sábado, 26 de novembro de 2011

Evasão escolar não é caso de polícia


Nota zero para a ação repressiva da Subprefeitura do Itaim Paulista, zona leste de São Paulo, que mobilizou funcionários da Prefeitura, policiais militares, guardas-civis e conselheiros tutelares, para “caçar” alunos de escolas públicas, a maioria crianças e adolescentes, que faltavam as aulas para ficar em dois parques da região.
Assusta a justificativa dada para a ação, que segundo a Subprefeitura, faz parte de um “projeto” que tem o objetivo de diminuir a evasão escolar. E desde quando evasão escolar passou a ser caso de polícia? Esta justificativa é uma ofensa a qualquer pessoa séria envolvida com educação. Aliás, não se ouviu nenhuma opinião de ninguém da área da educação sobre esta ação. Mais uma vez, o poder público vem tratar questões sociais como caso de polícia. Não é à toa que a ação foi coordenada por um tenente-coronel reformado da PM, que é chefe de gabinete da Subprefeitura.
A militarização das Subprefeituras da cidade foi uma manobra irresponsável da atual gestão municipal com objetivo eleitoreiro muito claro. Já são 16 Subprefeituras coordenadas por coronéis da PM reformados. A maioria na periferia da cidade, numa clara intenção de criminalizar a pobreza. Todos sabem como os pobres são tratados pela PM na periferia da cidade. Só quem é de lá sabe o que acontece.
O Itaim Paulista é uma das regiões mais pobres da cidade. Sua pobreza é um reflexo do descaso e da má qualidade dos serviços públicos prestados naquela região. Escolas e parques públicos não escapam das mazelas provocadas por este descaso. É sintomático que estes jovens prefiram outros espaços públicos que a escola. A lição autoritária dada pela Subprefeitura é a de que é melhor reprimir do que se perguntar por que isto acontece. Sendo assim, a repressão é sempre aplicada como o principal recurso dos ignorantes. Definitivamente, evasão escolar não é caso de polícia!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Sarau da Ocupação Consolação: pode aplaudir que é gente da gente!

Augusta, graças a Deus,
Entre você e a Angélica
Eu encontrei a Consolação
Que veio olhar por mim
E me deu a mão
*

1º Sarau da Ocupação Consolação (SP) | 9 de novembro de 2011.
Depois dos preparativos, limpar, colorir, organizar e melhorar a iluminação do espaço, a boa quarta-feira (9) abriu os caminhos para o primeiro Sarau da Ocupação Consolação. O número 1813 da avenida que dá nome a ocupação foi só alegria!

1º Sarau da Ocupação Consolação (SP) | 9 de novembro de 2011.
Poetas, poetisas, criançada, moradores da ocupação: todo mundo junto e misturado na mesma sintonia: lutar pela moradia digna e por um mundo mais poético, justo e igualitário!

1º Sarau da Ocupação Consolação (SP) | 9 de novembro de 2011.
Como de costume, muita gente passou por lá, algumas mesmo sem estar presente. Foram muito bem representadas por seus respectivos livros. Os livros passaram de mão em mão. Quem não leu, folheou os livros da geração de poetas e poetisas que vem revolucionando as periferias do Brasil.

1º Sarau da Ocupação Consolação (SP) | 9 de novembro de 2011.
Teve as guerreiras Nazaré e Juliana abrindo os caminhos da noite para a poesia em voz alta e bom som. Presente, do lado Sul da cidade, Marcio, nosso convidado especial, representou o Sarau da Coopererifa - nossa inspiração, sempre!

1º Sarau da Ocupação Consolação (SP) | 9 de novembro de 2011
Nas duas horas de Sarau, a poesia não parou um minuto e o silêncio ficou bem longe do lugar. Todo mundo fez muito barulho pra gente como a gente, pra gente da gente!
Mais uma vez a poesia se armou e mandou seu recado. Disparou a favor da Ocupação Consolação e das lutas populares que fazem um mundo melhor.

1º Sarau da Ocupação Consolação (SP) | 9 de novembro de 2011.
Um espaço ocupado é sempre um espaço encantado! Tudo isso - que não é pouco! - com a bênção povo.

Para saber mais sobre o Sarau e outras ações culturais realizadas em ocupações em São Paulo, visite o site do Projeto Ocupação Cultural.

Veja mais fotografias aqui.

* Trecho de "Augusta, Angelica e Consolação", de Tom Zé

sábado, 12 de novembro de 2011

Em recente artigo, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, compara a capacidade de ressurreição e regeneração do capitalismo a dos parasitas – organismos que se alimentam de outros organismos, estando agregados a outras espécies. Os parasitas, depois de exaurir completa ou quase completamente um organismo hospedeiro, normalmente procura outro, que o nutra por mais algum tempo. Bauman explica que o sistema capitalista funciona por um processo contínuo de destruição criativa. O que se cria é capitalismo numa “fórmula nova e melhorada”; o que se destrói é a capacidade de auto-sustentação e vida digna nos inúmeros “organismos hospedeiros” para os quais todos somos atraídos ou seduzidos, de uma maneira ou de outra. Um dos recursos cruciais do capitalismo, diz, deriva do fato de que a imaginação dos economistas – incluindo os que o criticam! – está muito atrasada em relação à sua invenção, a arbitrariedade do seu procedimento e crueldade com que opera. Contudo, o sociólogo alerta: o parasita morre, quando faltam organismos vivos de onde possa retirar alimento.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Urgências da USP

Os recentes acontecimentos na USP, no geral (ou pelo menos o estopim da vez), foram provocados pelo descontentamento de estudantes com a presença repressiva da PM no compus universitário. Este descontentamento resultou na ocupação da reitoria pelos estudantes, logo reintegrada por ordem judicial - determinada pela Justiça! -, cumprida pelo forte aparato armado da PM, vem suscitando algum barulho, mas não o debate necessário sobre o papel da universidade pública numa sociedade desigual e injusta como a brasileira.
Marcio Moreira Alves, no livro "Torturas e torturados" (1967), publicado em plena ditadura, já nos convidava para uma reflexão que, nas entrelinhas, permanece atual. Diz ele no livro:

A pergunta que normalmente se faz quando surgem revelações de torturas, pergunta que Jean Paul Sartre repete no prefácio que escreveu para o depoimento de Henri Alleg no livro 'La Question' é: "como é possível que isso aconteça entre nós?"
A resposta é simples - é possível acontecer acontecendo, como sempre aconteceu. Se a polícia rotineiramente tortura criminosos comuns, por que não seriam torturados os presos políticos? Se militares, pela primeira vez colocando em prática o que leram dos métodos dos "Green-Berets" norte-americanos ou dos "Parás" franceses, não foram punidos por seus superiores, por que não prosseguiriam no emprego destes métodos?
Tudo é singelo, tudo é mecânico, até mesmo o esquecimento em que as denúncias caem após o primeiro e ineficiente impulso de indignação.
É preciso, para que purifiquemos a mancha que a tortura joga sobre todos nós, não apenas que se punam os oficiais e policiais responsáveis pelo seviciamento de homens e mulheres entregues à sua guarda como se acabe, de uma vez por todas, com o sistema de brutalidade montado nas prisões brasileiras. É preciso, sobretudo, que se guarde na lembrança das gerações futuras os crimes cometidos, para que sua repetição se torne impossível.


Seria preciso levar em consideração os contextos. Como se sabe, na ditadura, o Estado é absoluto na execução das próprias leis. Já na democracia, em linhas gerais, o sentido do Estado está na participação e no exercício pleno da cidadania. Não é exagero dizer que nossa democracia é insuficiente. Mesmo assim, violações de direitos cometidas na democracia é um grave atentado aos direitos coletivos.
Pois bem, numa democracia, manifestações nunca são demais. Dentre as contribuições para o debate sobre o que vem ocorrendo na USP, destaca-se a da urbanista, professora e relatora especial da Organização das Nações Unidas para o direito à moradia adequada, Raquel Rolnik, que em artigo publicado no seu blog coloca as questões no lugar certo. Afinal "o campus faz parte ou não da cidade? queremos ou não que o campus faça parte da cidade?", questiona. Vale lembrar que o viário da USP vem servindo para motoristas da região oeste "cortar caminho" que os levam para outras regiões da cidade. Ônibus e trens também contribuem para arejamento do campus universitário em relação à cidade.
A USP não e uma ilha, portanto, qualquer ligação com a universidade não garante status de maior cidadania em relação aqueles que não estão ligados a ela. Logo, violações de direitos cometidas no interior da universidade são tão graves quanto violações cometidas em qualquer canto da cidade e vice versa.
A presença da PM na USP deve ser entendida como prática de um estado policial em marcha em São Paulo. O estado policial atende demandas sociais como caso de polícia. O próprio governador orgulha-se de dizer que o efetivo policial no Estado é de 100 mil homens armados. Logo, a presença da PM na USP é tão ostensiva e hostil quanto na chamada Operação Saturação, promovida pela Secretaria de Segurança Pública, que invade favelas da periferia da cidade barbarizando quem encontrar pela frente.
A PM, entendida como parte do sistema de segurança pública, é um engodo autoritário respaldado pelas determinações da Justiça. Instituições que tem contribuído para a manutenção de dois tipos de cidadania que vigoram ilegalmente no país: a dos ricos e dos pobres.
A maior depredação sistemática ao patrimônio público praticado na USP é a lenta, gradual e restrita participação da maioria da população que é privada dos direitos por se ter na cidade de São Paulo uma das mais importantes universidades do mundo.
Afinal, que universidade pública – ou seja, coletiva! - queremos? Para que a queremos e a quem ela servirá?
Questões que todos ligados ou não a USP devem encarar.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Sarau da Ocupação da Consolação: vai ser só alegria!

Nesta boa quarta-feira, dia 9, às 19 horas, será realizado o primeiro Sarau da Ocupação da Consolação (Rua da Consolação, nº 1813, em frente ao ponto de ônibus do Cemintério). Traga seu bom ritmo e sua boa poesia de combate que vai ser só alegria. Pode chegar que é tudo gente da gente, é tudo gente como a gente na mesma sintonia!


Assista | Preparativos para o Sarau da Ocupação da Consolação

Acompanhe mais ações no blog do Projeto Ocupação Cultural.

É tudo nosso!

O Sarau da Ocupação São João no domingo (6) foi mesmo muito especial. Poetas e poetisas populares somaram a boa poesia de combate e junto ao povo abriram os caminhos para a maior festa popular que já se tinha visto na noite paulistana. No Sarau da Ocupação São João, a história do povo soa como poesia. Pode aplaudir que é tudo gente da gente, é tudo gente como a gente, se dizia alto e bom som. A poesia correu solta até o fim da noite de domingo. Minutos depois, antigos prédios da região central de São Paulo, abandonados pelo descaso do poder público, muitos há anos sem função social nenhuma, foram ocupados por inúmeras famílias sem teto.

A esquina mais famosa da cidade, a da avenida São João com a Ipiranga, nunca mais será a mesma. A festa foi um sucesso da articulação dos movimentos populares de luta pela moradia digna e pela justiça social. Veja mais informações aqui.


Assista | Noite de poesia e luta pelo direito a moradia digna

Acompanhe mais ações no blog do Projeto Ocupação Cultural.

domingo, 6 de novembro de 2011

Sarau da Ocupação São João: especial!


É hoje a realização especial do Sarau da Ocupação São João. O povo vai se reunir na Avenida São João, nº 588, às 19h, no Centro, para celebrar a sabedoria popular no melhor estilo ritmo, poesia e cinema. Pode somar que é tudo gente da gente, é tudo gente como a gente! Um espaço ocupado é sempre um espaço encantado. É só colar!
Para saber mais sobre o Sarau e outras ações culturais realizadas em ocupações em São Paulo, visite o site do Projeto Ocupação Cultural.

domingo, 30 de outubro de 2011

Cumpra-se!

Já está no ar o site da Campanha Cumpra-se! O site constitui-se como um espaço de luta por cidadania e direitos humanos. A Campanha exije que o Estado brasileiro cumpra integralmente a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos sobre o Caso Guerrilha do Araguaia, tortura, execução e desaparecimento nos anos de chumbo no Brasil. A Campanha exije também o acolhimento da ADPF 153 pelo STF, aprovação do PL 573/11 que dá interpretação à Lei da Anistia em harmonia com o Pacto de São José da Costa Rica, e, a exemplo de outros países latinoamericanos, por uma Comissão da Verdade autônoma e consequente.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Sarau da Ocupação São João: alto e bom som!

Numa antiga fôrma vertical,
Onde do alto avista-se o horizonte,
Junte dezenas de famílias, Josés e Marias
Misture muita luta, esperança
E vontade de viver um mundo mais justo e melhor
Para ver no que vai dar: Ocupação São João!


A boa quarta-feira (26) abriu os caminhos para o primeiro sarau de ritmo e poesia da Ocupação São João. O número 588 da avenida que dá nome a ocupação era só alegria.
Gente da poesia, da rima, do ritmo, do trabalho duro e das duras lutas do dia a dia soltaram a voz, a ginga e o verbo. Crianças, jovens, adultos, tudo junto numa só geração! Meninos, meninas, homens, mulheres, máximo respeito pelas opções. Tudo junto e misturado na mesma sintonia: a luta por um mundo mais poético, justo e igualitário nos une sempre!
A guerreira Nazaré abrindo os caminhos

Muita gente passou por lá, algumas mesmo sem estar presente. Os livros representaram, e mandaram bem. Teve a guerreira Nazaré abrindo os caminhos da noite para a poesia em voz alta e bom som, crianças lendo parlendas, vó recitando Florbela Espanca, menino recitando Elizandra Souza e menina Sérgio Vaz. Os agitadores Monge e Fefe invocando Leminski do além, que voltou só para dar um "oi". Teve Maria Tereza e suas Negrices em Flor, Luan Luando e seu Manda Busca passando de mão em mão, Henrique Godoy anunciando Roube-me Por Favor, o poeta Paulo e sua Perifatividade, Bruno e sua poesia no violão. Teve GOG, Alessandro Buzo e Tubarão como inspiração para não deixar a poesia cair nem o silêncio tomar conta do lugar. Pode aplaudir que é gente como a gente, é gente da gente! De norte a leste, tem sempre um centro no meio, Toroká, Elizandra e Avelino, rima e poesia na Brasa.

A vó, o elo de gerações

As crianças e suas realistas parlendas

A rima de Toroká

A poesia-protesto de Paulo Perifatividade

A poesia se armou e não mandou recado, disparou uma atrás da outra contra a violência contra a mulher, contra despejos forçados de famílias pobres, contra o desgastado sistema político vigente que não convence e não representa o povo, contra a especulação imobiliária e o capitalismo. Mas disparou também a favor da Ocupação São João e das lutas populares que fazem um mundo melhor. Porque um espaço ocupado é sempre um espaço encantado! Tudo isso - que não é pouco! - com a bênção do imortal poeta do povo Solano Trindade e suas poesias de combate.

Livros para um mundo melhor

domingo, 23 de outubro de 2011

Não uma, mas muitas acampadas anticapitalistas mundo afora!

Tela de impressão do Data Blog, do jornal britânico The Guardian. No mapa mundial das ocupações públicas anticaplitalistas, registros do Brasil vindos dos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. Até a mídia de massa britânica está atrasada!

sábado, 22 de outubro de 2011

Revista Veja: não leio e não gosto!

A revista Veja, porta voz semanal conservador da "minoria branca", como a direita brasileira costuma se referir a ela própria, tenta mais uma vez criar uma confusão ideológica na chamada opinião pública. Confusão que, claro, jogaria a seu favor se não fosse por um detalhe - que faz grande diferença. A indignação global expressada pelos movimentos que tem tomado os espaços públicos das cidades como atos políticos e propositivos, inclusive no Brasil, veem na revista Veja e nos grupos aos quais a semanal representa, os principais responsáveis pela manutenção do mais injusto sistema político e econômico que existe na face da Terra: o capitalismo!
A corrupção é um sistema de lucro distorcido, mas ainda assim, lucro (de poucos!), sem o qual o capitalismo (e a desigualdade) não existiria. O movimento global que está nas ruas nada tem a ver, por exemplo, com as caras pintadas de verde e amarelo do início dos anos 1990. Aquilo sim, cabia perfeitamente nas páginas amarelas da recalcada semanal que anos antes havia servido inclusive a ditadura civil-miltar.
Importante notar que nos cestos de livros e revistas espalhados pelo Acampa São Paulo há uma literatura de esquerda e humanista diversificada. No entanto, nenhuma revista Veja é vista no local. Isso porque - por uma questão ideológica -, a revista Veja não nos representa!

Ocupa SP: mais de 168 horas de democracia real, crítica política e solidariedade sem preço, mas com valor coletivo!

O Movimento Ocupa São Paulo completa hoje uma semana de acampada debaixo do Viaduto do Chá, no Vale do Anhangabaú. São mais de 168 horas de atividades, 24 horas por dia, sob sol, chuva, vento, frio e ameças constantes da Guarda Civil Metropolitana e da Polícia Militar. Não é pouco! Muita gente já passou por lá. Outras ficaram por lá. Mais gente continua chegando para ficar. São diversas as reivindicações, todas elas justas! Vale tudo para fazer da cidade o espaço público da democracia real, da crítica política e da solidariedade sem preço, mas com valor coletivo.
Uma programação especial espera sua participação.
Confira a programação completa aqui.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Tortura: até quando?

O Subcomitê de Prevenção e Combate à Tortura da Organização das Nações Unidas (ONU) visitou mais uma vez o Brasil. A comissão, formada por especialista em direitos humanos, recebeu várias denúncias de tortura práticada por agentes da força de segurança e vistoriou instituições oficiais de privação temporária ou permanente de liberdade em vários estados do país. O Brasil aparece na lista dos paises onde a violação dos direitos humanos é sistemática e conta com a participação direta ou a omissão do Estado.
A tortura continua sendo praticada por agentes da força de segurança, prática constantemente banalizada pelos veículos de imprensa com o perigoso objetivo de torná-la socialmente aceita. Imagem que contrasta com a de país que tem dado atenção especial a população mais pobre, ainda mais quando se constata que são os mais podres as maiores vitimas das violações de direitos humanos cometidas no Brasil.
Há 10 anos, Nigel Rodley, então relator da ONU contra a tortura, após visitar o Brasil, elaborou contundente relatório sobre a totura praticado no país. No final do documento, o relator fez importantes recomendações como: 1. Dar um fim à tolerância cultural brasileira com a tortura; 2. Garantir a independência dos órgãos de apuração sobre estas violações, reforçar o controle externo à atuação das polícias Civil e Militar; e 3. Separar os serviços que emitem laudos sobre a tortura destas corporações. Recomendações que até hoje não foram atendidas. Em 2007, o Brasil assinou o Protocolo Facultativo da Convenção da ONU contra a Tortura. Faltou mais iniciativas.
O Brasil não pode mais disperdiçar a chance de atuar seriamente no combate a tortura. O governo brasileiro deve demonstrar mais do que apenas intenções. O Brasil precisa criar logo o Sistema Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, que possa efetivamente monitorar, apurar, investigar e propor ações para eliminar a tortura de uma vez por todas do país.

domingo, 2 de outubro de 2011

Dia de Festa na Ocupação São João

Ontem foi dia de festa na ocupação São João, localizada no número 588, da famosa avenida de mesmo nome, em São Paulo. O motivo: as famílias comemoram 1 ano da ocupação do prédio de um antigo hotel abandonado há 20 anos. Nos corredores, ouvia-se a lenda, com certo orgulho, de que Raul Seixas hospederá-se várias vezes naquele hotel. As famílias compareceram em peso. A correria e as brincadeiras das crianças deram o tom da festa. Dezenas de apoiadores e colaboradores, como os oficineiros do espaço de cultura da ocupação, compareceram para prestigiar a festa e prestar solidariedade às familias que hoje moram na ocupação. Além de muita música, a festa contou com o lançamento de dois documentários: o primeiro, "Todas as mulheres do mundo", trata, através de depoimentos, sobre o protagonismo das mulheres que lideram a ocupação e atuam pela Frente de Luta por Moradia (FLM); o segundo, "Ipiranga, 865", mostras diversas facetas da ocupação do endereço de mesmo nome em uma ferramenta virtual que pode ser conferida aqui.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A vida prega surpresas


Para Edson "Redson" Pozzi (1962-2011)

A vida prega surpresas. A morte não, ela é previsível.
A vida é uma aventura vivida todos os dias. A morte é preguiçosa.
A vida pode ser bela. A morte não, ela é sempre triste.
A vida é muito maior que a morte. É na vida que a morte se espreita, não o contrário.
A vida também pode ser uma festa, ou uma gig. A morte é careta e silenciosa.
A vida é o verde, não devaste! A morte não gosta do verde, devasta.
A vida tenta sempre mudar o amanhã. A morte vem por nada, por nada!
A vida é um caos mental geral, é verdade. Mas a morte é organizada demais, e para sempre.
A vida é agitada. A morte é monótona.
A vida é arte e revolução. A morte é conservadora.
A vida é comida para quem tem fome. A morte é a fome para quem quer a vida.
A vida é o motivo que faz com que a gente deixe a Terra em paz! A morte é a alienação neste sistema.
A vida quer sempre um pouco, um pouco mais. A morte é você sem voz, morrendo aos poucos.
A vida é protestar para encontrar o outro lado desta vida. A morte está na cidade onde lixos e pessoas se misturam.
A vida é do ébrio vagal, da mulher do muro, do homossexual. A morte é a banalidade do mal.
A vida é a liberdade sem preço. A morte é o dinheiro que compra a confiança e o caráter.
A vida é pela paz em todo mundo! A morte é matar ou morrer.
A vida é justiça pra você, pra mim. A morte é o ódio, a aflição.
A vida é dar a mão em solidariedade. A morte é te dar a mão só pra empurrar.
A vida é nascermos livres, livres por iguais. A morte é não ter amigo para ser lembrado.
A vida é pensar mais na situação do mundo, lutar mais pela existência da justiça e da liberdade! A morte é autista, individualista, uma prisão sem muro.
A vida é punks moicanos, moicanos ou não. A morte é a xantagem ocasional tramada.
A vida é andar, cantar, viver, pensar e colher. A morte é estática, estéril.
A vida é ser sempre você. A morte é imitar.
Minha vida, sua vida, nossas vidas é ir sempre em frente. Mas quem se importa? Quem se importa?
Eu me importo, eu me importo!

Valeu Redson, a vida não seria a mesma sem a tua presença.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Estado de exceção, nunca mais!

A FIFA ameça dificultar ainda mais as negociações para a Copa do Mundo no Brasil, em 2014, caso a chamada Lei Geral da Copa não seja aprovada como o órgão quer. A FIFA só não contava pela frente a presidenta Dilma Rousseff que não tem cedido às exigências dos cartolas, pelo menos não como eles querem. Na prática, a Lei Geral da Copa, quando aprovada, passa a tratar o país sede como uma ilha privada governada pelas leis da FIFA. Se aprovada, a Lei Geral da Copa significará um profundo retrocesso na já fragilizada democracia brasileira.

domingo, 11 de setembro de 2011

O ABC da desigualdade brasileira

Não é apenas a chamada "classe C" que tem crescido na estrutura social brasileira. Cresceu também as "classes A" - rendimento acima dos R$ 6.745 por pessoa - e "B" - entre R$ 5.174 e R$ 6.745. São 22,5 milhões de pessoas nessa condição no Brasil. A grande maioria mora nas regiões sul e sudeste. Marcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), diz que riqueza de verdade se mede pelo patrimônio (empresas, fazendas, altos cargos corporativos e grandes propriedades em geral). Ou seja, os “ricos acumulam um patrimônio de bens e rendimentos correspondente a cerca de 40% do Produto Interno Bruto (PIB)", diz ele. A desigualdade também aparece na hora de pagar impostos. Quem ganha até 2 salários mínimos paga quase 49% de impostos. Já os que ganham mais de 30 salários, pagam pouco mais de 26% em tributos. Portanto, não confunda salário com patrimônio.

Lá... Aprovado no Congresso com o aval do Governo Federal para apressar as obras da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, o Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC) foi considerado inconstitucional pela Procuradoria Geral da República que entrou com uma ação direta de inconstitucionalidade (ADIN) no Supremo Tribunal Federal (STF). Na prática, o RDC prejudicaria o controle na concorrência, o planejamento e execução das obras milionárias nas mãos de empresas privadas.

E cá... O Ministério Público Estadual (MPE) vai investigar a licitação da iluminação pública da cidade de São Paulo por suspeita de fraude, conluio entre as empresas ou favorecimento para o consórcio já na elaboração do edital. A proposta vencedora, do consórcio SP Luz, no valor de R$ 433.794.099,16 - a menor entre os três concorrentes, foi anunciada no dia 8. Mas já se sabia do resultado desde o dia 5, conforme divulgado pela imprensa.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Um pesadelo ronda a Europa

A imprensa brasileira compra no atacado a cobertura despolitizada das indústrias internacionais de notícias com o objetivo de criminalizar a revolta popular nas ruas inglesas. Em comum com o Brasil, a Inglaterra tem pela frente a missão de sediar o milionário Jogos Olímpicos, em plena eurocrise. O enfadonho primeiro ministro inglês foi pego com as calças nas mãos. Ele finge ter o controle da situação, militarizando as ruas e ameaçando uma caça as bruxas judicial. Magnatas, investidores e especuladores cobram do bonachão número 1 da Inglaterra pulso firme na repressão. Das distribuidoras locais de notícias fabricadas nenhuma palavra sobre as altas taxas de desemprego do jovens, imigrantes e sem papéis e a pobreza nas cidade alvos de ataques, nem os ajustes fiscais que atingiram em cheio serviços públicos essenciais aos mais podres. Em tempos passados, Argentina e França, irromperam revoltas populares, o primeiro contra a austeridade neoliberal que quebrou o país em 2001, o segundo por visibilidade e contra a marginalização étnica nas periferias da cidade da luz em 2005. Recentemente, Grécia, Portugal, Irlanda e Espanha ainda vivem este pesadelo. Em toda parte, os culpados são os mesmos: lideres políticos e seus aliados econômicoss que governam com a arrogância típica de quem se sente o dono do mundo. Dormiriam o sono dos justos, se não fosse a revolta popular nas ruas.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Copa do Mundo: a matemática na prática

Como fazer uma Copa do Mundo mais cara para os cofres públicos. Eleja um presidente tarado por futebol que tome medidas para que todos subam alguns degraus da economia local. Não se preocupe com a distância entre uns e outros nessa longa e tortuosa escadaria social brasileira. Até porque uns e outros, como salário e lucro, estarão sempre distantes entre si. Chame a atenção do mundo e arranque um that’s the man! do nunber one of world que a FIFA virá mais do que depressa até você, pois "tem bagulho bom aê"! Depois, dê uma festa de arromba para os executivos das maiores empreiteiras em atividade no país. Convide alguns garotos de "prograpagandas" velhos e novos para dar um caráter esportivo à festa. Sirva o melhor champagne da casa e otras cositas más para que ninguém se esqueça daquele momento. Troque quantos cartões de visitas você puder. Mas lembre-se que o seu tem que ter seu endereço fixo. Nas entrevistas que der, sempre chame todos de parceiros. Não se preocupe com a conta, o BNDS, o banco “da social”, irá pagar. Depois é só esperar sete anos que os exclusivos ingressos para ver de perto o maior espetáculo da terra chegarão de presente para você no endereço indicado.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Razões da reforma agrária no Brasil

Diversas razões fazem da reforma agrária uma prioridade nacional: a concentração da propriedade da terra, o êxodo rural, o crescimento da população urbana, o aumento do desemprego e o confronto muitas vezes violento entre os sem-terra, os proprietários rurais e as forças policiais. Contudo, a perspectiva de uma reforma agrária, no Brasil, não é das melhores. Os setores conservadores, que dominam o país, enxergam a agricultura apenas como um espaço para a obtenção de lucros, às custas da pobreza da população, da depredação ambiental e do atendimento dos interesses e das demandas do mercado externo. Leia o artigo completo Muita terra nas mãos de poucos de Cláudio Marques.

domingo, 26 de junho de 2011

O Brasil e a originalidade latino-americana

Ao longo dos últimos anos, o Brasil começou a se acomodar, de forma passiva, com um processo lento, mas contínuo, de transformação profunda em alguns de seus valores republicanos mais carregados de simbolismo e conteúdo. Enquanto os postulados ortodoxos do Consenso de Washington já começavam a se fazer presentes em uma série de países ao longo dos anos 80, aqui tentávamos superar o ciclo do regime militar, com a construção de uma nova ordem social, política e econômica. Os resultados políticos da virada ideológica que o Brasil sofreu a partir dos anos 90 passaram a comprometer seriamente as conquistas obtidas na década anterior. Leia a íntegra o artigo A mercantilização dos serviços público, de Paulo Kliass, aqui.

As elites latino-americanas enfrentam uma crise de identidade e estão vendo encurralada sua capacidade ideológica para transfigurar seus interesses privados em projetos políticos majoritários próprios ou afins. Essas elites perderam seus pontos de referência. Elas sempre se refugiaram e se legitimaram em seus vínculos com os países centrais e na promessa de trazer o exterior para o continente como modelo para a modernização do arcaico e do periférico. Mas olhar “para fora” hoje em dia não é motivo de muito entusiasmo. Leia a íntegra do artigo A antielitização latino-americana, de Amílcar Salas Oroño aqui.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Impunidade: 5 anos da maior chacina policial de São Paulo

Há cinco anos, em maio de 2006, ocorreu em São Paulo uma onda de ataques atribuidos a organização criminosa conhecida como Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação das forças policiais, apoiada pelo Governo do Estado, foi extremamente violenta. Cerca de 500 pessoas teriam morrido, mas muitos dos casos permanecem com a identidade dos mortos e as circunstâncias do óbito desconhecidas. Organizações de defesa dos direitos humanos conseguiram agora documentar 122 casos de execução com fortes indícios de participação de policiais e grupos de extermínio. Passados todos estes anos, muitas perguntas ficaram sem resposta. Qual o motivo dos ataques e qual sua intenção? Qual a influência que agentes públicos tiveram no episódio? Quais os esquemas de corrupção que se escondem por trás de tamanha violência policial? Por que os abusos e os homicídios cometidos por policiais não foram investigados? Qual é a responsabilidade do Estado em todos estes crimes? Algumas destas respostas estão no relatório São Paulo sob Achaque: Corrupção, Crime Organizado e Violência Institucional em Maio de 2006. O documento aponta para uma ampla teia de relações criminosas entre agentes públicos e o crime organizado, em um enredo complexo no qual é desvendado esquemas de corrupção e casos de seqüestro, extorsão e assassinatos são relatados.

O movimento de mâes de vítimas da chacina praticada por policiais em maio de 2006, vai lançar o livro Mães de Maio - Do Luto à Luta, no qual contam como seus filhos foram assassinados por agentes do estado, muitos dos quais ligados a grupos de extermínio. Por ocasião dos 5 anos de impunidade dos crimes de maio, e da união com tantas outras lutas e movimentos sociais, o Movimento Mães de Maio articulou uma agenda de mobilização. Confira abaixo.

12/05, 14 hs - No Sind. dos Jornalistas de S. Paulo (R. Rego Freitas, 530, Vila Buarque, Tel.: 3217-6299) - 5 anos dos Crimes de Maio: lançamento do livro "Do luto à Luta - Mães de Maio", exibição de vídeo e marcha até a Praça da Sé.

13/05, 12 hs - Na Praça Ramos/Teatro Municipal (Centro) - 13 de Maio de Luta Contra o Genocídio do Povo Negro, seguido de Ato Político e Cortejo Cultural.

15/05, 17 hs - No Sarau da Ademar (Rua Felício Cintra do Prado, 131, Cidade Ademar, altura do nº 3870) - Homenagem ao Movimento Mães de Maio.

Acompanhe também o blog mantido pelo Movimento Mães de Maio aqui.

Veja casos de violência policial registrados pelo Observatório das Violências Policiais de São Paulo disponíveis aqui.

domingo, 3 de abril de 2011

As heranças da ditadura militar brasileira

O golpe militar de 1964 não é apenas passado. A escolha do termo "ditabranda" pela Folha de S. Paulo para caracterizar a ditadura militar brasileira não foi um descuido linguístico. Trata-se de uma profissão de fé ideológica embalada por uma falácia: dissociar a ditadura brasileira das ditaduras em outros países do continente e do contexto histórico da época, como se não integrassem um mesmo golpe desferido contra a democracia em toda a América Latina. Ao contrário do que ocorreu em outros países da latino-americanos, o Brasil manteve-se como modelo de impunidade e não seguiu sequer a política da verdade histórica. O que nos interessa é a verdade, nada mais que a verdade! Leia a série de artigos intitulada A hora da Comissão da Verdade.

Conheça!

O CIM (Centro de Informação da Mulher), organização feminista que mantém o maior acervo da mulher da América Latina, com quase 20 mil títulos, está de endereço novo. Confira!

O sítio virtual dedicado ao carioca José Datrino (1917-1996), mais conhecido como Profeta Gentileza. Conheça sua história e veja seus murais, agora tombados, e recuperados, pintados entre o fim dos anos 1980 e início dos 1990, no Rio de Janeiro.

Agende-se e participe!

Até 15/05 - A exposição fotográfica Povos Indígenas no Brasil, de Rosa Gauditano. Fruto de 20 anos de pesquisa, a mostra é composta por 60 fotos coloridas e dividida em quatro grandes grupos, separados por região geográfica: Norte, Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste. Além dos registros fotográficos, a exposição ainda é composta pela projeção de dois documentários produzidos pelos índios xavantes. No Brasil existem, hoje, cerca de 230 povos indígenas, distribuídos em todos os estados, totalizando quase 734 mil pessoas, que falam 180 línguas diferentes. Imperdível! Caixa Cultural Sé (Praça da Sé, 111, Centro). Gratuito.

Até 12/06 - A exposição Marcados Para, de Claudia Andujar, traz registros dos Yanomami feito no início dos anos 1980. Naquela época, muitos Yanomami não tinham nomes próprios. Eles se tratavam com graus de parentesco, pai, mãe, irmão, tio, entre outros. Para que fossem atendidos e acompanhados pela equipe médica, os Yanomami receberam números, e os penduravam no pescoço, e posavam para fotografias. Confira! Centro de Cultura Judica (Rua Oscar Freire, 2.500). Gratuito.

Até 10/04 - Mahagonny, livremente inspirado no texto de Bertolt Brecht. A cidade de Mahagonny é um paraíso para os homens que desejam bebidas, mulheres e apostas. Foi fundada para o prazer – e, claro, para o lucro! Logo que Mahagonny se estabelece como um bom lugar para se viver, ela nos mostra seu lado podre. E é exatamente nessa contradição entre diversão e crueldade que está baseada toda a encenação. Confira um trecho aqui. Teatro João Caetano (Rua Borges Lagoa, 650, próx. ao Metrô Santa Cruz). Entrada R$10 (inteira) R$5 (meia).

domingo, 27 de março de 2011

Protestos dos países árabes ao Wisconsin: poder imperial não é absoluto nem eterno

Estudante protesta contra os severos cortes sociais que afetarão a educação pública no Wisconsin, Estados Unidos

Noam Chomsky, crítico radical à política norte-americana no mundo, em recente artigo intitulado Quando dois mundos se cruzam, manda um recado àqueles que vigiam a democracia alheia mas não fazem a lição de casa. "As trajetórias das lutas dos trabalhadores no Egito e nos EUA apontam atualmente para direções opostas: conquista de direitos no Egipto; enorme ataque a eles nos EUA. Os dois casos merecem grande atenção". Leia o artigo na íntegra aqui.

A revolta popular árabe de 2011, com razões específicas em cada país, não tem a ver com religião, nem caiu do céu. A revolta que toma as ruas dos países árabes é produto da inquietude da classe trabalhadora provocada pela crise global do capitalismo. As pessoas querem seus direitos sociais, democracia política e social. São revoltas contra o universo da miséria permanente: uma elite cega por sua própria riqueza, corrupção política, desemprego massivo, tortura e subjugação ao Ocidente. Os acontecimentos recentes assinalaram a possibilidade de um novo e autêntico mundo árabe. Para compreender melhor estes acontecimentos, leia as reflexões de Robert Fisk, Tariq Ali, Antonio Negri, Noam Chomsky, Ignacio Ramonet, Slavoj Zizek, e outros, reunidas aqui.

O passeio de fim de semana da família Obama ao Brasil coincidiu com o desastre nuclear do Japão e com o início do bombardeio aéreo da Líbia. A decisão dos EUA, de atacarem o país norte-africano, foi tomada no território brasileiro. Esta decisão, sobretudo, serviu para relembrar aos mais apressados que os EUA seguem sendo a única potência mundial com “direito” de decidir – onde e quando quiser – e com capacidade de fazer intervenções militares imediatas, em qualquer conflito, ao redor do mundo. Uma lembrança oportuna, porque tornou-se lugar comum, na imprensa e na academia – à direita e à esquerda – falar do declínio do poder americano, enquanto se acumulam as evidências no sentido contrário. De qualquer forma, é óbvio que este poder imperial não é absoluto nem será eterno. Sua expansão contínua cria e fortalece poderes concorrentes, e desestabiliza e destrói os “equilíbrios” e as instituições, criadas pelos próprios EUA, estimulando a formação de “coalizões de poder” regionais que acabarão desmembrando aos poucos o seu poder imperial, como aconteceu com o Império Romano. Trecho do artigo Hegemonia e Império, José Luís Fiori.

segunda-feira, 7 de março de 2011

8 de Março: Dia Internacional de Luta das Mulheres

Em luta por autonomia e igualdade, contra o machismo e o capitalismo, milhares de feministas sairão às ruas do Brasil mais uma vez para celebrar o Dia Internacional de Luta das Mulheres. Em São Paulo, as atividades serão marcadas, em dias diferentes, pelo bloco de carnaval feminista "Adeus, Amélia" e caminhada no Centro de São Paulo.
“Estamos em luta diária contra a violência sexista, pela descriminalização e legalização do aborto, valorização do nosso trabalho, educação de qualidade para todos e solidárias às lutas anti-capitalistas travadas no Brasil e no mundo”, afirmam as quase cem organizações que convocam o ato do dia 12.
Com a celebração, as feministas querem chamar a atenção da população para os principais problemas que enfrentam. Entre eles, a tentativa, por parte do STF (Superior Tribunal de Justiça), de flexibilizar a Lei Maria da Penha; a falta de investimento por parte do governo estadual na ampliação das delegacias da mulher e casas abrigos; o déficit de vagas em creches e na educação infantil de São Paulo; o crescimento da intolerância e do conservadorismo, com manifestações de violência contra lésbicas, homossexuais e transexuais na cidade; o desrespeito a direitos trabalhistas das mulheres; o descaso do poder público com a reforma urbana e agrária; e a mercantilização do corpo da mulher nos meios de comunicação, entre outros.
As brasileiras prestarão ainda solidariedade internacional às mulheres que neste momento estão em luta em todo o mundo.

Agende-se e participe!

08/03, 14h - O Bloco “Adeus, Amélia!” levará a mensagem das feministas à população paulista. A concentração será na Praça Padre Péricles, próximo ao Parque da Água Branca (Metrô Barra Funda). De lá seguirá pelo Elevado (Minhocão) até a Rua Consolação.

12/03, 9h30 - A concentração da Caminhada de Luta das Mulheres será no (CIM) Centro de Informação da Mulher, na Praça Roosevelt (Rua Consolação, 605). De lá, as mulheres caminharão pelo centro da cidade, encerrando o ato na Praça da Sé.

Não é crime passional é femicídio

Pesquisa aponta que 5 mulheres apanham a cada 2 minutos

Pesquisa feita pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o Sesc projeta uma chocante estatística: a cada dois minutos, cinco mulheres são agredidas violentamente no Brasil. Há 10 anos, eram oito as mulheres espancadas no mesmo intervalo.
Realizada em 25 Estados, a pesquisa Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado ouviu em agosto do ano passado 2.365 mulheres e 1.181 homens com mais de 15 anos. Aborda diversos temas e complementa estudo similar de 2001. Mas a parte que salta aos olhos é, novamente, a da violência doméstica. A projeção nacional aponta que 7,2 milhões de mulheres com mais de 15 anos já sofreram agressões.
No entanto, a pequena diminuição do número de mulheres agredidas entre 2001 e 2010 pode ser atribuída, em parte, à Lei Maria da Penha.
Os dados mostram que a violência contra a mulher não é um problema privado, de casal. É social e exige políticas públicas específicas e eficientes de combate à violência contra a mulher.
[Fotos: Ruivo Lopes | São Paulo, 2010]

quarta-feira, 2 de março de 2011

Rock, revolução e videotape


Em 1979, a Revolução Islâmica no Irã impôs uma férrea censura ao rock e a outras formas da "cultura decadente do Ocidente". No mesmo 1979, Frank Zappa, inspirado pelos mesmos acontecimentos, lançou seu Joe’s Garage. No disco, as palavras de Zappa são certeiras. Leia o artigo na íntegra aqui.


Assista | Je Vous Salue, Sarajevo, texto, narração e direção de ninguém menos que Jean-Luc Godard. O filme foi a exceção na última Bienal de São Paulo, que teve como tema principal a "política na arte". Tema, aliás, familiar e por isso mesmo conflituoso para um diretor como Godard. O texto narrado por ele no filme não deixa sombra de dúvida. Cultura é a regra e arte a exceção, diz Godard. Para o diretor francês, todos falam a regra, ninguém fala a exceção.

Agende-se e participe!

Até 13/03, sab às 19h30 e dom às 20h - O Percevejo, de Vladimir Maiakovski. Último texto do autor antes do suicídio em 1930. Comédia fantástica, cheia crítica e sarcasmo, sobre a história de um patético herói da revolução russa ressuscitado no distante futuro de 1979. Imperdível! No Indac - Escola de Atores (Praça Américo Jacomino, 63, Sumarezinho, ao lado do metrô Vila Madalena , 3862-0947). Gratuito.

Até 26/06, sáb e dom, às 20h - O Núcleo 184 apresenta o espetáculo teatral Rosa Vermelha - Concerto Mínimo para a Vida, Obra e Morte de Rosa Luxemburgo, O Socialismo ou a Barbárie. A peça conta a história da polonesa Rosa Luxemburgo, revolucionária que atuou pelo socialismo internacional, fundadora do Partido Comunista da Alemanha e assassinada em 1919 por militares de extrema direita. Teatro Studio 184 (Praça Franklin Roosevelt, 184, Consolação, 3259 6940). Gratuito.

Conheça!

O blog de Rômulo Santos e veja interessantes produções pedagógicas em audiovisual.

O álbum virtual fotográfico de Marcão Palhano e veja belíssimas fotos de cultos religiosos afro-brasileiros de São Luis (MA).

A Casa-Museu Fernando Pessoa, localizada em Lisboa (Portugal), lançou uma ferramenta incrível que permite ao internauta de qualquer parte do mundo acessar a vasta biblioteca do poeta português, percorrer seus interiores, ler suas anotações e conhecer sua letra miúda, espremida em cantos de página. O acervo virtual do poeta pode ser acessado aqui.

Baixe!

O Portal Domínio Público propõe o compartilhamento de conhecimentos, colocando à disposição de todos os usuários da rede mundial de computadores uma biblioteca virtual de referência para professores, alunos, pesquisadores e para a população em geral. Seu principal objetivo é promover o amplo acesso às obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos), já em domínio público ou que tenham a sua divulgação autorizada, que constituem o patrimônio cultural brasileiro e universal. O Portal Domínio Público, ao disponibilizar informações e conhecimentos de forma livre e gratuita, busca incentivar o aprendizado, a inovação e a cooperação entre os geradores de conteúdo e seus usuários. Acesse agora e baixe o conto Pai contra mãe, de Machado de Assis, sobre o cotidiano no período em que vigorou a escravidão de negros no Brasil.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Para o PSDB e o DEM paulistas aumento da passagem é caso de polícia

A manifestação pública e pacífica de estudantes e trabalhadores ocorrida na tarde da última quinta-feira (17) na frente da Prefeitura de São Paulo contra o aumento da passagem de ônibus foi duramente reprimida por policiais militares e guardas civis metropolitanos. Nem o prefeito nem o secretário municipal dos transportes quiseram uma negociação. Em protesto pela falta de diálogo, manifestantes se acorrentaram dentro da prefeitura. A resposta a ação dos manifestantes veio na forma de uma gratuita e desmedida violência praticada por PMs e GCMs armados até os dentes. O resultado foi uma gravíssima violação aos direitos humanos promovida por policiais militares e guardas civis metropolitanos em plena luz do dia e fartamente registrada pela imprensa televisiva, impressa e alternativa. No entendimento dos partidos da ordem, PSDB e DEM, a questão social continua sendo caso de polícia.
O movimento contra o aumento da passagem promete uma nova manifestação pública e pacífica na próxima quinta (24), às 17h, em frente ao Teatro Municipal, no Centro de São Paulo.

Venha para a rua contra o aumento da passagem você também!

Mais informações: Movimento Passe Livre - São Paulo e Centro de Mídia Independente.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Cidadãos protestem!

Brasília, a cidade planejada e em permanente construção, onde o que interessa e impressiona é o imprevisível. Palco principal das decisões políticas do país não poderia deixar de ter suas largas contradições. Tão largas quanto seu eixo monumental. Lado a lado: exuberância e mazelas. Projeto arquitetônico ousado e sofisticado para o plano piloto que não incluiu as cidades satélites, obra da sabedoria popular. Brasília é um projeto inacabado. Feito a todo momento por quem nele mora, caminha, trabalha, ri, soa, prospera, sofre, saúda e se despede. Brasilienses, nordestinos, paulistas, brasileiros de todas as partes fazem de Brasília a obra que ela é.
Dedicado a todos os amigos e amigas de Brasília, sem os quais a cidade não seria a mesma.
[Foto: Ruivo Lopes | Brasília, 2011 | Pixação política no parapeito da passarela superior da Rodoviária do Plano Piloto. Ao fundo, o Congresso Nacional e a Esplanada dos Ministérios. À direita, a Capela Metropolitana]

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Invisibilidade social e criminalização de movimento contrário ao aumento da passagem de ônibus em São Paulo

Carregado de recicláveis, catador corre em meio ao trânsito da Rua da Consolação para tentar fugir da forte chuva que caiu na tarde de hoje em São Paulo. A chuva o pegou segundos depois do registro da foto. População ainda em situação de vulnerabilidade social, os catadores contam com o apoio do poder público para a execução de políticas de inclusão socioeconômica para o segmento.

Assista | Polícia Militar reprime violentamente participantes da manifestação ocorrida no fim da tarde ontem (13) contra o aumento da passagem de ônibus em São Paulo.

Agende e participe!

21/01, 18h - Encontro preparatórico do Tribunal Popular da Terra, a ser realizado no fim de 2011. O Debate sobre "Políticas e Direitos Indígenas" ocorrerá no Espaço Ay Carmela, na Rua dos Carmelitas, 140, Sé (próximo ao Poupa Tempo).

domingo, 2 de janeiro de 2011

Heleieth Saffioti (1934–2010): uma mulher na luta de classes

Heleieth Saffioti (1934–2010) na sua tese de doutorado defendida em 1966 e publicada em 1969: A Mulher na Sociedade de Classes, demonstrou que atuar pela libertação das mulheres exige o engajamento na luta de classes. Temos que remeter a luta de emancipação feminina à luta de classes, declaração dela ao jornal Brasil Mulher, em 09/10/1975. Naqueles anos conturbados em que se entendiam lutas especificas e gerais como antagônicas, seus estudos definiram um rumo aos movimentos: as lutas das mulheres e as lutas de classes devem caminhar juntas e estão entrelaçadas pelo mesmo sistema de opressão e exploração. Leia o artigo "Heleieth, a ousadia do livre pensar feminista!", homenagem de Maria Amélia de Almeida Teles.


Assista | Augusto Boal "A política é a arte de tornar possível o que é necessário fazer"

Brasil profundo A História do Brasil está fortemente marcada pelo oficialismo das elites da vez. Constitui a História do Brasil uma rigorosa seleção de "fatos" cujos desdobramentos históricos raramente escapam à conciliação social. Na voz dos excluídos da História, a memória e a narrativa revelam o que a História Oficial faz questão de esquecer: a guerra das elites contra o homem comum. Guerra que precede e força a conciliação social. O jornal O Estado de S. Paulo, num momento de lucidez jornalistica, disponibiliza para acesso virtual a reportagem "Guerras desconhecidas do Brasil", de Leonencio Nossa e Celso Júnio. Acesse a reportagem e entenda por que as guerras do passado ajudam a explicar problemas sociais do presente.

Baixe

História Geral da África Publicada em oito volumes, a coleção completa História Geral da África está agora também disponível em português para download gratuito. Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) nos últimos trinta anos, a coleção História Geral da África é um marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.

Conheça

O blog do Espaço Cultural Mané Garrincha. Espaço dos sem terra, dos famélicos da terra, dos sem teto, dos sem-universidade, dos sem emprego, mas que se reconhecem nos movimentos sociais.

O blog Provacontato do fotojornalista porto alegrense Daniel Marenco e veja ensaios fotográficos pelo Brasil afora.