamadas ou tenham um contrato com uma gravadora. Pagam do próprio bolso. Às vezes a pessoa consegue que esse disco que ela mesma pagou e produziu seja distribuído por um selo importante, e aí consegue ter um retorno. Naquela época os caras iam atrás da gente, as gravadoras procuravam, bancavam, pagavam royalties. O disco sempre foi, e vai continuar sendo, o cartão de apresentação do músico. Você entrega um cartão de visita pra uma pessoa pra dizer quem é. A gente apresenta um disco. Estamos passando por um período muito complicado, as gravadoras estão acabando. Elas tinham uma porção de incentivos na mão, mas não prepararam o público pra ouvir uma coisa de qualidade. Não usaram isso, não formaram um público pra elas, estão sendo vítimas do próprio desleixo musical.
Explica melhor essa história de formação de público.Vi uma entrevista muito interessante com a Sandy. Ela parece estar em um processo de se liberar da necessidade do sucesso, de sair daquela coisa Sandy & Junior. Acho que ela se deu conta de que existe mais coisa além daquilo, então quis sair de um mundo em que ela estava acostumada a transitar com enorme sucesso e percebeu que onde estava querendo entrar não é tão fácil assim, entende? Porque ali tem um público que exige mais, uma outra condição, não aquele primitivismo da música sertaneja, que fica trabalhando com acordes fundamentais. Pra circular nesse campo aqui, você tem que ter uma outra bagagem. E é esse público que eles nunca contribuíram pra melhorar, pra aumentar. Não fizeram nada pra melhorar o nível da platéia que tinham, pra que ela pudesse exigir uma coisa melhor. No Brasil, quando você quer fazer uma coisa de qualidade, não tem público na mesma quantidade, na mesma dimensão que tem pra algo pior.
E como é que a gente faz pra afinar os ouvidos?Uma coisa que não ajuda em nada é esse negócio de ficar repetindo, há anos e anos, que o rei é sempre aquele. Faz quinhentos mil anos que conheço o trabalho do Roberto Carlos, e ele jamais trabalhou com uma música mais elaborada. Aliás, os músicos dele são proibidos de usar acordes mais elaborados, ele não deixa. E ele é considerado o rei! Às vezes penso um pouco no futebol... Existem jogadores que são completamente realizados, já atingiram tudo que um jogador pode alcançar. Mesmo que não estejam bem, técnico nenhum do mundo tem coragem de tirar do time. Nós temos sofrido desse mal, e tem gente nova querendo e merecendo uma oportunidade e não tem. A questão é que não houve progresso no conhecimento musical de qualidade. Hoje em dia o acesso à música de qualidade, em um âmbito mais amplo, está difícil. Os maiores sucessos ainda são músicas primitivas. Então a solução que a gente encontrou foi através da escola. A gente tenta passar para os alunos cultura geral, informações do que o país tem de melhor e mais nobre: música bem feita e bem executada.
E as rádios de hoje não ajudam… São raras as exceções.Pois é. Quando eu vou pra Bauru, ouço um locutor da minha cidade falando com o mesmo tom do cara que fala aqui. E não só no jeito, mas também falando as mesmas coisas sobre música, enaltecendo uma música que não é nossa, e a música regional de qualidade que rola por lá não tem nenhum espaço. Aí você vê o que essa indústria fonográfica formou. O cara não tem o que dizer porque não tem conteúdo. É a mesma lógica de quando a gente leva o disco pra fazer divulgação na rádio e ouve: “Desculpa, essa aqui não vai tocar.” Por quê? “Ah, isso aqui não vende.” Mas é o contrário: não vende porque você não toca! Como é que o cara vai comprar se não conhece?
De Cuba para Gismonti O multi-instrumentista brasileiro Egberto Gismonti recebeu do Ministério de Cultura de Cuba a maior premiação do órgão, a Distinção pela Cultura Nacional. Gismonti é conhecido no país caribenho pela parceria com o maestro cubano Leo Brouwer, o qual endossou a premiação. Os dois trabalharam juntos na peça musical Gismontiana. Gismonti retribuiu o prêmio reconhecendo que "os brasileiros sentem muito respeito e admiração pelos amigos, músicos e a música de Cuba". Na ocasião da premiação, Gismonti executou sua música Água e Vinho.
Falou e disse Em evento no Rio de Janeiro, Chico Buarque se disse um entusiasta da campanha de Dilma Rousseff para presidente por considerá-la a favor do diálogo com as diferenças e movimentos sociais, como o MST. “É um governo que fala de igual para igual: não fala fino com Washington e não fala grosso com a Bolívia e o Paraguai e, por isso mesmo, é respeitado no mundo inteiro”, disse Chico em um rápido discurso.
Agenda
31/10, 14h - Inauguração da nova sede da Biblioteca Terra Livre. Rua Engenheiro Francisco Azevedo, 841, sala 07- Perdizes - São Paulo (a 2 quadras do metrô Vila Madalena). Mais informações aqui.
2/11, 16h30 - Rediscutindo o anarquismo e o sindicalismo. Palestras com Lucien van der Walt no Ay Carmela. Rua das Carmelitas, 140, Metrô Sé (paralela à Rua do Carmo, travessa da Rua Tabatinguera) Telefone: 3104-4330. Mais informações aqui.
Em menos de 24h do resgate dos 33 mineiros que estavam soterrados a 70 dias em uma mina em San José, no Chile, um novo drama. Um mineiro morreu esmagado por uma pedra de uma tonelada na região de Valparaíso, no litoral chileno. Roberto Benítez Fernández, de 26 anos foi atingido enquanto trabalhava em um jazida a mil metros de profundidade. O mineiro colocava uma cunha na rocha, justamente para evitar que ela deslizasse. As condições precárias de trabalho impostas aos mineiros no Chile são bem piores do que o dramalhão novelesco criado pela imprensa durante o resgate do grupo da mina de San José. A situação dos mineiros, fragilizados pela flexibilização trabalhista, terceirizados por empresas estrangeiras e sujeitos a precarição, não é diferente em outras partes do mundo, inclusive no Brasil.
Ingratidão É correta a afirmação do presidente Lula de que neste país os ricos foram as pessoas que mais ganharam dinheiro no seu governo. Essas pessoas, disse Lula, na verdade, o que elas não conseguiram foi superar o preconceito. Enquanto no andar de baixo os mais pobres estão se alimentando melhor, fazendo prestações e comprando itens básicos para a casa, como, por exemplo, geladeira, da classe média para cima, nunca antes na história deste país ela viajou tanto para o exterior e comprou tantos carros importados com prestações iniciais a partir de um salário mínimo. Como se pode ver há, sim, uma oposição de interesses entre elite e povo. Os ricos ficaram mais ricos e os pobres mais exigentes. O exclusivo clube do andar de cima está desconfortável diante das exigências dos milhões de brasileiros que saíram da miséria e querem mais do país que lhes deve uma condição de vida melhor. Tudo o que o andar de cima não esperava ver é o povo escolher a candidata do presidente Lula, Dilma Rousseff, para a nova presidência do país.
Abortar ou não abortar não é a questão O segundo turno das eleições presidenciais iniciou com um retrocesso numa questão cara para milhões de mulheres brasileiras, principalmente a parcela pobre delas. Dados do sistema DATA-SUS para o procedimento médico-hospitalar - Curetagem Pós-Abortamento/Puerperal -, atingiu, em 2009, o número de 202.766 procedimentos. Mas esse número, seria apenas dos casos de gravidez em etapas avançadas e em geral de pacientes muito pobres que recorrem ao SUS em situações de risco iminente de aborto ou de seqüelas pós-aborto, externas ao Sistema (leia artigo sobre o tema aqui). Num falso assenso moralista, falsos moralistas de plantão, na imprensa inclusive, plantaram o tema da interrupção da gravidez indesejada no debate entre os dois candidatos a presidência. O falso moralismo da sociedade brasileira, abrigado, sobretudo, no andar de cima - o mesmo que também é a favor da pena de morte e não tá nem aí para as crianças nascidas sem direito a crescer dignamente beneficiadas pelas riquezas produzidas pelo país - falou mais alto e o tema, equivocadamente, voltou a ocupar o debate público de modo subjetivo, divino, rasteiro e policialesco quando na verdade deveria ocupar claras linhas nos programas de saúde pública dos candidatos que é o que objetivamente interessa.
Horror, Horror Nos último oito anos, o sociólogo Chico de Oliveira não poupou críticas ao governo Lula pelas opções políticas que fez. No entanto, suas críticas, situadas claramente no campo da esquerda, opõem-se as elites políticas atrasadas de direita, representadas hoje na candidatura demotucana de José Serra. “Os governos tucanos têm horror ao povo. Isso não é força de expressão. É uma questão de classe social. Eles não têm contato com o real cotidiano popular. Eles não andam de ônibus, não têm experiência do cotidiano da cidade. Nem de metrô eles andam, o que é incrível. A cidade é grande, tem violência, a gente sabe. Mas eles não sabem como é o transporte, como são os hospitais, as escolas públicas. Há uma fratura real, eles perderam a experiência do cotidiano real. E isso não entra pelas estatísticas, só pela experiência. Por causa disso, o governo deles é sempre uma coisa muito por cima. Eles são pouco à vontade com o popular. Essa é a diferença marcante em relação a Lula”. Leia a entrevista completa concedida pelo sociólogo aqui.
Nada a comemorar São dois milhões os educadores no Brasil. Entre os futuros profissionais – matriculados nos cursos de Pedagogia – 40% têm renda mensal inferior a três salários mínimos e trabalham em outras atividades para complementar a renda. No último concurso público realizado no estado de São Paulo passaram 56 mil professores e serão efetivados somente 12 mil. O Estado não honra o piso mínimo dos professores e não há plano de carreira. O Dia dos Professores - 15 de outubro - é marcado como um dia de protesto. Leia mais aqui.
Subprefeituras de São Paulo mais pobres para os pobres A proposta orçamentária da Prefeitura de São Paulo para 2011 prevê reduzir verbas de subprefeituras localizadas em regiões pobres da capital. Por outro lado, áreas com moradores de maior renda média devem receber mais dinheiro, segundo o projeto de lei 444, entregue pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) à Câmara Municipal no final do mês passado. Confira.
Pedro Cesar Batista Poesia é um instrumento de construção de um novo mundo, fraterno, justo e solidário. Enquanto houver vida haverá sonho. Viver é revolucionário e maravilhoso.
Editora Imaginário Há mais de 20 anos a Editora Imaginário é responsável pela difusão do pensamento libertário em toda a sua riqueza. Além disso, apresenta para o leitor brasileiro obras de indiscutível relevância em vários campos da atividade humana, tais como: artes, filosofia, política, sociologia, história, economia, educação, crítica literária e literatura.
Alguém se esqueceu de avisar a boca de urna da campanha de Marina Silva (PV) que no dia do curral eleitoral era para fazer o eleitor surfar na “onda verde” e não na porcalhada de panfletos de candidatos do seu partido. Mas, como já adiantou o presidente do PV, à revelia até mesmo de sua maior estrela, nessa “onda”, os candidatos verdes não estão sozinhos não. Panfletos de candidatos do PSDB também emporcalharam a calçada por onde passaram os eleitores. Até na porcalheira, PV e PSDB surfam na mesma “onda”. Com um histórico político impecável, o futuro da “onda verde” Marina Silva no PV pode virar marola e morrer na praia. Nas fotos, um mar de panfletos tomou a calçada (acima) e parte do interior (abaixo) da escola Marina Cintra, na Rua Consolação esquina com a Antônia de Queirós. Sorte grande Nas eleições mais despolitizadas desde que os militares aposentaram as botinas do poder civil, muitos eleitores decidiram seu voto com o panfleto do candidato que encontraram pelo caminho. Flagrante 1 De última hora, eleitoras decidiram seu voto apoiadas numa lixeira públicaFlagrante 2 Eleitor confere panfletos do candidato do PV jogados em escola pública
Momento de sabedoria Em tempo, artigo da psicanalista Maria Rita Khel vai direto ao que interessa. “Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro”. Leia a integra aqui. [Foto: Ruivo Lopes | São Paulo (SP), outubro de 2010]
Assista | “11 de Setembro”, curta-metragem de Ken Loach
Furo Aloizio Mercadante, faltou, Celso Russomano, faltou, Fábio Feldman, faltou, Geraldo Alckmin, faltou, Paulo Búfalo, faltou, Paulo Skaf faltou também. Nenhum dos candidatos ao governo de São Paulo compareceu ao encontro com a população em situação de rua, marcado para a manhã do dia 9 de setembro. “O debate foi combinado com os candidatos” disse padre Júlio Lancellotti, um dos organizadores do encontro. Na ocasião seria assinado pelos candidatos um Termo de Compromisso em favor de políticas públicas para a população em situação de rua. Em protesto pelo pouco caso dos candidatos, os organizadores do encontro convidaram a assembléia a ficar de costas para a mesa vazia.
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NovaE Revista pluralista na divulgação de idéias e conceitos a respeito de Internet, nova economia, cibercultura, política, cultura, literatura, mídia, comportamento, filosofia e cidadania.
ULA (Universidade Livre das Artes) A ULA se propõe a gerar um espaço para troca de energia, desconsiderando a especificidade dos papéis assumidos em sociedade, exemplo: Artista + educador / espectador + educando.
Blog do Ozaí Blog do Professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Maringá (UEM) Antônio Ozaí da Silva, editor da Revista Espaço Acadêmico, Acta Scientiarum, Human and Social Sciences e Revista Urutágua.
O processo civilizatório de Padre Anchieta, manchado de sangue, registrado no muro da Escola Marina Cintra (Rua Consolação esquina com a Antônia de Queirós) [Foto: Ruivo Lopes | São Paulo (SP), agosto de 2010]
Ah vá... Se depender do atual secretário de educação de São Paulo, Paulo Renato, o futuro dos gigantes da mídia impressa no Estado está a salvo. Ele mandou a FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação) arrematar assinaturas dos regionais Diário da Região (São José do Rio Preto), Diário da Região (Osasco), Tribuna Impressa (Araraquara), Cruzeiro do Sul (Sorocaba), A Tribuna (Santos), Jornal de Jundiaí (Jundiaí), Jornal da Cidade (Baurú), Folha da Região (Araçatuba), O Liberal (Americana), O Vale (São José dos Campos), Jornal de Piracicaba (Piracicaba), Comércio de Franca (Franca), A Cidade (Ribeirão Preto). A lista, como não poderia deixar de faltar, inclui os gigantes O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. As revistas Isto É, Veja e Época fecham o pacote. Os impressos serão destinados as escolas paulistas. O arremate, sem licitação - claro! - e em ano eleitoral, pode custar alguns milões aos cofres do Estado. A investida não é pouca. Paulo Rentato saberá cobrar seus dividendos da compra. Veja um palpite aqui.
O projeto Brasiliana Eletrônica é uma iniciativa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com a finalidade de oferecer num portal da internet a íntegra dos livros que compõem a Coleção Brasiliana, lançada pela Companhia Editora Nacional em 1931, logo após, portanto, a Revolução de 1930 e criação do Ministério da Educação, numa conjuntura de grande efervescência e retomada da reflexão sobre a sociedade e a cultura brasileiras. A coleção, dirigida pelo educador Fernando de Azevedo e depois pelo historiador Américo Jacobina Lacombe, foi um dos maiores projetos editoriais brasileiros de todos os tempos, tendo publicado um total de 415 volumes, sendo os 200 primeiros até 1940, o que demonstra o enorme sucesso alcançado pela iniciativa. Os textos que integram a coleção, sempre com foco no Brasil, são assinados por grandes autores, e eram, na época, edições originais ou reedições de obras clássicas. Eles abordam a economia, a história, a sociologia, a antropologia, a geografia, e diferentes ramos das ciências naturais, como a botânica, a zoologia, a geologia etc., além de incluírem muitos dos mais valiosos relatos de viajantes estrangeiros que visitaram nossa terra desde o século 16. No pensamento político, destacam-se na galeria de autores os nomes de Oliveira Viana, Alberto Torres, Vicente Licínio Cardoso, Azevedo Amaral e Manoel Bonfim. Na antropologia e na sociologia, Gilberto Freyre, Afrânio Peixoto, Nina Rodrigues, Artur Ramos, Roquette-Pinto, Donald Pierson, Câmara Cascudo, Josué de Castro, Florestan Fernandes e Fernando Henrique Cardoso. Entre os viajantes, Saint-Hilaire, Louis Agassiz, príncipe Maximiliano, Von Martius e Spix, Gabriel Soares de Souza e Fernão Cardim. Como se vê, é um elenco dos mais representativos da cultura brasileira. No portal Brasiliana Eletrônica, as 80 obras já disponíveis desse riquíssimo acervo são oferecidas ao público de dupla forma – como fac-símiles da primeira edição, para serem analisados na feição como vieram à luz, e como textos normalizados e de ortografia atualizada. Estes últimos podem ser editados, selecionados, transcritos e transpostos ("recortados, copiados e colados"), respeitadas as regras de citação, para estudos, textos, pesquisas e trabalhos escolares e acadêmicos, que só fazem crescer no país e muito se beneficiarão da iniciativa. Os livros foram integralmente digitalizados e submetidos a um programa de reconhecimento ótico de caracteres (OCR). Uma minuciosa atualização ortográfica foi então aplicada, o que requereu esforço e dedicação consideráveis, dado que boa parte dos textos apareceu na coleção em período anterior à reforma ortográfica de 1943. O trabalho de normalização foi de igual vulto, já que era um princípio praticamente inexistente à época da publicação original. Preservou-se, contudo, a grafia de certos elementos, para reter o sabor da época. Inclui o projeto a apresentação de estudos críticos sobre as principais obras da coleção, bem como de biografias intelectuais de seus autores, encomendados a especialistas acadêmicos.
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Retalhos Ansiosos - Blog sobre as desgraças que nos assolam, pessoal e coletivamente. Poemas, crônicas, contos e textos acadêmicos. Prepare-se para sentar no colo do Capeta.
"Acabar com a escravidão não nos basta; é preciso destruir a obra da escravidão" - Joaquim Nabuco
Passados 122 anos do fim da escravidão oficial no Brasil, três em cada quatro trabalhadores libertados de situações análogas à escravidão hoje são pretos ou pardos. Isso é o que mostra um estudo do economista Marcelo Paixão, da UFRJ. O estudo foi feito a partir do cadastro de beneficiados pelo Bolsa Família incluídos no programa após fiscalizações que flagraram trabalhadores em situações que são consideradas formas contemporâneas de escravidão. São pessoas trabalhando em situações degradantes, como jornada exaustiva, salários irregulares e dívidas com o empregador, impedindo-os de largar o posto sob ameaças de morte. Pela primeira vez se conseguiu investigar a cor desses trabalhadores, graças à inclusão do grupo no Bolsa Família. Os autodeclarados pretos e pardos representavam 73% desse grupo, apesar de serem 51% da população total do Brasil. A cor do escravo de ontem se reproduz nos dias de hoje. Os negros e índios, escravos do passado, continuam sendo alvo de situações em que são obrigados a trabalhar sem direito algum. É como se a obra da escravidão se mantivesse através dos tempos. O estudo revela ainda que, em 2010, 23,4% das mulheres pretas e pardas que trabalham estão no serviço doméstico. De acordo com o primeiro censo feito no país, em 1872, 24,3% das escravas estava no serviço doméstico. Estudo do IBGE revela também que entre os brasileiros que se encontravam entre os 10% mais pobres, 74% se diziam pretos ou pardos. Os estudos revelam a perversidade da desigualdade no Brasil e a lógica com que a elite brasileira opera o capitalismo no país. Essa elite, que se veste de Prada para se associar ao capital estrangeiro, além de representar o que há de mais atrasado no país, impede que o Brasil se desenvolva com justiça e igualdade para todos. Até quando?
Ah vá... O deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) conseguiu o que nenhum comunista jamais pensou: ser afagado pelo que existe de pior neste País, a bancada ruralista. O deputado comunista propõe um novo Código Florestal Brasileiro, na contramão do desenvolvimento sustentável. As propostas vão desde a descaracterização das Áreas de Preservação Permanente (APP); redução das Reservas Legais, reguladas pelos Estados e municípios, em propriedades rurais; a, o que mais agradou os ruralistas, anistia para aqueles que ocuparam e desmataram a vontade até 22 de julho de 2008. Se o novo Código for aprovado, Aldo Rebelo entrará para a história como o comunista que agradou os ruralistas.
Contradição. Quando o assunto é desigualdade, o economista Marcio Pochmann não deixa barato. Em artigo publicado na Folha de S. Paulo (“São Paulo desigual”, 18/8), o economista vai direto ao que interessa. 1. São Paulo está hoje na “vice-liderança no conjunto dos municípios brasileiros em desigualdade na repartição da riqueza no território” brasileiro; 2. “No conjunto das áreas metropolitanas, a taxa de pobreza alcança em 2008, 13,2% dos seus habitantes, enquanto 29,4% dos residentes na zona rural vivem na condição de pobreza absoluta”; 3. “Há ainda os equívocos no sistema educacional (...). No meio rural quase 10% da população é analfabeta, enquanto no grandes centros urbanos essa taxa atinge 75,2%. Menos de 37% das crianças com até cinco anos freqüentam a escola básica no campo, ao contrário de quase 45% que o fazem nas metrópoles. Na faixa etária de 15 a 17 anos, 71% encontram-se matriculadas no ensino médios nos grandes municípios urbanos e menos de 60% no meio rural”. Na faixa etária de 18 a 24, 20,3% atinge o ensino superior nos centros metropolitanos “e apenas 8,5% na zona rural”. O economista não tem dúvida, São Paulo apresenta “traços prevalentes do subdesenvolvimento”.
Assista | A cantora Beth Carvalho declara apoio ao MST
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Associação dos Amigos da Escola Nacional Florestan Fernandes – Construída entre os anos de 2000 e 2005, graças ao trabalho voluntário de pelo menos mil trabalhadores sem terra e apoiadores, no Município de Guararema (apenas 70 km de São Paulo), a Escola Nacional é a única no país que tem a missão de atender às necessidades da formação de militantes de movimentos e organizações sociais que lutam por um mundo mais justo e igualitário. Visite o sítio da Escola, inscreva-se para receber a programação atualizada e seja também um associado.
Acampamento Indígena Revolucionário – O dia a dia dos representantes indígenas de várias etnias brasileiras acampados na Esplanada dos Ministérios (DF), para exigir a revogação do decreto presidencial que fragiliza ainda mais a Funai.
Odeio a Globo! Mensagem anônima registrada no muro de antigo casarão da Rua Consolação esquina com a Marques de Paranaguá. [Foto: Ruivo Lopes | São Paulo (SP), agosto de 2010]
A Justiça paulista acatou o pedido de organizações de defesa de direitos e suspendeu a demolição dos Edifícios São Vito e Mercúrio, dois velhos gigantes situados na Avenida do Estado, região do Parque Dom Pedro II. Motivo: os famosos edifícios foram desapropriados há anos por haver interesse social na revitalização do Centro com a implantação no local de moradias populares. Para a Justiça, a demolição caracteriza desvio de finalidade, além de se antecipar ao planejamento urbano, ainda inexistente, precedido de audiência pública.
Zé Celso 1 x 0 Silvio Santos O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tombou o Teatro Oficina, no bairro do Bexiga, em São Paulo. Não seria pra menos, o Teatro Oficina é um dos mais importantes espaços de criação teatral do País desde os anos 1960. Com o tombamento, ficam preservadas as características do espaço, a área do entorno que garante sua proteção visual, a vegetação local, além de impor limites para a construção no lote vizinho. Quem não deve ter gostado muito do tombamento foi o grupo do Silvio Santos que planejara ali a construção de um shopping center. Já o diretor do Teatro Oficina, Zé Celso, comemorou o tombamento.
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CICAS (www.projetocicas.blogspot.com) - O CICAS (Centro Independente de Cultura Alternativa e Social), localizado num dos galpões da COHAB do Jardim Julieta, zona Norte de São Paulo, numa iniciativa independente, transforma e recupera o local, proporcionando uma opção de cultura, esporte e lazer para a comunidade com espaço para biblioteca, cinema, estúdio musical, oficinas e cursos de teatro e música, artes plásticas, capoeira, e festivais culturais. O CICAS, atualmente, enfrenta uma ordem de despejo por parte da subprefeitura da Vila Maria, que alega irregularidades na construção, por outro lado, sabe-se também que há o interesse de empresas na licitação para a revitalização de uma suposta praça no local.
NPC (www.piratininga.org.br) - O NPC (Núcleo Piratininga de Comunicação) é constituído por comunicadores, jornalistas, professores universitários, artistas gráficos, ilustradores e fotógrafos que, há quatorze anos, trabalham com o objetivo de melhorar a comunicação, tanto de movimentos comunitários ou populares, quanto de sindicatos e outros coletivos.
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O livro Teorias dos Movimentos Sociais: paradigmas clássicos e contemporâneos, da socióloga Maria da Glória Gohn, está disponível na internet. A obra faz um mapeamento das diversas teorias sobre os movimentos sociais. O livro contém três partes. A primeira destaca teorias em abordagens norte-americanas sobre a ação coletiva; a segunda aborda a produção teórica européia, das teorias marxistas clássicas à teoria dos Novos Movimentos Sociais. Já a terceira trata do paradigma Latino-Americano. Destacam-se as abordagens que têm sido feitas sobre os movimentos sociais populares latino-americanos, urbanos e rurais, assim como estudos sobre os movimentos de gênero; etnia; ambientalistas; em defesa da paz e dos direitos humanos; entre outros. Clique aqui para baixar o livro.
O livro O que é a favela, afinal?, organizado pelo Observatório de Favelas, é fruto do seminário homônimo, realizado em 2009 no Rio de Janeiro. Nele é apresentado uma diversidade de experiências e olhares em contraponto à visão predominante sobre as favelas, que criminaliza esse espaço e seus moradores. A publicação reúne artigos de 10 pesquisadores sobre o tema, além do registro do seminário. Apresenta ainda a declaração O que é a favela, afinal?, elaborada a partir das diferentes idéias presentes no seminário. O objetivo é, além de pensar as favelas de modo crítico e inovador, propor relações democráticas com esses territórios, para que se efetivem políticas públicas que garantam e afirmem os direitos da população marginalizada. Clique aqui para baixar o livro.